===== SILOGISMO CATEGÓRICO ===== É o [[lexico:s:silogismo:start|silogismo]] ([[lexico:r:raciocinio:start|raciocínio]]) que consta só de juízos categóricos, ou seja, de juízos que imediatamente enunciam [[lexico:a:alguma-coisa:start|alguma coisa]] sobre um [[lexico:o:objeto:start|objeto]], e [[lexico:n:nao:start|não]] apenas sobre conexões entre enunciados. A [[lexico:f:forma:start|forma]] mais [[lexico:s:simples:start|simples]] do raciocínio [[lexico:c:categorico:start|categórico]] é o silogismo constituído por duas premissas e uma conclusão. A conveniência entre o [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] (S) e o [[lexico:p:predicado:start|predicado]] (P) infere-se de que tanto o primeiro como o segundo se identificam com um [[lexico:t:termo:start|termo]] médio (M) comum. Esta [[lexico:i:identidade:start|identidade]] exprime-se nas premissas (maior e menor). Assim, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]]: M — P S — M _____ S — P Se um dos termos extremos (S ou P) se identifica com M, e o [[lexico:o:outro:start|outro]] não, temos em resultado: S não é P. Se nenhum dos dois termos fôr [[lexico:i:identico:start|idêntico]] a M, [[lexico:n:nada:start|nada]] se conclui. As regras da [[lexico:c:consequencia:start|consequência]] no silogismo derivam de sua [[lexico:n:natureza:start|natureza]]. Delas, as mais importantes são: 1. M deve tomar-se pelo menos uma vez em toda sua [[lexico:e:extensao:start|extensão]] ( [[lexico:c:conceito:start|conceito]]). 2. A extensão de S e de P na conclusão não deve [[lexico:s:ser:start|ser]] maior do que nas premissas, devendo observar-se que um conceito [[lexico:n:negativo:start|negativo]] tem extensão ilimitada. — Da diferente [[lexico:p:posicao:start|posição]] de M resultam as diferentes figuras do silogismo; e das diferentes combinações de [[lexico:q:quantidade:start|quantidade]] e do [[lexico:q:qualidade-das-proposicoes:start|qualidade das proposições]] (designadas pelas letras: A = [[lexico:u:universal:start|universal]] afirmativa; E = universal negativa; I = [[lexico:p:particular:start|particular]] afirmativa; O = particular negativa) resultam os modos silogísticos. — [[lexico:b:brugger:start|Brugger]]. O [[lexico:s:silogismo-categorico:start|silogismo categórico]] é uma [[lexico:a:argumentacao:start|argumentação]] em cujo [[lexico:a:antecedente:start|antecedente]] se associam dois termos a um mesmo [[lexico:t:terceiro:start|terceiro]], de [[lexico:m:modo:start|modo]] que se possa inferir daí um [[lexico:c:consequente:start|consequente]] em. que estes dois termos possam ou não convir entre si (Gredt): “argumentatio, in cujus antecedente comparantur duo termini cum [[lexico:u:uno:start|uno]] eodemque tertio ut exinde inferatur consequens [[lexico:q:quod:start|quod]] enuntiat illos duos terminos inter se convenire vel non convenire”. Se se analisar esta [[lexico:d:definicao:start|definição]]. constatar-se-á que o silogismo categórico se compõe necessariamente de três termos, e que se pode exprimir as [[lexico:r:relacoes:start|relações]] supostas entre eles, em três proposições. Nas duas primeiras, que constituem a antecedente, o termo intermediário será sucessivamente comparado aos dois extremos; na terceira, que exprime o consequente, os dois extremos se verão associados entre si. Exemplo: Antecedente: [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] espiritual (M) é imortal (T) Ora, a [[lexico:a:alma:start|alma]] humana (t) é espiritual (M) Consequente: Logo, a alma humana (t) é imortal (T) Chama-se: - Termo Maior (T), o predicado da conclusão - Termo Menor (t), o sujeito da conclusão - Termo Médio (M), o termo comum das premissas - Premissas, as proposições que constituem o antecedente. - [[lexico:p:premissa:start|premissa]] Maior, a