===== RACIONALISMO ===== (in. Rationalism; fr. Rationalisme; al. Rationalismus; it. Razionalismó). Em [[lexico:g:geral|geral]], a [[lexico:a:atitude|atitude]] de [[lexico:q:quem|quem]] confia nos procedimentos da [[lexico:r:razao|razão]] para a [[lexico:d:determinacao|determinação]] de crenças ou de técnicas em determinado [[lexico:c:campo|campo]]. [[lexico:e:esse|esse]] [[lexico:t:termo|termo]] foi usado a partir do séc. XVII para designar tal atitude no campo [[lexico:r:religioso|religioso]]: "Há uma nova [[lexico:s:seita|seita]] difundida entre eles , que é a dos racionalistas: o que a razão lhes dita, eles consideram [[lexico:b:bom|Bom]] no [[lexico:e:estado|Estado]] e na Igreja, até que achem algo melhor" (Clarendon, State Papers, II, p. XL, na data de 14-X-1946). Nesse [[lexico:s:sentido|sentido]] Baumgarten dizia: "racionalismo é o [[lexico:e:erro|erro]] de quem elimina da [[lexico:r:religiao|religião]] todas as [[lexico:c:coisas|coisas]] que estão acima da própria razão" (Ethica philosophica, 1765, § 52). [[lexico:k:kant|Kant]] foi o primeiro a adotar esse termo como [[lexico:s:simbolo|símbolo]] de sua doutrina, estendendo-o do campo religioso para os outros campos de [[lexico:i:investigacao|investigação]]. Deu o [[lexico:n:nome|nome]] de racionalismo à sua [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] [[lexico:t:transcendental|transcendental]] (no [[lexico:t:texto|texto]] de 1804 sobre os "Avanços da [[lexico:m:metafisica|Metafísica]]", Werke, V, 3, p. 101), ao passo que chamava de noologistas ou dogmáticos os filósofos que a [[lexico:h:historiografia|historiografia]] alemã do séc. XIX chamou depois de racionalistas: de um lado [[lexico:p:platao|Platão]] e de [[lexico:o:outro|outro]] os seguidores de [[lexico:w:wolff|Wolff]] ([[lexico:c:critica-da-razao-pura|Crítica da Razão Pura]], Doutr. do [[lexico:m:metodo|Método]], cap. IV). No terreno da [[lexico:m:moral|moral]], defendia "o racionalismo do [[lexico:j:juizo|juízo]], que da [[lexico:n:natureza|natureza]] [[lexico:s:sensivel|sensível]] toma apenas o que a [[lexico:r:razao-pura|Razão Pura]] pode [[lexico:p:pensar|pensar]] [[lexico:p:por-si|por si]], ou seja, a conformidade com a [[lexico:l:lei|lei]]", opondo-se por isso ao [[lexico:m:misticismo|misticismo]] e ao [[lexico:e:empirismo|empirismo]] da [[lexico:r:razao-pratica|razão prática]] (Crít. racionalismo Prática, I, cap. II, Da [[lexico:t:tipologia|tipologia]] do juízo [[lexico:p:puro|puro]] [[lexico:p:pratico|prático]]). No campo estético, falava analogamente de um "racionalismo do [[lexico:p:principio|princípio]] do [[lexico:g:gosto|gosto]]" (Crít. dojuízo, § 58). Finalmente, caracterizava como racionalismo seu [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista em [[lexico:m:materia|matéria]] religiosa: "O racionalista, em [[lexico:v:virtude|virtude]] desse mesmo título, deve manter-se nos limites da [[lexico:c:capacidade|capacidade]] humana. Portanto, nunca usará o tom contundente do naturalista nem contestará a [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] nem a [[lexico:n:necessidade|necessidade]] de uma [[lexico:r:revelacao|revelação]]. (...) Porquanto sobre tais assuntos nenhum [[lexico:h:homem|homem]] pode decidir o que quer que seja pela razão" (Religion, IV, seç. I; trad. it., Durante, p. 169). Por outro lado, [[lexico:h:hegel|Hegel]] foi o primeiro a caracterizar como racionalismo a corrente que vai de [[lexico:d:descartes|Descartes]] a [[lexico:s:spinoza|Spinoza]] e [[lexico:l:leibniz|Leibniz]], opondo-o ao empirismo de [[lexico:o:origem|origem]] lockiana. Por racionalismo ele entendeu a "metafísica do [[lexico:i:intelecto|intelecto]]", que é a "[[lexico:t:tendencia|tendência]] à [[lexico:s:substancia|substância]], em virtude da qual se afirma, contra o [[lexico:d:dualismo|dualismo]], uma única [[lexico:u:unidade|unidade]], um [[lexico:u:unico|único]] [[lexico:p:pensamento|pensamento]], da mesma maneira como os antigos afirmavam o [[lexico:s:ser|ser]]" ([[lexico:g:geschichte|Geschichte]] der Philosophie, ed. Glockner, III, pp. 329 ss.; trad. it., III, 2, pp. 68 ss.). A [[lexico:c:contraposicao|contraposição]] entre racionalismo é empirismo fixou-se depois nos esquemas tradicionais da [[lexico:h:historia-da-filosofia|história da filosofia]], por mais que o [[lexico:p:proprio|próprio]] Hegel notasse seu [[lexico:c:carater|caráter]] aproximativo. Quanto ao "racionalismo religioso", Hegel afirmava que ele é "o oposto da filosofia" porque coloca "o [[lexico:v:vazio|vazio]] no [[lexico:l:lugar|lugar]] do [[lexico:c:ceu|céu]]" e porque sua [[lexico:f:forma|forma]] é um [[lexico:r:raciocinar|raciocinar]] sem [[lexico:l:liberdade|liberdade]], e [[lexico:n:nao|não]] um entender conceitualmente" (Ibid., I, p. 113; trad. it., I, p. 95). Com base nessas observações históricas, pode-se dizer que o termo em foco compreende os seguintes significados: 1) O racionalismo religioso designa algumas correntes protestantes, ou um ponto de vista [[lexico:s:semelhante|semelhante]] ao de Kant. 2) O racionalismo filosófico designa propriamente a doutrina de Kant (que adotou esse termo), ou então a corrente metafísica da [[lexico:f:filosofia-moderna|filosofia moderna]], de Descartes a Kant. 3) Em sua [[lexico:s:significacao|significação]] genérica, pode ser usado para indicar qualquer [[lexico:o:orientacao|orientação]] filosófica que recorra à razão. Mas, nessa acepção tão vasta, esse termo pode indicar as filosofias mais díspares e carece de qualquer capacidade de individualização. (do latim ratio: razão, entendimento). [[lexico:s:sistema|sistema]] baseado na razão, em contraposição aos sistemas baseados na revelação ou no [[lexico:s:sentimento|sentimento]]. — Como [[lexico:t:teoria|teoria]] da origem de nosso, [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]], o racionalismo contrapõe-se ao empirismo, que sustenta derivarem todas as nossas [[lexico:i:ideias|ideias]] da [[lexico:e:experiencia|experiência]]. O racionalismo afirma que, mesmo se descobrimos nossas ideias "em contacto" com a experiência, elas não se originam menos do [[lexico:e:espirito|espírito]], e não simplesmente do [[lexico:h:habito|hábito]] e da [[lexico:r:repeticao|repetição]] das coisas. Tal é o ponto de vista de Platão, Descartes e Kant. — Como teoria do [[lexico:a:ato|ato]] voluntário, o racionalismo contrapõe-se ao [[lexico:v:voluntarismo|voluntarismo]], que vê um [[lexico:i:impulso|impulso]] [[lexico:i:irracional|irracional]] na origem de toda [[lexico:a:acao|ação]] humana: para o racionalista, por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], o [[lexico:a:artista|artista]] que cria uma escultura reproduziria um [[lexico:m:modelo|modelo]] que haveria em seu espírito; para o voluntarista, que nisso está certo, não há modelo válido antes da [[lexico:c:criacao|criação]], e "os projetos só se desenvolvem sobre o esboço" ([[lexico:a:alain|Alain]]). Na [[lexico:v:verdade|verdade]], é [[lexico:n:necessario|necessário]] distinguir, na [[lexico:c:conduta|conduta]] humana, ação de [[lexico:t:tipo|tipo]] "[[lexico:r:racional|racional]]" (toda [[lexico:a:atividade|atividade]] industrial, por exemplo) e [[lexico:a:acoes|ações]] de tipo "voluntarista" (a maioria das ações humanas). — Finalmente, no domínio religioso, o racionalismo pretende que todas as verdades da [[lexico:f:fe|fé]] sejam analisáveis e que se possa adquirir delas um [[lexico:s:saber|saber]] perfeitamente claro ([[lexico:m:malebranche|Malebranche]]). O conhecimento [[lexico:h:humano|humano]] é um [[lexico:t:todo|todo]] [[lexico:c:concreto|concreto]], que coalesce com as contribuições dos sentidos e do [[lexico:e:entendimento|entendimento]]. A