===== SER-AÍ ===== (in. There-being ou Beingthereness; fr. Réalité-humaine; al. [[lexico:d:dasein:start|Dasein]]). O [[lexico:t:termo:start|termo]] alemão, que é o originário, começa a [[lexico:s:ser:start|ser]] usado no séc. XVIII. Em italiano, o termo esserci é usado por Spaventa (Princ. di fil, 1867, p. 134) para traduzir o correspondente termo hegeliano e, em inglês, There-being foi usado por Stirling em Segredo de [[lexico:h:hegel:start|Hegel]] (1865) para traduzir o mesmo termo. Beingthereness, em inglês, e Realité-humaine, em francês, são usados hoje para traduzir o [[lexico:s:significado:start|significado]] [[lexico:e:existencialista:start|existencialista]] do termo. Ele significa, na [[lexico:o:origem:start|origem]], [[lexico:e:existencia:start|existência]] [[lexico:r:real:start|real]], tanto das [[lexico:c:coisas:start|coisas]] finitas quanto a de [[lexico:d:deus:start|Deus]]. Nesse [[lexico:s:sentido:start|sentido]], é empregado por [[lexico:k:kant:start|Kant]] ([[lexico:c:critica-da-razao-pura:start|Crítica da Razão Pura]], Anal., II, cap. 2, seção 3, 4): "No [[lexico:s:simples:start|simples]] [[lexico:c:conceito:start|conceito]] de uma [[lexico:c:coisa:start|coisa]] [[lexico:n:nao:start|não]] se pode encontrar nenhum [[lexico:c:carater:start|caráter]] de sua existência real (Dasein). Porque, ainda que ele seja tão completo que [[lexico:n:nada:start|nada]] lhe falte para [[lexico:p:pensar:start|pensar]] o [[lexico:o:objeto:start|objeto]] com todas as suas determinações internas, a existência real nada tem a [[lexico:v:ver:start|ver]] com isso, mas só com a [[lexico:q:questao:start|questão]] de que uma coisa nos é dada, de tal [[lexico:m:modo:start|modo]] que a [[lexico:p:percepcao:start|percepção]] dela possa sempre preceder o seu conceito". Nesse sentido, para Kant, é a segunda das [[lexico:c:categorias:start|categorias]] da [[lexico:m:modalidade:start|modalidade]] e opõe-se ao [[lexico:n:nao-ser:start|não-ser]] (Ibid., § 10). Usando essa [[lexico:p:palavra:start|palavra]] no mesmo sentido, [[lexico:j:jacobi:start|Jacobi]] dizia que a [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] tem a [[lexico:t:tarefa:start|tarefa]] de desvendar e revelar a existência (Werke, IV, p. 72). Hegel fazia a [[lexico:d:distincao:start|distinção]] entre o Dasein, como simples [[lexico:d:determinacao:start|determinação]] do ser, e a existência, que é o ser em [[lexico:r:relacao:start|relação]]. Diz: "Etimologicamente, Dasein é [[lexico:e:estar:start|estar]] em determinado [[lexico:l:lugar:start|lugar]], mas a [[lexico:r:representacao:start|representação]] espacial não vem ao caso. O Dasein, ou ser determinado, é em [[lexico:g:geral:start|geral]], em conformidade com seu [[lexico:d:devir:start|devir]], um ser com um não-ser, de tal modo que [[lexico:e:esse:start|esse]] não-ser está reunido em [[lexico:u:unidade:start|unidade]] simples com o ser" (Wissenschaft der Logik, 1,1, seção I, cap. 1, A; trad. it., p. 109). Em [[lexico:p:palavras:start|palavras]] mais simples, o Dasein é o ser com determinado caráter ou [[lexico:q:qualidade:start|qualidade]], aquilo que se chama em geral de "[[lexico:a:alguma-coisa:start|alguma coisa]]" (Enc., § 90). Mas, no [[lexico:u:uso:start|uso]] filosófico contemporâneo, essa palavra ingressou com o significado atribuído pelo [[lexico:e:existencialismo:start|existencialismo]], sobretudo por [[lexico:h:heidegger:start|Heidegger]], que a usou para designar a existência própria do [[lexico:h:homem:start|homem]]. "Esse [[lexico:e:ente:start|ente]], que nós mesmos sempre somos e que, entre as outras possibilidades de ser, possui a de questionar, designamos com o termo Dasein." (Sein und Zeit, § 2). Assim entendido, o [[lexico:s:ser-ai:start|ser-aí]] possui um "[[lexico:p:primado:start|primado]] [[lexico:o:ontico:start|ôntico]]", no sentido de que deve ser interrogado primeiramente, e um "primado [[lexico:o:ontologico:start|ontológico]]", porquanto a ele pertence originariamente certa [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]] do ser: por isso, ele é também o [[lexico:f:fundamento:start|fundamento]] de qualquer [[lexico:o:ontologia:start|ontologia]] (Ibid., § 4). Na filosofia contemporânea, esse termo é habitualmente usado no significado específico estabelecido por Heidegger, como ser do homem no [[lexico:m:mundo:start|mundo]]. [[lexico:j:jaspers:start|Jaspers]] usa-o nesse sentido (Phil, I, 6 ss.). Com [[lexico:s:significacao:start|significação]] [[lexico:s:semelhante:start|semelhante]], foi usado por [[lexico:h:husserl:start|Husserl]], que com ele designa a existência da [[lexico:c:consciencia:start|consciência]], considerada privilegiada porque necessária: "Na [[lexico:e:essencia:start|essência]] de um [[lexico:e:eu-puro:start|eu puro]], em geral, e de uma [[lexico:v:vivencia:start|vivência]] em geral funda-se a [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] [[lexico:i:ideal:start|ideal]] de [[lexico:r:reflexao:start|reflexão]] que tem o caráter de evidente e inextinguível [[lexico:t:tese:start|tese]] do ser-aí" (Ideen, I, § 46). {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}