===== SPINOZA ===== SPINOZA (Baruch de), [[lexico:f:filosofo:start|filósofo]] holandês (Amsterdam 1632 — Haia 1677). [[lexico:f:filho:start|filho]] de um mercador judeu de Amsterdam, Spinoza recebeu uma brilhante [[lexico:e:educacao:start|educação]]. Sua [[lexico:a:atitude:start|atitude]] bastante livre em [[lexico:r:relacao:start|relação]] às práticas religiosas fez com que fosse excomungado da sinagoga. Foi nos meios cristãos que encontrou os mestres que o iniciaram nas ciências: o médico Van den Enden ensinou-lhe [[lexico:f:fisica:start|física]], [[lexico:g:geometria:start|geometria]] e a [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] cartesiana. Cativado pela filosofia de [[lexico:d:descartes:start|Descartes]], retirou-se para os arredores de Haia e mais [[lexico:t:tarde:start|Tarde]] para a própria Haia; consagrou sua [[lexico:v:vida:start|vida]] à [[lexico:m:meditacao:start|meditação]], ganhando sua [[lexico:s:subsistencia:start|subsistência]] a polir lentes de microscópios. Sua principal [[lexico:o:obra:start|obra]], A [[lexico:e:etica:start|ética]] (1677), é uma doutrina da [[lexico:s:salvacao:start|salvação]] pelo [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] de [[lexico:d:deus:start|Deus]]. [[lexico:e:esse:start|esse]] "tratado de [[lexico:b:beatitude:start|beatitude]]" apresenta-se como um [[lexico:r:racionalismo:start|racionalismo]] [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]], uma filosofia sem [[lexico:m:misterio:start|mistério]]. A salvação é [[lexico:p:possivel:start|possível]] porque nossa [[lexico:a:alma:start|alma]] participa originalmente do [[lexico:e:entendimento:start|entendimento]] [[lexico:d:divino:start|divino]]. A ética [[lexico:n:nao:start|não]] é somente um tratado de Deus, é também um tratado do [[lexico:h:homem:start|homem]] que analisa a alma humana, suas afeições e paixões, todos os [[lexico:e:elementos:start|elementos]] da [[lexico:e:existencia:start|existência]] individual. Esse [[lexico:d:desvio:start|desvio]] é destinado a permitir uma educação concreta do [[lexico:i:individuo:start|indivíduo]], levando-o a reconhecer em si [[lexico:p:proprio:start|próprio]], no fundo de seu "[[lexico:p:pensamento:start|pensamento]]", a própria [[lexico:p:presenca:start|presença]] de Deus. A dificuldade dessa filosofia vem de que Spinoza se coloque sempre do [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista de Deus ou da [[lexico:s:sabedoria:start|sabedoria]]. [[lexico:f:fichte:start|Fichte]] e [[lexico:h:hegel:start|Hegel]] censuraram-no por [[lexico:t:ter:start|ter]] "exposto" a [[lexico:v:verdade:start|verdade]], sem, contudo, tê-la feito "[[lexico:c:compreender:start|compreender]]". Entretanto, esse [[lexico:p:panteismo:start|panteísmo]] não excitou menos, durante vários séculos, a [[lexico:i:imaginacao:start|imaginação]] dos maiores pensadores, nem fecundou menos as filosofias de Fichte, [[lexico:s:schelling:start|Schelling]] e Hegel ou deixou de solicitar quase todos os historiadores da filosofia ([[lexico:l:lagneau:start|Lagneau]], [[lexico:b:brunschwicg:start|Brunschwicg]], Gueroult). Deve-se-lhe também um [[lexico:t:tratado-teologico-politico:start|Tratado Teológico-Político]] (1670), onde une seu racionalismo [[lexico:r:religioso:start|religioso]] a um [[lexico:l:liberalismo:start|liberalismo]] [[lexico:p:politico:start|político]]. Escrevera antes um Curto tratado de Deus, do homem e da saúde de sua alma, denominado Curto tratado (publicado em [[lexico:c:carater:start|caráter]] póstumo em 1677); o Tratado da [[lexico:r:reforma:start|Reforma]] do entendimento (também póstumo), onde Spinoza expõe o [[lexico:p:principio:start|princípio]] do [[lexico:m:metodo:start|método]] reflexivo; e finalmente Os [[lexico:p:principios:start|princípios]] da filosofia de Descartes, completados pelos [[lexico:p:pensamentos:start|Pensamentos]] metafísicos (póstumos). Em muito poucos homens correspondeu a vida tão [[lexico:b:bem:start|Bem]] ao pensamento como neste. Dir-se-ia que Spinoza tivesse sido criado e posto no [[lexico:m:mundo:start|mundo]] para produzir o [[lexico:s:spinozismo:start|spinozismo]], pois [[lexico:t:todo:start|todo]] ele está na sua [[lexico:e:especulacao:start|especulação]]. Era um judeu de Amsterdão, onde nasceu em 1632, e sua [[lexico:f:familia:start|família]] era de [[lexico:o:origem:start|origem]] portuguesa. Recebeu o prenome de Baruch. Seu pai achava-se à testa da pequena [[lexico:c:comunidade:start|comunidade]] judaica e desde cedo o colocaram nos estudos, onde ultrapassou toda [[lexico:e:expectativa:start|expectativa]] e não tardou a dar [[lexico:m:motivos:start|motivos]] de inquietação. Aprendeu a ler no [[lexico:t:texto:start|texto]] original a Bíblia e os outros escritos hebraicos clássicos, especialmente a Mishná. Elucidava tudo com os historiadores, os