===== SER EM PARMÊNIDES ===== Este [[lexico:p:principio:start|princípio]], que descobre [[lexico:p:parmenides:start|Parmênides]] e que os lógicos atuais chamam "[[lexico:p:principio-de-identidade:start|princípio de identidade]]", serviu-lhe de base para a sua construção [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]]. Parmênides diz: em [[lexico:v:virtude:start|virtude]] desse princípio de [[lexico:i:identidade:start|identidade]] (é claro que ele [[lexico:n:nao:start|não]] o chamou assim; assim o denominaram muito depois os lógicos), em virtude do princípio de que o [[lexico:s:ser:start|ser]] é, e o [[lexico:n:nao-ser:start|não-ser]] não é, princípio que ninguém pode negar sem ser declarado louco, podemos afirmar acerca do ser uma porção de [[lexico:c:coisas:start|coisas]]. Podemos afirmar, primeiramente, que o ser é [[lexico:u:unico:start|único]]. Não pode haver dois seres; não pode haver mais que um só ser. Porque suponhamos que haja dois seres; pois, então, aquilo que distingue um do [[lexico:o:outro:start|outro]] "é" no primeiro, porém "não é" no segundo. Mas se no segundo não é aquilo que no primeiro é, então chegamos ao [[lexico:a:absurdo:start|absurdo]] [[lexico:l:logico:start|lógico]] de que o ser do primeiro não é no segundo. Tomando isto absolutamente, chegamos ao absurdo contraditório de afirmar o não-ser do ser. [[lexico:d:dito:start|dito]] de outro [[lexico:m:modo:start|modo]]: se há dois seres, que há entre eles? O não-ser. Mas dizer que há o não-ser é dizer que o não-ser, é. E isto é contraditório, isto é absurdo, não tem cabimento; essa [[lexico:p:proposicao:start|proposição]] é contrária ao princípio de identidade. Portanto, podemos afirmar que o ser é único, um. Mas ainda podemos afirmar que é [[lexico:e:eterno:start|eterno]]. Se não o fosse, teria princípio e teria [[lexico:f:fim:start|fim]]. Se tem princípio, é que antes de começar o ser havia o não ser. Mas, como podemos admitir que haja o não-ser? Admitir que há o não-ser, é admitir que o não-ser é. Admitir que o não-ser é, é tão absurdo como admitir que este cristal é verde e não-verde. O ser é, o nãoser não é. Por conseguinte, antes que o ser fosse, havia também o ser; quer dizer, que o ser não tem princípio. Pela mesma [[lexico:r:razao:start|razão]] não tem fim, porque se tem fim é que chega um [[lexico:m:momento:start|momento]] em que o ser deixa de ser. E depois de [[lexico:t:ter:start|ter]] deixado de ser o ser, que há? O não-ser. Mas, então, temos que afirmar o ser do não-ser, e isto é absurdo. Por conseguinte, o ser é, [[lexico:a:alem:start|além]] de único, eterno. Mas não fica nisto. Além de eterno, o ser é imutável. O ser não pode mudar, porque toda [[lexico:m:mudanca:start|mudança]] do ser implica o ser do não-ser, visto que toda mudança é deixar de ser o que era para ser o que não era, e, tanto no deixar de ser como no chegar a ser, vai [[lexico:i:implicito:start|implícito]] o ser do não-ser, [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] contraditório. Mas, além de imutável, o ser é [[lexico:i:ilimitado:start|ilimitado]], [[lexico:i:infinito:start|infinito]]. Não tem limites ou, dito de outro modo, não está em [[lexico:p:parte:start|parte]] alguma. [[lexico:e:estar:start|estar]] em uma parte é encontrar-se em algo mais extenso e, por conseguinte, ter limites. Mas o ser não pode ter limites, porque se tem limites, cheguemos até estes limites e suponhamo-nos nestes limites. Que há além do [[lexico:l:limite:start|limite]]? O não-ser. Mas então temos que supor o ser do não-ser além do ser. Por conseguinte o ser não pode ter limites e se não pode ter limites, não está em parte alguma e é ilimitado. Mas há mais, e já chegamos ao fim. O ser é imóvel, não pode mover-se, porque mover-se é deixar de estar num [[lexico:l:lugar:start|lugar]] para estar em outro. Mas como predicar-se do ser — o qual, como acabamos de [[lexico:v:ver:start|ver]], é ilimitado e imutável — o estar em um lugar? Estar em um lugar supõe que o lugar onde está é mais amplo, mais extenso que aquilo que está no lugar. Por conseguinte, o ser, que é o mais extenso, o mais amplo que há, não pode estar em lugar algum, e se não pode estar em lugar algum, não pode deixar de estar no lugar; ora: o [[lexico:m:movimento:start|movimento]] consiste em estar estando, em deixar de estar num lugar para estar em outro lugar. Logo o ser é imóvel. Se resumirmos todos esses [[lexico:p:predicados:start|predicados]] que Parmênides atribui ao ser, encontramos que o ser é único, eterno, imutável, ilimitado e imóvel. Já encontrou bastante [[lexico:c:coisa:start|coisa]] Parmênides. Mas, ainda vai além. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}