===== QUÊ SOU ===== [[lexico:a:agostinho|Agostinho]], geralmente considerado o primeiro a levantar a chamada [[lexico:q:questao|questão]] antropológica na [[lexico:f:filosofia|Filosofia]], sabia disso muito [[lexico:b:bem|Bem]]. Estabelece uma [[lexico:d:distincao|distinção]] entre as questões “[[lexico:q:quem|quem]] sou?” e “O que sou?”: a primeira é feita pelo [[lexico:h:homem|homem]] a si [[lexico:p:proprio|próprio]] (“E dirigi-me a mim mesmo e disse-me: Tu, quem és tu? E respondi: Um homem” – tu, quis es? [Confissões, x. 6]), e a segunda é dirigida a [[lexico:d:deus|Deus]] (“O que sou então, meu Deus? Qual é a minha [[lexico:n:natureza|natureza]]?” – [[lexico:q:quid|quid]] ergo sum, Deus meus? Quae natura sum? [x.17]). Pois no “grande [[lexico:m:misterio|mistério]]”, no grande profundum que é o homem [iv. 14], há “algo do homem que o [[lexico:e:espirito|espírito]] do homem que nele está [[lexico:n:nao|não]] sabe. Mas tu, Senhor, que o fizeste , tudo sabes a seu [[lexico:r:respeito|respeito]] ” [x. 5]. Assim, a mais conhecida dessas frases que citei no [[lexico:t:texto|texto]], a [[lexico:q:quaestio|quaestio]] mihi factus sum, é uma questão levantada na [[lexico:p:presenca|presença]] de Deus, “ante cujos olhos tornei-me uma questão para mim mesmo” (x. 33). Em resumo, a resposta à questão “Quem sou?” é simplesmente: “És um homem – seja isso o que for”; e a resposta à questão “O que sou?” só pode [[lexico:s:ser|ser]] dada por Deus, que fez o homem. A questão da natureza do homem é uma questão teológica tanto quanto a questão da natureza de Deus; ambas só podem ser resolvidas dentro da [[lexico:e:estrutura|estrutura]] de uma resposta divinamente revelada. [ArendtCH, Nota 2 Capítulo 1]