===== SILÊNCIO ===== (lat. Silentium; in. Silence; fr. Silence; al. Schweigen; it. Silenzió). [[lexico:a:atitude|atitude]] [[lexico:m:mistica|mística]] diante da inefabilidade do [[lexico:s:ser|ser]] supremo (cf., p. ex., [[lexico:b:boaventura|Boaventura]], Itinerarium mentis in Deum, VII, 5). Segundo [[lexico:j:jaspers|Jaspers]], a atitude diante do ser da [[lexico:t:transcendencia|Transcendência]] (Phil., III, p. 223). Segundo [[lexico:w:wittgenstein|Wittgenstein]], a atitude diante dos problemas da [[lexico:v:vida|vida]]: "Sobre o que [[lexico:n:nao|não]] se pode [[lexico:f:falar|falar]], deve-se calar" (Tractatus, 7). Para a [[lexico:f:filosofia|Filosofia]], o silêncio não se confunde com a [[lexico:a:ausencia|ausência]] de ruído, pois [[lexico:n:nada|nada]] mais é do que a abolição da [[lexico:p:palavra|palavra]] ou da [[lexico:l:linguagem|linguagem]]. O silêncio pode constituir a [[lexico:e:expressao|expressão]] paradoxal daquilo que há de não-humano no [[lexico:h:homem|homem]]: há o silêncio incomunicável, que caracteriza a [[lexico:a:alienacao|alienação]] mental, e o silêncio da [[lexico:v:violencia|violência]], caracterizando aqueles para os quais a linguagem e a [[lexico:c:comunicacao|comunicação]] não são mais possíveis. A [[lexico:e:experiencia|experiência]] [[lexico:m:metafisica|metafísica]] do silêncio gera uma [[lexico:a:angustia|angústia]] [[lexico:e:existencial|existencial]]: "O silêncio [[lexico:e:eterno|eterno]] dos espaços infinitos me apavora", diz [[lexico:p:pascal|Pascal]]. Como experiência mística interior, o silêncio, ligado à oração, à [[lexico:m:meditacao|meditação]]. ao asceticismo e à [[lexico:s:solidao|solidão]]. constitui a [[lexico:c:condicao|condição]] para o encontro com uma [[lexico:p:presenca|presença]] oculta, o [[lexico:c:caminho|caminho]] para o encontro com [[lexico:d:deus|Deus]] ou com o [[lexico:o:outro|outro]]. [[lexico:o:o-que-e|o que é]] o silêncio? Uma [[lexico:p:pergunta|pergunta]] estranha. Promove a [[lexico:e:expectativa|expectativa]] de que se vai falar ou escrever sobre o silêncio. Não é o que se pretende. Na [[lexico:v:verdade|verdade]], o propósito não é simplesmente outro. Ninguém nunca consegue falar ou escrever sobre o silêncio, por mais que deseje ou se empenhe. [[lexico:q:quem|quem]] o pretendesse, nem mesmo saberia o que estaria fazendo, isto é, que não estaria falando ou escrevendo sobre o silêncio, mas sobre uma "outra" [[lexico:c:coisa|coisa]] qualquer. Pois só é [[lexico:p:possivel|possível]] falar ou escrever, rompendo o silêncio. É uma primeira experiência: o silêncio se dá na [[lexico:i:impossibilidade|impossibilidade]] e como impossibilidade de falar e escrever sobre ele. Com a pergunta, o que é o silêncio?, nem podemos renunciar a uma tal pretensão. Estamos sempre necessariamente numa "outra". Mas não é apenas [[lexico:i:impossivel|impossível]] falar ou escrever sobre o silêncio. Também não carece fazê-lo. Em tudo que se diz, quando se [[lexico:f:fala|fala]], se escreve ou se cala, sempre se diz a partir do silêncio. É a segunda experiência. Trata-se de uma experiência tão rica e originária que dela vivem e se criam os poetas, os pensadores, os homens. O propósito aqui é apenas acenar, em alguns passos, para o vigor do silêncio. Pois é ao silêncio que os homens, os poetas, os pensadores dão passagem em tudo que dizem quando falam e/ou se calam em cada desempenho. Com isso nós nos descobrimos onde já sempre estamos — no silêncio da fala. Nosso procedimento será, então, um desafio, o desafio do que nos está mais [[lexico:p:proximo|próximo]], tão próximo que nós mesmos o somos, em tudo que temos e não temos. O desafio consiste em deixar que o [[lexico:p:proprio|próprio]] silêncio apresente seu vigor tanto no que se fala como no que se cala.