===== SIMPATIA ===== (gr. [[lexico:s:sympatheia:start|sympatheia]]; in. Sympathy; fr. Sympatie; al. Sympathie; it. Simpatia). [[lexico:a:acao-reciproca:start|Ação recíproca]] entre as [[lexico:c:coisas:start|coisas]] ou sua [[lexico:c:capacidade:start|capacidade]] de [[lexico:i:influencia:start|influência]] mútua. [[lexico:e:esse:start|esse]] [[lexico:c:conceito:start|conceito]] é antigo e desde a [[lexico:a:antiguidade:start|antiguidade]] foi aplicado tanto à [[lexico:r:realidade:start|realidade]] humana quanto à [[lexico:f:fisica:start|física]], mas foi usado pelos filósofos antigos principalmente em [[lexico:r:relacao:start|relação]] ao [[lexico:m:mundo:start|mundo]] [[lexico:f:fisico:start|físico]]. Para os estoicos, a simpatia é o [[lexico:n:nexo:start|nexo]] que interliga as coisas, mantém-nas ou as faz convergir para a [[lexico:o:ordem:start|ordem]] do mundo (Arnim, Stoicorum fragmenta, II, p. 264). Para [[lexico:p:plotino:start|Plotino]], a simpatia era o [[lexico:f:fundamento:start|fundamento]] da [[lexico:m:magia:start|magia]]: "De onde provêm os encantamentos? Da simpatia, graças à qual há uma concordância [[lexico:n:natural:start|natural]] entre coisas semelhantes e discordância natural entre as coisas diferentes, e graças à qual também há grande [[lexico:n:numero:start|número]] de potências variadas que colaboram para a [[lexico:u:unidade:start|unidade]] desse grande [[lexico:a:animal:start|animal]] que é o [[lexico:u:universo:start|universo]]." (Enn., IV, 4, 40). Plotino também dizia que "a simpatia é como uma corda esticada, que ao [[lexico:s:ser:start|ser]] tocada numa das pontas transmite o [[lexico:m:movimento:start|movimento]] para a outra ponta.(...) E se a vibração passa de um [[lexico:i:instrumento:start|instrumento]] para o [[lexico:o:outro:start|outro]] por simpatia, também no universo há uma [[lexico:h:harmonia:start|harmonia]] única, que às vezes é feita de contrários, mas outras vezes é feita também de partes semelhantes e congêneres" (Ibid., IV, 4, 41). A magia insere-se na simpatia [[lexico:u:universal:start|universal]] e, recorrendo a meios oportunos, aproveita-a para suas próprias finalidades, realizando assim efeitos que parecem extraordinários e milagrosos. Esse conceito de simpatia, que pressupõe a animação de todas as coisas, é o fundamento da magia, sendo admitido igualmente por todos os mágicos da [[lexico:r:renascenca:start|Renascença]] (cf. [[lexico:c:campanella:start|Campanella]], De sensu rerum, IV, 1; 14; Agripa, De occulta [[lexico:p:philosophia:start|philosophia]], I, 1; I, 37; Cardan, De varietate rerum, 1,1-2; G. B. Elmont, Opuscula philosophica, I, 6, etc). Com o declínio da magia no mundo [[lexico:m:moderno:start|moderno]], o [[lexico:s:significado:start|significado]] de simpatia limitou-se a indicar a comunhão de emoções entre os indivíduos humanos. [[lexico:h:hume:start|Hume]] foi o primeiro a insistir na importância da simpatia no que se refere à [[lexico:f:formacao:start|formação]] de todas as emoções humanas: "Nenhuma [[lexico:q:qualidade:start|qualidade]] da [[lexico:n:natureza-humana:start|natureza humana]] é mais importante em si mesma ou em suas consequências do que a [[lexico:p:propensao:start|propensão]] que temos a simpatizarmos uns com os outros, a recebermos a [[lexico:c:comunicacao:start|comunicação]] das inclinações e dos sentimentos dos outros, por mais diferentes que sejam dos nossos, ou mesmo contrários. (...) A