===== RACIONALISMO ===== (in. Rationalism; fr. Rationalisme; al. Rationalismus; it. Razionalismó). Em [[lexico:g:geral:start|geral]], a [[lexico:a:atitude:start|atitude]] de [[lexico:q:quem:start|quem]] confia nos procedimentos da [[lexico:r:razao:start|razão]] para a [[lexico:d:determinacao:start|determinação]] de crenças ou de técnicas em determinado [[lexico:c:campo:start|campo]]. [[lexico:e:esse:start|esse]] [[lexico:t:termo:start|termo]] foi usado a partir do séc. XVII para designar tal atitude no campo [[lexico:r:religioso:start|religioso]]: "Há uma nova [[lexico:s:seita:start|seita]] difundida entre eles , que é a dos racionalistas: o que a razão lhes dita, eles consideram [[lexico:b:bom:start|Bom]] no [[lexico:e:estado:start|Estado]] e na Igreja, até que achem algo melhor" (Clarendon, State Papers, II, p. XL, na data de 14-X-1946). Nesse [[lexico:s:sentido:start|sentido]] Baumgarten dizia: "racionalismo é o [[lexico:e:erro:start|erro]] de quem elimina da [[lexico:r:religiao:start|religião]] todas as [[lexico:c:coisas:start|coisas]] que estão acima da própria razão" (Ethica philosophica, 1765, § 52). [[lexico:k:kant:start|Kant]] foi o primeiro a adotar esse termo como [[lexico:s:simbolo:start|símbolo]] de sua doutrina, estendendo-o do campo religioso para os outros campos de [[lexico:i:investigacao:start|investigação]]. Deu o [[lexico:n:nome:start|nome]] de racionalismo à sua [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] [[lexico:t:transcendental:start|transcendental]] (no [[lexico:t:texto:start|texto]] de 1804 sobre os "Avanços da [[lexico:m:metafisica:start|Metafísica]]", Werke, V, 3, p. 101), ao passo que chamava de noologistas ou dogmáticos os filósofos que a [[lexico:h:historiografia:start|historiografia]] alemã do séc. XIX chamou depois de racionalistas: de um lado [[lexico:p:platao:start|Platão]] e de [[lexico:o:outro:start|outro]] os seguidores de [[lexico:w:wolff:start|Wolff]] ([[lexico:c:critica-da-razao-pura:start|Crítica da Razão Pura]], Doutr. do [[lexico:m:metodo:start|Método]], cap. IV). No terreno da [[lexico:m:moral:start|moral]], defendia "o racionalismo do [[lexico:j:juizo:start|juízo]], que da [[lexico:n:natureza:start|natureza]] [[lexico:s:sensivel:start|sensível]] toma apenas o que a [[lexico:r:razao-pura:start|Razão Pura]] pode [[lexico:p:pensar:start|pensar]] [[lexico:p:por-si:start|por si]], ou seja, a conformidade com a [[lexico:l:lei:start|lei]]", opondo-se por isso ao [[lexico:m:misticismo:start|misticismo]] e ao [[lexico:e:empirismo:start|empirismo]] da [[lexico:r:razao-pratica:start|razão prática]] (Crít. racionalismo Prática, I, cap. II, Da [[lexico:t:tipologia:start|tipologia]] do juízo [[lexico:p:puro:start|puro]] [[lexico:p:pratico:start|prático]]). No campo estético, falava analogamente de um "racionalismo do [[lexico:p:principio:start|princípio]] do [[lexico:g:gosto:start|gosto]]" (Crít. dojuízo, § 58). Finalmente, caracterizava como racionalismo seu [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista em [[lexico:m:materia:start|matéria]] religiosa: "O racionalista, em [[lexico:v:virtude:start|virtude]] desse mesmo título, deve manter-se nos limites da [[lexico:c:capacidade:start|capacidade]] humana. Portanto, nunca usará o tom contundente do naturalista nem contestará a [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] nem a [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]] de uma [[lexico:r:revelacao:start|revelação]]. (...) Porquanto sobre tais assuntos nenhum [[lexico:h:homem:start|homem]] pode decidir o que quer que seja pela razão" (Religion, IV, seç. I; trad. it., Durante, p. 169). Por outro lado, [[lexico:h:hegel:start|Hegel]] foi o primeiro a caracterizar como racionalismo a corrente que vai de [[lexico:d:descartes:start|Descartes]] a [[lexico:s:spinoza:start|Spinoza]] e [[lexico:l:leibniz:start|Leibniz]], opondo-o ao empirismo de [[lexico:o:origem:start|origem]] lockiana. Por racionalismo ele entendeu a "metafísica do [[lexico:i:intelecto:start|intelecto]]", que é a "[[lexico:t:tendencia:start|tendência]] à [[lexico:s:substancia:start|substância]], em