===== SISTEMA FILOSÓFICO ===== Toda [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]], pelo mero [[lexico:f:fato:start|fato]] de [[lexico:s:ser:start|ser]] filosofia, e ainda pelo [[lexico:s:simples:start|simples]] [[lexico:m:motivo:start|motivo]] de ser de algum [[lexico:m:modo:start|modo]] [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]], tem que assumir certo perfil [[lexico:s:sistematico:start|sistemático]]. O pensamento [[lexico:h:humano:start|humano]] surge naquele [[lexico:i:instante:start|instante]] em que o [[lexico:h:homem:start|homem]] se [[lexico:p:pergunta:start|pergunta]] pelo que são, em última [[lexico:i:instancia:start|instância]], as [[lexico:c:coisas:start|coisas]] que o rodeiam e os homens com os quais convive, e neste em última instância se encontra, como afirmou José [[lexico:f:ferrater:start|Ferrater]] Mora, um dos segredos mais recônditos de nossa [[lexico:v:vida:start|vida]] e talvez o segredo [[lexico:u:ultimo:start|último]] e decisivo do homem ocidental. Se um tal perguntar se faz, pois sempre "em última instância", [[lexico:n:nada:start|nada]] terá de estranho que a resposta seja, em boa [[lexico:p:parte:start|parte]], "[[lexico:s:sistematica:start|sistemática]]": somente a articulação dos [[lexico:p:pensamentos:start|Pensamentos]], correspondentes à articulação das coisas, constituirá uma adequada resposta a tal pergunta. Para que o pensamento [[lexico:n:nao:start|não]] fosse, no [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] mencionado, sistemático, requerer-se-ia que a pergunta acerca do que são em última instância as coisas ou os homens fosse eliminada ou, pelo menos, suspensa: então surgiria uma [[lexico:f:forma:start|forma]] de [[lexico:p:pensar:start|pensar]] que não trataria das [[lexico:e:essencias:start|essências]], já que se limitaria a traçar os perfis das exigências, nem sequer se preocupando em averiguar quais são aquelas existências que resultam, por assim dizer, essenciais. Neste [[lexico:s:sentido:start|sentido]] pode dizer-se que [[lexico:t:todo:start|todo]] pensamento e toda filosofia são, por sua própria [[lexico:n:natureza:start|natureza]], sistemáticos, pois somente no [[lexico:s:sistema:start|sistema]] dos pensamentos e na articulação das coisas se poderá achar a [[lexico:v:verdade:start|verdade]] última delas. Assim, a pergunta sobre o conteúdo de um [[lexico:s:sistema-filosofico:start|sistema filosófico]] terá como resposta o [[lexico:r:reconhecimento:start|reconhecimento]] de que um sistema filosófico se distingue por sua [[lexico:i:intencao:start|intenção]] [[lexico:u:universal:start|universal]]. Ou seja, não se refere a um [[lexico:o:objeto:start|objeto]] determinado nem a uma [[lexico:p:particular:start|particular]] legião de objetos, mas ao conjunto dos objetos do [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]]. O olhar do [[lexico:f:filosofo:start|filósofo]] visa a [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]] das coisas, procura [[lexico:c:compreender:start|compreender]] toda a [[lexico:r:realidade:start|realidade]]. Precisamente por isso se diferenciam os sistemas filosóficos dos sistemas de conhecimento que constituem as [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] especiais. Nesse sentido, observa [[lexico:s:simmel:start|Simmel]]: "O filósofo não necessita sempre referir-se à totalidade, e talvez não possa fazê-lo em sentido [[lexico:e:estrito:start|estrito]]; mas qualquer que seja a [[lexico:q:questao:start|questão]] especial de [[lexico:l:logica:start|lógica]] ou de [[lexico:e:etica:start|ética]] ou de [[lexico:e:estetica:start|estética]] ou de [[lexico:r:religiao:start|religião]] que toque, somente o fará como filósofo se vive interiormente essa [[lexico:r:relacao:start|relação]] com a totalidade do que existe". A mesma [[lexico:i:ideia:start|ideia]] exprimiu [[lexico:n:nietzsche:start|Nietzsche]] em sua [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]] poética: "O filósofo procura que repercuta dentro de [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]] o som universal, e reproduzi-lo por [[lexico:m:meio:start|meio]] de [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]]". Por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado, como é [[lexico:p:possivel:start|possível]] discutir o [[lexico:p:problema:start|problema]] [[lexico:m:moral:start|moral]] sem antes discutir seus fundamentos, que transbordam o objeto ético? Com [[lexico:e:efeito:start|efeito]], não é possível dizer como o homem deve [[lexico:v:viver:start|viver]], sem considerar o que o homem é, [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] o [[lexico:m:mundo:start|mundo]] em que ele vive, sem considerar as [[lexico:r:relacoes:start|relações]] do homem com o que ele aceita como [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]], sem [[lexico:t:ter:start|ter]] resolvido, de algum modo, o problema da [[lexico:c:certeza:start|certeza]]. Assim, o problema da moral resume em si, necessariamente, o problema da [[lexico:a:antropologia:start|antropologia]], da cosmologia, da [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]], de [[lexico:g:gnosiologia:start|gnosiologia]] etc. O mesmo se pode dizer da estética, que nasceu em [[lexico:p:platao:start|Platão]] como um capítulo da [[lexico:p:politica:start|política]], pela [[lexico:d:determinacao:start|determinação]] do [[lexico:l:lugar:start|lugar]] que a [[lexico:a:arte:start|arte]] deve ter no [[lexico:e:estado:start|Estado]]. Mas, em [[lexico:g:geral:start|geral]], não se pode entender o [[lexico:i:interesse:start|interesse]] principal da estética, isto é, a [[lexico:d:definicao:start|definição]] da [[lexico:a:atividade:start|atividade]] artística em relação com as outras [[lexico:a:atividades:start|atividades]] do [[lexico:e:espirito:start|espírito]], sem uma [[lexico:t:teoria:start|teoria]] do espírito. Toda estética, que seja digna de tal [[lexico:n:nome:start|nome]], é um sistema filosófico; e se não chega à plena sistematização, pode ser um acervo de observações empíricas, mais ou menos sensatas e fundamentadas, e nada mais. Em [[lexico:s:suma:start|suma]], não há filosofia sem espírito da totalidade, cujo problema fundamental é o da relação entre a [[lexico:e:existencia:start|existência]] e o pensamento, já que a [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] é um [[lexico:r:reflexo:start|reflexo]] do ser e não o contrário. Claro está que a construção de grandes sistemas de pensamento, completos e fechados em si mesmo, se chegou a ser [[lexico:m:moda:start|moda]] no [[lexico:i:idealismo-alemao:start|idealismo alemão]], atualmente é apenas um [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]] de [[lexico:i:ilusao:start|ilusão]] e fracasso, pois seus forjadores, em geral, eram desde o início determinados por [[lexico:c:conviccao:start|convicção]] prévias. Daí o cerrado ataque que sofreram por parte de Nicolai [[lexico:h:hartmann:start|Hartmann]] que, porém, mobilizou sua [[lexico:a:argumentacao:start|argumentação]] não contra o pensamento sistemático, mas contra o que se pode chamar o construtivismo, contra o sistema como [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de partida, como desenho originário de [[lexico:a:acordo:start|acordo]] com o qual se vão resolvendo todas as questões parciais. Com efeito, distingue Hartmann, cuidadosamente, entre ‘pensamento sistemático’ e ‘sistema’. O [[lexico:p:pensamento-filosofico:start|pensamento filosófico]] há de ser sempre sistemático, mas isso não supõe a exigência de construir grandes sistemas. Desta [[lexico:p:palavra:start|palavra]] ‘construir’ emerge a [[lexico:d:distincao:start|distinção]]. Porque o que dá [[lexico:o:origem:start|origem]] ao sistema em sua forma clássica não é a sistematicidade no pensamento ou na [[lexico:i:investigacao:start|investigação]], mas o [[lexico:m:momento:start|momento]] da construtividade, a [[lexico:v:vontade:start|vontade]] de [[lexico:c:criacao:start|criação]] arquitetural, que é diversa da mera vontade de [[lexico:i:indagacao:start|indagação]] e com frequência a contradiz. Se o [[lexico:t:tempo:start|tempo]] dos grandes sistemas já passou nem por isso está superado o pensamento sistemático, seguindo porém outro [[lexico:c:caminho:start|caminho]]: o caminho dos problemas. É evidente que o pensamento [[lexico:a:atual:start|atual]] também aspira a elevar-se a visões de conjunto; mas não aceita desde logo um [[lexico:p:plano:start|plano]] sistemático como guia e [[lexico:o:orientacao:start|orientação]] do [[lexico:t:trabalho:start|trabalho]] para essa concepção. Sabe que é possível chegar a uma concepção sistemática e totalizadora, mas que não se chega a ela sem mais nem menos; que o exame [[lexico:i:imediato:start|imediato]] das questões não basta para, a partir delas, remontar-se a concepções de conjunto pelo mero [[lexico:j:jogo:start|jogo]] da atividade criadora do espírito; que unicamente nos poderá aproximar a este [[lexico:f:fim:start|fim]] um [[lexico:e:esforco:start|esforço]] longo e trabalhoso de investigação, de aprofundamento desconfiado, de tentativas, de retificações, Hartmann, portanto, afirma que, na [[lexico:h:historia:start|história]] do pensamento filosófico, existem duas atitudes que se podem denominar ‘[[lexico:a:atitude:start|atitude]] construtiva’ e ‘atitude indagadora’ ou ‘atitude [[lexico:p:problematica:start|problemática]]’. A primeira é a que produziu os grandes sistemas clássicos, dos quais os próximos a nós são os do [[lexico:i:idealismo:start|Idealismo]] alemão. A segunda concentra o trabalho filosófico em cada problema sem antecipar os resultados, e é a que prepondera atualmente. A [[lexico:r:renuncia:start|renúncia]] ao sistema, no pensamento atual, deve ser entendida como renúncia ao sistema enquanto a [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] sistemática supõe uma concepção [[lexico:c:capital:start|capital]] que contém a resposta à última [[lexico:i:interrogacao:start|interrogação]]; enquanto [[lexico:h:hierarquia:start|hierarquia]] de soluções ordenadas consoante um [[lexico:p:principio:start|princípio]] fundamental do qual derivam; em suma, enquanto construtivismo. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}