===== SIGNIFICADO ===== O que marca claramente um [[lexico:s:sentido:start|sentido]]. — A [[lexico:f:fenomenologia:start|fenomenologia]] se define como uma [[lexico:d:descricao:start|descrição]] dos significados, dependente de qualquer [[lexico:j:juizo:start|juízo]] de [[lexico:e:existencia:start|existência]]. Por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], analisa-se o sentido de uma [[lexico:r:religiao:start|religião]] independentemente de qualquer tomada de [[lexico:p:posicao:start|posição]] em [[lexico:r:relacao:start|relação]] a seu [[lexico:v:valor:start|valor]] ou à existência do [[lexico:d:deus:start|Deus]] que cultua. Desse [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista, o [[lexico:p:principio:start|princípio]] da fenomenologia como [[lexico:a:analise:start|análise]] dos significados é de tudo [[lexico:c:compreender:start|compreender]] e nunca julgar; uma tal [[lexico:a:atitude:start|atitude]] implica na "[[lexico:e:epoche:start|epoche]]", isto é, na [[lexico:d:duvida:start|dúvida]]. A [[lexico:n:nocao:start|noção]] de [[lexico:p:puro:start|puro]] significado contrapõe-se à da existência. (gr. lekton; lat. significatio; in. Meaning; fr. Signification; al. Bedeutung; it. Significató). Entende-se por este [[lexico:t:termo:start|termo]] a [[lexico:d:dimensao:start|dimensão]] [[lexico:s:semantica:start|semântica]] do procedimento semiológico, ou seja, a [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] de um [[lexico:s:signo:start|signo]] referir-se a seu [[lexico:o:objeto:start|objeto]]. Os aspectos (ou condições) fundamentais do significado são dois: 1) um [[lexico:n:nome:start|nome]], um [[lexico:c:conceito:start|conceito]] ou uma [[lexico:e:essencia:start|essência]] (p. ex., "Alessandra Manzoni", "[[lexico:h:homem:start|homem]]", "autor de Os noivos"), usados com a [[lexico:f:finalidade:start|finalidade]] de delimitar e orientar a [[lexico:r:referencia:start|referência]]; 2) o objeto (p. ex., respectivamente, Alessandra Manzoni, os homens, Alessandra Manzoni), ao qual o nome, o conceito ou a essência se referem. Os dois aspectos são inseparáveis; o segundo é [[lexico:f:funcao:start|função]] do primeiro porque é o nome ou conceito que determina a que objeto se faz ou [[lexico:n:nao:start|não]] referência. Mas os dois aspectos não se identificam porque o objeto pode [[lexico:s:ser:start|ser]] o mesmo, ao passo que o nome ou conceito usado para a referência é diferente, como no caso de "Alessandra Manzoni" e "autor de Os noivos", que se referem ao mesmo objeto, mas são nomes diferentes. Tampouco as determinações que têm o mesmo objeto podem ser consideradas equivalentes, porque não podem ser substituídas umas pelas outras; p. ex., perguntar se "Alessandra Manzoni é o autor de Os noivos" não é o mesmo que perguntar "se Alessandra Manzoni é Alessandra Manzoni". A [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] entre os dois aspectos do significado (ou a relação entre eles) constitui a base dos problemas aos quais [[lexico:e:esse:start|esse]] termo deu [[lexico:o:origem:start|origem]] e das diferentes definições que ele recebeu. Os estoicos, que fundaram a doutrina da significado, reconheceram ambos os aspectos. "São três os [[lexico:e:elementos:start|elementos]] que se inter-relacionam: o significado, aquilo que significa e aquilo que é. O que significa é a [[lexico:p:palavra:start|palavra]], como p. ex. ‘Dione’. O significado é a [[lexico:c:coisa:start|coisa]] indicada pela palavra, que nós apreendemos ao pensarmos na coisa correspondente. Aquilo que é, é o [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] [[lexico:e:exterior:start|exterior]], como p. ex o [[lexico:p:proprio:start|próprio]] Díon" ([[lexico:s:sexto-empirico:start|Sexto Empírico]], Adv math., VIII, 12). Mais precisamente, para eles significado é uma "[[lexico:r:representacao:start|representação]] [[lexico:r:racional:start|racional]], graças à qual é [[lexico:p:possivel:start|possível]] expor por [[lexico:m:meio:start|meio]] de um [[lexico:d:discurso:start|discurso]] aquilo que é representado" (Ibid., VIII, 70; Diógenes Laércio, VII, 63). Nestas