virtude da qual se afirma, contra o [[lexico:d:dualismo:start|dualismo]], uma única [[lexico:u:unidade:start|unidade]], um [[lexico:u:unico:start|único]] [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]], da mesma maneira como os antigos afirmavam o [[lexico:s:ser:start|ser]]" ([[lexico:g:geschichte:start|Geschichte]] der Philosophie, ed. Glockner, III, pp. 329 ss.; trad. it., III, 2, pp. 68 ss.). A [[lexico:c:contraposicao:start|contraposição]] entre racionalismo é empirismo fixou-se depois nos esquemas tradicionais da [[lexico:h:historia-da-filosofia:start|história da filosofia]], por mais que o [[lexico:p:proprio:start|próprio]] Hegel notasse seu [[lexico:c:carater:start|caráter]] aproximativo. Quanto ao "racionalismo religioso", Hegel afirmava que ele é "o oposto da filosofia" porque coloca "o [[lexico:v:vazio:start|vazio]] no [[lexico:l:lugar:start|lugar]] do [[lexico:c:ceu:start|céu]]" e porque sua [[lexico:f:forma:start|forma]] é um [[lexico:r:raciocinar:start|raciocinar]] sem [[lexico:l:liberdade:start|liberdade]], e [[lexico:n:nao:start|não]] um entender conceitualmente" (Ibid., I, p. 113; trad. it., I, p. 95). Com base nessas observações históricas, pode-se dizer que o termo em foco compreende os seguintes significados: 1) O racionalismo religioso designa algumas correntes protestantes, ou um ponto de vista [[lexico:s:semelhante:start|semelhante]] ao de Kant. 2) O racionalismo filosófico designa propriamente a doutrina de Kant (que adotou esse termo), ou então a corrente metafísica da [[lexico:f:filosofia-moderna:start|filosofia moderna]], de Descartes a Kant. 3) Em sua [[lexico:s:significacao:start|significação]] genérica, pode ser usado para indicar qualquer [[lexico:o:orientacao:start|orientação]] filosófica que recorra à razão. Mas, nessa acepção tão vasta, esse termo pode indicar as filosofias mais díspares e carece de qualquer capacidade de individualização. (do latim ratio: razão, entendimento). [[lexico:s:sistema:start|sistema]] baseado na razão, em contraposição aos sistemas baseados na revelação ou no [[lexico:s:sentimento:start|sentimento]]. — Como [[lexico:t:teoria:start|teoria]] da origem de nosso, [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]], o racionalismo contrapõe-se ao empirismo, que sustenta derivarem todas as nossas [[lexico:i:ideias:start|ideias]] da [[lexico:e:experiencia:start|experiência]]. O racionalismo afirma que, mesmo se descobrimos nossas ideias "em contacto" com a experiência, elas não se originam menos do [[lexico:e:espirito:start|espírito]], e não simplesmente do [[lexico:h:habito:start|hábito]] e da [[lexico:r:repeticao:start|repetição]] das coisas. Tal é o ponto de vista de Platão, Descartes e Kant. — Como teoria do [[lexico:a:ato:start|ato]] voluntário, o racionalismo contrapõe-se ao [[lexico:v:voluntarismo:start|voluntarismo]], que vê um [[lexico:i:impulso:start|impulso]] [[lexico:i:irracional:start|irracional]] na origem de toda [[lexico:a:acao:start|ação]] humana: para o racionalista, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], o [[lexico:a:artista:start|artista]] que cria uma escultura reproduziria um [[lexico:m:modelo:start|modelo]] que haveria em seu espírito; para o voluntarista, que nisso está certo, não há modelo válido antes da [[lexico:c:criacao:start|criação]], e "os projetos só se desenvolvem sobre o esboço" ([[lexico:a:alain:start|Alain]]). Na [[lexico:v:verdade:start|verdade]], é [[lexico:n:necessario:start|necessário]] distinguir, na [[lexico:c:conduta:start|conduta]] humana, ação de [[lexico:t:tipo:start|tipo]] "[[lexico:r:racional:start|racional]]" (toda [[lexico:a:atividade:start|atividade]] industrial, por exemplo) e [[lexico:a:acoes:start|ações]] de tipo "voluntarista" (a maioria das ações humanas). — Finalmente, no domínio religioso, o racionalismo pretende que todas as verdades da [[lexico:f:fe:start|fé]] sejam analisáveis e que se possa adquirir delas um [[lexico:s:saber:start|saber]] perfeitamente claro ([[lexico:m:malebranche:start|Malebranche]]). O conhecimento [[lexico:h:humano:start|humano]] é um [[lexico:t:todo:start|todo]] [[lexico:c:concreto:start|concreto]], que coalesce com as contribuições dos sentidos e do [[lexico:e:entendimento:start|entendimento]]. A íntima [[lexico:u:uniao:start|união]] destas duas contribuições encontra sua [[lexico:e:expressao:start|expressão]] na teoria da [[lexico:a:abstracao:start|abstração]] e do conhecimento do [[lexico:e:essencial:start|essencial]] no [[lexico:f:fenomeno:start|fenômeno]] sensível. [[lexico:a:alem:start|Além]] disso, acrescem, na realização global da [[lexico:v:vida:start|vida]], as potências da [[lexico:v:vontade:start|vontade]] e do sentimento. Quando um destes [[lexico:e:elementos:start|elementos]] é postergado ou totalmente negado em sua peculiaridade em favor do entendimento, desembocamos no racionalismo. Este nem sempre se manifesta como doutrina explícita, mas, às vezes, apresenta-se como atitude psicológica motivada pela [[lexico:d:disposicao:start|disposição]] intelectual, pela ocupação predominante ou por outras [[lexico:c:causas:start|causas]]. Este racionalismo, como, atitude, manifesta-se em todos os períodos da [[lexico:h:historia:start|história]] e nas várias correntes do [[lexico:p:pensamento-filosofico:start|pensamento filosófico]]. Avalia ele, de maneira unilateral, o saber exclusivamente pelo saber, ao qual, por conseguinte, devemos aspirar "sem pressuposições" ([[lexico:p:pressuposicao:start|pressuposição]]), prescindindo do [[lexico:s:significado:start|significado]] da vida ou dos fins da vontade. Esta atitude esquece que todo saber, dirigido ao [[lexico:f:finito:start|finito]], como atividade parcial do homem dentro do conjunto de sua vida, não passa, em última [[lexico:i:instancia:start|instância]], de puro [[lexico:m:meio:start|meio]] e, por isso mesmo, conduz a uma [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] infecunda e alheia à vida. O racionalismo epistemológico, como doutrina, foi propugnado especialmente por Descartes, Spinoza e pela filosofia do [[lexico:i:iluminismo:start|Iluminismo]] (Leibniz, Wolff). A desagregação da [[lexico:s:sintese:start|síntese]] aristotélico [[lexico:e:escolastica:start|escolástica]] de [[lexico:a:alma:start|alma]] e [[lexico:c:corpo:start|corpo]] ([[lexico:r:relacao:start|relação]] entre [[lexico:c:corpo-e-alma:start|corpo e alma]]), iniciada no [[lexico:n:nominalismo:start|nominalismo]] tardio, e a concomitante [[lexico:s:separacao:start|separação]] do [[lexico:c:conhecimento-sensorial:start|conhecimento sensorial]] e do conhecimento intelectual levou, em Descartes, à doutrina das [[lexico:i:ideias-inatas:start|ideias inatas]]. Mas, se os [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] não deviam ser obtidos por abstração e [[lexico:i:inducao:start|indução]], a partir da experiência, senão que eram, no fundo, da mesma [[lexico:e:especie:start|espécie]] que as ideias criadoras de [[lexico:d:deus:start|Deus]], então com o auxílio deles devia ser [[lexico:p:possivel:start|possível]] um tratamento apriorístico-dedutivo de todas as ciências. O racionalismo foi consolidado nesta concepção pelo [[lexico:i:ideal:start|ideal]] científico da [[lexico:m:matematica:start|matemática]] que então seduzia os ânimos, segundo o qual todo conhecimento certo é [[lexico:c:consequencia:start|consequência]] de [[lexico:p:principios:start|princípios]] necessários e apriorísticos do entendimento. Segundo o racionalismo, a única [[lexico:f:fonte-do-conhecimento:start|fonte do conhecimento]] humano é a razão. As sensações não são mais do que ideias confusas, baralhadas. — A exageração do racionalismo suscitou a [[lexico:r:reacao:start|reação]] contraria do [[lexico:e:empirismo-ingles:start|empirismo inglês]]. Kant tentou desfazer o conflito, estabelecendo uma ponte, entre as duas posições antagônicas, mas não o conseguiu completamente, porque as formas subjetivas e os conceitos do entendimento são estranhos e permanecem alheios à matéria das sensações por eles moldadas. O racionalismo epistemológico não satisfaz à [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]] do conhecimento humano, porque o restringe indevidamente, sob dois aspectos: em primeiro