===== SENSÍVEL ===== gr. [[lexico:a:aistheton:start|aistheton]]: [[lexico:p:posicao:start|posição]] contrastada na [[lexico:e:epistemologia:start|epistemologia]] platônica e aristotélica, aistheton, [[lexico:g:gnorimon:start|gnorimon]] 4; [[lexico:o:objeto:start|objeto]] de [[lexico:o:opiniao:start|opinião]] e [[lexico:n:nao:start|não]] [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]] [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]], [[lexico:d:doxa:start|doxa]] 1-2; [[lexico:s:substancias:start|substâncias]] sensíveis, [[lexico:o:ousia:start|ousia]] 3 (gr. aisthetos; lat. sensibilis; in. Sensible; fr. Sensible; al. Sensibel; it. Sensibilé). 1. Aquilo que pode [[lexico:s:ser:start|ser]] percebido pelos sentidos. Nesta acepção, "o sensível" é objeto do [[lexico:c:conhecimento-sensivel:start|conhecimento sensível]], assim como o "[[lexico:i:inteligivel:start|inteligível]]" é objeto do conhecimento intelectivo ([[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]], Dean., II, 6, 418 a 7; [[lexico:k:kant:start|Kant]], [[lexico:c:critica-da-razao-pura:start|Crítica da Razão Pura]], Anal. dos princ, cap. III, [[lexico:n:nota:start|nota]]). Aristóteles distinguiu os sensíveis próprios e os sensíveis comuns (v. [[lexico:s:senso-comum:start|senso comum]]), e o sensível acidental do sensível [[lexico:p:por-si:start|por si]], na [[lexico:m:medida:start|medida]] em que o primeiro é percebido acidentalmente, como acontece quando se percebe o branco ao se perceber que uma [[lexico:p:pessoa:start|pessoa]] é branca (De An., II, 6, 418 a 16). 2. Aquilo que tem a [[lexico:c:capacidade:start|capacidade]] de sentir. Nesta acepção, os animais são chamados de "seres sensível", ou diz-se que "x é particularmente sensível a algo". Em inglês, é [[lexico:c:chamado:start|chamado]] de sensível (sensible) [[lexico:q:quem:start|quem]] possui [[lexico:b:bom-senso:start|bom senso]] ou, em [[lexico:g:geral:start|geral]], é capaz de julgar corretamente. 3. Quem tem capacidade de compartilhar as emoções alheias ou de simpatizar (v. [[lexico:s:simpatia:start|simpatia]]). Tem-se oposto, tradicionalmente, o sensível ao inteligível. Esta [[lexico:c:contraposicao:start|contraposição]] tem sido descrita de maneiras muito diferentes: o [[lexico:m:mundo:start|mundo]] das [[lexico:c:coisas:start|coisas]] e o das [[lexico:i:ideias:start|ideias]], objeto respectivamente da opinião e do [[lexico:s:saber:start|saber]] ([[lexico:p:platao:start|Platão]]); o objeto da [[lexico:p:percepcao:start|percepção]] ou o objeto dos sentidos e o objeto da [[lexico:a:apreensao:start|apreensão]] inteligível ou [[lexico:o:objeto-da-inteligencia:start|objeto da inteligência]] (Aristóteles); o mundo [[lexico:f:fisico:start|físico]] e o mundo metafísico; o conhecimento sensível e o conhecimento intelectual; etc: Estas diversas espécies de contraposição entre o sensível e o inteligível podem agrupar-se em duas principais: a concepção [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]], segundo a qual o sensível e o inteligível são dois [[lexico:m:mundos:start|mundos]] ou dois modos de ser, e a concepção gnoseológica, segundo a qual se trata de duas formas de conhecimento.. Em muito autores a contraposição de [[lexico:r:referencia:start|referência]] é tanto metafísica como gnoseológica, mas tem-se manifestado com frequência a [[lexico:t:tendencia:start|tendência]] para sublinhar o [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] metafísico e para subordinar a ele o aspecto gnoseológico. Alguns filósofos (como Kant), no entanto, indicaram que não há que [[lexico:f:falar:start|falar]] de dois mundos, mas apenas de duas formas de conhecimento. Aristóteles compreende o sensível, diferentemente do intelectual, ou inteligível, como um [[lexico:m:modo:start|modo]] de [[lexico:c:compreender:start|compreender]], embora este modo de compreender tenha os seus objetos, que são os chamados sensíveis. A doutrina aristotélica dos sensíveis é importante não só pela [[lexico:i:influencia:start|influência]] que tem exercido sobre muito filósofos, mas também pelas diferenças introduzidas nos sensíveis e na correspondente [[lexico:t:terminologia:start|terminologia]]. Segundo Aristóteles, os sensíveis (ou “objetos dos sentidos ou do sentir”) podem dividir-se em três espécies: duas diretamente perceptíveis e uma perceptível incidentalmente... Os sensíveis diretamente perceptíveis podem ser perceptíveis por um só [[lexico:s:sentido:start|sentido]] ou perceptíveis por [[lexico:t:todo:start|todo]] e qualquer sentido. Os sensíveis perceptíveis por um só sentido são sensíveis como os que podem chamar-se “sensíveis visuais” (perceptíveis pela vista). Os sensíveis perceptíveis por todos e quaisquer sentidos são sensíveis como os que são chamados “sensíveis comuns” (como o tamanho, que pode apreender-se simultaneamente pela vista e pelo [[lexico:t:tato:start|tato]]). Os sensíveis indiretamente perceptíveis ou sensíveis incidentais são “sensíveis” como uma [[lexico:s:substancia:start|substância]] individual (assim, diz Aristóteles, o objeto branco que vemos é [[lexico:f:filho:start|filho]] de Diares; o ser filho de Diares é incidental - ou incidental - à cor branca diretamente perceptível). Apenas os objetos do sentir que são diretos e não incidentais, afirma Aristóteles, podem considerar- se como os sensíveis em sentido restrito. A terminologia usada por Aristóteles foi adotada e traduzida por S. Tomás e outros escolásticos. Fala-se também de sensível para se referir às [[lexico:q:qualidades-sensiveis:start|qualidades sensíveis]]: estas têm sido com frequência concebidas como qualidades secundárias, também chamadas qualidades secundárias da [[lexico:s:sensacao:start|sensação]]. Referimo-nos a elas no artigo sobre a [[lexico:q:qualidade:start|qualidade]]. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}