observações, os dois aspectos do significado são chamados respectivamente de "palavra", ou "representação racional", e "aquilo que é", ou "sujeito". "Aquilo que é", ou "sujeito", é o significado como objeto; a "palavra", ou "representação racional", é o significado como nome, conceito ou essência. Os estoicos reservam especialmente a este [[lexico:u:ultimo:start|último]] [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] o nome de significado; nisso, são seguidos (como veremos) por alguns autores modernos. Na [[lexico:l:logica:start|lógica]] medieval, a [[lexico:d:distincao:start|distinção]] entre os dois aspectos foi expressa como distinção entre "[[lexico:s:significacao:start|significação]]" e "[[lexico:s:suposicao:start|suposição]]". [[lexico:p:pedro-hispano:start|Pedro Hispano]] diz: "A suposição e a significação diferem porque a significação é feita por meio da [[lexico:i:imposicao:start|imposição]] de uma palavra para significar um objeto, mas a suposição é a acepção de um termo já significante para alguma outra coisa, como, p. ex., quando se diz o homem corre’, e o termo ‘o homem’ está no [[lexico:l:lugar:start|lugar]] de [[lexico:s:socrates:start|Sócrates]] e no lugar de [[lexico:p:platao:start|Platão]]. Portanto, a significação precede a suposição, e as duas [[lexico:c:coisas:start|coisas]] não são idênticas porque significar é próprio da palavra, e a suposição é própria do termo que já é [[lexico:c:composto:start|composto]] de palavra e significado" (Summ. log., 6.03). Aqui, entende-se por significatio o mesmo que os estoicos entendiam por lékton-. o conceito ou a representação usada para a referência objetiva, ao passo que a própria referência objetiva é designada como suppositio. Mas, [[lexico:a:alem:start|além]] das [[lexico:i:ideias:start|ideias]] dos estoicos, essa doutrina inclui a [[lexico:s:separacao:start|separação]] dos dois aspectos do significado, atribuindo o primeiro aos termos tomados isoladamente, o segundo aos conjuntos, ou seja, às proposições. Doutrina idêntica era exposta na Idade Média por Ockham (Sutnma log., I, 63), por Buridan (Sophismata, 2) e por Alberto da Saxônia (Lógica, II, 1), ao passo que [[lexico:t:tomas-de-aquino:start|Tomás de Aquino]] aludia a uma doutrina diferente apenas do ponto de vista terminológico, segundo a qual significado e suposição coincidem nos termos particulares mas não nos gerais, para os quais significado é essência ([[lexico:s:suma-teologica:start|Suma Teológica]], I, q. 39, a. 4, no início). É na distinção entre os dois aspectos de significado que se baseia a distinção estabelecida pela lógica [[lexico:m:moderna:start|moderna]] de cunho tradicional entre os dois elementos do conceito, chamados ora de [[lexico:c:compreensao-e-extensao:start|compreensão e extensão]] (v. [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]]), ora de [[lexico:i:intencao:start|intenção]] e [[lexico:e:extensao:start|extensão]] (v. [[lexico:i:intensao:start|intensão]]), ora de [[lexico:c:conotacao:start|conotação]] e denotaçâo (v. conotação). O primeiro par de termos foi introduzido pela Lógica de [[lexico:p:port-royal:start|Port-Royal]] (I, 6); o segundo, por [[lexico:l:leibniz:start|Leibniz]] (Nouv. ess., IV, 17, § 9); o [[lexico:t:terceiro:start|terceiro]], por [[lexico:s:stuart-mill:start|Stuart Mill]] (Logic, 1,1, § 5). Este último propunha restringir o sentido de significado à conotação, chamando-se de [[lexico:d:denotacao:start|denotação]] a referência objetiva. Dizia: "Sempre que os nomes dados aos objetos comportam alguma informação, ou seja, sempre que, propriamente, têm um significado, o significado não reside naquilo que eles denotam, mas naquilo que eles conotam. Os únicos nomes de objetos que [[lexico:n:nada:start|nada]] conotam são os nomes próprios; estes, a rigor, não têm significação" (Ibid., I, 2, § 5). O que ele entendia por conotação aparece claramente no trecho seguinte: "A palavra homem, p. ex., denota Pedro, Joana, João e um [[lexico:n:numero:start|número]] [[lexico:i:indefinido:start|indefinido]] de outros indivíduos, que ela designa como [[lexico:c:classe:start|classe]]. Mas essa palavra