lugar, não reconhece a substantividade do conhecimento [[lexico:s:sensorial:start|sensorial]] e, consequentemente, faz que o conhecimento degenere em [[lexico:f:formalismo:start|formalismo]] oco, com o que se prende a [[lexico:f:falta:start|falta]] de [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]] histórica frequentemente notada no racionalismo; em segundo lugar, porque, apesar da [[lexico:a:aparente:start|aparente]] aproximação dos conceitos humanos às ideias divinas, limita o conhecimento racional ao [[lexico:m:modo:start|modo]] especificamente humano do pensamento discursivo-conceptual (racional) e converte essa [[lexico:l:limitacao:start|limitação]] em [[lexico:n:norma:start|norma]] suprema de todo conhecimento e de todo ser. Da aplicação destas ideias à [[lexico:t:teologia:start|teologia]] surge o racionalismo teológico, o qual afere tudo, inclusive a fé e a revelação, pela bitola da razão puramente humana, não admitindo [[lexico:n:nada:start|nada]] que a supere ([[lexico:m:misterio:start|Mistério]]). Este racionalismo ou só admite uma religião da razão em geral ou despoja a religião positiva de todo caráter de mistério e procura explicá-la de maneira histórico-imanente. Assim como o racionalismo epistemológico, perante a razão, desdenha do conhecimento sensorial, assim o racionalismo ético prejudica a vontade e as potências emocionais. Segundo ele, só o conhecimento e a ciência do [[lexico:b:bem:start|Bem]] são decisivos para o [[lexico:c:comportamento:start|comportamento]] moral. Representante [[lexico:t:tipico:start|típico]] do racionalismo ético é [[lexico:s:socrates:start|Sócrates]] (vide [[lexico:s:socratico:start|socrático]]). — Muitas vezes, o termo "racionalismo" é tomado como sinônimo de [[lexico:i:intelectualismo:start|intelectualismo]]; sobre a [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] entre ambos, vide intelectualismo. — [[lexico:b:brugger:start|Brugger]]. O vocábulo racionalismo pode ser compreendido de três maneiras: 1. Como [[lexico:d:designacao:start|designação]] da teoria segundo a qual a razão, equiparada com o pensar ou a [[lexico:f:faculdade:start|faculdade]] pensante, é [[lexico:s:superior:start|superior]] á [[lexico:e:emocao:start|emoção]] e à vontade; temos então um racionalismo [[lexico:p:psicologico:start|psicológico]]. 2. Como nome da doutrina para a qual o único [[lexico:o:orgao:start|órgão]] [[lexico:a:adequado:start|adequado]] ou completo do conhecimento é a razão, de modo que todo o conhecimento [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]] tem origem racional; fala-se em tal caso de racionalismo gnoseológico ou epistemológico. 3. Como expressão da teoria que afirma que a [[lexico:r:realidade:start|realidade]] é, em [[lexico:u:ultimo:start|último]] termo, de caráter racional; este é o racionalismo metafísico. As três [[lexico:s:significacoes:start|significações]] de racionalismo têm se combinado com frequência. No entanto, é possível admitir um dos citados tipos de racionalismo sem se aderir aos restantes. As diferenças entre racionalismo e voluntarismo ou empirismo, ou [[lexico:i:intuicionismo:start|intuicionismo]], não são cortantes. Em grande [[lexico:m:medida:start|medida]], os empiristas modernos - especialmente os grandes empiristas ingleses: [[lexico:l:locke:start|Locke]], [[lexico:h:hume:start|Hume]] e outros -, embora costumem combater o [[lexico:c:chamado:start|chamado]] racionalismo continental, -de Descartes, Leibniz, etc -, nem por isso deixam de ser racionalistas, pelo menos sob o [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] do método usado nas suas respectivas filosofias. Por isso se preferiu definir o racionalismo não como um mero e [[lexico:s:simples:start|simples]] [[lexico:u:uso:start|uso]] da razão, mas como o abuso dela. Em [[lexico:p:particular:start|particular]], e em especial durante a [[lexico:e:epoca:start|época]] [[lexico:m:moderna:start|moderna]], considerou.