filósofos e os comentadores, e bem depressa a [[lexico:i:interpretacao:start|interpretação]] tradicional se lhe tornou insuficiente. Por sua vez, também fez tabula rasa à sua maneira — maneira, quiçá, ainda mais radical do que a preconizada por Descartes. Recusou-se a receber o próprio Deus de outra [[lexico:f:fonte:start|fonte]] que não fosse a sua meditação. Seguindo por esse [[lexico:c:caminho:start|caminho]], expunha-se à perseguição tão logo se manifestasse ou fosse descoberto, e a perseguição não faltou. Aceitou-a Spinoza com [[lexico:c:coragem:start|coragem]]. Em 1656 foi excomungado formalmente pelo conselho dos anciãos, indo então estabelecer-se no [[lexico:c:campo:start|campo]], em Ouderkerk, onde viveu solitário durante três anos. Transfere-se em seguida para as proximidades de Haia, e depois para Haia mesmo. A [[lexico:f:fim:start|fim]] de garantir a sua existência material aprendera o ofício de polidor de lentes para instrumentos de óptica. Mas a sua doutrina começava a difundir-se e não faltaram protetores poderosos para ampará-lo. Pouco a pouco foi-se tornando célebre. João de Witt defendeu-o contra possíveis perseguições, [[lexico:l:leibniz:start|Leibniz]] veio procurá-lo, o grande Conde testemunhou por ele especial consideração. Atingido pela tuberculose, morreu muito antes da [[lexico:v:velhice:start|velhice]] aos quarenta e cinco anos, em 1677. Foi a personificação da sua obra, dissemos acima, levando uma vida inteiramente consagrada à meditação, observando [[lexico:c:costumes:start|costumes]] e hábitos de absoluta [[lexico:r:regularidade:start|regularidade]]. Fugia ao ruído e o que se fazia em torno dele não deixava de perturbá-lo. A [[lexico:m:mediocridade:start|mediocridade]] lhe parecia a única [[lexico:c:condicao:start|condição]] possível para um filósofo. Conta-se que, tendo-lhe Simão de Vries oferecido dinheiro, recusou para não [[lexico:s:ser:start|ser]] distraído em seu [[lexico:t:trabalho:start|trabalho]] por preocupações financeiras. Muito [[lexico:s:simples:start|simples]] e de trato ameno, era inflexível no que dizia [[lexico:r:respeito:start|respeito]] à [[lexico:j:justica:start|justiça]]; conta-se também que recusou a [[lexico:s:sucessao:start|sucessão]] desse mesmo Simão de Vries a fim de não prejudicar o herdeiro legal. Compôs em Ouderkerk o Breve tratado, cuja [[lexico:m:materia:start|matéria]] passaria depois para a Reforma do entendimento e para a Ética. Em 1663 publicou os Princípios da filosofia de René Descartes, um manual para [[lexico:u:uso:start|uso]] de seu aluno Casuarius, onde emprega a [[lexico:f:forma:start|forma]] geométrica. Desde 1670 se tornara conhecido o Tratado Teológico-Político. O principal da obra de Spinoza foi editado pelos seus amigos em 1677, ano da sua [[lexico:m:morte:start|morte]]. Compreendia a Ética, o Tratado teológico-político, o Tratado da reforma do entendimento, a [[lexico:c:correspondencia:start|Correspondência]] e um Compêndio de [[lexico:g:gramatica:start|gramática]] hebraica. Foram trazidos à [[lexico:l:luz:start|luz]] mais tarde o Breve tratado de Deus, do homem e da saúde de sua alma, Notas sobre o tratado teológico-político, o Tratado do arco-íris e um opúsculo sobre o [[lexico:c:calculo:start|Cálculo]] das probabilidades. A vida de Spinoza foi descrita com respeitosa [[lexico:a:afeicao:start|afeição]] e em todos os pormenores por um de seus contemporâneos e admiradores, Colerus. Benedictus Spinoza (1632-1677) procura, através da filosofia, o [[lexico:b:bem-supremo:start|bem supremo]], que é Deus. Para isso, usa o método matemático de Descartes, e pretende [[lexico:r:raciocinar:start|raciocinar]] a "more geométrico". Deus é [[lexico:s:substancia:start|substância]] infinita, entendendo por substância "[[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] em [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]] e [[lexico:p:por-si:start|por si]] mesmo se concebe, isto é, aquilo cujo [[lexico:c:conceito:start|conceito]] não necessita do conceito de outra [[lexico:c:coisa:start|coisa]] para ser formado". Deus é, assim, a [[lexico:c:causa:start|causa]] de si mesmo, e sua [[lexico:e:essencia:start|essência]] implica a sua existência. Não há para Spinoza duas [[lexico:s:substancias:start|substâncias]], a pensante e a extensa, mas tanto a substância pensante como a extensa são atributos de Deus. Deus é [[lexico:n:natureza:start|natureza]] (Deus sive Natura). São esses dois atributos o pensamento e a [[lexico:e:extensao:start|extensão]], os únicos que são compreendidos pelo homem de um [[lexico:m:modo:start|modo]] claro e distinto. Por isso se chamou a doutrina de Spinoza de panteísmo (pan, em [[lexico:g:grego:start|grego]], tudo), o que significa doutrina que afirma que Deus é tudo ou tudo é Deus. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}