===== RESSENTIMENTO ===== (in. Resentment; fr. Ressentiment; al. Ressentiment; it. Risentimentó). Ódio impotente contra aquilo que [[lexico:n:nao:start|não]] se pode [[lexico:s:ser:start|ser]] ou não se pode [[lexico:t:ter:start|ter]]. Essa [[lexico:n:nocao:start|noção]] foi introduzida por [[lexico:n:nietzsche:start|Nietzsche]] em [[lexico:g:genealogia-da-moral:start|Genealogia da Moral]] (1887): "A revolta dos [[lexico:e:escravos:start|escravos]] na [[lexico:m:moral:start|moral]] contemporânea começa quando o ressentimento se torna criador e gera valores: ressentimento dos seres aos quais é negada a verdadeira [[lexico:r:reacao:start|reação]], a da [[lexico:a:acao:start|ação]], e que portanto só encontram compensação numa vingança imaginária" (Genealogie der Moral, I, § 10). Segundo Nietzsche, a moral cristã é fruto do ressentimento, no [[lexico:s:sentido:start|sentido]] de ser [[lexico:m:manifestacao:start|manifestação]] do ódio contra os valores da [[lexico:c:casta:start|casta]] [[lexico:s:superior:start|superior]] aristocrática, inacessíveis aos indivíduos inferiores. Outra manifestação do ressentimento, ainda segundo Nietzsche, é a raiva secreta dos filósofos contra a [[lexico:v:vida:start|vida]], em vista do que a [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] foi até [[lexico:a:agora:start|agora]] "a [[lexico:e:escola:start|escola]] da [[lexico:c:calunia:start|calúnia]]": calúnia contra o [[lexico:m:mundo:start|mundo]] [[lexico:r:real:start|real]] ou [[lexico:s:sensivel:start|sensível]], que os filósofos tentaram substituir pelo mundo [[lexico:i:ideal:start|ideal]] da [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] e da moral (Wille zur Macht, ed. 1901, §§ 259, 287). Por sua vez, [[lexico:s:scheler:start|Scheler]] insistiu na ação do ressentimento no [[lexico:c:campo:start|campo]] moral, embora negando que ele possa ser aplicado à concepção cristã, à qual Nietzsche fazia alusão. Segundo Scheler, os produtos do ressentimento são o [[lexico:h:humanitarismo:start|humanitarismo]] e o [[lexico:a:altruismo:start|altruísmo]] modernos, e não o [[lexico:a:amor:start|amor]] cristão. O [[lexico:c:conceito:start|conceito]] de [[lexico:i:igualdade:start|igualdade]] entre os homens, a [[lexico:a:afirmacao:start|afirmação]] do [[lexico:s:subjetivismo:start|subjetivismo]] dos valores e a [[lexico:s:subordinacao:start|subordinação]] de todos os valores à [[lexico:u:utilidade:start|utilidade]] são outros três produtos do ressentimento na vida [[lexico:m:moderna:start|moderna]], segundo a concepção de Scheler. (Über Ressentiment, 1912; trad. fr., 1958). (Cf. ressentimento K. Merton, [[lexico:s:social:start|social]] Theory and Social Structure, 2a ed., 1957, pp. 155 ss.). 10. — A rebelião escrava na moral começa quando o [[lexico:p:proprio:start|próprio]] ressentimento se torna criador e gera valores: o ressentimento dos seres aos quais é negada a verdadeira reação, a dos atos, e que apenas por uma vingança imaginária obtêm reparação. Enquanto toda moral nobre nasce de um triunfante Sim a si mesma, já de início a moral escrava diz Não a um “fora”, um “[[lexico:o:outro:start|outro]]”, um “[[lexico:n:nao-eu:start|não-eu]]” — e este Não é seu [[lexico:a:ato:start|ato]] criador. Esta inversão do olhar que estabelece valores — este [[lexico:n:necessario:start|necessário]] dirigir-se para fora, em vez de voltar-se para si — é algo próprio do ressentimento: a moral escrava sempre requer, para nascer, um mundo oposto e [[lexico:e:exterior:start|exterior]], para poder agir em [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]] — sua ação é no fundo reação. [Nietzsche, F.. A Genealogia da Moral. Tr. Paulo César Lima de Souza. Belo Horizonte: Companhia das Letras, 1998 (ebook), I, §10] {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}