===== SOBREVIVÊNCIA ===== VIDE [[lexico:i:imortalidade|imortalidade]] Vimos anteriormente que, no surgimento da [[lexico:s:sociedade|sociedade]], foi a [[lexico:v:vida|vida]] da [[lexico:e:especie|espécie]] que, em última [[lexico:a:analise|análise]], se afirmou. Teoricamente, o [[lexico:p:ponto|ponto]] de inflexão da insistência sobre a vida “egoísta” do [[lexico:i:individuo|indivíduo]], nos primeiros estágios da era [[lexico:m:moderna|moderna]], para a ênfase posterior na vida “[[lexico:s:social|social]]” e no “[[lexico:h:homem|homem]] socializado” ([[lexico:m:marx|Marx]]), ocorreu quando Marx transformou a [[lexico:n:nocao|noção]] mais grosseira da [[lexico:e:economia|economia]] clássica – de que todos os homens, na [[lexico:m:medida|medida]] em que agem de algum [[lexico:m:modo|modo]], agem por razões de [[lexico:i:interesse|interesse]] [[lexico:p:proprio|próprio]] – em forças de interesse que informam, movimentam e dirigem as classes da sociedade, e mediante seus conflitos dirigem a sociedade como um [[lexico:t:todo|todo]]. A [[lexico:h:humanidade|humanidade]] socializada é aquele [[lexico:e:estado|Estado]] da sociedade no qual impera somente um interesse, e o [[lexico:s:sujeito|sujeito]] desse interesse são as classes ou o [[lexico:g:genero|gênero]] [[lexico:h:humano|humano]], mas [[lexico:n:nao|não]] o homem nem os homens. O importante é que, [[lexico:a:agora|agora]], mesmo o [[lexico:u:ultimo|último]] vestígio de [[lexico:a:acao|ação]] que havia no que os homens faziam, a [[lexico:m:motivacao|motivação]] implicada no interesse próprio, desapareceu. O que restava era uma “[[lexico:f:forca|força]] [[lexico:n:natural|natural]]” a força do próprio [[lexico:p:processo|processo]] vital, à qual todos os homens e todas as [[lexico:a:atividades|atividades]] humanas estavam igualmente sujeitos (“o próprio processo de [[lexico:p:pensar|pensar]] é um processo natural”)86 e cujo [[lexico:u:unico|único]] [[lexico:o:objetivo|objetivo]], se é que tinha algum objetivo, era a sobrevivência da espécie [[lexico:a:animal|animal]] humana. Nenhuma das capacidades superiores do homem era agora necessária para conectar a vida individual à vida da espécie; a vida individual tornara-se [[lexico:p:parte|parte]] do processo vital, e o [[lexico:n:necessario|necessário]] era apenas trabalhar, isto é, garantir a continuidade da vida de cada um e de sua [[lexico:f:familia|família]]. Tudo o que não fosse necessário, não exigido pelo metabolismo da vida com a [[lexico:n:natureza|natureza]], era supérfluo ou só podia [[lexico:s:ser|ser]] justificado em termos de alguma peculiaridade da vida humana em [[lexico:o:oposicao|oposição]] à vida animal – de [[lexico:s:sorte|sorte]] que se considerou que Milton escrevera o seu Paraíso perdido pelos mesmos [[lexico:m:motivos|motivos]] e em decorrência de anseios semelhantes aos que compelem o bicho-da-seda a produzir seda. Se compararmos o [[lexico:m:mundo|mundo]] [[lexico:m:moderno|moderno]] com o mundo do passado, veremos que a [[lexico:p:perda|perda]] da [[lexico:e:experiencia|experiência]] humana acarretada por [[lexico:e:esse|esse]] desdobramento é extraordinariamente marcante. Não foi apenas, e nem sequer basicamente, a [[lexico:c:contemplacao|contemplação]] que se tornou uma experiência inteiramente destituída de [[lexico:s:significado|significado]]. O próprio [[lexico:p:pensamento|pensamento]], quando se tornou um “[[lexico:c:calculo|cálculo]] de consequências” passou a ser uma [[lexico:f:funcao|função]] do cérebro, com o resultado de que se descobriu que os instrumentos eletrônicos exercem essa função muitíssimo melhor do que nós. A ação logo passou a ser, e ainda é, concebida em termos de produzir e de fabricar, exceto que o produzir, dada a sua mundanidade e inerente indiferença à vida, era agora visto como apenas uma outra [[lexico:f:forma|forma]] de [[lexico:t:trabalho|trabalho]], como uma função mais complicada, mas não mais misteriosa, do processo vital. [ArendtCH:C45]