===== SUBSTÂNCIA ARISTOTÉLICA ===== O propósito de [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] é primeiramente trazer as [[lexico:i:ideias:start|ideias]] transcendentes de [[lexico:p:platao:start|Platão]] e fundi-las com as [[lexico:c:coisas-reais:start|coisas reais]] de nossa [[lexico:e:experiencia:start|experiência]] [[lexico:s:sensivel:start|sensível]]. Para isso começa partindo da [[lexico:c:coisa:start|coisa]] tal como a vemos e sentimos. E na coisa [[lexico:r:real:start|real]], tal como a vemos e sentimos, distingue Aristóteles três [[lexico:e:elementos:start|elementos]]: um primeiro [[lexico:e:elemento:start|elemento]], que denomina [[lexico:s:substancia:start|substância]]; um segundo elemento, que denomina [[lexico:e:essencia:start|essência]], e um [[lexico:t:terceiro:start|terceiro]] elemento, que denomina [[lexico:a:acidente:start|acidente]]. Que é a substância? A substância tem em Aristóteles duas [[lexico:s:significacoes:start|significações]]. Aristóteles a emprega indistintamente em uma e outra [[lexico:s:significacao:start|significação]]. Umas vezes — a maior [[lexico:p:parte:start|parte]] das vezes — tem um primeiro [[lexico:s:sentido:start|sentido]] [[lexico:e:estrito:start|estrito]]. Outras vezes tem um sentido lato. O sentido estrito é o da [[lexico:u:unidade:start|unidade]], que suporta todos os demais [[lexico:c:caracteres:start|caracteres]] da coisa. Se nós analisamos uma coisa, descobrimos nela caracteres, notas distintivas, elementos conceituais: este copo é grande; é de cristal; é frio; tem água dentro; foi feito dessa maneira, daquela outra. Mas o [[lexico:q:quid:start|quid]] do qual se diz que é isto, que é aquilo, que foi feito desta maneira ou daquela outra maneira; o quid, como diz S. Tomás, a [[lexico:q:quidditas:start|quidditas]], a coisa da qual se predica tudo aquilo que se pode predicar, é isso que Aristóteles chama o "substante", em [[lexico:g:grego:start|grego]] [[lexico:h:hypokeimenon:start|hypokeimenon]], que jaz debaixo, e que os latinos traduziram pela [[lexico:p:palavra:start|palavra]] substare, [[lexico:e:estar:start|estar]] debaixo: chama-o a "substância". A substância é, em [[lexico:s:suma:start|suma]] — advirta-se [[lexico:b:bem:start|Bem]] — o correlato [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]] do [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] na [[lexico:p:proposicao:start|proposição]], do sujeito no [[lexico:j:juizo:start|juízo]]. Quando num juízo dizemos: [[lexico:e:esse:start|esse]] é tal coisa, [[lexico:s:socrates:start|Sócrates]] é mortal, Sócrates é [[lexico:h:homem:start|homem]], Sócrates é ateniense, Sócrates é gordo, Sócrates é feio, Sócrates ó narigudo, sempre dizemos de alguém todas essas [[lexico:c:coisas:start|coisas]]. O quid, o sujeito da proposição da qual dizemos tudo isto, essa é a substância. Mas, que dizemos da substância? Pois tudo aquilo que dizemos da substância é o que chama Aristóteles essência. A essência é a [[lexico:s:soma:start|soma]] dos [[lexico:p:predicados:start|predicados]] que podemos predicar da substância. Ora, estes predicados dividem-se em dois grupos; predicados que convém à substância de tal [[lexico:s:sorte:start|sorte]] que se lhe faltasse um deles [[lexico:n:nao:start|não]] seria [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]]; e predicados que convém à substância, mas que são de tal sorte que ainda que algum deles faltasse, continuaria a [[lexico:s:ser:start|ser]] a substância aquilo que é. Aqueles primeiros são a essência propriamente dita, porque se algum deles faltasse à substância, a substância não seria aquilo que é; e estes segundos são o acidente, porque o [[lexico:f:fato:start|fato]] de tê-los ou não, não impede de [[lexico:m:modo:start|modo]] algum que seja aquilo que é. Desta maneira chegamos ao [[lexico:o:outro:start|outro]] sentido que de vez em quando dá Aristóteles à palavra "substância", e é o sentido da [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]] da coisa, com seus caracteres essenciais e com seus caracteres acidentais: Nesse sentido chama Aristóteles substância ao individual. Para Aristóteles, por conseguinte, o que existe metafisicamente, realmente, são as [[lexico:s:substancias:start|substâncias]] individuais; o que existe metafisicamente e realmente é Fulano de Tal; não o [[lexico:c:conceito:start|conceito]] genérico, a [[lexico:i:ideia:start|ideia]] de homem, mas Fulano de Tal, Sócrates; este cavalo que estou montando, não o cavalo em [[lexico:g:geral:start|geral]]. Por isso para Aristóteles a resposta à [[lexico:p:pergunta:start|pergunta]], de que partiram essas lições, é muito [[lexico:s:simples:start|simples]] e está completamente de [[lexico:a:acordo:start|acordo]] com a [[lexico:p:propensao:start|propensão]] [[lexico:n:natural:start|natural]] do homem. A resposta à pergunta: [[lexico:q:quem:start|quem]] existe? é para Aristóteles esta: existem as coisas individuais; o resto não existe, são substâncias "segundas", deutere usia, substâncias segundas que não têm mais que [[lexico:e:existencia:start|existência]] secundária, o ser que consiste em ser [[lexico:p:predicado:start|predicado]] ou [[lexico:p:predicavel:start|predicável]], e mais [[lexico:n:nada:start|nada]]. Veja-se aqui o que fez Aristóteles, a [[lexico:t:tarefa:start|tarefa]] magnífica que levou a [[lexico:e:efeito:start|efeito]]. Constitui esta tarefa em [[lexico:i:isolar:start|isolar]] o elemento [[lexico:e:existencial:start|existencial]] que dá no parmenidismo e colocá-lo como hypokeimenon, como "substância", no sentido estrito da palavra; em tomar depois a ideia platônica, que era a unidade puramente [[lexico:e:essencial:start|essencial]] dos caracteres da [[lexico:d:definicao:start|definição]] do [[lexico:l:logos:start|Logos]] de Sócrates, do conceito, e atribuí-los à substância, como aquilo que designa o que a substância é, e acrescentar logo os caracteres particulares que a experiência nos mostra em cada umas das substâncias. Conseguiu Aristóteles magnificamente aquilo que se propusera: trazer as ideias do [[lexico:c:ceu:start|céu]] à [[lexico:t:terra:start|Terra]]; destruir a [[lexico:d:dualidade:start|dualidade]] entre o [[lexico:m:mundo:start|mundo]] sensível e o [[lexico:i:inteligivel:start|inteligível]]; fundir estes dois [[lexico:m:mundos:start|mundos]] no conceito lato da substância, da coisa real, que está aí. Neste mundo sensível cada coisa é, existe, tem uma existência, é uma substância. Mas que é o que isso é? em que consiste isso que é? Vem imediatamente o conceito, a ideia platônica, que desce do seu mundo celeste e vem pousar sobre a [[lexico:r:realidade:start|realidade]] existencial da substância para dar-lhe a [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] de uma definição, para torná-la inteligível, para que o [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] possa pensá-la, defini-la, fixá-la no catálogo geral dos seres; e depois os elementos inessenciais, acidentais, que nem acrescentam nem tiram à definição essencial, mas caracterizam a substância, como isto que está neste [[lexico:l:lugar:start|lugar]] e neste [[lexico:m:momento:start|momento]]. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}