===== SER DOTADO DE CONHECIMENTO ===== A primeira [[lexico:i:ideia:start|ideia]] que se pode fazer do [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] é a da abertura de um [[lexico:s:ser:start|ser]] em [[lexico:r:relacao:start|relação]] aos outros. Abro os olhos e é [[lexico:t:todo:start|todo]] um conjunto de objetos externos que se põe em comunhão comigo. [[lexico:e:eu:start|eu]] penso e um [[lexico:m:mundo:start|mundo]] de realidades diversas invade o [[lexico:c:campo:start|campo]] de minha [[lexico:c:consciencia:start|consciência]]. E esta [[lexico:e:extensao:start|extensão]], esta [[lexico:p:projecao:start|projeção]] de meu ser para aquilo que [[lexico:n:nao:start|não]] é ele, parece-me [[lexico:t:ter:start|ter]] algo de indefinidamente renovável e de [[lexico:i:ilimitado:start|ilimitado]]. Vinte vezes posso contemplar o mesmo quadro e ao [[lexico:i:infinito:start|infinito]] posso olhar tantos outros. Tratando-se do conhecimento intelectual, [[lexico:n:nada:start|nada]] do que existe parece escapar às presas de minha [[lexico:p:percepcao:start|percepção]]: sim, todo o ser é pensável, isto é, [[lexico:i:inteligivel:start|inteligível]]. É diante de semelhantes constatações que se situará e se compreenderá a [[lexico:f:formula:start|fórmula]], tão frequentemente repetida no peripatetismo, que a [[lexico:a:alma:start|alma]] pelo conhecimento é, de certo [[lexico:m:modo:start|modo]], todas as [[lexico:c:coisas:start|coisas]], sensíveis e inteligíveis ([[lexico:d:de-anima:start|De anima]], III, 1. 13) "[[lexico:a:anima:start|anima]] est quodammodo omnia sensibilia et intelligibilia". Para [[lexico:t:tomas-de-aquino:start|Tomás de Aquino]], esta [[lexico:c:capacidade:start|capacidade]] de assimilar as coisas distingue formalmente os que conhecem dos que não conhecem. Testemunha-o este [[lexico:t:texto:start|texto]] da Summa: "... devemos considerar que os seres dotados de conhecimento distinguem-se dos que não o são, no [[lexico:s:sentido:start|sentido]] em que estes têm apenas a sua [[lexico:f:forma:start|forma]] própria, ao passo que àqueles é [[lexico:n:natural:start|natural]] poderem conter em si também a forma de [[lexico:o:outro:start|outro]] ser, pois, a [[lexico:e:especie:start|espécie]] do [[lexico:o:objeto:start|objeto]] conhecido está no cognoscente. Por onde é manifesto que a [[lexico:n:natureza:start|natureza]] do ser que não conhece é mais restrita e limitada; ao passo que a dos que são dotados de conhecimento tem maior amplitude e extensão; e por isso diz o [[lexico:f:filosofo:start|Filósofo]] no III De Anima que a alma é de certo modo tudo". Ia Pa, q. 14, a. 1 Vê-se, por este texto, que a [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] de amplitude dos seres dotados de conhecimento é relativa à [[lexico:p:posse:start|posse]] ou à [[lexico:r:recepcao-das-formas:start|recepção das formas]]: um ser tem sua forma específica mas pode ter também, como [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] cognoscente, a forma específica dos outros. Tomás de Aquino precisará, todavia, que o modo como estes dois tipos de formas existem no sujeito não é o mesmo. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}