===== QUID ===== Que é o [[lexico:s:ser|ser]]? A [[lexico:p:pergunta|pergunta]] quid dos escolásticos é a pergunta fundamental da [[lexico:o:ontologia|ontologia]]. A [[lexico:m:metafisica|metafísica]] cabe a pergunta: "Por que os seres que existem existem?" É a pergunta cur dos escolásticos. Modernamente, [[lexico:h:heidegger|Heidegger]] considera que a pergunta fundamental da Ontologia é: Por que, em [[lexico:s:suma|suma]], há o existente em vez do [[lexico:n:nada|nada]]? Nasce a Ontologia da [[lexico:m:meditacao|meditação]] do [[lexico:h:homem|homem]] sobre a mutabilidade, a variabilidade, a [[lexico:f:finitude|finitude]], o [[lexico:d:devir|devir]] mutável e transformador das [[lexico:c:coisas|coisas]]. Tudo muda, mas o que muda é algo que muda. Mas [[lexico:e:esse|esse]] algo que conhece mutações, enquanto sustentáculo, [[lexico:n:nao|não]] muda, é imutável . O [[lexico:m:mundo|mundo]] do devir é ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]] a [[lexico:a:afirmacao|afirmação]] dá mundo do ser. Em face dessa meditação estrutura-se a Ontologia, ou Metafísica [[lexico:g:geral|geral]], porque aborda ela a generalidade dos temas metafísicos que são os temas ontológicos. Ante a constante mutabilidade do devir, ante a fugaz [[lexico:e:experiencia|experiência]] dos fatos, que sucedem, na constante transmutação das coisas, na heterogeneidade do acontecer, tudo quanto percebo é [[lexico:a:alguma-coisa|alguma coisa]], e essa alguma [[lexico:c:coisa|coisa]] é uma experiência de ser, e não uma experiência de nada, porque se fosse de nada, como seria alguma coisa? Como poderia ser uma experiência de [[lexico:n:nao-ser|não-ser]], o que já é alguma coisa? Quer na experiência que a [[lexico:i:intuicao-sensivel|intuição sensível]] me dá do mundo [[lexico:e:exterior|exterior]], quer na experiência íntima de mim mesmo, alguma coisa capta sempre alguma coisa, que é alguma coisa. Não seria difícil, portanto, desde logo concluir que a minha primeira experiência é a do ser, a de um ser que se põe ante o meu ser. Mas, desde logo, também noto que há modalidades nessa experiência, que me revelam modalidades de ser. Vê-se desde logo que é da experiência humana que [[lexico:p:parte|parte]], a caraterização do [[lexico:o:objeto|objeto]] da Ontologia. Em face do acontecer, a meditação humana, que de [[lexico:i:imediato|imediato]] capta o ser, termina por considerar que tudo quanto percebe no mundo [[lexico:f:fenomenico|fenomênico]], fluente e mutável, o mundo do devir, que é o mundo da experiência [[lexico:s:sensivel|sensível]] do homem, aponta, na fluência constante dos fatos, que eles apresentam, em comum, o [[lexico:f:fato|fato]] de ser, numa [[lexico:m:modalidade|modalidade]] de ser, não podendo ser reduzidos a um não-ser absolutos, porque a própria experiência nega, terminantemente, os considerássemos [[lexico:p:puro|puro]] nada. Há assim modos de ser, mas tais modos, por sua vez, apontam ainda o ser, pois tais modos são modos de..., e o de que é (o quid) é o ser. Portanto, tudo [[lexico:o:o-que-e|o que é]] ([[lexico:q:quod|quod]]) tem um ser (quid). E se quod muda, quid, permanece o mesmo. E se percebemos que o [[lexico:r:real|real]] não é estável, percebemos, porem que o real é; e se a realidades me revela modalidades diversas, tais modalidades são. Não sei ainda por que é assim ou por que poderia, ou não, não ser assim. Mas já sei que é assim. Não se alegue que esse é é uma mera cópula, que se poderia desprezar, por ex. numa [[lexico:l:lingua|língua]] que não o tivesse. Mas tal [[lexico:a:ausencia|ausência]] não poderia ser considerada como uma não captação do ser, objeto primeiro da nossa experiência, que a postula desde inicio: pois como o nada poderia captar o nada, sem ser? E se uma língua não tivesse ainda um [[lexico:t:termo|termo]] para expressar o ser, se a sua conceituação ainda não se fizera nitidamente exigente de um termo que o apontasse, a experiência humana dos que usassem essa língua estaria afirmando sempre o ser de [[lexico:t:todo|todo]] o [[lexico:p:predicado|predicado]] afirmado a um [[lexico:s:sujeito|sujeito]] qualquer. Portanto, a experiência, desde a [[lexico:i:intuicao|intuição]] sensível até a mais profunda das intuições, afirma que o primeiro objeto de toda experiência é o ser, com sua complexa modalidade, com sua complexa [[lexico:d:diversidade|diversidade]] de aspectos. Um Proteu de formas diversas, sucessivas ou simultâneas, sob diversos aspectos e [[lexico:r:relacoes|relações]], mas sempre ser. Eis o objeto material da Ontologia: o ser em seus diversos aspectos e modalidades. O objeto [[lexico:f:formal|formal]] da Ontologia é a formalidade, a [[lexico:f:forma|forma]] do ser. Um real [[lexico:d:dado|dado]] pode ser objeto de várias ciências. A minha experiência do ser pode ser objeto da gnoseolgia, enquanto [[lexico:e:estudo|estudo]] a [[lexico:r:relacao|relação]] do [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] ([[lexico:s:sujeito-e-objeto|sujeito e objeto]]). Mas a minha experiência, sob outra formalidade, pode ser objeto da [[lexico:p:psicologia|psicologia]]. Mas, em ambos, tanto no gnoseológico como no [[lexico:p:psicologico|psicológico]], objetos diversos da minha experiência, procuro, neles, captar o comum em todo objeto da experiência, o ser em sua formalidade de ser. E essa formalidade de ser, esse comum, que passa a ser estudado, interrogado que é (quid), eis o objeto formal da ontologia. Portanto, desde início se coloca ao que pretende estudar tais objetos, que são o [[lexico:c:campo|campo]] de [[lexico:a:acao|ação]] da Ontologia, a primeira fundamental pergunta que essa [[lexico:c:ciencia|ciência]] deve responder: que é ser? E consequentemente: qual o [[lexico:v:valor|valor]] do [[lexico:c:conceito|conceito]] ser? Em toda a minha experiência, em todos os meus juízos de [[lexico:e:existencia|existência]] afirmo o ser. Que é ele? Em que consiste?