===== STOICHEION ===== stoicheíon: letra do [[lexico:a:alfabeto|alfabeto]], [[lexico:c:corpo|corpo]] [[lexico:p:primario|primário]], [[lexico:e:elemento|elemento]] 1. A comparação dos corpos básicos do [[lexico:m:mundo|mundo]] [[lexico:f:fisico|físico]] com as letras do alfabeto, e assim, por [[lexico:i:implicacao|implicação]], a introdução do [[lexico:t:termo|termo]] stoicheíon na [[lexico:l:linguagem|linguagem]] da [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] remonta provavelmente aos [[lexico:a:atomistas|atomistas]]. Neste contexto a comparação é válida [[lexico:d:dado|dado]] que as letras, como os atoma, [[lexico:n:nao|não]] têm [[lexico:s:significado|significado]] [[lexico:p:proprio|próprio]], mas, manejando a sua [[lexico:o:ordem|ordem]] ([[lexico:t:taxis|taxis]]) e [[lexico:p:posicao|posição]] ([[lexico:t:thesis|thesis]]), é [[lexico:p:possivel|possível]] construí-los em agregados com significados diferentes ([[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]], [[lexico:m:metafisica|Metafísica]] 985b; De gen. et corr. I, 315b; [[lexico:v:ver|ver]] [[lexico:g:genesis|genesis]]). Mas o [[lexico:u:uso|uso]] mais remoto e confirmado do termo stoicheion encontra-se em [[lexico:p:platao|Platão]], [[lexico:t:teeteto|Teeteto]] 201e onde é evidente que Platão ainda sente a [[lexico:c:conotacao|conotação]] original de «letra do alfabeto». Na [[lexico:e:epoca|época]] de Aristóteles o significado original é largamente ignorado e stoicheion significa o elemento básico de um [[lexico:c:composto|composto]] (ver Metafísica 1014a). 2. A [[lexico:r:realidade|realidade]] por trás do termo é, evidentemente, muito mais antiga. É o [[lexico:o:objeto|objeto]] da busca de algo primário pelos Milésios ou o Urstoff do qual é feita a realidade [[lexico:f:fisica|física]] do mundo, uma tentativa para determinar o [[lexico:f:fato|fato]] inegável da [[lexico:m:mudanca|mudança]] remontando até ao seu [[lexico:p:ponto|ponto]] de [[lexico:o:origem|origem]]. Os candidatos a esta [[lexico:a:arche|arche]] são [[lexico:b:bem|Bem]] conhecidos: são as [[lexico:s:substancias|substâncias]] mais importantes na [[lexico:e:experiencia|experiência]] do [[lexico:h:homem|homem]] e geralmente também as que têm credenciais mitológicas (ver arche). 3. Dá-se com [[lexico:a:anaximandro|Anaximandro]] um importante [[lexico:d:desenvolvimento|desenvolvimento]]. A busca de uma única arche havia sugerido uma [[lexico:e:especie|espécie]] de genesis linear na qual os outros corpos eram derivados deste [[lexico:u:unico|único]] ponto de partida. Mas quando Anaximandro colocou a arche para [[lexico:a:alem|além]] das substâncias materiais perceptíveis (ver [[lexico:a:apeiron|apeiron]]), efetivamente tornou secundários todos os corpos perceptíveis e assim conduziu a busca do ponto de partida até novas direções não sensíveis, mas introduziu no [[lexico:p:problema|problema]] a [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] de uma genesis cíclica em que as substâncias perceptíveis penetram umas nas outras num ciclo [[lexico:c:continuo|contínuo]]. Esta [[lexico:t:transformacao|transformação]] mútua dos corpos básicos torna-se um lugar-comum em muita da [[lexico:f:filosofia-grega|filosofia grega]] (ver Platão, [[lexico:f:fedon|Fédon]] 72b, [[lexico:t:timeu|Timeu]] 49b-c; Aristóteles, De gen. et corr. II, 337a), levando, depois de [[lexico:p:parmenides|Parmênides]], à [[lexico:c:crenca|crença]] num [[lexico:a:agente|agente]] [[lexico:e:externo|externo]], ele próprio não movido, para manter o ciclo em [[lexico:o:operacao|operação]] (mediado, em Aristóteles, pelo [[lexico:m:movimento|movimento]] [[lexico:e:eterno|eterno]] do [[lexico:s:sol|sol]] ao longo da eclíptica; ver genesis, [[lexico:k:kinesis|kinesis]], [[lexico:k:kinoun|kinoun]]), e mesmo os stoicheia de [[lexico:e:empedocles|Empédocles]] parecem sofrer esta mudança cíclica (frgs. 17, 26). 