é aplicada a eles na [[lexico:m:medida:start|medida]] em que possuem certos atributos, e para significar que os possuem" (Ibid.). Os atributos que constituem o homem — p. ex., corpo-reidade, animalidade, [[lexico:r:racionalidade:start|racionalidade]], etc. — formam, portanto, a conotação do nome "homem": aquilo que a [[lexico:t:tradicao:start|tradição]] filosófica chamava de "essência" ou, mais [[lexico:t:tarde:start|Tarde]], "conceito". Portanto G. Frege nada mais fazia além de expressar uma antiga e nova tradição, ao distinguir sentido e significado. Dizia: "Ao [[lexico:p:pensar:start|pensar]] num signo (seja ele um nome, uma [[lexico:e:expressao:start|expressão]] com várias [[lexico:p:palavras:start|palavras]], ou uma [[lexico:s:simples:start|simples]] letra) devemos relacioná-lo com duas coisas distintas: não só com o objeto [[lexico:d:designado:start|designado]], que se chamará de significado (Bedeutung) desse signo, mas também com o sentido (Sinn) do signo, que denota o [[lexico:m:modo:start|modo]] como nos é [[lexico:d:dado:start|dado]] esse objeto". Frege advertia que, por sentido ou nome, entendia "uma indicação qualquer que desempenhe a função de nome próprio, vale dizer, que seja um objeto determinado (tomando a palavra objeto no sentido mais amplo)" (Über Sinn und Bedeutung, 1892, § 1; trad. it., em [[lexico:a:aritmetica:start|Aritmética]] e lógica, pp. 218-19). A mesma distinção era feita por [[lexico:p:peirce:start|Peirce]], mas com [[lexico:t:terminologia:start|terminologia]] diferente: Peirce falava de objeto do signo e de [[lexico:i:interpretante:start|interpretante]] do signo, que é o sentido de Frege. Peirce diz: "O signo cria [[lexico:a:alguma-coisa:start|alguma coisa]] no [[lexico:e:espirito:start|espírito]] do [[lexico:i:interprete:start|intérprete]] e esse alguma coisa, por [[lexico:t:ter:start|ter]] sido criado pelo signo, foi criado também, de modo [[lexico:m:mediato:start|mediato]] e [[lexico:r:relativo:start|relativo]], pelo objeto do signo, embora o objeto seja essencialmente diferente do signo. Essa criatura do signo é chamada de interpretante" (Coll. Pap., 8.179, o [[lexico:t:texto:start|texto]] é de 1903). Essa terminologia foi substancialmente aceita por Morris, que deu ao objeto o nome de designatum, e ao conceito o de interpretante (Foundations of the Theory of Signs, 1938, § 2). É [[lexico:v:verdade:start|verdade]] que Morris considera inútil o termo "significado", que lhe parece capaz de [[lexico:p:provocar:start|provocar]] muita confusão, e tenta evitá-lo em seu [[lexico:e:estudo:start|estudo]] (Ibid., § 12). Na [[lexico:r:realidade:start|realidade]], porém, consegue evitá-lo apenas porque introduziu em sua análise do signo, com outros nomes, os dois componentes do significado que a tradição distinguiu constantemente. Os lógicos contemporâneos manifestam a [[lexico:t:tendencia:start|tendência]], já presente em Stuart MiU, a restringir o [[lexico:u:uso:start|uso]] da palavra significado à [[lexico:e:esfera:start|esfera]] da conotação. Lewis, reservando esse termo para ambos os aspectos, faz a distinção entre significação (signification) do termo (ou seja, a conotação) e sua referência objetiva, que ele distingue em denotação e compreensão: a primeira seria a classe de todas as [[lexico:c:coisas-reais:start|coisas reais]] às quais o termo se aplica, a segunda seria a classe de todas as coisas possíveis às quais se aplica (Analysis of Knowledge and Valuation, 1946, cap. III, pp. 39 ss.). Em seguida, Lewis faz a distinção entre significação e "significado-sentido" (sense meaning), que dela se distinguiria por ser o modo como o espírito se refere à significação (Ibid., p. 113 e [[lexico:n:nota:start|nota]] 3). Mas essas distinções não modificam substancialmente a [[lexico:d:dicotomia:start|dicotomia]] tradicional do significado de significado. Essa mesma dicotomia é expressa por Quine, como dicotomia entre significado (ou conotação, ou intensão) e nominação (naming), que seria a extensão ou denotação (From a Logical Point of View, 1953, II, 1), e por Carnap, que nela baseia a dicotomia entre duas operações fundamentais possíveis