===== REIFICAÇÃO ===== (fr. Réification; al. Verdinglichung; it. Reificazioné). [[lexico:t:termo|termo]] empregado por alguns escritores marxistas para designar o [[lexico:f:fenomeno|fenômeno]], ressaltado por [[lexico:m:marx|Marx]], de que, na [[lexico:e:economia|economia]] capitalista, o [[lexico:t:trabalho|trabalho]] [[lexico:h:humano|humano]] torna-se [[lexico:s:simples|simples]] [[lexico:a:atributo|atributo]] de uma [[lexico:c:coisa|coisa]]: "A [[lexico:m:magia|magia]] consiste simplesmente em que, na [[lexico:f:forma|forma]] de [[lexico:m:mercadoria|mercadoria]], devolvem-se aos homens, como espelho, as características sociais de seu [[lexico:p:proprio|próprio]] trabalho, transformadas em características objetivas dos produtos desse trabalho, na forma de propriedades sociais naturais das [[lexico:c:coisas|coisas]] produzidas; portanto a mercadoria espelha também a [[lexico:r:relacao-social|relação social]] entre produtores e trabalho global, como [[lexico:r:relacao|relação]] [[lexico:s:social|social]] de coisas existentes fora dos próprios produtos. Por [[lexico:m:meio|meio]] desse [[lexico:q:quid|quid]] pro [[lexico:q:quo|quo]] os produtos do trabalho tornam-se mercadorias, coisas sensivelmente supra-sensíveis, isto é, sociais" (Das Kapital, I, I, § 4). O termo reificação para indicar [[lexico:e:esse|esse]] [[lexico:p:processo|processo]] foi usado e difundido por G. [[lexico:l:lukacs|Lukács]] (cf. [[lexico:g:geschichte|Geschichte]] und Klassenbewusstsein, 1922; trad. fr., 1960, pp. 110 ss.). Vistos, porém, em sua mundanidade, a [[lexico:a:acao|ação]], o [[lexico:d:discurso|discurso]] e o [[lexico:p:pensamento|pensamento]] têm muito mais em comum entre si que qualquer um deles tem com a [[lexico:o:obra|obra]] ou com o trabalho. [[lexico:p:por-si|por si]] próprios, [[lexico:n:nao|não]] “produzem” nem geram coisa alguma: são tão fúteis quanto a [[lexico:v:vida|vida]]. Para que se tornem coisas mundanas, isto é, feitos, fatos, eventos e modelos de [[lexico:p:pensamentos|Pensamentos]] ou [[lexico:i:ideias|ideias]], devem primeiro [[lexico:s:ser|ser]] vistos, ouvidos e lembrados, e então transformados em coisas, reificados, por assim dizer – em recital de [[lexico:p:poesia|poesia]], na página [[lexico:e:escrita|escrita]] ou no livro impresso, em pintura ou escultura, em algum [[lexico:t:tipo|tipo]] de registro, documento ou monumento. [[lexico:t:todo|todo]] o [[lexico:m:mundo|mundo]] factual dos assuntos humanos depende, para sua [[lexico:r:realidade|realidade]] e [[lexico:e:existencia|existência]] contínua, em primeiro [[lexico:l:lugar|lugar]] da [[lexico:p:presenca|presença]] de outros que tenham visto e ouvido e que se lembram; e, em segundo lugar, da [[lexico:t:transformacao|transformação]] do intangível na tangibilidade das coisas. Sem a lembrança e sem a reificação de que a lembrança necessita para sua realização – e que realmente a tornam, como afirmavam os gregos, a mãe de todas as artes –, as [[lexico:a:atividades|atividades]] vivas da ação, do discurso e do pensamento perderiam sua realidade ao [[lexico:f:fim|fim]] de cada processo e desapareceriam [[lexico:c:como-se|como se]] nunca houvessem existido. A materialização que eles devem sofrer para que de algum [[lexico:m:modo|modo]] permaneçam no mundo ocorre ao preço de que sempre a “letra morta” substitui algo que nasceu do “[[lexico:e:espirito|espírito]] vivo” e que realmente, durante um [[lexico:m:momento|momento]] fugaz, existiu como “espírito vivo” Têm de pagar esse preço porque são de [[lexico:n:natureza|natureza]] inteiramente não mundana, e, portanto, requerem o auxílio de uma [[lexico:a:atividade|atividade]] de natureza completamente diferente; dependem, para sua realidade e materialização, da mesma manufatura que constrói as outras coisas do artifício humano. A realidade e a confiabilidade do mundo humano repousam basicamente no [[lexico:f:fato|fato]] de que estamos rodeados de coisas mais permanentes que a atividade por meio da qual foram produzidas, e potencialmente ainda mais permanentes que as vidas de seus autores. A vida humana, na [[lexico:m:medida|medida]] em que é construtora-de-mundo , está empenhada em um constante processo de reificação; e o [[lexico:g:grau|grau]] de mundanidade das coisas produzidas, cuja [[lexico:s:soma|soma]] total constitui o artifício humano, depende de sua maior ou menor [[lexico:p:permanencia|permanência]] no mundo. [ArendtCH:C12]