4. A busca da arche chegou ao [[lexico:f:fim|fim]] com Parmênides que, invertendo o apeiron perfeitamente [[lexico:i:indefinido|indefinido]] de Anaximandro, postulou o seu próprio on perfeitamente definido. Ora a [[lexico:d:definicao|definição]] perfeita fornece não só uma arche mas também um [[lexico:t:telos|telos]], e assim Parmênides foi levado a negar a mudança sensivelmente percebida (ver genesis, kinesis) e, de fato, a [[lexico:v:validade|validade]] da própria [[lexico:s:sensacao|sensação]] (ver [[lexico:e:episteme|episteme]]). O on parmenidiano é o stoicheion [[lexico:a:absoluto|absoluto]] e radical. 5. Empédocles e os atomistas, ao restaurarem a [[lexico:p:pluralidade|pluralidade]] e o [[lexico:v:vacuo|vácuo]] ([[lexico:k:kenon|kenon]]), reabriram as possibilidades da genesis secundária e reabilitaram o [[lexico:c:conhecimento-sensorial|conhecimento sensorial]]. A procura dos Milésios de [[lexico:e:elementos|elementos]] básicos foi retomada e o próprio Empédocles tomou a iniciativa e seleccionou, como [[lexico:q:quatro|Quatro]] corpos básicos (ou «raízes» como lhes chamou) deste mundo material, a (erra, o [[lexico:a:ar|ar]], o [[lexico:f:fogo|fogo]] e a água, os [[lexico:q:quatro-elementos|quatro elementos]] canônicos (frg. 6; ver Aristóteles, Meta, 985a). «Selecionou» é a [[lexico:p:palavra|palavra]] apropriada nas circunstâncias visto que estes não eram de [[lexico:m:modo|modo]] algum os únicos candidatos; havia à mão um grande [[lexico:n:numero|número]] de «poderes» (dynameis) substantivados, v. g. «o quente», «o frio», «o leve», «o pesado», etc, que tinham sido isolados até este [[lexico:m:momento|momento]]. 6. Segundo tudo indica Empédocles foi, simultaneamente, o primeiro e o [[lexico:u:ultimo|último]] a sustentar que estes quatro eram os corpos primários irredutíveis; os esforços dos seus continuadores tendiam a reduzir estes «ditos elementos» (a [[lexico:e:expressao|expressão]] é de Aristóteles; ver Meta, 1066b) a algo mais básico e, ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]], a ver [[lexico:c:como-se|como se]] efetuava a sua passagem a corpos mais complexos. 7. Um [[lexico:g:grupo|grupo]], reclamando-se discípulo de Anaximandro e de Parmênides, sustentou que as archai dos corpos físicos não eram em si perceptíveis pelos sentidos e por isso deviam [[lexico:s:ser|ser]] procuradas em entidades que não tinham outras características a não ser [[lexico:m:massa|massa]] e posição. Tal era o [[lexico:a:atomon|atomon]] de Leucipo e [[lexico:d:democrito|Demócrito]] e o [[lexico:a:atomo|átomo]] matemático dos pitagóricos, a [[lexico:m:monas|monas]] (ver [[lexico:a:arithmos|arithmos]]). Estes são os verdadeiros «elementos» que, por seu lado, podiam ser estruturados em corpos mais complexos, os atoma, pelo [[lexico:p:processo|processo]] da [[lexico:a:associacao|associação]] ([[lexico:s:synkrisis|synkrisis]]), as mónades pela transformação geométrica de pontos em linhas, logo em superfícies e corpos; ver genesis. 