===== SER ENQUANTO SER ===== Já foi [[lexico:d:dito|dito]] que este é o [[lexico:t:terceiro|terceiro]] dos aspectos sob os quais se apresenta a [[lexico:m:metafisica|metafísica]] de [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]]. A universalidade aparece aí como o [[lexico:c:carater|caráter]] posto em relevo. As noções mais comuns, com [[lexico:e:efeito|efeito]], [[lexico:n:nao|não]] devem [[lexico:s:ser|ser]] tratadas no início de cada [[lexico:c:ciencia|ciência]] [[lexico:p:particular|particular]], o que acarretaria repetições fastidiosas; mas também não podem permanecer cientificamente indeterminadas; é preciso então que sejam [[lexico:o:objeto|objeto]] de uma [[lexico:p:parte|parte]] especial da [[lexico:f:filosofia|Filosofia]]. - [[lexico:g:genese|Gênese]] histórica da [[lexico:m:metafisica-do-ser|metafísica do ser]]. Por que esta [[lexico:e:escolha|escolha]] do ser como a primeira e, portanto, como a mais fundamental de todas as noções [[lexico:u:universais|universais]]? Encontramo-nos aqui diante do que se pode considerar como a opção talvez mais decisiva do peripatetismo, opção que, por [[lexico:o:outro|outro]] lado, havia sido longamente preparada pela [[lexico:h:historia|história]]. Pelo que se pode [[lexico:s:saber|saber]], é a [[lexico:p:parmenides|Parmênides]] que cabe o [[lexico:m:merito|mérito]] de [[lexico:t:ter|ter]] descoberto o [[lexico:v:valor|valor]] privilegiado da [[lexico:n:nocao-de-ser|noção de ser]]. Estava-se depois de um século ou dois, nas escolas filosóficas da [[lexico:g:grecia|Grécia]], à procura de um [[lexico:e:elemento|elemento]] [[lexico:p:primitivo|primitivo]], ou da [[lexico:s:substancia|substância]] primordial da qual poderia ser [[lexico:c:composto|composto]] o [[lexico:m:mundo|mundo]] [[lexico:f:fisico|físico]]: para Tales era a água, o [[lexico:a:ar|ar]] para Anaximeno, o [[lexico:f:fogo|fogo]] para [[lexico:h:heraclito|Heráclito]]. Alguns, ultrapassando a [[lexico:a:aparencia|aparência]] [[lexico:s:sensivel|sensível]], já haviam pensado remontar a um [[lexico:p:principio|princípio]] não perceptível, crendo [[lexico:a:anaximandro|Anaximandro]] tê-lo encontrado no [[lexico:i:indeterminado|indeterminado]] ([[lexico:a:apeiron|apeiron]]), e [[lexico:p:pitagoras|Pitágoras]] no [[lexico:n:numero|número]]. Ora, no seu poema sobre a [[lexico:n:natureza|natureza]], desde logo Parmênides nos abre a via que conduz ao ser: esta é, para ele, a via da [[lexico:v:verdade|verdade]], o ser é, e este ser é [[lexico:u:uno|uno]], indiviso, imóvel, contudo ainda corporal, à maneira de uma [[lexico:e:esfera|esfera]], e o [[lexico:n:nao-ser|não-ser]] absolutamente não é. Certamente, no rigor desta tomada de [[lexico:p:posicao|posição]], o [[lexico:d:devir|devir]] e a [[lexico:m:multiplicidade|multiplicidade]] [[lexico:r:real|real]] das [[lexico:c:coisas|coisas]] veem-se indevidamente sacrificados, mas a metafísica do ser está fundada. [[lexico:p:platao|Platão]], sem negligenciar o ser parmenidiano e os problemas que este colocava, em [[lexico:r:realidade|realidade]] orientou sua [[lexico:p:pesquisa|pesquisa]] do primeiro princípio em outra direção. Em última [[lexico:a:analise|análise]], o que explica uma [[lexico:c:coisa|coisa]] é o seu [[lexico:f:fim|fim]], isto é, sua [[lexico:p:perfeicao|perfeição]] ou seu [[lexico:b:bem|Bem]]. A [[lexico:i:ideia|ideia]] ordenadora suprema é, portanto, a de bem, em que a ciência por [[lexico:e:excelencia|excelência]], a [[lexico:d:dialetica|dialética]], irá procurar a sua [[lexico:l:luz|luz]] própria. Entretanto, em seus últimos [[lexico:d:dialogos|diálogos]], Platão parece ter ultrapassado esta posição inicial: deve haver algo ainda mais elevado do que o bem, o uno, de onde procede o [[lexico:m:multiplo|múltiplo]]. O passo decisivo nesta nova via será transposto seis séculos mais [[lexico:t:tarde|Tarde]] por [[lexico:p:plotino|Plotino]]; para este, sem [[lexico:e:equivoco|equívoco]] [[lexico:p:possivel|possível]], o princípio primeiro é uno e, em [[lexico:c:consequencia|consequência]], o [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] mais elevado é a [[lexico:c:contemplacao|contemplação]] do uno. O ser em Platão e em sua [[lexico:e:escola|escola]] é uma [[lexico:n:nocao|noção]] subordinada: o bem, a título de fim tem mais valor [[lexico:e:explicativo|explicativo]], e o uno em sua simplicidade é mais primitivo. Aristóteles não julga menos [[lexico:d:dever|dever]] voltar ao ser para a [[lexico:d:determinacao|determinação]] da noção primeira e do objeto [[lexico:p:proprio|próprio]] da ciência suprema. O bem e o uno, certamente, pertencem a [[lexico:t:todo|todo]] ser e são, com efeito, noções universais e primitivas, são [[lexico:t:transcendentais|transcendentais]]. Mas, do [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista [[lexico:a:absoluto|absoluto]], o ser, Tò öv, os precede. É preciso, de início, ser para que se possa [[lexico:f:falar|falar]] de um ser uno ou de um ser [[lexico:b:bom|Bom]]: a metafísica será, pois, essencialmente a ciência do ser. (Cf. [[lexico:t:texto|texto]] 11, p. 143) . - [[lexico:r:reducao|Redução]] à [[lexico:u:unidade|unidade]] das três concepções precedentes. Deve-se observar que, definindo a metafísica como ciência do [[lexico:s:ser-enquanto-ser|ser enquanto ser]], nós lhe conferimos por isto mesmo seu objeto próprio, ou, seguindo uma [[lexico:t:terminologia|terminologia]] mais adequada, seu subjectum. Do ponto de vista [[lexico:l:logico|lógico]], as duas concepções anteriormente definidas desta ciência juntam-se a esta. Com efeito, não é a uma mesma ciência que cabe considerar um objeto e as [[lexico:c:causas|causas]] de que ele depende? Se é assim, a ciência do ser enquanto ser deve [[lexico:e:envolver|envolver]] o conhecimento de suas causas (causas primeiras), isto é, finalmente o conhecimento de [[lexico:d:deus|Deus]] (a [[lexico:c:causa|causa]] mais imaterial). As três definições da metafísica dadas precedentemente implicam, portanto, uma a outra, mas permanece que o ser enquanto ser é o objeto próprio desta ciência (Cf. [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]], Metaf., Proemium).