íntima [[lexico:u:uniao|união]] destas duas contribuições encontra sua [[lexico:e:expressao|expressão]] na teoria da [[lexico:a:abstracao|abstração]] e do conhecimento do [[lexico:e:essencial|essencial]] no [[lexico:f:fenomeno|fenômeno]] sensível. [[lexico:a:alem|Além]] disso, acrescem, na realização global da [[lexico:v:vida|vida]], as potências da [[lexico:v:vontade|vontade]] e do sentimento. Quando um destes [[lexico:e:elementos|elementos]] é postergado ou totalmente negado em sua peculiaridade em favor do entendimento, desembocamos no racionalismo. Este nem sempre se manifesta como doutrina explícita, mas, às vezes, apresenta-se como atitude psicológica motivada pela [[lexico:d:disposicao|disposição]] intelectual, pela ocupação predominante ou por outras [[lexico:c:causas|causas]]. Este racionalismo, como, atitude, manifesta-se em todos os períodos da [[lexico:h:historia|história]] e nas várias correntes do [[lexico:p:pensamento-filosofico|pensamento filosófico]]. Avalia ele, de maneira unilateral, o saber exclusivamente pelo saber, ao qual, por conseguinte, devemos aspirar "sem pressuposições" ([[lexico:p:pressuposicao|pressuposição]]), prescindindo do [[lexico:s:significado|significado]] da vida ou dos fins da vontade. Esta atitude esquece que todo saber, dirigido ao [[lexico:f:finito|finito]], como atividade parcial do homem dentro do conjunto de sua vida, não passa, em última [[lexico:i:instancia|instância]], de puro [[lexico:m:meio|meio]] e, por isso mesmo, conduz a uma [[lexico:c:ciencia|ciência]] infecunda e alheia à vida. O racionalismo epistemológico, como doutrina, foi propugnado especialmente por Descartes, Spinoza e pela filosofia do [[lexico:i:iluminismo|Iluminismo]] (Leibniz, Wolff). A desagregação da [[lexico:s:sintese|síntese]] aristotélico [[lexico:e:escolastica|escolástica]] de [[lexico:a:alma|alma]] e [[lexico:c:corpo|corpo]] ([[lexico:r:relacao|relação]] entre [[lexico:c:corpo-e-alma|corpo e alma]]), iniciada no [[lexico:n:nominalismo|nominalismo]] tardio, e a concomitante [[lexico:s:separacao|separação]] do [[lexico:c:conhecimento-sensorial|conhecimento sensorial]] e do conhecimento intelectual levou, em Descartes, à doutrina das [[lexico:i:ideias-inatas|ideias inatas]]. Mas, se os [[lexico:c:conceitos|conceitos]] não deviam ser obtidos por abstração e [[lexico:i:inducao|indução]], a partir da experiência, senão que eram, no fundo, da mesma [[lexico:e:especie|espécie]] que as ideias criadoras de [[lexico:d:deus|Deus]], então com o auxílio deles devia ser [[lexico:p:possivel|possível]] um tratamento apriorístico-dedutivo de todas as ciências. O racionalismo foi consolidado nesta concepção pelo [[lexico:i:ideal|ideal]] científico da [[lexico:m:matematica|matemática]] que então seduzia os ânimos, segundo o qual todo conhecimento certo é [[lexico:c:consequencia|consequência]] de [[lexico:p:principios|princípios]] necessários e apriorísticos do entendimento. Segundo o racionalismo, a única [[lexico:f:fonte-do-conhecimento|fonte do conhecimento]] humano é a razão. As sensações não são mais do que ideias confusas, baralhadas. — A exageração do racionalismo suscitou a [[lexico:r:reacao|reação]] contraria do [[lexico:e:empirismo-ingles|empirismo inglês]]. Kant tentou desfazer o conflito, estabelecendo uma ponte, entre as duas posições antagônicas, mas não o conseguiu completamente, porque as formas subjetivas e os conceitos do entendimento são estranhos e permanecem alheios à matéria das sensações por eles moldadas. O racionalismo epistemológico não satisfaz à [[lexico:t:totalidade|totalidade]] do conhecimento humano, porque o restringe indevidamente, sob dois aspectos: em primeiro lugar, não reconhece a substantividade do conhecimento [[lexico:s:sensorial|sensorial]] e, consequentemente, faz que o conhecimento degenere em [[lexico:f:formalismo|formalismo]] oco, com