8. Mas dado que ambos os grupos tinham, deste modo, desnudado a sua partícula básica de características viram-se em certas dificuldades para [[lexico:e:explicar|explicar]] como é que estes «nadas» podiam surgir no «algo» fortemente caracterizado que era o corpo empedocliano. E que dizer da [[lexico:p:presenca|presença]] irrefutável das qualidades percebidas pelos sentidos (pathemata aisthetika; ver Timeu 61d) destes últimos? Em ambos os casos há uma acentuada inclinação para reduzir toda a sensação ao [[lexico:t:tato|tato]] ou contato ([[lexico:h:haphe|haphe]]; ver Aristóteles, De sensu 442a), com forte [[lexico:s:sugestao|sugestão]], pelo menos pela [[lexico:p:parte|parte]] de Demócrito, de que todas as outras experiências dos sentidos são convenções subjetivas (frg. 9; ver [[lexico:a:aisthesis|aisthesis]], [[lexico:n:nomos|nomos]]). 9. Não estamos tão bem informados sobre a resposta dos pitagóricos à mesma [[lexico:q:questao|questão]] a eles posta por Aristóteles (Metafísica 1092b): como é possível explicar o branco, o doce e o quente em termos de números? Uma sugestão de resposta aparece em Platão. O Timeu inclui duas abordagens do problema dos elementos. Uma é uma [[lexico:d:descricao|descrição]] do [[lexico:e:estado|Estado]] das [[lexico:c:coisas|coisas]] antes do [[lexico:u:universo|universo]] surgir (Timeu 52d) e baseia-se numa [[lexico:a:analise|análise]] [[lexico:d:dinamica|dinâmica]] e não geométrica da genesis (ver infra). Mas o [[lexico:r:relato|relato]] pós-cósmico posterior (ibid. 53c ss.) é acentuadamente geométrico e, embora não seja puramente pitagórico, tem fortes filiações nesse [[lexico:s:sentido|sentido]]. 10. Este relato platônico segue o [[lexico:a:atomismo|atomismo]] ao reduzir os stoicheia empedoclianos a agregados de corpos mais básicos, estes caracterizados principalmente pela sua posição e [[lexico:f:forma|forma]] ([[lexico:s:schema|schema]]). Mas enquanto os atomistas, ao que parecia, mostravam relutância em apresentar a [[lexico:n:nocao|noção]] de forma (segundo o [[lexico:t:testemunho|testemunho]] de Aristóteles, De coelo IV, 303a, não disseram que os atoma do fogo eram esféricos), Platão tem um [[lexico:s:sistema|sistema]] minuciosamente arquitetado no qual cada um dos elementos está associado a um dos sólidos geométricos regulares capazes de serem inscritos numa [[lexico:e:esfera|esfera]] (os chamados «corpos platônicos»): o cubo ([[lexico:t:terra|Terra]]) a pirâmide (fogo), o octaedro (ar), e o icosaedro (água) (Timeu 553-56c); a [[lexico:f:figura|figura]] restante, o dodecaedro, fica reservada para a esfera do [[lexico:c:ceu|céu]] (ibid. 55c; ver [[lexico:a:aither|aither]], [[lexico:m:megethos|megethos]]). Até este ponto o relato podia passar por uma versão algo suspeitosa de atomismo. Mas onde trai os seus antecedentes pitagóricos é no fato de estes sólidos geométricos terem as suas próprias archai: são construídos a partir de planos, pelo menos com a sugestão de que a [[lexico:r:reducao|redução]] podia ir mais além (ibid. 53c-d). Os atoma atomistas, por [[lexico:o:outro|outro]] lado, são corpos indivisíveis (ver Aristóteles, De gen. et corr. I, 325b para uma comparação dos dois sistemas). Também aqui a sensação é reduzida ao contato com várias combinações destes corpos que, por seu turno, originam experiências sensíveis (Timeu 61c ss.; ver aisthesis). 