===== SEXO ===== (in. Sex; fr. Sexe; al. Sex; it. Sesso). 1. Raramente os filósofos trataram do sexo como componente do [[lexico:h:homem:start|homem]]. Em O [[lexico:b:banquete:start|Banquete]], de [[lexico:p:platao:start|Platão]], ao [[lexico:f:falar:start|falar]] da [[lexico:o:origem:start|origem]] do sexo, Aristófanes expõe o [[lexico:m:mito:start|mito]] dos andróginos, dos quais, por [[lexico:m:meio:start|meio]] de uma [[lexico:s:separacao:start|separação]] desejada por [[lexico:z:zeus:start|Zeus]] com fins punitivos, ter-se-iam originado os dois sexos complementares (O Banq., 189 e). Mas as especulações platônicas [[lexico:n:nao:start|não]] versam propriamente sobre o sexo, mas sobre o [[lexico:a:amor:start|amor]]. É o que também fazem muitos outros filósofos, inclusive [[lexico:s:schopenhauer:start|Schopenhauer]], que, em [[lexico:m:metafisica:start|Metafísica]] do amor sexual, considera o amor sexual como um expediente de que se valeria o "[[lexico:g:genio:start|gênio]] da [[lexico:e:especie:start|espécie]]", ou [[lexico:v:vontade:start|vontade]] de [[lexico:v:vida:start|vida]], para favorecer a [[lexico:o:obra:start|obra]] obscura e [[lexico:p:problematica:start|problemática]] da propagação da espécie. No [[lexico:m:mundo:start|mundo]] [[lexico:m:moderno:start|moderno]], a [[lexico:a:acao:start|ação]] da [[lexico:p:psicanalise:start|psicanálise]] chamou a [[lexico:a:atencao:start|atenção]] dos filósofos para o sexo; foram especialmente os fenomenologistas e os [[lexico:e:existencialistas:start|existencialistas]] que se interessaram pelos fenômenos a ele [[lexico:r:relativos:start|relativos]]. Max [[lexico:s:scheler:start|Scheler]], no livro [[lexico:w:wesen:start|Wesen]] und Formen der Sympathie (1923; trad. fr., pp. 168 ss.), tentou atribuir ao [[lexico:a:ato:start|ato]] sexual o [[lexico:v:valor:start|valor]] de [[lexico:f:forma:start|forma]] de [[lexico:e:expressao:start|expressão]] da [[lexico:p:personalidade:start|personalidade]] humana. Por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado, enquanto [[lexico:h:heidegger:start|Heidegger]] considerou o [[lexico:d:dasein:start|Dasein]] desprovido de sexualidade, [[lexico:s:sartre:start|Sartre]] considerou a sexualidade como [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] fundamental da [[lexico:e:existencia:start|existência]]: "Embora o [[lexico:c:corpo:start|corpo]] tenha uma [[lexico:t:tarefa:start|tarefa]] importante, precisa remeter-se ao [[lexico:s:ser:start|ser]] no mundo e ao ser para os outros: [[lexico:d:desejo:start|desejo]] um ser [[lexico:h:humano:start|humano]], não um inseto ou um molusco, e desejo-o na [[lexico:m:medida:start|medida]] em que ele está, e [[lexico:e:eu:start|eu]] estou, em [[lexico:s:situacao:start|situação]] no mundo, e na medida em que ele é outro para mim e eu sou outro para ele" (L’être et le néant, 1943, pp. 452-53). O sexo seria a estrutura fundamental da existência humana enquanto existência no mundo (cf. também [[lexico:a:abbagnano:start|Abbagnano]], Struttura dell’esistenza, 1939, §55) (v. amor, psicanálise). 2. Os filósofos, ao contrário, insistiram frequentemente na [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] sexual. Para [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]], a mulher constitui uma monstruosidade da [[lexico:n:natureza:start|natureza]], inevitável porém para a conservação da espécie (Degen. an., 7, 775 a 15-17). A mulher difere do homem por participar em menor [[lexico:g:grau:start|grau]] dos poderes da [[lexico:r:razao:start|razão]] (Poi., 1260 a 11-14): portanto, seu [[lexico:l:lugar:start|lugar]] é de [[lexico:s:subordinacao:start|subordinação]] ao homem, a este cabendo comandar e a ela obedecer (Pol., 1254 b 13-15; 1259 b 2-10). Por um vínculo constante na [[lexico:t:tradicao:start|tradição]], essa desvalorização da [[lexico:d:dignidade:start|dignidade]] da mulher é acompanhada pela exaltação da [[lexico:f:familia:start|família]] (que, segundo Aristóteles, existiria mesmo que não houvesse [[lexico:s:sociedade:start|sociedade]]) e das tarefas e [[lexico:v:virtudes:start|virtudes]] familiares da mulher (Pol., 1260 a 29-31; Et. Nic, 1162 a 19-27). Exatamente por isso Schopenhauer defendeu a poligamia, que estaria destinada a combater as pretensões da mulher à equiparação e a eliminar o [[lexico:f:fenomeno:start|fenômeno]] da prostituição (Parerga und Paralipomena, II, 27, § 362 ss.). Por outro lado, Platão, mesmo admitindo a inferioridade da mulher ([[lexico:r:republica:start|República]], 455), considerava que homens e [[lexico:m:mulheres:start|mulheres]] deviam ser admitidos indiferentemente em todos os níveis da [[lexico:e:educacao:start|educação]], para que às funções exercidas pelas classes superiores tivessem [[lexico:a:acesso:start|acesso]] apenas os indivíduos que demonstrassem [[lexico:c:capacidade:start|capacidade]] de exercê-las, qualquer que fosse o sexo. [[lexico:c:cinicos:start|Cínicos]] e estoicos afirmavam, como [[lexico:p:principio:start|princípio]], a [[lexico:i:igualdade:start|igualdade]] entre homens e mulheres. A mulher de Crates andava pelas ruas de Atenas usando, como o marido, o saio tosco dos cínicos, e um [[lexico:p:ponto:start|ponto]] da doutrina estoica era que homens e mulheres deveriam usar as mesmas roupas (Diógenes Laércio, VII, 33). As mulheres eram aceitas na [[lexico:e:escola:start|escola]] de [[lexico:e:epicuro:start|Epicuro]], na qual muitas exerceram cargos de direção. Na [[lexico:a:antropologia:start|antropologia]] contemporânea, não se subestima a diferença entre os sexo, tanto quanto qualquer outra diferença biológica existente entre os indivíduos humanos, mas faz-se a [[lexico:d:distincao:start|distinção]] entre essa diferença e a exigência de paridade de direitos, baseada no [[lexico:r:reconhecimento:start|reconhecimento]] de que as funções subordinadas atribuídas à mulher, na maior [[lexico:p:parte:start|parte]] das sociedades conhecidas, é um [[lexico:p:produto:start|produto]] cultural, para o qual pouco ou [[lexico:n:nada:start|nada]] contribui a diferença entre as funções biológicas. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}