esse [[lexico:p:principio:start|princípio]] podemos atribuir a grande uniformidade observável nos [[lexico:h:humores:start|humores]] e nos modos de [[lexico:p:pensar:start|pensar]] dos membros de uma mesma [[lexico:n:nacao:start|nação]]: é muito mais [[lexico:p:provavel:start|provável]] que essa [[lexico:s:semelhanca:start|semelhança]] surja da simpatia que da influência do solo e do clima, que, apesar de serem sempre os mesmos, [[lexico:n:nao:start|não]] conseguem manter inalterado por um século inteiro o [[lexico:c:carater:start|caráter]] de uma nação" (Treatise, 1738, II, 1,11). É de se notar que Hume atribuiu à simpatia o caráter que mais [[lexico:t:tarde:start|Tarde]] seria ressaltado por [[lexico:s:scheler:start|Scheler]] e rejeitado por autores mais modernos: o [[lexico:f:fato:start|fato]] de ela não implicar nenhuma [[lexico:i:identidade:start|identidade]] de emoções ou [[lexico:f:fusao:start|fusão]] [[lexico:e:emocional:start|emocional]] nas pessoas entre as quais ocorre. [[lexico:a:adam-smith:start|Adam Smith]] só fez adotar a [[lexico:i:ideia:start|ideia]] diretiva de Hume, ao considerar a simpatia como base da [[lexico:v:vida:start|vida]] [[lexico:m:moral:start|moral]] e ao entendê-la como "a [[lexico:f:faculdade:start|faculdade]] de participar das emoções de outrem, sejam elas quais forem" (Theory of Moral Sentiments, 1759, I, 1, 3). Ocasionalmente, recorreu-se à simpatia no [[lexico:c:campo:start|campo]] estético e biológico, chamando-a às vezes de [[lexico:e:empatia:start|empatia]]. [[lexico:b:bergson:start|Bergson]] devolveu à simpatia o caráter instintivo e viu nela a [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] de [[lexico:a:apreender:start|apreender]] diretamente a [[lexico:n:natureza:start|natureza]] da vida: "O [[lexico:i:instinto:start|instinto]] é simpatia. Se essa simpatia pudesse estender seu [[lexico:o:objeto:start|objeto]] e refletir sobre si mesma, dar-nos-ia a chave das operações vitais, da mesma maneira como a [[lexico:i:inteligencia:start|inteligência]], desenvolvida e retificada, nos introduz na [[lexico:m:materia:start|matéria]]" (Évol. créatr., 8a ed., 1911, P- 191)- Por outro lado, numa [[lexico:o:obra:start|obra]] famosa sobre a simpatia, Scheler distinguiu-a dos fenômenos afins mas não idênticos, especialmente daquilo que ele chama de contágio [[lexico:e:emotivo:start|emotivo]] ou fusão emotiva. A fusão emotiva consiste em [[lexico:t:ter:start|ter]] a mesma [[lexico:e:emocao:start|emoção]] de outrem; p. ex., os pais que perderam um [[lexico:f:filho:start|filho]] sentem a mesma [[lexico:d:dor:start|dor]]. A simpatia, ao contrário, não supõe a identidade de emoções: participar da dor alheia por sentir [[lexico:p:piedade:start|piedade]] não significa sentir a mesma dor. Por isso, para Scheler a simpatia era o componente da [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]], que é condicionada pelo [[lexico:r:reconhecimento:start|reconhecimento]] da [[lexico:a:alteridade:start|alteridade]] entre as pessoas: "A simpatia, a [[lexico:p:participacao:start|participação]] afetiva autêntica, é uma [[lexico:f:funcao:start|função]] e não comporta um [[lexico:e:estado:start|Estado]] [[lexico:a:afetivo:start|afetivo]] na [[lexico:p:pessoa:start|pessoa]] que o sente. O estado afetivo de B, [[lexico:i:implicito:start|implícito]] na piedade que sinto por ele, para mim continua sendo o estado afetivo de B: não passa para mim, quando