11. Embora o monadismo pitagórico antecedesse o atomismo, não foi o seu [[lexico:a:antecedente|antecedente]] [[lexico:i:imediato|imediato]]. A [[lexico:t:tradicao|tradição]] atomista viu antes a linha de descendência proceder de Empédocles através de [[lexico:a:anaxagoras|Anaxágoras]] até eles (ver Lucrécio I, 830-920). Anaxágoras rejeitou a [[lexico:a:argumentacao|argumentação]] de Ernpédocles de que havia quatro corpos irredutíveis (a passagem de um a outro seria ainda a tabu genesis), mas sustentou, em vez disso, que há uma [[lexico:s:serie|série]] infinita de corpos infinitamente divisíveis, conhecidos como homoiomereiai «coisas com partes semelhantes», como lhes chamou Aristóteles, ou «[[lexico:s:sementes|sementes]]», o termo empregado pelo próprio Anaxágoras. Estas são as stoicheia de Anaxágoras (Aristóteles, De coelo xn, 302a), originariamente submergidas numa [[lexico:m:mistura|mistura]] pré-cósmica, depois separadas pelo [[lexico:n:nous|noûs]], o iniciador do movimento no sistema (frgs. 9, 13) e que, pela sua agregação, formam corpos perceptíveis (ver genesis, [[lexico:h:holon|holon]]). 12. Estas homoiomereiai são obviamente diferentes dos atoma por serem infinitamente divisíveis (ver frg. 3 e megethos; Lucrécio objeta a este [[lexico:a:aspecto|aspecto]] da [[lexico:t:teoria|teoria]] em I, 844-846); mas há, além disso, a sugestão de que as «sementes» trazem consigo as suas próprias archai, i. e., todas as coisas que são (ou serão), estão «em» estas partículas básicas (ver frg. 12). [[lexico:o:o-que-e|o que é]] este «tudo» que está «em tudo», i. é, em cada «semente»? Ele abrange não só os stoicheia de Empédocles (ver Lucrécio I, 840-841, 853) e os corpos naturais tais como o cabelo, a [[lexico:c:carne|carne]] e o osso (frg. 10), mas também os pathe sensíveis e os «poderes» opostos (frg. 4; ver Aristóteles, [[lexico:p:physica|Physica]] I, 187a). A reaparição destes poderes (dynameis) ia [[lexico:t:ter|ter]] consequências importantes. 13. A [[lexico:f:fisica-aristotelica|física aristotélica]] escolheu um [[lexico:c:caminho|caminho]] diferente daquele que conduzia a uma ou mais archai que transcendiam a [[lexico:p:percepcao|percepção]] dos sentidos. No [[lexico:e:espirito|espírito]] de Aristóteles a tentativa para distinguir os stoicheia pela forma é desprovida de sentido; a verdadeira solução encontra-se no [[lexico:e:estudo|estudo]] das funções e dos poderes das coisas (De coelo III, 307b). Foi, com [[lexico:e:efeito|efeito]], um [[lexico:r:retorno|retorno]] às dynameis sensíveis da filosofia milesiana que nunca tinham perdido a sua voga nos círculos médicos e que Anaxágoras tinha pouco antes salientado novamente. Mas isto era mais do que a [[lexico:s:substituicao|substituição]] de outros «corpos» pelos quatro do [[lexico:c:canon|cânon]] de Empédocles; assentava na importante [[lexico:d:distincao|distinção]] entre um corpo e as suas qualidades (ver [[lexico:p:poion|poion]]). 14. A formulação desta distinção não foi decerto originariamente de Aristóteles. Platão estava plenamente [[lexico:c:consciente|consciente]] dela e explicitamente a refere, por [[lexico:m:meio|meio]] do prefácio ao seu relato da genesis pré-cósmica no Timeu 49a-50a: os stoicheia empedoclianos não são realmente, de modo algum, coisas mas antes qualidades (poiotetes) num [[lexico:s:sujeito|sujeito]]. Tal [[lexico:a:afirmacao|afirmação]] era, evidentemente, impôssível para [[lexico:q:quem|quem]] quer que visse o quente, o seco, etc. como coisas (chremata), como provavelmente Anaxágoras o fez. 15. Ora, neste ponto, já em Platão se encontrava uma clara resolução do problema dos stoicheia; eles tinham as suas próprias archai: um [[lexico:s:substrato|substrato]] e qualidades imanentes capazes de entrar e sair