===== RACIOCINAR ===== Estudamos até aqui as duas primeiras [[lexico:o:operacoes-do-espirito|operações do espírito]]: [[lexico:s:simples|simples]] [[lexico:a:apreensao|apreensão]] e [[lexico:j:julgamento|julgamento]]. Pela simples apreensão o [[lexico:e:espirito|espírito]] apreende a "[[lexico:q:quididade|quididade]]" abstrata das [[lexico:c:coisas|coisas]]; pelo julgamento ele afirma o [[lexico:s:ser|ser]] [[lexico:c:concreto|concreto]]. Estas duas operações, mesmo supondo uma [[lexico:a:atividade|atividade]] anterior do espírito, eram na [[lexico:r:realidade|realidade]] [[lexico:a:atividades|atividades]] simples e como que imóveis: eram atos do intellectus ut intellectus. Porém diferentemente de [[lexico:d:deus|Deus]] e dos [[lexico:a:anjos|anjos]] que, sendo simples inteligências, percebem em um [[lexico:u:unico|único]] [[lexico:o:objeto|objeto]] intelectual tudo o que pode [[lexico:e:estar|estar]] contido nele ou depender dele, o [[lexico:h:homem|homem]] [[lexico:n:nao|não]] tem senão apreensões primitivas imperfeitas e confusas: ele não esgota imediatamente seu objeto. O julgamento, composição e [[lexico:d:divisao|divisão]], e os atos complexos que se ligam à primeira [[lexico:o:operacao|operação]], [[lexico:d:definicao|definição]] e divisão, já permitiam associar e desenvolver alguns [[lexico:e:elementos|elementos]] do [[lexico:d:dado|dado]]. Mas a organização de conjunto dê-te dado supõe uma terceira operação, essencialmente discursiva, o [[lexico:r:raciocinio|raciocínio]], [[lexico:o:obra|obra]] da [[lexico:i:inteligencia|inteligência]] humana como tal, intellectus ut [[lexico:r:ratio|ratio]], definindo-se o homem como um [[lexico:a:animal|animal]] dotado de [[lexico:r:razao|razão]]: "Fazer [[lexico:a:ato|ato]] de simples [[lexico:i:inteleccao|intelecção]] (intelligere), não é outra [[lexico:c:coisa|coisa]], com [[lexico:e:efeito|efeito]], do que [[lexico:a:apreender|apreender]] de [[lexico:m:modo|modo]] [[lexico:a:absoluto|absoluto]] a [[lexico:v:verdade|verdade]] das coisas, enquanto que raciocinar consiste em passar de um objeto percebido a um [[lexico:o:outro|outro]] objeto percebido, visando entrar na possessão da verdade [[lexico:i:inteligivel|inteligível]]. Disto advém que os anjos os quais, segundo o modo de sua [[lexico:n:natureza|natureza]], possuem de maneira perfeita o [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] da verdade inteligível, não se vêm sujeitos a proceder indo de um objeto a outro, pois que captam de modo absoluto e sem discursos, a verde inteligível... Os homens, pelo contrário, chegam ao conhecimento da verdade inteligível indo de um objeto a outro... Eis porque eles são chamados racionais. É, portanto, evidente que, raciocinar está para o ato de simples intelecção, assim como mover-se está para o repouso, ou como adquirir está para [[lexico:t:ter|ter]]." ST I, 79, 8