===== SUBIECTO ===== *Uma [[lexico:p:potencia:start|potência]] [[lexico:n:nada:start|nada]] mais é que um [[lexico:p:principio:start|princípio]] de [[lexico:a:acao:start|ação]] ou de [[lexico:p:paixao:start|paixão]]. Ora, a [[lexico:a:alma:start|alma]] é o princípio das operações sensitivas. Portanto, as potências sensitivas estão na alma como em um [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]]. Portanto, é [[lexico:i:impossivel:start|impossível]] que elas [[lexico:n:nao:start|não]] permaneçam na alma separada, pois os acidentes desprovidos de [[lexico:c:contrariedade:start|contrariedade]] não se corrompem a não [[lexico:s:ser:start|ser]] pela [[lexico:c:corrupcao:start|corrupção]] do sujeito.* O [[lexico:a:argumento:start|argumento]] é [[lexico:s:simples:start|simples]]: a alma sendo o princípio das operações sensitivas, estas estão nela “como em um sujeito”. O que está na alma como em um sujeito é um [[lexico:a:acidente:start|acidente]]. Um acidente, se não há contrário suscetível de eliminá-lo e de sucedê-lo no sujeito, não pode ser destruído a não ser pela [[lexico:d:destruicao:start|destruição]] do sujeito. As operações sensitivas não têm contrários. A alma sujeito-princípio das operações-acidentes sensitivos é indestrutível. Portanto, as operações sensitivas permanecem necessariamente na alma após a [[lexico:m:morte:start|morte]], isto é, após a [[lexico:s:separacao:start|separação]] da alma e do [[lexico:c:corpo:start|corpo]]. [[lexico:e:esse:start|esse]] resumo de [[lexico:o:ontologia:start|ontologia]] aristotélica opera uma [[lexico:e:equacao:start|equação]] princípio = sujeito governada em segredo pela [[lexico:a:assimilacao:start|assimilação]] da ação e da paixão a acidentes, cujo [[lexico:m:modo:start|modo]] de ser é definido precisamente pela [[lexico:i:inerencia:start|inerência]] a um sujeito, conforme a [[lexico:d:definicao:start|definição]] do acidente pelo esse in subiecto (έν ὑποκειμένω ἐίναι) no capítulo 2 das [[lexico:c:categorias:start|categorias]]. Tem-se ali, com toda [[lexico:e:evidencia:start|evidência]], o terreno fértil à [[lexico:i:ideia:start|ideia]] de sujeito-agente: a de um sujeito que seria ao mesmo [[lexico:t:tempo:start|tempo]] princípio de [[lexico:o:operacao:start|operação]]. Ainda se está longe, ao que parece, do “sujeito [[lexico:m:moderno:start|moderno]]”: esse sujeito-operador que não é nem um “mim” nem um “[[lexico:e:eu:start|eu]]”; é a alma. Tanto mais longe na [[lexico:m:medida:start|medida]] em que, precisamente, a resposta de Tomás consiste em distinguir princípio e sujeito. Se a alma é de [[lexico:f:fato:start|fato]], para ele, o princípio da operação sensitiva, o sujeito da operação não é a alma, mas o [[lexico:c:composto:start|composto]] [[lexico:a:alma-corpo:start|alma-corpo]], que age por [[lexico:m:meio:start|meio]] da alma. Mais exatamente: o composto alma-corpo é o sujeito das potências da [[lexico:p:parte:start|parte]] sensitiva da alma; a própria alma não é senão seu princípio. Nenhuma operação da parte sensitiva da alma tem a alma como operador: é o composto que opera por meio da alma; é ele que vê, que ouve, que percebe; é ele, portanto, que tem a potência de [[lexico:v:ver:start|ver]], de ouvir e de perceber. Diante da [[lexico:q:questao:start|questão]] colocada, Tomás responde então que a destruição do corpo implica a destruição das potências sensitivas que, na [[lexico:f:falta:start|falta]] do composto, não têm mais sujeito; aquelas que, todavia, subsistem na alma como seu princípio, evidentemente sem ser