===== RACIONALIDADE ===== Há, pois, para [[lexico:l:leibniz:start|Leibniz]] um, [[lexico:i:ideal:start|ideal]] de [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] que é o ideal da pura racionalidade; e entre [[lexico:e:esse:start|esse]] ideal de conhecimento plenamente realizado na [[lexico:l:logica:start|lógica]] e nas matemáticas e o conhecimento um pouco inferior das [[lexico:v:verdades-de-fato:start|verdades de fato]] que estão na [[lexico:f:fisica:start|física]]; entre esse ideal e essa inferior [[lexico:r:realidade:start|realidade]] do conhecimento [[lexico:h:humano:start|humano]], [[lexico:n:nao:start|não]] há um [[lexico:a:abismo:start|abismo]], mas, pelo contrário, uma [[lexico:s:serie:start|série]] de transições contínuas, uma continuidade de transições de tal [[lexico:s:sorte:start|sorte]] que o [[lexico:e:esforco:start|esforço]] do conhecimento há de consistir em tornar cada vez mais vastos territórios de verdades de [[lexico:f:fato:start|fato]] em [[lexico:v:verdades-de-razao:start|verdades de razão]]. Como? Introduzindo as matemáticas na realidade. O conhecimento será cada vez mais profundamente [[lexico:r:racional:start|racional]] quanto mais for matemático. E Leibniz o comprova inventando o [[lexico:c:calculo-infinitesimal:start|cálculo infinitesimal]], que faz dar um [[lexico:s:salto:start|salto]] formidável ao conhecimento de fato da [[lexico:n:natureza:start|natureza]] e converte grandes setores da física em conhecimento racional [[lexico:p:puro:start|puro]]. Leibniz descobre precisamente o [[lexico:c:calculo:start|cálculo]] [[lexico:i:infinitesimal:start|infinitesimal]] por aplicação desse [[lexico:p:principio:start|princípio]] da continuidade entre o [[lexico:r:real:start|real]] e o ideal; da continuidade entre a [[lexico:v:verdade:start|verdade]] de fato, levada uma atrás da outra, e a verdade de [[lexico:r:razao:start|razão]]. A [[lexico:r:relacao:start|relação]] que existe entre a verdade de fato, com todos os antecedentes de [[lexico:r:razao-suficiente:start|razão suficiente]] que a sustentam, e a verdade d;> razão, é exatamente a mesma que há entre uma reta e a curva. Não existe tampouco um abismo entre a reta e a curva, porque, que é uma reta senão uma curva de raio [[lexico:i:infinito:start|infinito]]? E que é um [[lexico:p:ponto:start|ponto]], senão uma circunferência de raio infinitamente pequeno? Vemos como entre o ponto, a curva e a reta não existem abismos de [[lexico:d:diferenca:start|diferença]], mas, de um certo ponto de vista especial, que consiste em considerar tudo como gerado, como gerando-se na pura racionalidade dos germes lógicos que há em nosso [[lexico:e:espirito:start|espírito]], existo um trânsito [[lexico:c:continuo:start|contínuo]] entre o ponto, a curva e a reta. Daí que possa esse trânsito escrever-se numa [[lexico:f:funcao:start|função]] [[lexico:m:matematica:start|matemática]]; numa função de cálculo integral e diferencial, de cálculo infinitesimal, sendo o ponto simplesmente uma circunferência de raio mínimo, tão pequeno quanto se queira, de raio infinitamente pequeno; sendo a curva um pedaço de circunferência de raio [[lexico:f:finito:start|finito]], constante, e sendo a reta um pedaço de circunferência de raio infinitamente longo, infinitamente extenso. Estas considerações foram as que levaram Leibniz a [[lexico:p:pensar:start|pensar]] que um mesmo ponto, quer se considere pertencente à curva, quer se considere pertencente à tangente dessa curva, esse ponto, um e o mesmo ponto, tem definições geométricas diferentes segundo seja considerado como ponto da curva ou como ponto da tangente à curva. E então só faltará encontrar a [[lexico:f:formula:start|fórmula]] que defina cada ponto em função do [[lexico:t:todo:start|todo]]. E foi precisamente a procura dessa fórmula que levou Leibniz à [[lexico:d:descoberta:start|descoberta]] do cálculo infinitesimal, com o qual uma enorme zona de verdades físicas, de fato, ingressam de pronto no [[lexico:c:corpo:start|corpo]] das verdades matemáticas, de razão. Veja-se como ele [[lexico:p:proprio:start|próprio]] aplica aqui as consequências de suas convicções e mostra, pelo fato, que, com [[lexico:e:efeito:start|efeito]], o ideal da racionalidade do conhecimento é um ideal do qual vai-se aproximando a [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] concreta dos fatos físicos, cuja assíntota mais ou menos longínqua é converter-se em ciência racional pura. Pois [[lexico:b:bem:start|Bem]]: esta realidade deste conhecimento racional, o [[lexico:o:objeto:start|objeto]] deste [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] racional, a realidade pensada racionalmente por Leibniz, qual é? Depois da [[lexico:t:teoria-do-conhecimento:start|teoria do conhecimento]] que acabamos de examinar, qual é a [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] que Leibniz tira desta [[lexico:t:teoria:start|teoria]] do conhecimento? É a resposta que Leibniz dá à nossa [[lexico:p:pergunta:start|pergunta]] metafísica primordial: [[lexico:q:quem:start|quem]] existe? {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}