===== SEMELHANÇA E DIFERENÇA ===== Se a [[lexico:r:realidade:start|realidade]] do [[lexico:m:mundo:start|mundo]] que nos cerca fosse [[lexico:u:uniforme:start|uniforme]] e homogênea; se tudo nos parecesse igual, sem qualquer [[lexico:n:nota:start|nota]] de [[lexico:d:distincao:start|distinção]], de [[lexico:d:diferenciacao:start|diferenciação]], [[lexico:n:nao:start|não]] poderíamos nunca chegar a conhecer os fatos, por que o acontecer seria apenas um grande [[lexico:f:fato:start|fato]]. Mas sucede que a realidade aparece-nos heterogeneamente diversa, diferente e diversificada. Se a cor dos fatos (corpóreos) fôsse a mesma, [[lexico:i:impossivel:start|impossível]] seria chegar a [[lexico:c:compreender:start|compreender]] que há cores, do dar um [[lexico:n:nome:start|nome]] a uma cor que percebemos distinta de outra. Certas partes da realidade visível dão aos olhos uma [[lexico:i:impressao:start|impressão]] de [[lexico:o:outro:start|outro]] [[lexico:g:genero:start|gênero]] do outras partes da realidade. Por isso, percebemos cores diferentes. Eis aqui, porque podemos [[lexico:c:comparar:start|comparar]] um [[lexico:o:objeto:start|objeto]] de uma cor com a de outro objeto, e verificar se se parecem, e perceber também se há diferenças, pois nunca poderíamos chegar a perceber que [[lexico:a:alguma-coisa:start|alguma coisa]] se parece, na cor por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], a outra [[lexico:c:coisa:start|coisa]], se não existissem objetos de cores que se desassemelham, que diferem. Logo a [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]] do [[lexico:s:semelhante:start|semelhante]], do parecido, é contemporânea da do diferente, pois também não podemos compreender o diferente, o diverso, se não nos for [[lexico:p:possivel:start|possível]], contemporaneamente, comparar com o semelhante, o parecido. Uma [[lexico:p:pergunta:start|pergunta]] é possível aqui: é a [[lexico:s:semelhanca:start|semelhança]] anterior à [[lexico:d:diferenca:start|diferença]]? Para alguns filósofos, a [[lexico:p:percepcao:start|percepção]] do semelhante é anterior, no [[lexico:h:homem:start|homem]] e nos animais, à percepção das diferentes, como por exemplo o afirmam Maine de Birau (1766-1824, [[lexico:f:filosofo:start|filósofo]] francês), e [[lexico:b:bergson:start|Bergson]]. Nossa [[lexico:s:sensacao:start|sensação]] é acompanhada de [[lexico:m:memoria:start|memória]], e uma sensação evoca outra, passada, que se lhe assemelha. A comparação é uma [[lexico:a:associacao:start|associação]]. [[lexico:h:hume:start|Hume]] (David, filósofo inglês) salienta que as associações por semelhança são mais importantes e numerosas que as outras, [[lexico:a:alem:start|além]] de serem mais fáceis e mais de [[lexico:a:acordo:start|acordo]] com a nossa [[lexico:n:natural:start|natural]] [[lexico:p:preguica:start|preguiça]] mental. A criança, por exemplo, apreende em primeiro [[lexico:l:lugar:start|lugar]] as semelhanças. É desta [[lexico:f:forma:start|forma]] mais [[lexico:p:primitivo:start|primitivo]] o [[lexico:s:sentimento:start|sentimento]] das semelhanças do que o das diferenças. Não há comparação onde não há semelhança. (O [[lexico:v:verbo:start|verbo]] comparar vem do latino comparare, formado do [[lexico:a:adjetivo:start|adjetivo]] par, quer dizer parelho, igual, semelhante, significando, portanto, [[lexico:p:por:start|pôr]] um ao lado do outro; tornar semelhante). Além disso para comparar não precisamos do diferente, o qual é dispensável, pois só podemos comparar duas partes da realidade que são semelhantes, não permitindo nunca que comparemos partes da realidade absolutamente diferentes. Por muito sólidos que nos pareçam tais argumentos, acima alinhados, permanecemos, contudo, firmes na [[lexico:p:posicao:start|posição]] da contemporaneidade. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}