===== REGRA PRAGMÁTICA ===== Assim, o [[lexico:m:metodo|método]] válido para fixar as crenças é o método científico, que consiste em formular [[lexico:h:hipoteses|hipóteses]] e submetê-las a [[lexico:v:verificacao|verificação]], com base em suas consequências. Era desse [[lexico:m:modo|modo]] que [[lexico:p:peirce|Peirce]] aplicava à [[lexico:l:logica|lógica]] da [[lexico:p:pesquisa|pesquisa]] científica a sua [[lexico:r:regra-pragmatica|regra pragmática]], válida mais amplamente também para a [[lexico:t:teoria|teoria]] do [[lexico:s:significado|significado]], que o autor apresenta no ensaio How to Make Our Ideas Clear (Como tornar claras as nossas [[lexico:i:ideias|ideias]]), de 1878. Em [[lexico:e:essencia|essência]], aquilo que Peirce defende é que "um [[lexico:c:conceito|conceito]], isto é, o significado [[lexico:r:racional|racional]] de uma [[lexico:p:palavra|palavra]] ou de outra [[lexico:e:expressao|expressão]], consiste exclusivamente em seus concebíveis [[lexico:r:reflexos|reflexos]] sobre a [[lexico:c:conduta|conduta]] de [[lexico:v:vida|vida]], de modo que, [[lexico:d:dado|dado]] que, obviamente, [[lexico:n:nada|nada]] daquilo que [[lexico:n:nao|não]] possa resultar do [[lexico:e:experimento|experimento]] pode [[lexico:t:ter|ter]] qualquer [[lexico:r:reflexo|reflexo]] direto sobre a conduta, então, se alguém pode definir acuradamente todos os fenômenos experimentais concebíveis que a [[lexico:a:afirmacao|afirmação]] ou [[lexico:n:negacao|negação]] de um conceito pode implicar, terá consequentemente uma [[lexico:d:definicao|definição]] completa do conceito — e nele não há absolutamente nada mais". Assim, um conceito se reduz aos seus efeitos experimentais concebíveis. Essses efeitos experimentais, por seu turno, se reduzem a [[lexico:a:acoes|ações]] possíveis (isto é, a ações efetuáveis no [[lexico:m:momento|momento]] em que se apresentar a oportunidade). E a [[lexico:a:acao|ação]] se refere exclusivamente àquilo que atinge os sentidos. Assim, por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], o conceito de vinho se reduz a certos de seus efeitos controláveis, que, para nós, representam avisos para que, na oportunidade, em [[lexico:r:relacao|relação]] àquelas [[lexico:c:coisas|coisas]] que acreditamos serem vinho, nos comportemos de modo [[lexico:a:adequado|adequado]] às qualidades que acreditamos que o vinho possui. É assim que, para nós, as nossas crenças são normas de ação [[lexico:p:possivel|possível]]. E, desse modo, torna-se clara a [[lexico:m:maxima|máxima]] [[lexico:p:pragmatica|pragmática]]: "Consideremos os efeitos, que podem ter concebíveis consequências práticas, que pode ter o [[lexico:o:objeto|objeto]] da nossa concepção. Então, a concepção desses efeitos é toda a nossa concepção do objeto". Com base nisso, é evidente que o [[lexico:p:pragmatismo|pragmatismo]] de Peirce não reduz de modo algum a [[lexico:v:verdade|verdade]] à [[lexico:u:utilidade|utilidade]], mas se [[lexico:e:estrutura|estrutura]] muito mais como uma lógica da pesquisa ou uma [[lexico:n:norma|norma]] metodológica que vê a verdade como por fazer, no [[lexico:s:sentido|sentido]] de considerar verdadeiras as ideias cujos efeitos concebíveis são comprovados pela [[lexico:o:ocorrencia|ocorrência]] prática, em êxito que nunca é definitivo e [[lexico:a:absoluto|absoluto]]. A verdade, escreve Peirce, jaz no [[lexico:f:futuro|futuro]]. Desse modo, o pragmatismo de Peirce é [[lexico:e:empirismo|empirismo]], sim, mas empirismo que, diferentemente do empirismo [[lexico:c:classico|clássico]], está voltado para o futuro, insistindo no controle [[lexico:c:continuo|contínuo]] e no possível [[lexico:u:uso|uso]] futuro dos nossos conhecimentos, que não são frutos de experiências auto-evidentes, nem proposições absolutas e incontrovertíveis, mas sim ideias submetidas a controle que nunca é definitivo de suas consequências práticas.