===== STRAUSS ===== Strauss, Friedrich (1808-1874) Discípulo de [[lexico:h:hegel:start|Hegel]] e considerado da "[[lexico:e:esquerda-hegeliana:start|esquerda hegeliana]]", Strauss dedicou-se a uma [[lexico:c:critica:start|crítica]] radical dos textos bíblicos e tentou, assim como [[lexico:f:feuerbach:start|Feuerbach]], reduzir o [[lexico:s:significado:start|significado]] da [[lexico:r:religiao:start|religião]] a exigências e necessidades humanas: [[lexico:s:simples:start|simples]] [[lexico:a:antropologia:start|antropologia]]. Seguindo as [[lexico:i:ideias:start|ideias]] e orientações de Ferdinand Baur, da [[lexico:e:escola:start|escola]] de Tubinga, publicou em 1835 a [[lexico:v:vida:start|vida]] de Jesus, [[lexico:o:obra:start|obra]] que logo se fez famosa e suscitou as violentas polêmicas que consumaram a [[lexico:d:divisao:start|divisão]] dos discípulos de Hegel. "Essa obra foi a primeira tentativa radical, [[lexico:s:sistematica:start|sistemática]] e completa de aplicar o [[lexico:c:conceito:start|conceito]] hegeliano da religião aos textos bíblicos. O resultado foi reduzir a [[lexico:f:fe-religiosa:start|fé religiosa]] a um simples [[lexico:m:mito:start|mito]]. O Jesus da [[lexico:t:tradicao:start|tradição]] é um mito: [[lexico:n:nao:start|não]] pertence à [[lexico:h:historia:start|história]]; é uma [[lexico:f:ficcao:start|ficção]] produzida pela [[lexico:o:orientacao:start|orientação]] intelectual de uma determinada [[lexico:s:sociedade:start|sociedade]]." O mito é uma [[lexico:i:ideia:start|ideia]] [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] expressa mediante uma [[lexico:i:imagem:start|imagem]], por um [[lexico:e:espirito:start|espírito]] contemplativo. Seu [[lexico:v:valor:start|valor]] não reside no [[lexico:f:fato:start|fato]] narrado, mas na ideia representada. O mito de Jesus foi originado pela ardente espera do Messias e pela [[lexico:p:personalidade:start|personalidade]] do Jesus [[lexico:h:historico:start|histórico]]. Partindo destes [[lexico:p:principios:start|princípios]], Strauss leva adiante a [[lexico:a:analise:start|análise]] filosófica e histórica dos textos evangélicos, relegando ao mito e à [[lexico:l:lenda:start|lenda]] [[lexico:t:todo:start|todo]] [[lexico:e:elemento:start|elemento]] [[lexico:s:sobrenatural:start|sobrenatural]] ou, em [[lexico:g:geral:start|geral]], não fundado sobre o [[lexico:t:testemunho:start|testemunho]] comprovado e concordante das fontes. A obra quer demonstrar a [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] entre a religião cristã, caracterizada por seus mitos, e a [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]]. No entanto, paradoxalmente, afirmará como conclusão que religião e filosofia são a mesma [[lexico:c:coisa:start|coisa]]: a [[lexico:u:unidade:start|unidade]] do [[lexico:i:infinito:start|infinito]] e do [[lexico:f:finito:start|finito]], de [[lexico:d:deus:start|Deus]] e do [[lexico:h:homem:start|homem]]. Em [[lexico:c:consequencia:start|consequência]], Jesus "não pode [[lexico:s:ser:start|ser]] senão um daqueles indivíduos cósmicos nos quais se realiza a ideia [[lexico:s:substancial:start|substancial]] da história. Nele surge, pela primeira vez, a [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] da unidade do [[lexico:d:divino:start|divino]] e do [[lexico:h:humano:start|humano]], e neste [[lexico:s:sentido:start|sentido]] é [[lexico:u:unico:start|único]] e inigualável na história do [[lexico:m:mundo:start|mundo]]". "Já temos aqui o homem incomparável", moldado por [[lexico:r:renan:start|Renan]], anos mais [[lexico:t:tarde:start|Tarde]], e a base da doutrina de Feuerbach. Suas duas obras completam o [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] [[lexico:r:religioso:start|religioso]] de Strauss: A [[lexico:f:fe:start|fé]] cristã em seu [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]] e em sua [[lexico:l:luta:start|luta]] com a [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] [[lexico:m:moderna:start|moderna]] (1841-1842) e A antiga e a nova fé (1872). Na primeira, contrapõe o [[lexico:p:panteismo:start|panteísmo]] da [[lexico:f:filosofia-moderna:start|filosofia moderna]] ao [[lexico:t:teismo:start|teísmo]] da religião cristã. "A história do [[lexico:d:dogma:start|dogma]] cristão é a crítica do [[lexico:p:proprio:start|próprio]] dogma, já que revela o progressivo triunfo do panteísmo sobre o teísmo, chegando a reconhecer que Deus [[lexico:n:nada:start|nada]] mais é do que o pensamento que age em todos, que os atributos de Deus nada mais são do que as leis da [[lexico:n:natureza:start|natureza]] e que o todo é imutável e [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]] refletido nos [[lexico:e:espiritos:start|espíritos]] finitos desde a [[lexico:e:eternidade:start|Eternidade]]. Na segunda, faz estas [[lexico:q:quatro:start|Quatro]] perguntas: 1) Somos ainda cristãos? Responde que não, porque o teísmo já não existe. 2) Temos ainda uma religião? Afirma que sim, desde que por religião se entenda o [[lexico:s:sentimento:start|sentimento]] de dependência que o homem tem do [[lexico:u:universo:start|universo]] e suas leis. 3) Como entendemos o universo? A resposta a esta terceira [[lexico:p:pergunta:start|pergunta]] contém sua profissão de [[lexico:m:materialismo:start|materialismo]]. 4) Como devemos regular nossa vida? A resposta contém sua doutrina [[lexico:m:moral:start|moral]]. O [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]] desta é levar uma vida [[lexico:s:social:start|social]] ordenada mediante a perfeita realização de nossa [[lexico:h:humanidade:start|humanidade]], utilizando para isso o [[lexico:p:principio:start|princípio]] da "[[lexico:s:simpatia:start|simpatia]]". Termina exaltando o industrialismo [[lexico:m:moderno:start|moderno]] e a burguesia. Ataca o cristianismo que detesta o afã de lucro e de êxito, assim como o [[lexico:s:socialismo:start|socialismo]]. A [[lexico:p:poesia:start|poesia]], especialmente a de [[lexico:l:lessing:start|Lessing]] e a de [[lexico:g:goethe:start|Goethe]], será a educadora do [[lexico:p:povo:start|povo]], não a Bíblia (Diccionario de filósofos). BIBLIOGRAFIA: Das Leben Jesu, 1835, 2 vols. [Santidrián] {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}