exercidas, [[lexico:d:dado:start|dado]] que o composto não é reconstituído pela ressurreição da carne38. Essa resposta, fundada na [[lexico:a:afirmacao:start|afirmação]] de que as potências sensitivas “não são da [[lexico:e:essencia-da-alma:start|essência da alma]]”, mas sim “propriedades naturais”, “do composto como sujeito, e da alma como princípio”39 é solidária a uma [[lexico:a:antropologia:start|antropologia]] não dualista que se pretende aristotélica, isto é, resolutamente antiplatônica: o [[lexico:h:homem:start|homem]] tomasiano não é sua alma, mas composto de alma e de corpo. Apresentaremos, em seguida, suas teses principais, e poderemos seguir seu [[lexico:e:eco:start|Eco]] até na controvérsia de [[lexico:d:descartes:start|Descartes]] com Regius. Veremos também em que ela é ou não verdadeiramente aristotélica. Por ora, devemos mostrar apenas que os teoremas fundamentais que articulam o [[lexico:c:campo:start|campo]] de [[lexico:p:presenca:start|presença]] de onde sairá a [[lexico:t:teoria:start|teoria]] clássica do sujeito já estão em [[lexico:o:obra:start|obra]] no tratamento tomasiano do sujeito da operação sensitiva, ou seja, que os dois [[lexico:p:principios:start|princípios]] da “[[lexico:d:denominacao:start|denominação]] do sujeito pelo acidente” ([[lexico:p:pdsa:start|PDSA]]) e da “su-jeição da ação na potência de um [[lexico:a:agente:start|agente]]” ([[lexico:p:psapa:start|PSAPa]]) são parte integrante, e [[lexico:e:essencial:start|essencial]], do [[lexico:r:raciocinio:start|raciocínio]] que autoriza a solução que ele defende. Isso é evidente que no início do respondeo, em que Tomás lança as bases teóricas de sua [[lexico:p:posicao:start|posição]] final: *É preciso dizer que as [[lexico:p:potencias-da-alma:start|potências da alma]] não são da [[lexico:e:essencia:start|essência]] da alma, mas sim propriedades naturais que emanam de sua essência, [[lexico:c:como-se:start|como se]] depreende das questões precedentes. Ora, um acidente é corrompido de duas formas. Em primeiro [[lexico:l:lugar:start|lugar]], por seu contrário, como o frio é corrompido pelo calor. Em segundo lugar, pela corrupção de seu sujeito: de fato, nenhum acidente pode permanecer após a corrupção de seu sujeito. Portanto, quaisquer que sejam os acidentes ou formas que não tenham contrário, eles não são destruídos a não ser pela destruição do sujeito. Ora, é manifesto que nada é contrário às potências da alma. Portanto, se elas se corrompem, só pode ser pela corrupção de seu sujeito. Logo, para [[lexico:s:saber:start|saber]] se as potências sensitivas se corrompem, corrompido o corpo, ou permanecem na alma separada, cabe tomar como princípio da [[lexico:i:investigacao:start|investigação]] a questão: qual é o sujeito de tais potências? Ora, é manifesto que o sujeito de uma potência deve ser aquele que dizem potente segundo essa potência, pois [[lexico:t:todo:start|todo]] acidente denomina seu sujeito. Ora, [[lexico:i:identico:start|idêntico]] é esse que pode agir ou sofrer e esse que é agente ou paciente. Daí que é preciso que seja sujeito da potência esse que é sujeito da ação ou da paixão da qual a potência é o princípio. E é o que diz o [[lexico:f:filosofo:start|filósofo]] [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] no livro Do Sono e da Vigília: é a [[lexico:q:quem:start|quem]] tem a potência que pertence a ação.