em relação a uma expressão [[lexico:l:linguistica:start|linguística]] dada: a de "analisar a expressão com a finalidade de entendê-la, de [[lexico:a:apreender:start|apreender]] seu significado, e a que consiste na [[lexico:i:investigacao:start|investigação]] da [[lexico:s:situacao:start|situação]] de [[lexico:f:fato:start|fato]] à qual a expressão se refere" (Meaning and Necessity, 1947, § 45). Além disso, insistiu no fato de que o conceito de significado [[lexico:i:intencional:start|intencional]], como [[lexico:c:condicao:start|condição]] [[lexico:g:geral:start|geral]] que um objeto deve preencher para que um falante X predique com esse significado o objeto, é desprovido de qualquer referência psicológica e pode ser aplicado até a um robô (Ibid., p. 246 e nota 5). Por sua vez, Church adotou a terminologia de Frege, chamando de sentido a conotação e de significado a denotação, e introduzindo a palavra conceito: "Diremos que um nome denota ou nomeia a sua denotação e expressa o seu sentido. Menos explicitamente, podemos dizer que um nome tem certa denotação e tem certo sentido. Dizemos que o sentido determina a denotação ou é um conceito da denotação" (Introduction to Mathematical Logic, 1956, § 01). Em confronto com essa sólida e — ressalvando-se a variedade terminológica — [[lexico:u:uniforme:start|uniforme]] tradição, estão as tentativas de modificá-la, quer unificando as duas dimensões do significado (A), quer acrescentando novas espécies de significados (B). A) A tentativa de unificar as duas dimensões do significado foi feita em ambas as direções: reduzindo sentido a significado, ou significado a sentido. A primeira tentativa foi feita por [[lexico:r:russell:start|Russell]] e por [[lexico:w:wittgenstein:start|Wittgenstein]]. Toda a [[lexico:t:teoria:start|teoria]] exposta por Russell no artigo que escreveu em 1905 ("On Denoting", atualmente in Logic and Knowledge, 1956, pp. 41 ss.), no primeiro capítulo de [[lexico:p:principia-mathematica:start|Principia Mathematica]], que escreveu com Whitehead (1910), e no seu [[lexico:o:outro:start|outro]] livro, An Inquiry into Meaning and Truth (1940), consiste, nas próprias palavras do autor, no fato de que "não há significado, mas apenas, às vezes, uma denotação" (Logic and Knowledge, p. 46, nota). Na realidade, para Russell, o significado de um [[lexico:s:simbolo:start|símbolo]] se reduz unicamente aos componentes do fato a que o símbolo se refere. "Os componentes do fato que tornam verdadeira ou falsa uma [[lexico:p:proposicao:start|proposição]], conforme o caso, são os significado dos [[lexico:s:simbolos:start|símbolos]] que devemos entender para entender a proposição" (Logic and Knowledge, p. 196). Desse ponto de vista, a [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]] [[lexico:i:ideal:start|ideal]] é a que tem apenas [[lexico:s:sintaxe:start|sintaxe]] e nenhum vocabulário, pois nela o vocabulário é inutilizado pela [[lexico:c:correspondencia:start|correspondência]] de cada termo com um objeto simples e de cada objeto simples com um termo (Ibid., p. 198; cf. linguagem). Essa doutrina foi expressa com rigor por Wittgenstein: "O nome significa o objeto. O objeto é seu significado" (Tractatus, 1922, 3- 203). "À configuração dos signos simples na proposição corresponde configuração dos objetos na situação" (Ibid., 3.21). "O nome faz as vezes do objeto na proposição" (Ibid. 3.22). Desse ponto de vista, mesmo as proposições aparentemente sem sentido são legítimas porque "se uma proposição não tem sentido, isso pode ser devido apenas ao fato de não termos dado significado a uma de suas partes constitutivas" (Ibid., 5.4733), ou seja, de não termos estabelecido a correspondência entre essa [[lexico:p:parte:start|parte]] e um objeto. Essa [[lexico:c:consequencia:start|consequência]] é importante porque constitui a [[lexico:r:reducao:start|redução]] ao [[lexico:a:absurdo:start|absurdo]] do fato de se eliminar o sentido (Sinn) do significado: a referência ao objeto, não sendo guiada ou limitada pelo conceito, é sempre legítima, e só não aparece quando não é efetuada. A redução inversa, de significado a