desse sujeito. Assim se abriu a possibilidade da transformação dos elementos uns nos outros (ver genesis). Este é, em [[lexico:g:geral|geral]], o mesmo caminho que Aristóteles seguiu. O substrato platônico é transformado em [[lexico:h:hyle|hyle]], que é o sujeito comum para os quatro stoicheia (deveria notar-se que esta hyle, substrato para os elementos, é imperceptível; por isso a genesis, ou a mudança [[lexico:s:substancial|substancial]], difere da [[lexico:a:alloiosis|alloiosis]], ou mudança qualitativa, pelo fato desta última ter uma [[lexico:m:materia|matéria]] perceptível; ver De gen. et corr. I, 319b). Finalmente, Aristóteles junta a noção de [[lexico:p:privacao|privação]] ([[lexico:s:steresis|steresis]]) para facilitar a passagem das qualidades/poderes. 16. Mas há também outras mudanças marcadas. Para Platão a origem e a [[lexico:c:causa|causa]] do movimento é a [[lexico:p:psyche|psyche]] (ver Leis X, 896a, 897a), enquanto que os corpos físicos têm de si próprios só uma espécie de movimento casual, mais agitação do que movimento (Timeu 52d-53a); e no relato pós-cósmico da [[lexico:f:formacao|formação]] dos stoicheia Platão tem, como era de esperar, ainda menos a dizer acerca do movimento: a kinesis está notoriamente ausente dos corpos geométricos. Em Aristóteles é diferente. Todos os corpos naturais têm o seu próprio [[lexico:p:principio|princípio]] de movimento que é a [[lexico:p:physis|physis]] (Physica II, 192b), uma [[lexico:s:separacao|separação]] radical de toda a corrente parmenidiana da [[lexico:e:especulacao|especulação]] em que o movimento inerente era anátema (ver kinesis, kinoun). 17. Assim, para Aristóteles, os corpos [[lexico:s:simples|simples]] que são os stoicheia têm o seu próprio e simples movimento [[lexico:n:natural|natural]] (De coelo I, 269a). O seu funcionamento é orientado pelo princípio já exposto (Physica III, 201a) de que a kinesis é a atualização de uma [[lexico:p:potencia|potência]]. Neste caso, todavia, a privação (steresis) significa que o elemento não está no seu «[[lexico:l:lugar|lugar]] natural», visto que movimento e lugar são [[lexico:c:conceitos|conceitos]] correlativos (De coelo X, 276a-277a). Assim, a leveza é a [[lexico:c:capacidade|capacidade]] para o movimento linear se afastar de um centro, movimento que cessará quando o sujeito tiver alcançado o seu lugar natural; e [[lexico:p:peso|peso]] é o contrário (ibid. IV, 310a-311a). Deste modo, Aristóteles faz proceder o fogo da leveza absoluta e a terra do peso absoluto (ibid. IV, 311a^b) e, depois, de um modo mais curioso, o ar da leveza relativa e a água do peso [[lexico:r:relativo|relativo]] (ibid. 312a; confrontar a derivação paralela que Platão faz do ar e da água como termos médios de uma proporção geométrica no Timeu 31b-32b). E apoiando-se no mesmo [[lexico:a:argumento|argumento]], dos movimentos simples deriva Aristóteles a [[lexico:e:existencia|existência]] do quinto elemento que tem como seu movimento a outra espécie de kinesis simples, movimento circular [[lexico:p:perfeito|perfeito]] (ver aither; para as dificuldades que isto implica na teoria do [[lexico:p:primeiro-motor|primeiro motor]], ver kinoun 8; para o seu movimento endelecheia, ver ouranioi 6). Para a transformação dos elementos e para a [[lexico:a:atitude|atitude]] estóica em [[lexico:r:relacao|relação]] a eles, ver genesis; para os stoicheia da [[lexico:a:alma|alma]] no [[lexico:p:platonismo|platonismo]], ver [[lexico:p:psyche-tou-pantos|psyche tou pantos]].