-se o racionalismo como uma tendência comum a todas as grandes correntes filosóficas, o que sucedeu é que algumas destas acolheram certas linhas do racionalismo metafísico, enquanto outras se limitaram ao racionalismo gnoseológico. Muito influente foi o racionalismo - especialmente o metafísico - na clássica grega. Nalguns casos (como em [[lexico:p:parmenides:start|Parmênides]]) alcançou [[lexico:c:caracteres:start|caracteres]] extremos, pois a [[lexico:a:afirmacao:start|afirmação]] da suposta [[lexico:r:racionalidade:start|racionalidade]] completa do [[lexico:r:real:start|real]] exigiu a [[lexico:n:negacao:start|negação]] de quanto não seja completamente transparente ao pensamento racional e ainda ao pensamento racional baseado no princípio [[lexico:o:ontologico:start|ontológico]] de [[lexico:i:identidade:start|identidade]]. Para Parmênides, só é [[lexico:p:predicavel:start|predicável]] o ser imóvel, indivisível e único, que satisfaz todas as condições da racionalidade. Noutros casos (como em Platão) atenuou-se esta exigência de completa racionalidade (metafísica e gnoseológica), dando-se cabimento no sistema do conhecimento aos fenômenos e considerando-se as opiniões como legítimos saberes. Mas visto que as opiniões são suficientes sob o aspecto de um saber completo, o racionalismo volta a surgir. Se a realidade verdadeira é o [[lexico:i:inteligivel:start|inteligível]], e o inteligível é racional, a verdade, o ser e a racionalidade serão o mesmo, ou pelo menos serão três aspectos de uma mesma maneira de ser. Contra estas tendências racionalistas ergueram-se na [[lexico:a:antiguidade:start|antiguidade]] numerosas doutrinas de caráter empirista. Algumas destas, têm ainda uma componente racionalista muito forte. Noutras, o racionalismo desaparece quase por completo. É necessário observar que em numerosas tendências racionalistas antigas, o racionalismo não se opõe ao intuicionismo, na [[lexico:t:teoria-do-conhecimento:start|teoria do conhecimento]], porquanto se supõe a razão perfeita é equivalente à [[lexico:i:intuicao:start|intuição]] perfeita e completa. As correntes citadas subsistiram durante a idade média, mesmo quando ficaram notavelmente modificadas pela diferente [[lexico:p:posicao:start|posição]] dos problemas. A contraposição entre a razão e a fé e as frequentes tentativas para encontrar um equilíbrio entre ambas alteraram substancialmente as caraterísticas do racionalismo medieval. Ser racionalista não significou forçosamente, durante a idade média, admitir que toda a racionalidade fosse racional, na medida em que fosse completamente transparente à razão humana. Podia-se considerar o racionalismo como a atitude de confiança na razão humana com a ajuda de Deus. Podia-se admitir o racionalismo como tendência susceptível ou não de se integrar dentro do sistema das verdades da fé. Ao mesmo [[lexico:t:tempo:start|tempo]], podia-se considerar o racionalismo como uma posição na teoria do conhecimento, em cujo caso se contrapunha ao empirismo. O impulso [[lexico:d:dado:start|dado]] ao conhecimento racional por Descartes e o [[lexico:c:cartesianismo:start|cartesianismo]] e a grande [[lexico:i:influencia:start|influência]] exercida por esta tendência durante a época moderna, conduziu alguns historiadores a identificar a moderna com o racionalismo e a supor que tal constitui a maior tentativa jamais realizada com o [[lexico:f:fim:start|fim]] de racionalizar completamente a realidade. Não pode negar-se que há muito disso nos esforços de autores como Descartes, Malebranche, Espinosa, Leibniz e até num [[lexico:f:filosofo:start|filósofo]] como Hegel. No entanto, há nas citadas situações muitos outros elementos junto do racionalismo. Além disso, não obstante a confiança na razão atrás aludida, que opera também nos autores usualmente classificados de empiristas, é preciso [[lexico:t:ter:start|ter]] em conta o grande [[lexico:t:trabalho:start|trabalho]] realizado por estes com o fim de examinar a [[lexico:f:funcao:start|função]] dos elementos não estritamente racionais, no conhecimento e, por [[lexico:e:extensao:start|extensão]], na realidade conhecida. Finalmente, a teoria da razão elaborada por muitos autores modernos geralmente mais complexa que a desenvolvida pelas antigas e medievais, de modo que pode