o que se prende a [[lexico:f:falta|falta]] de [[lexico:c:compreensao|compreensão]] histórica frequentemente notada no racionalismo; em segundo lugar, porque, apesar da [[lexico:a:aparente|aparente]] aproximação dos conceitos humanos às ideias divinas, limita o conhecimento racional ao [[lexico:m:modo|modo]] especificamente humano do pensamento discursivo-conceptual (racional) e converte essa [[lexico:l:limitacao|limitação]] em [[lexico:n:norma|norma]] suprema de todo conhecimento e de todo ser. Da aplicação destas ideias à [[lexico:t:teologia|teologia]] surge o racionalismo teológico, o qual afere tudo, inclusive a fé e a revelação, pela bitola da razão puramente humana, não admitindo [[lexico:n:nada|nada]] que a supere ([[lexico:m:misterio|Mistério]]). Este racionalismo ou só admite uma religião da razão em geral ou despoja a religião positiva de todo caráter de mistério e procura explicá-la de maneira histórico-imanente. Assim como o racionalismo epistemológico, perante a razão, desdenha do conhecimento sensorial, assim o racionalismo ético prejudica a vontade e as potências emocionais. Segundo ele, só o conhecimento e a ciência do [[lexico:b:bem|Bem]] são decisivos para o [[lexico:c:comportamento|comportamento]] moral. Representante [[lexico:t:tipico|típico]] do racionalismo ético é [[lexico:s:socrates|Sócrates]] (vide [[lexico:s:socratico|socrático]]). — Muitas vezes, o termo "racionalismo" é tomado como sinônimo de [[lexico:i:intelectualismo|intelectualismo]]; sobre a [[lexico:d:diferenca|diferença]] entre ambos, vide intelectualismo. — [[lexico:b:brugger|Brugger]]. O vocábulo racionalismo pode ser compreendido de três maneiras: 1. Como [[lexico:d:designacao|designação]] da teoria segundo a qual a razão, equiparada com o pensar ou a [[lexico:f:faculdade|faculdade]] pensante, é [[lexico:s:superior|superior]] á [[lexico:e:emocao|emoção]] e à vontade; temos então um racionalismo [[lexico:p:psicologico|psicológico]]. 2. Como nome da doutrina para a qual o único [[lexico:o:orgao|órgão]] [[lexico:a:adequado|adequado]] ou completo do conhecimento é a razão, de modo que todo o conhecimento [[lexico:v:verdadeiro|verdadeiro]] tem origem racional; fala-se em tal caso de racionalismo gnoseológico ou epistemológico. 3. Como expressão da teoria que afirma que a [[lexico:r:realidade|realidade]] é, em [[lexico:u:ultimo|último]] termo, de caráter racional; este é o racionalismo metafísico. As três [[lexico:s:significacoes|significações]] de racionalismo têm se combinado com frequência. No entanto, é possível admitir um dos citados tipos de racionalismo sem se aderir aos restantes. As diferenças entre racionalismo e voluntarismo ou empirismo, ou [[lexico:i:intuicionismo|intuicionismo]], não são cortantes. Em grande [[lexico:m:medida|medida]], os empiristas modernos - especialmente os grandes empiristas ingleses: [[lexico:l:locke|Locke]], [[lexico:h:hume|Hume]] e outros -, embora costumem combater o [[lexico:c:chamado|chamado]] racionalismo continental, -de Descartes, Leibniz, etc -, nem por isso deixam de ser racionalistas, pelo menos sob o [[lexico:a:aspecto|aspecto]] do método usado nas suas respectivas filosofias. Por isso se preferiu definir o racionalismo não como um mero e [[lexico:s:simples|simples]] [[lexico:u:uso|uso]] da razão, mas como o abuso dela. Em [[lexico:p:particular|particular]], e em especial durante a [[lexico:e:epoca|época]] [[lexico:m:moderna|moderna]], considerou.