===== RITOS FUNERÁRIOS ===== A [[lexico:m:morte:start|morte]] [[lexico:n:nao:start|não]] nos rouba senão aquilo que nos é caro: este ser-aqui. Ora este roubo do [[lexico:e:ente:start|ente]] é a [[lexico:r:revelacao:start|revelação]] mais aguda de seu [[lexico:s:ser:start|ser]]. É na retirada e na [[lexico:p:perda:start|perda]], na eminente iminência do desparecer, que o [[lexico:i:individuo:start|indivíduo]] [[lexico:s:singular:start|singular]] se mostra subitamente e eternamente insubstituível. Na morte, o si cessa de se mostrar em seus perfis como a [[lexico:u:unidade:start|unidade]] [[lexico:c:contingente:start|contingente]] de aspectos variados. Não precisamos mais afastá-lo para que ele esteja aí na proximidade. Seu afastamento tem em suspenso nossa abordagem. E sem que possamos tomar sobre um [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista, nós o recolhemos tal como nele mesmo, em uma simplicidade [[lexico:t:transcendente:start|transcendente]] a toda [[lexico:e:experiencia:start|experiência]], como a [[lexico:e:essencia:start|essência]] do ser perdido. Ora os [[lexico:r:ritos-funerarios:start|ritos funerários]] cumprem a mesma [[lexico:c:coisa:start|coisa]] no [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]]. Eles não recolhem a essência do morto no cálice de uma [[lexico:a:alma:start|alma]] individual. “Trata-se de um luto comum à [[lexico:r:raca:start|raça]] inteira” (Ésquilo). Os ritos funerários são os instrumentos do [[lexico:t:trabalho:start|trabalho]] do luto. A [[lexico:i:interpretacao:start|interpretação]] hegeliana dela é tão sóbria e clara quanto apurada. A morte é um [[lexico:e:estado:start|Estado]] de coisa que “acontece pura e simplesmente” e faz do morto precisamente uma coisa. Abandonada como toda coisa à dissolução das forças materiais – que a ignoram. A [[lexico:f:familia:start|família]] “faz de [[lexico:m:modo:start|modo]] que o que aconteceu seja todavia uma [[lexico:o:obra:start|obra]], a [[lexico:f:fim:start|fim]] de que o ser, o estado [[lexico:u:ultimo:start|último]], seja ainda algo de querido” ([[lexico:h:hegel:start|Hegel]], [[lexico:f:fenomenologia-do-espirito:start|fenomenologia do espírito]] II, 353). Que a morte seja uma obra e logo faça acepção daquele que ela suprime, eis [[lexico:b:bem:start|Bem]] a [[lexico:i:intencao:start|intenção]] ao mesmo [[lexico:t:tempo:start|tempo]] formulada e preenchida do [[lexico:a:ato:start|ato]] [[lexico:r:ritual:start|ritual]]. O [[lexico:r:rito:start|rito]] é [[lexico:p:performativo:start|performativo]]. Ele cumpre neste [[lexico:m:mundo:start|mundo]] a [[lexico:o:operacao:start|operação]] de um [[lexico:o:outro:start|outro]] mundo, que se encontra ligado nele... mas porque ele mesmo é conforme a sua [[lexico:l:lei:start|lei]]. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}