concluir-se que se imperou o racionalismo foi porque previamente se ampliaram as possibilidades da razão. Deve distinguir-se entre o racionalismo do século dezassete e o do século dezoito. Enquanto no século dezassete o racionalismo era a expressão de uma [[lexico:s:suposicao:start|suposição]] metafísica e ao mesmo tempo religiosa, pela qual se faz de Deus a suprema [[lexico:g:garantia:start|garantia]] das verdades racionais e, por conseguinte, o apoio último do [[lexico:u:universo:start|universo]] concebido como inteligível, o século dezoito entende a razão como um [[lexico:i:instrumento:start|instrumento]] mediante o qual o homem poderá dissolver a obscuridade que o rodeia; a razão do século dezoito é simultaneamente uma atitude epistemológica que integra a experiência e uma norma para a ação moral e [[lexico:s:social:start|social]]. A esta [[lexico:d:distincao:start|distinção]] entre dois tipos de racionalismo [[lexico:m:moderno:start|moderno]] pode agregar-se a forma que assumiu o racionalismo de Hegel e várias tendências evolucionistas do século dezanove; em todas elas se tenta ampliar o racionalismo até incluir a possibilidade de [[lexico:e:explicacao:start|explicação]] da [[lexico:e:evolucao:start|evolução]] e até da história. Durante os séculos dezanove e vinte, produziram-se muitos equívocos em torno da significação de racionalismo, por se não precisar suficientemente o sentido do termo. Muito frequente foi combater o racionalismo [[lexico:c:classico:start|clássico]] e tentar integrar a razão como [[lexico:e:elemento:start|elemento]] que usualmente se consideram contrapostos a ela. Como a vida, a história, o concreto, etc. importante fazer constar que nesta [[lexico:o:oposicao:start|oposição]] ao racionalismo clássico coincidem a maior [[lexico:p:parte:start|parte]] das tendências contemporâneas; Portanto, não só o racionalismo existencializada e outras tendências declaradamente opostas ao racionalismo moderno, mas também o empirismo, o [[lexico:p:positivismo:start|positivismo]], o analitismo, etc, que se consideram a si mesmos como fiéis à [[lexico:t:tradicao:start|tradição]] racionalista. Pode dizer-se que na época [[lexico:a:atual:start|atual]] surge um novo [[lexico:c:conceito:start|conceito]] de racionalismo, o que volta a provar que, tanto [[lexico:s:sistematica:start|sistemática]] como historicamente, é pouco [[lexico:a:apropriado:start|apropriado]] definir o vocábulo racionalismo de um modo [[lexico:u:univoco:start|unívoco]]. a) O método, ou melhor, a teoria filosófica, para a qual o [[lexico:c:criterio:start|critério]] seguro do conhecimento é o intelectualmente dedutivo e não o dado pela [[lexico:i:intuicao-sensivel:start|intuição sensível]] nem afetiva. b) Em geral considera-se racionalismo a introdução dos métodos matemáticos na filosofia, mas aqui matemática é tomada no sentido [[lexico:v:vulgar:start|vulgar]]. A base do racionalismo que vem de Descartes através de Spinoza e Hegel funda-se na verdade de irrecusáveis princípios [[lexico:a:a-priori:start|a priori]], que nos dão os meios claros e evidentes da verdade, já que os sentidos nos oferecem os fatos confusamente. Por essa concepção a experiência só é possível a um espírito possuidor de razão. O racionalismo põe toda a sua fé na razão e se opõe ao [[lexico:i:irracionalismo:start|irracionalismo]] e às certezas de [[lexico:o:ordem:start|ordem]] afetivas. Chamam os teólogos de racionalistas aqueles que se apegam apenas à razão e só aceitam os dogmas que podem ser justificados racionalmente. c) Para alguns é sinônimo até de irreligiosidade. Pode ser teológico ou filosófico. Teológico é o sistema que afirma não admitir a revelação nem [[lexico:m:misterios:start|mistérios]], mas apenas as verdades adquiridas pela razão [[lexico:n:natural:start|natural]] e que esta pode provar. Filosófico é o sistema dos que ensinam que todas as coisas devem ser demonstradas por [[lexico:d:deducao:start|dedução]], partindo-se de algumas verdades prévias, nada devendo-se admitir sem [[lexico:d:demonstracao:start|demonstração]]. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}