-se o racionalismo como uma tendência comum a todas as grandes correntes filosóficas, o que sucedeu é que algumas destas acolheram certas linhas do racionalismo metafísico, enquanto outras se limitaram ao racionalismo gnoseológico. Muito influente foi o racionalismo - especialmente o metafísico - na clássica grega. Nalguns casos (como em [[lexico:p:parmenides|Parmênides]]) alcançou [[lexico:c:caracteres|caracteres]] extremos, pois a [[lexico:a:afirmacao|afirmação]] da suposta [[lexico:r:racionalidade|racionalidade]] completa do [[lexico:r:real|real]] exigiu a [[lexico:n:negacao|negação]] de quanto não seja completamente transparente ao pensamento racional e ainda ao pensamento racional baseado no princípio [[lexico:o:ontologico|ontológico]] de [[lexico:i:identidade|identidade]]. Para Parmênides, só é [[lexico:p:predicavel|predicável]] o ser imóvel, indivisível e único, que satisfaz todas as condições da racionalidade. Noutros casos (como em Platão) atenuou-se esta exigência de completa racionalidade (metafísica e gnoseológica), dando-se cabimento no sistema do conhecimento aos fenômenos e considerando-se as opiniões como legítimos saberes. Mas visto que as opiniões são suficientes sob o aspecto de um saber completo, o racionalismo volta a surgir. Se a realidade verdadeira é o [[lexico:i:inteligivel|inteligível]], e o inteligível é racional, a verdade, o ser e a racionalidade serão o mesmo, ou pelo menos serão três aspectos de uma mesma maneira de ser. Contra estas tendências racionalistas ergueram-se na [[lexico:a:antiguidade|antiguidade]] numerosas doutrinas de caráter empirista. Algumas destas, têm ainda uma componente racionalista muito forte. Noutras, o racionalismo desaparece quase por completo. É necessário observar que em numerosas tendências racionalistas antigas, o racionalismo não se opõe ao intuicionismo, na [[lexico:t:teoria-do-conhecimento|teoria do conhecimento]], porquanto se supõe a razão perfeita é equivalente à [[lexico:i:intuicao|intuição]] perfeita e completa. As correntes citadas subsistiram durante a idade média, mesmo quando ficaram notavelmente modificadas pela diferente [[lexico:p:posicao|posição]] dos problemas. A contraposição entre a razão e a fé e as frequentes tentativas para encontrar um equilíbrio entre ambas alteraram substancialmente as caraterísticas do racionalismo medieval. Ser racionalista não significou forçosamente, durante a idade média, admitir que toda a racionalidade fosse racional, na medida em que fosse completamente transparente à razão humana. Podia-se considerar o racionalismo como a atitude de confiança na razão humana com a ajuda de Deus. Podia-se admitir o racionalismo como tendência susceptível ou não de se integrar dentro do sistema das verdades da fé. Ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]], podia-se considerar o racionalismo como uma posição na teoria do conhecimento, em cujo caso se contrapunha ao empirismo. O impulso [[lexico:d:dado|dado]] ao conhecimento racional por Descartes e o [[lexico:c:cartesianismo|cartesianismo]] e a grande [[lexico:i:influencia|influência]] exercida por esta tendência durante a época moderna, conduziu alguns historiadores a identificar a moderna com o racionalismo e a supor que tal constitui a maior tentativa jamais realizada com o [[lexico:f:fim|fim]] de racionalizar completamente a realidade. Não pode negar-se que há muito disso nos esforços de autores como Descartes, Malebranche, Espinosa, Leibniz e até num [[lexico:f:filosofo|filósofo]] como Hegel. No entanto, há nas citadas situações muitos outros elementos junto do racionalismo. Além disso, não obstante a confiança na razão atrás aludida, que opera também nos autores usualmente classificados de empiristas, é preciso [[lexico:t:ter|ter]] em conta o grande [[lexico:t:trabalho|trabalho]] realizado por estes com o fim de examinar a [[lexico:f:funcao|função]] dos elementos não estritamente racionais, no conhecimento e, por [[lexico:e:extensao|extensão]], na realidade conhecida. Finalmente, a teoria da razão elaborada por muitos autores modernos geralmente mais complexa que a desenvolvida pelas antigas e medievais, de modo que pode concluir-se que se imperou o racionalismo