===== SUBJETIVIDADE TRANSCENDENTAL ===== A [[lexico:r:reducao|redução]] teve por [[lexico:f:finalidade|finalidade]] permitir alcançar o [[lexico:v:verdadeiro|verdadeiro]] nível de fundamentação filosófica: a [[lexico:s:subjetividade-transcendental|subjetividade transcendental]]. É ela que determina radicalmente o [[lexico:c:caracter|carácter]] específico da [[lexico:f:fenomenologia|fenomenologia]]. Pela redução o [[lexico:c:conceito|conceito]] tradicional de «[[lexico:c:ciencia|ciência]]» modifica-se; transcende o [[lexico:e:estatuto|estatuto]] de [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] «[[lexico:i:imanente|imanente]] ao [[lexico:m:mundo|mundo]]» para originar um novo conceito, o de um [[lexico:s:saber|saber]] em [[lexico:p:principio|princípio]] «[[lexico:t:transcendente|transcendente]]» a [[lexico:t:todo|todo]] o saber [[lexico:m:mundano|mundano]], pois nos possibilita um conhecimento do mundo a partir da sua [[lexico:o:origem|origem]]. A fenomenologia pura, pelo [[lexico:f:fato|fato]] de remeter para o terreno [[lexico:u:ultimo|último]] da [[lexico:s:subjetividade|subjetividade]] [[lexico:t:transcendental|transcendental]], [[lexico:n:nao|não]] fica presa à [[lexico:i:imanencia|imanência]] do mundo, ultrapassa o mundo e não apenas o [[lexico:e:ente|ente]] intra-mundano. O seu terreno fundamentador é «uma auto-reflexão plena, inteira e [[lexico:u:universal|universal]]». Nela aparecem os fenômenos como tais e «submetidos, enquanto fenômenos da [[lexico:i:intencionalidade|intencionalidade]], a uma explicitação [[lexico:i:intencional|intencional]]». Os fenômenos são as «[[lexico:c:coisas|coisas]] mesmas», isto é, não deformadas por urra [[lexico:v:visao|visão]] subjetivante intramundana, mas sim inseridas na [[lexico:p:perspectiva|perspectiva]] da subjetividade transcendental, na perspectiva em que são vistos. Assim, nenhum [[lexico:o:objeto|objeto]] que na [[lexico:a:atitude-natural|atitude natural]] era [[lexico:d:dado|dado]] no terreno do mundo é abandonado; apenas [[lexico:a:agora|agora]] é evidenciada a sua [[lexico:r:relacao|relação]] com a [[lexico:c:consciencia|consciência]] transcendental. Porém, esta última não é algo de novo; há uma [[lexico:i:identidade|identidade]] profunda entre subjetividade mundana e subjetividade transcendental; ao executar-se a redução, convertendo-se as coisas mundanas em «coisas mesmas», isto é, em fenômenos, também a subjetividade mundana se converte em subjetividade transcendental, terreno universal onde se fundamenta o [[lexico:l:logos|Logos]], isto é, o [[lexico:d:direito|direito]] de doação de todos os outros fenômenos. [[lexico:s:ser|ser]] [[lexico:f:fenomeno|fenômeno]] [[lexico:n:nada|nada]] significa a não ser correlato [[lexico:o:objetivo|objetivo]] de subjetividade transcendental, isto é, seu cogitatum. Por isso pôde [[lexico:h:husserl|Husserl]] afirmar, já nas [[lexico:i:investigacoes-logicas|investigações Lógicas]], que «a fenomenologia significa a [[lexico:t:teoria|teoria]] das vivências em [[lexico:g:geral|geral]], compreendendo todos os dados não só reais, mas também intencionais, que se podem revelar com [[lexico:e:evidencia|evidência]] nas vivências» e que a [[lexico:a:analise|análise]] intencional vai tornar [[lexico:p:possivel|possível]] numa [[lexico:a:atitude|atitude]] reflexiva de evidenciação. A fenomenologia aparece-nos assim como o contrário do [[lexico:f:fenomenismo|fenomenismo]]: Husserl opôs-se sempre a defender a «[[lexico:c:coisa|coisa]] em si», mesmo a título de conceito [[lexico:l:limite|limite]]. O fenômeno não é mera [[lexico:a:aparencia|aparência]], mas aquilo pelo qual os entes existem para nós, têm para nós um «[[lexico:v:valor|valor]] de ser» que o [[lexico:p:processo|processo]] intencional de evidenciação trará à [[lexico:l:luz|luz]]. *[[lexico:n:nota|nota]]: Na mesma perspectiva se pronuncia [[lexico:h:heidegger|Heidegger]] em Sein und Zeil: «Por detrás dos fenômenos da fenomenologia não há, pois, em [[lexico:v:verdade|verdade]], outra coisa, mas pode acontecer que se encontre escondido o que deverá tornar-se fenômeno. E é precisamente porque os fenômenos ndo são imediatamente dados, que há [[lexico:n:necessidade|necessidade]] de uma fenomenologia». («Hinter» den Phänomenen der Phänomenologie steht wesenhaft nichts anderes, whohl aber kann das, was Phänomen werden soll, verborgen sein. Und gerade deshalb, [[lexico:w:weil|Weil]] die zunächst und zumeist nicht gegeben sind, bedarf es der Phänomenologie.) Sein und Zeil, Tübingen, M. Niemeyer, 1967, pp. 36.* [Morujão]