sentido, vale dizer, a tentativa de reduzir significado, em seu conjunto, à conotação ou conceito, foi realizada por [[lexico:h:husserl:start|Husserl]]. Este negou que o objeto constituísse o significado ou coincidisse com ele (Logische Untersuchungen, II, p. 46). Sua [[lexico:t:tese:start|tese]] é que "o significado [[lexico:l:logico:start|lógico]] é uma expressão", no sentido de que ele eleva o sentido (Sinri) perceptivo da coisa "ao [[lexico:r:reino:start|reino]] do [[lexico:l:logos:start|Logos]], do conceitual, portanto do [[lexico:u:universal:start|universal]]". Em outros termos, Husserl substitui a dicoto-mia objeto-conceito pela dicotomia sentido (percebido)-conceito, na qual o conceito é a essência da coisa, a sua conceituação ou expressão acabada (Ideen, I, § 124). Tentativa de redução análoga a esta foi feita por Royce, que, depois de fazer a distinção entre significado [[lexico:e:externo:start|externo]] de uma [[lexico:i:ideia:start|ideia]], que é a correspondência da ideia com o objeto, e seu significado interno, que é "o [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]] [[lexico:c:consciente:start|consciente]] incorporado na ideia", reduz a este último o próprio significado externo, com o [[lexico:f:fundamento:start|fundamento]] de que é "a própria ideia que escolhe o objeto com o qual quer ser confrontada" (The World and the Individual, 1901, II, cap. I). B) As principais tentativas de apresentar novas [[lexico:e:especies-de-significado:start|espécies de significado]] em acréscimo ou em concorrência com as duas consagradas pela tradição são as seguintes: 1) [[lexico:d:definicao:start|Definição]] de significado como uso. Esta é a tese encontrada em Philosophical Investigations (1953), de Wittgenstein. "Para uma vasta classe de casos — embora não para todos —, nos quais empregamos a palavra ‘significado’, esta pode ser assim definida: significado de uma palavra é seu uso na linguagem. O significado de um nome às vezes é explicado indicando-se seu portador" (Op. cit., § 43). Mas, embora apresentada pelo próprio Wittgenstein e por outros em concorrência com a definição semântica de significado, a noção de uso pertence a outra esfera de problemas e a outro nível de [[lexico:i:indagacao:start|indagação]]. Com [[lexico:e:efeito:start|efeito]], o [[lexico:p:problema:start|problema]] a que diz [[lexico:r:respeito:start|respeito]] é o da [[lexico:f:formacao:start|formação]] dos significados nas línguas naturais. O uso não éo significado, mas determina-o, no sentido de que a ele é devida a conexão entre um objeto e uma palavra (ou em geral um veículo "sígnico"). Sem dúvida, as definições de um dicionário são estabelecidas pelo uso, mas exprimem a conotação e a denotação dos termos. Portanto, a teoria do uso não é uma teoria do significado, mas uma teoria sobre a origem e a formação das línguas naturais. 2) A proposta de um significado [[lexico:e:emotivo:start|emotivo]], paralelamente ao significado "[[lexico:s:simbolico:start|simbólico]]" ou "[[lexico:d:descritivo:start|descritivo]]", foi feita por Ogden e Richards (Meaning of Meaning, 1923, ed. 1952, p. 149 e passim) e expressa por E. L. Stevenson da seguinte maneira: "significado emotivo é um significado em que a resposta (do ponto de vista de [[lexico:q:quem:start|quem]] ouve) e o [[lexico:e:estimulo:start|estímulo]] (do ponto de vista de quem [[lexico:f:fala:start|fala]]) é um conjunto de emoções" (Ethics andLanguage, 1944, p. 59). O significado emotivo assim entendido seria diferente do significado simbólico, que consistiria em sua referência ao objeto, e o próprio significado poderia ser definido em geral como a [[lexico:q:qualidade:start|qualidade]] disposicional de um signo a produzir uma ou outra dessas reações, ou seja, um conjunto de emoções ou a referência ao objeto (Ibid., pp. 53 ss.). Deixando de lado o fato de que o uso do termo emotivo para indicar normas legais, prescrições técnicas ou comandos (coisas todas que caberiam na [[lexico:c:categoria:start|categoria]] dos significados emotivos) pode com [[lexico:m:motivo:start|motivo]] ser considerado aberrante (v. [[lexico:e:emocao:start|emoção]]), a