===== SER-NO-MUNDO ===== Martin [[lexico:h:heidegger|Heidegger]], em [[lexico:s:ser-e-tempo|Ser e Tempo]], [[lexico:f:fala|fala]] da [[lexico:e:estrutura|estrutura]] [[lexico:s:ser-no-mundo|ser-no-mundo]] para dizer a [[lexico:c:constituicao|constituição]], a textura [[lexico:o:ontologica|ontológica]] da [[lexico:v:vida|vida]], da vida humana, ali denominada [[lexico:d:dasein|Dasein]], [[lexico:p:presenca|presença]]. [[lexico:h:homem|homem]], vida humana: uma presença subitamente (i-mediatamente) irrompida, enquanto e como ser-no-mundo. Em [[lexico:g:geral|geral]], deparamos com isso, a [[lexico:s:saber|saber]], com essa estrutura ser-no-mundo, e se diz: “Ah, isso é [[lexico:b:bom|Bom]]! Bom e intuitivo! E mesmo evidente. Entendo! É fácil entender e, olhando [[lexico:b:bem|Bem]], está na [[lexico:o:ordem|ordem]] das verdades imediatas. E quase o domínio do óbvio ululante!!” Mas, já levado por aquele exercício de desimaginação, pode-se perguntar: Será?! Será mesmo?! [[lexico:e:esse|esse]] óbvio, fácil, evidente – o que estará sob ele? Seria este óbvio o [[lexico:o:obstaculo|obstáculo]], a trava maior para a visualização do [[lexico:f:fenomeno|fenômeno]], da [[lexico:e:experiencia|experiência]] que pulsa sob aquela formulação? Mas também cabe perguntar: e de onde vem esta [[lexico:p:pergunta|pergunta]] de corcunda, de anão, isto é, cética, desconfiada, cabreira? Se examinarmos bem nossa [[lexico:c:compreensao|compreensão]] imediata ou habitual desta formulação: “O homem, a vida ou a [[lexico:e:existencia|existência]] humana, é ser-no-mundo”, nos daremos conta que partimos de um [[lexico:h:habito|hábito]], de um [[lexico:v:vicio|vício]], mesmo de uma [[lexico:m:mania|mania]], que, na [[lexico:v:verdade|verdade]], é o calo do ofício de [[lexico:s:ser|ser]] homem, de [[lexico:v:viver|viver]], e que é ser como habitualmente se é. Mas, ora, e como [[lexico:n:nao|não]] ser assim? É justamente para saltar para fora desse hábito que nos convida a [[lexico:f:filosofia|Filosofia]], aqui, [[lexico:a:agora|agora]], no caso, pela via da formulação anunciada. E preciso ouvir tal formulação desarmadamente, quase antes mesmo de se ser homem, de se viver. O homem pode isso, pois ele também se retira, se distancia da vida. Isso é seu [[lexico:p:proprio|próprio]]. E o vício ou o hábito aludido é o seguinte: frente à [[lexico:f:frase|frase]], de [[lexico:m:modo|modo]] [[lexico:v:vago|vago]], [[lexico:i:indeterminado|indeterminado]], sem formulação ou explicitação, representa-se, pensa-se, imagina-se homem como um algo já [[lexico:d:dado|dado]], feito ou constituído, quer dizer, já fixado, seja como um [[lexico:e:eu|eu]], ou como uma [[lexico:a:alma|alma]], ou como um [[lexico:i:individuo|indivíduo]], ou como uma [[lexico:c:consciencia|consciência]], em [[lexico:s:suma|suma]], como um algo qualquer vaga e indefinidamente, mas como um algo ou um [[lexico:s:sujeito|sujeito]] e este [[lexico:t:tipo|tipo]], este (in)determinado X, a saber, este “eu”, ou “[[lexico:p:pessoa|pessoa]]”, ou “indivíduo”, ou “consciência” ou “alma” – enfim, esta [[lexico:s:subjetividade|subjetividade]] se abre, se volta (seria um [[lexico:a:ato|ato]] [[lexico:i:intencional|intencional]]? Seria espontâneo, instintivo, [[lexico:n:natural|natural]]?!) para o seu redor, para o que está à sua volta e que é, deve ser o somatório das [[lexico:c:coisas|coisas]] que imediatamente o circundam e que, oportunamente, se denomina [[lexico:m:mundo|mundo]]. Portanto, falsifica-se ou obstaculiza-se a experiência pulsante na formulação mencionada, seja porque se imagina ou preconcebe-se o homem, a vida, já como algum algo, como algum determinado X, seja porque se imagina ou preconcebe-se mundo como o conjunto, o somatório [[lexico:i:indefinido|indefinido]], pardo, cinzento de todas as coisas, ou ainda em [[lexico:r:razao|razão]] de ambos os [[lexico:m:motivos|motivos]] ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]] – o que, de [[lexico:f:fato|fato]], sempre se dá. O que a formulação, na verdade, quer dizer, é mais ou menos o seguinte: um eu, uma alma, uma consciência, etc., etc., enfim, um ou algum homem constituído (um sujeito ou uma subjetividade determinada) é isso que assim aparece, porque antes é, dá-se ou faz-se a estrutura ser-no-mundo, que Heidegger denomina “a abertura Dasein” ou presença. Esta é o que sempre já se deu; esta é o raio que sempre já aconteceu ou se abriu e que dirige tudo que é, que há [Cf. HERÁCLITO, frag. 64]. Ou seja, o homem, [[lexico:t:todo|todo]] ou qualquer tipo já constituído, é [[lexico:c:coisa|coisa]] tardia, epígona. Isso tudo é [[lexico:o:obra|obra]], melhor, resultado da estrutura ou, se se quer, é a estrutura já realizada, concretizada e não sua [[lexico:f:forma|forma]] (gênese ontológica) de realização ou de concretização, que precisa, antes de mais [[lexico:n:nada|nada]], ser entrevista e pensada no seu modo próprio de ser, ainda que ela não haja em si, separada ou subsistente. [FogelHRI:16-18]