premissa que contém o termo maior - Premissa Menor, a que contém o termo menor - Conclusão, a [[lexico:p:proposicao:start|proposição]] consequente Observe-se, e isto é muito importante, que no [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] e [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]] correntes, não se desenvolvem habitualmente raciocínios silogísticos em premissas e conclusão. Dir-se-á, por exemplo, muito simplesmente: "A alma humana é imortal porque ela é espiritual". Porém é sempre [[lexico:p:possivel:start|possível]] proceder-se a esta decomposição, porque em toda [[lexico:d:deducao:start|dedução]] há necessariamente três termos e, portanto, três proposições. Em [[lexico:l:logica:start|lógica]], onde se procura [[lexico:p:por:start|pôr]] em [[lexico:e:evidencia:start|evidência]] todas as ligações do pensamento, representar-se-á normalmente a dedução dentro de sua figuração assim desenvolvida. Até aqui, só fizemos uma [[lexico:a:analise:start|análise]] descritiva do silogismo. Convém voltarmos à sua definição para que possamos nos dar conta exatamente de sua natureza e, assim, nos colocarmos em condições de refutar as críticas feitas por alguns modernos, contra esta forma de raciocínio, por a haverem [[lexico:m:mal:start|mal]] compreendido. A [[lexico:q:questao:start|questão]] que se coloca é a seguinte: o silogismo será essencialmente [[lexico:d:determinacao:start|determinação]] do particular contido no universal, assim como o parece sugerir a definição comumente proposta? Ou, não seria, antes, uma [[lexico:e:especie:start|espécie]] de identificação dos dois extremos em [[lexico:v:virtude:start|virtude]] ou em [[lexico:r:razao:start|razão]] do termo médio, e assim, as relações de universalidade e de particularidade não passariam de um [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] dependente desse mesmo termo médio? Segundo a primeira dessas concepções, o silogismo é essencialmente [[lexico:e:explicacao:start|explicação]] do conteúdo [[lexico:i:implicito:start|implícito]] das afirmações mais gerais. Desta forma [[lexico:e:eu:start|eu]] diria: Todos os ocupantes desta casa foram mortos Ora, Pedro era um desses ocupantes Logo, Pedro foi morto Ao silogismo assim apresentado opõe-se uma dupla [[lexico:o:objecao:start|objeção]]. Trata-se, diz-se, de uma [[lexico:t:tautologia:start|tautologia]]. Não se faz senão repetir na conclusão o que já se afirmava na maior. O silogismo é incapaz de fazer progredir o [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]]; ele pode ser [[lexico:u:util:start|útil]] para classificar ou verificar o que já se sabe, porém, como [[lexico:i:instrumento:start|instrumento]] de [[lexico:d:descoberta:start|descoberta]], é de uma esterilidade perfeita. Ou então se acusa o silogismo de implicar em um [[lexico:c:circulo-vicioso:start|círculo vicioso]]. Se eu posso dizer, no exemplo precedente, que todos os ocupantes da casa foram mortos, é porque eu havia constatado que Pedro, que era um deles, estava efetivamente morto. A maior só é verdadeira se eu puder antes, verificar a conclusão. É, portanto, [[lexico:r:raciocinar:start|raciocinar]] em [[lexico:c:circulo:start|círculo]], pretender deduzir a conclusão "Pedro foi morto", da maior que já a supunha como certa. Essas objeções só têm razão de ser se se concebe, como os nominalistas, o universal como sendo uma coleção de casos particulares, e se se interpreta o silogismo como a determinação de um dos casos particulares do universal assim compreendido. Porém, tal não se dá. Na [[lexico:r:realidade:start|realidade]], o silogismo é essencialmente a identificação dos dois extremos em virtude ou em razão de um termo médio. Quando eu declaro que "Pedro é contemplativo porque ele é [[lexico:f:filosofo:start|filósofo]]", eu estou afirmando que o predicado "contemplativo" pertence ao sujeito "Pedro", em razão do médio "filósofo". O termo médio constitui o [[lexico:e:elemento:start|elemento]] [[lexico:d:dinamico:start|dinâmico]] [[lexico:e:efetivo:start|efetivo]] do raciocínio; é ele que traz a [[lexico:l:luz:start|luz]]: concluir é assentir, sob a pressão do termo médio. Há, é [[lexico:v:verdade:start|verdade]], um [[lexico:p:progresso:start|progresso]] em direção do menos universal (ou ao não mais universal), mas isto não é senão um segundo aspecto do silogismo, que é antes de tudo uma [[lexico:o:operacao:start|operação]] de [[lexico:m:mediacao:start|mediação]] causal pelo termo médio. Concluiremos, portanto, que no [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]] silogismo há progresso de conhecimento que, a identificação do predicado e do sujeito não pode ser conhecida antes que a vejamos sob a luz do antecedente, que é sua razão própria. Da mesma forma, não se deve dizer que ele é um círculo vicioso, porque as premissas não são simplesmente a coleção de casos particulares somados, mas um verdadeiro universal [[lexico:n:necessario:start|necessário]], que se justifica por ele [[lexico:p:proprio:start|próprio]] ou por verdades mais elevadas. - Os exemplos que, à primeira vista, parecem justificar as objeções não são, de [[lexico:f:fato:start|fato]], silogismos autênticos. guando eu declaro que "Pedro foi morto porque todos os ocupantes da casa foram mortos", eu volto a uma [[lexico:e:experiencia:start|experiência]] primitiva que estava na [[lexico:o:origem:start|origem]] de minha [[lexico:i:inducao:start|indução]]: "todos os ocupantes da casa foram mortos"; porém, a maior, aí, não é verdadeira [[lexico:m:mente:start|mente]] universal e o termo médio, os ocupantes da casa, não é razão explicativa da conclusão. Em tudo isso não há senão classificações ou ligações materiais, mas não silogismo no [[lexico:s:sentido:start|sentido]] pleno da [[lexico:p:palavra:start|palavra]]. O [[lexico:c:criterio:start|critério]] que acabamos de estabelecer está ligado ao duplo aspecto compreensionista e extensionista que se pode distinguir no silogismo. Se se lê o silogismo sob o prisma da [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]], dir-se-á que o termo maior faz [[lexico:p:parte:start|parte]] da compreensão do termo menor porque ele faz parte da compreensão do médio, a qual por sua vez está compreendida no menor: "contemplativo" faz parte da compreensão de "Pedro" porque faz parte da compreensão de "filósofo", que, ela mesma, está compreendida tia de "Pedro". Se, ao contrário, se lê o silogismo sob o prisma da extensão, dir-se-á que o termo menor faz parte da extensão do termo maior, porque ele faz parte da extensão do termo médio, a qual está compreendida na do termo maior: "Pedro" é "contemplativo" porque Pedro está compreendido na extensão de "filósofo", que por sua vez está compreendido na de "contemplativo". Essas duas leituras de um silogismo são legítimas, sob a [[lexico:c:condicao:start|condição]] de que não sejam consideradas como exclusivas uma da outra. O [[lexico:p:processo:start|processo]] silogístico coloca em [[lexico:a:acao:start|ação]] estes sistemas de relações concernentes a compreensão e a extensão. Absolutamente falando, a [[lexico:i:interpretacao:start|interpretação]] compreensiva é fundamental, porém, na lógica [[lexico:s:silogistica:start|silogística]], deter-se-á de preferência nas relações de extensão. Eis porque, aliás, as regras que passaremos a formular, relativas a este [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista particular, apenas poderão assegurar uma parte das condições de verdade do silogismo. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}