o lastimo, e não produz em mim um estado [[lexico:s:semelhante:start|semelhante]] ou [[lexico:i:identico:start|idêntico]]" (Sympathie, 1923, 1; trad. fr., p., 69). (do gr. syn, com, e pathein, sentir, [[lexico:t:tendencia:start|tendência]] que leva as pessoas [[lexico:a:a-se:start|a se]] compreenderem. — Max Scheler analisou a simpatia e demonstrou que essa não consistia em "experimentar-se" o mesmo estado que o outro (uma mulher [[lexico:c:chora:start|chora]] porque perdeu seu filho, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]]; uma outra a vê e chora também; nesse caso não ocorre simpatia, e sim "[[lexico:m:mimetismo:start|mimetismo]]"), e sim "compreender-se" o estado do outro: compreende-se a dor do outro mesmo sem participar-se dela. Em [[lexico:s:suma:start|suma]], a simpatia é uma compreensão, uma inteligência do [[lexico:s:sentimento:start|sentimento]], e não uma participação. A simpatia supõe a [[lexico:b:benevolencia:start|benevolência]] e a [[lexico:i:igualdade:start|igualdade]]; proscreve a piedade. — Scheler baseou a moral na simpatia. a) Emoção ou [[lexico:a:atitude:start|atitude]] emotiva provocada num [[lexico:i:individuo:start|indivíduo]] pela [[lexico:p:percepcao:start|percepção]] ou ideia do [[lexico:s:sofrimento:start|sofrimento]] em outros, que se caracteriza por um sentimento de desagrado e, geralmente, por atos que tendem a aliviar esse sofrimento. b) Tendência a repetir em [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]] a emoção observada nos outros ([[lexico:i:imitacao:start|imitação]] sim-patética). Comunicação interior entre dois seres, que embora mantenham exteriormente diferenças emotivas, estão intimamente ligados por uma participação pática. c) Atração que experimenta uma pessoa por outra, antes de conhecê-la. d) [[lexico:s:solidariedade:start|solidariedade]], apego para com outra pessoa, fundada numa semelhança ou na comunhão das mesmas [[lexico:i:ideias:start|ideias]], ou inclinações, ou pendores, que é a mais popularmente conhecida. [[lexico:c:critica:start|Crítica]]: (do gr. syn e pathia, com e [[lexico:p:paixao:start|paixão]]). Este seria o [[lexico:s:sentido:start|sentido]] etimológico do [[lexico:t:termo:start|termo]]. Na [[lexico:a:analise:start|análise]] da [[lexico:a:afetividade:start|afetividade]] verificamos que a [[lexico:v:vivencia:start|vivência]] pática revela os dois vetores inversos de syn e de anti, conforme essa vivência tende à [[lexico:p:phronesis:start|phronesis]] (a fusão pática) com o objeto, que é o [[lexico:p:proprio:start|próprio]] [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] (simpatia), ou de [[lexico:s:separacao:start|separação]], afastamento do objeto (antipatia). Toda [[lexico:i:intuicao:start|intuição]] pática é sim-patética ou anti-patética, ou revela à [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] uma [[lexico:a:aparente:start|aparente]] indiferença, uma [[lexico:a:apatheia:start|apatheia]]. Dizemos aparente, porque [[lexico:n:nada:start|nada]] é indiferente ao [[lexico:h:homem:start|homem]], pois todos os fatos que o cercam provocam-lhe sempre um [[lexico:i:interesse:start|interesse]] [[lexico:c:consciente:start|consciente]] ou não, porque em todos os seus contatos com o mundo [[lexico:e:exterior:start|exterior]] e consigo mesmo, há sempre uma vivência pática ao lado de uma vivência intelectual. Vide afetividade. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}