foi porque previamente se ampliaram as possibilidades da razão. Deve distinguir-se entre o racionalismo do século dezassete e o do século dezoito. Enquanto no século dezassete o racionalismo era a expressão de uma [[lexico:s:suposicao|suposição]] metafísica e ao mesmo tempo religiosa, pela qual se faz de Deus a suprema [[lexico:g:garantia|garantia]] das verdades racionais e, por conseguinte, o apoio último do [[lexico:u:universo|universo]] concebido como inteligível, o século dezoito entende a razão como um [[lexico:i:instrumento|instrumento]] mediante o qual o homem poderá dissolver a obscuridade que o rodeia; a razão do século dezoito é simultaneamente uma atitude epistemológica que integra a experiência e uma norma para a ação moral e [[lexico:s:social|social]]. A esta [[lexico:d:distincao|distinção]] entre dois tipos de racionalismo [[lexico:m:moderno|moderno]] pode agregar-se a forma que assumiu o racionalismo de Hegel e várias tendências evolucionistas do século dezanove; em todas elas se tenta ampliar o racionalismo até incluir a possibilidade de [[lexico:e:explicacao|explicação]] da [[lexico:e:evolucao|evolução]] e até da história. Durante os séculos dezanove e vinte, produziram-se muitos equívocos em torno da significação de racionalismo, por se não precisar suficientemente o sentido do termo. Muito frequente foi combater o racionalismo [[lexico:c:classico|clássico]] e tentar integrar a razão como [[lexico:e:elemento|elemento]] que usualmente se consideram contrapostos a ela. Como a vida, a história, o concreto, etc. importante fazer constar que nesta [[lexico:o:oposicao|oposição]] ao racionalismo clássico coincidem a maior [[lexico:p:parte|parte]] das tendências contemporâneas; Portanto, não só o racionalismo existencializada e outras tendências declaradamente opostas ao racionalismo moderno, mas também o empirismo, o [[lexico:p:positivismo|positivismo]], o analitismo, etc, que se consideram a si mesmos como fiéis à [[lexico:t:tradicao|tradição]] racionalista. Pode dizer-se que na época [[lexico:a:atual|atual]] surge um novo [[lexico:c:conceito|conceito]] de racionalismo, o que volta a provar que, tanto [[lexico:s:sistematica|sistemática]] como historicamente, é pouco [[lexico:a:apropriado|apropriado]] definir o vocábulo racionalismo de um modo [[lexico:u:univoco|unívoco]]. a) O método, ou melhor, a teoria filosófica, para a qual o [[lexico:c:criterio|critério]] seguro do conhecimento é o intelectualmente dedutivo e não o dado pela [[lexico:i:intuicao-sensivel|intuição sensível]] nem afetiva. b) Em geral considera-se racionalismo a introdução dos métodos matemáticos na filosofia, mas aqui matemática é tomada no sentido [[lexico:v:vulgar|vulgar]]. A base do racionalismo que vem de Descartes através de Spinoza e Hegel funda-se na verdade de irrecusáveis princípios [[lexico:a:a-priori|a priori]], que nos dão os meios claros e evidentes da verdade, já que os sentidos nos oferecem os fatos confusamente. Por essa concepção a experiência só é possível a um espírito possuidor de razão. O racionalismo põe toda a sua fé na razão e se opõe ao [[lexico:i:irracionalismo|irracionalismo]] e às certezas de [[lexico:o:ordem|ordem]] afetivas. Chamam os teólogos de racionalistas aqueles que se apegam apenas à razão e só aceitam os dogmas que podem ser justificados racionalmente. c) Para alguns é sinônimo até de irreligiosidade. Pode ser teológico ou filosófico. Teológico é o sistema que afirma não admitir a revelação nem [[lexico:m:misterios|mistérios]], mas apenas as verdades adquiridas pela razão [[lexico:n:natural|natural]] e que esta pode provar. Filosófico é o sistema dos que ensinam que todas as coisas devem ser demonstradas por [[lexico:d:deducao|dedução]], partindo-se de algumas verdades prévias, nada devendo-se admitir sem [[lexico:d:demonstracao|demonstração]].