doutrina em [[lexico:q:questao:start|questão]] parece sugerida pelo fato de que o significado denotativo é restringido à referência a coisas reais, de tal maneira que muitos signos simples ou compostos parecem não ter denotação porque não se referem a coisas. Na realidade, a referência denotativa vale para objetos em geral (v. objetos), e objetos são tanto as coisas reais quanto as quiméricas, tanto os planos, os projetos, os desejos e as aspirações quanto as [[lexico:q:qualidades-sensiveis:start|qualidades sensíveis]] ou as entidades percebidas. Portanto, um [[lexico:e:enunciado:start|enunciado]] que expresse uma [[lexico:o:ordem:start|ordem]], um [[lexico:d:desejo:start|desejo]] ou um [[lexico:p:projeto:start|projeto]] pode ter, na situação a que tais coisas se referem, a sua denotação, vale dizer, seu objeto ou seu [[lexico:r:referente:start|referente]]. Aliás, nem mesmo do ponto de vista lógico, que é o da teoria do significado, tais objetos podem ser distinguidos dos outros. 3) Na definição de significado como intenção de quem fala, o significado seria aquilo que o falante pretende dizer, sem se levar em conta a referência objetiva da palavra ou do enunciado empregado. Neste sentido, emprega-se "quer dizer..." (em inglês: l mean..., do [[lexico:v:verbo:start|verbo]] to mean, que tem a mesma [[lexico:r:raiz:start|raiz]] de meaning = significado), para esclarecer ou corrigir uma declaração. Está [[lexico:b:bem:start|Bem]] claro que qualquer descrição ou esclarecimento da intenção do falante só pode ocorrer através da [[lexico:d:determinacao:start|determinação]] do objeto ao qual se refere, ou de sua conotação, ou seja, por meio do uso das dimensões próprias do significado. Portanto, tais dimensões são simplesmente pressupostas pela definição em foco. Às vezes é proposta como um significado acrescentado ao tradicional (cf. M. Black, Problems of Analysis, 1954, pp. 55-56), porém está claro que a intenção do falante não é outra [[lexico:e:especie:start|espécie]] de significado, mas o modo como o falante usa as dimensões lógicas do significado. Associa-se a essa confusão entre intenção e significado o uso deste termo em frases como: "Um [[lexico:u:universo:start|universo]] [[lexico:m:mecanico:start|mecânico]] não teria significado", "Se tudo acontecesse por [[lexico:a:acaso:start|acaso]], a [[lexico:h:historia:start|história]] não teria significado", nas quais a palavra significado obviamente equivale a intenção ou objetivo, portanto a valor. 4) Proposta de um significado "pictórico" ou "ima-gético", paralelamente aos outros, porquanto "a linguagem pode ser empregada com a intenção primária de exprimir ou evocar pinturas (ou imagens) de um modo que difere do uso dos signos e formula possibilidades empiricamente significantes" (v. E. Aldrich, Pictorial Meaning and Picture Thinking", em Readings in Philoso-phical Analysis, 1949, pp. 175 ss.). Está claro que também esta proposta é sugerida pelo [[lexico:p:pressuposto:start|pressuposto]] (estranho a qualquer teoria lógica do significado) de que o objeto da referência é uma coisa [[lexico:r:real:start|real]] ou uma situação de fato e de que não pode ser de outra [[lexico:n:natureza:start|natureza]]. Na realidade, os significado "pictóricos" têm conotação e denotação como todos os demais. 5) Definição do significado como [[lexico:v:vetor:start|vetor]] de [[lexico:c:campo:start|campo]], no sentido de que ele seria uma [[lexico:d:disposicao:start|disposição]] atualizada pelo objeto que se destaca do fundo de um campo ou contexto [[lexico:a:apropriado:start|apropriado]]. Mais precisamente, ele seria a ativação ou a atualização de uma resposta descritiva, provocada pelo objeto (A. P. Ushenko, The Field Theory of Meaning, 1958, p. 109). Mas esta é uma teoria da formação dos significado (que pode ser discutida no âmbito da [[lexico:t:teoria-da-linguagem:start|teoria da linguagem]]) e não traz inovações no que se refere à composição do significado do significado, que continua determinado por seus dois componentes: conotação e denotação (cf. Op. cit, pp. 75-76). {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}