* Esse [[lexico:t:texto:start|texto]] é [[lexico:c:capital:start|capital]]. Tomás nos ensina ai, de fato, que a [[lexico:f:fonte:start|fonte]] de PSAPa é uma passagem de Do Sono e da Vigília. O texto visado é 454a8: οὗ γὰρ ἡ δύναμις, τούτου καὶ ἡ ἐνέργεια. Ele se inscreve em um conjunto 45437-11 que sustenta que: *Visto que, de outra parte, o fato de sentir não é [[lexico:p:proprio:start|próprio]] nem da alma nem do corpo (pois aquele em que há potência é também aquele em que há [[lexico:a:ato:start|ato]]; e isso que se chama sensação, enquanto ato, é um certo movimento da alma por intermédio do corpo), está claro que essa [[lexico:a:afeccao:start|afecção]] não é própria da alma e que um corpo sem alma não é tampouco capaz de sentir.* Se o texto de Aristóteles vai [[lexico:b:bem:start|Bem]] no [[lexico:s:sentido:start|sentido]] da [[lexico:t:tese:start|tese]] toma-siana, a [[lexico:f:formula:start|fórmula]] elíptica de Aristóteles em 454a8 não faz [[lexico:r:referencia:start|referência]] ao sujeito40: contudo, muitos o introduzem ali, do tradutor francês das Questões de Tomás (François Genuyt O. P.) ao tradutor inglês de Do Sono e da Vigília (J. I. Beare): um compreendendo que o sujeito da potência é o sujeito da ação41, o [[lexico:o:outro:start|outro]] que the subject ofactuality is in every case identical with that of potentiality42-. A mesma doutrina com a mesma referência ao De Somno et Vigilia, [[lexico:f:figura:start|figura]] no “respondeo” da [[lexico:s:suma-teologica:start|Suma Teológica]], Ia Parte, q. 77, a. 5, em que Tomás explica que uma potência ou [[lexico:f:faculdade:start|faculdade]] só pode [[lexico:t:ter:start|ter]] como sujeito aquilo a que pertence sua própria operação — o que quer dizer que, se essa ou aquela operação provém da alma, a potência correspondente será sub-jetivamente fundada na alma, enquanto que, se uma outra operação provém do composto alma-corpo, a potência correspondente será sub-jetivamente fundada no composto. *Eu respondo. É preciso dizer que o sujeito de uma potência operativa é aquele que é capaz de operar, pois todo acidente denomina seu próprio sujeito. Ora, é o mesmo que pode operar e que opera. É preciso, portanto, que uma potência tenha como sujeito esse a quem pertence sua operação, como diz o filósofo [Aristóteles] no início do mesmo livro Do Sono e da Vigília. Ora é manifesto, em [[lexico:f:funcao:start|função]] do que se disse, que há operações da alma que se exercem sem [[lexico:o:orgao:start|órgão]] corporal, como o [[lexico:p:pensar:start|pensar]] e o querer. Por [[lexico:c:consequencia:start|consequência]], as potências que são os princípios dessas operações estão na alma como em um sujeito. Mas há outras operações da alma que se exercem por órgãos corporais, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], a [[lexico:v:visao:start|visão]], pelo olho, a [[lexico:a:audicao:start|audição]], pela orelha. E o mesmo para todas as outras operações da parte vegetativa e sensitiva. Por consequência, as potências que são os princípios dessas operações têm como sujeito o composto, e não somente a alma.* Do [[lexico:c:complexo:start|complexo]] formado por PDSA, PSAPa e o conjunto dos princípios ou teoremas que eles comandam ou dos quais abrem a [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] teórica, pode-se de fato deduzir, como será o caso da Idade Média à modernidade, as seguintes proposições, que serão discutidas continuamente de um [[lexico:e:extremo:start|extremo]] a outro do nascimento do sujeito, a saber: a. toda ação requer um agente b. toda ação requer um sujeito c. toda ação requer um agente que é um sujeito a. toda ação requer um sujeito que é seu agente [LiberaAS:63-70] {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}