===== QUATRO CAUSAS ARISTOTÉLICAS ===== A [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] da realização em [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] é a [[lexico:t:teoria:start|teoria]] das [[lexico:c:causas:start|causas]]. Aristóteles distingue de cada [[lexico:c:coisa:start|coisa]] [[lexico:q:quatro:start|Quatro]] causas: a [[lexico:c:causa:start|causa]] material, a causa [[lexico:f:formal:start|formal]], a causa eficiente e a causa final. Chama Aristóteles "causa material" aquilo de que é feita uma coisa. Chama "causa formal" aquilo que a coisa vai [[lexico:s:ser:start|ser]]. Chama "causa eficiente" aquilo com [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] feita a coisa. E chama "causa final" aquilo para o qual é feita a coisa Duas destas causas são fáceis de discernir, se olharmos [[lexico:b:bem:start|Bem]]: a material e a eficiente. A causa material é aquela de que é feita a coisa; a causa eficiente é aquela com que é feita a coisa. Os exemplos que ocorrem imediatamente à [[lexico:m:mente:start|mente]] são sempre exemplos tomados das oficinas dos artífices: o barro, o mármore são a [[lexico:m:materia:start|matéria]] da [[lexico:e:estatua:start|estátua]], são aquilo de que é feita a estátua; são a causa material da estátua. Os palitos, os dedos do escultor, os movimentos que o escultor imprime ao barro, os golpes que dá com o cinzel e o martelo sobre o mármore, são a causa eficiente, aquilo com que, o [[lexico:i:instrumento:start|instrumento]] com que é feita a coisa. Mas [[lexico:n:nao:start|não]] é tão fácil discernir as outras duas causas: a formal e a final. O [[lexico:p:proprio:start|próprio]] Aristóteles às vezes não as discerne muito bem. A causa final, dir-se-á, é bem clara: é o propósito que o artífice tem. Mas o propósito que o artífice tem, qual é? Se o propósito que o artífice tem é [[lexico:c:criar:start|criar]] um [[lexico:o:objeto:start|objeto]], o qual por sua vez sirva para algo, qual é o seu propósito? A [[lexico:c:criacao:start|criação]] do objeto ou aquilo para o qual o objeto serve? Se for este [[lexico:u:ultimo:start|último]], poderemos recolocar a [[lexico:p:pergunta:start|pergunta]] e dizer: aquilo para o que o objeto serve, é por sua vez o último [[lexico:f:fim:start|fim]] que teve o artífice, ou não será senão um [[lexico:m:meio:start|meio]] para [[lexico:o:outro:start|outro]] fim ulterior? E teremos aqui uma progressão infinita como a que vimos na [[lexico:s:sucessao:start|sucessão]] do ser [[lexico:n:necessario:start|necessário]] e do ser [[lexico:c:contingente:start|contingente]]. Mas podemos deter-nos e dizer: o propósito do artífice é a criação do objeto. Assim acontece, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], nas obras de [[lexico:a:arte:start|arte]], que não têm outra [[lexico:f:finalidade:start|finalidade]], senão a de ser o que são. E então, nesse caso, a causa final se confundiria com a causa formal. Porque, o que é a causa formal? É a [[lexico:i:ideia:start|ideia]] da coisa, a ideia da [[lexico:e:essencia:start|essência]] da coisa, a ideia daquilo que a coisa ê, daquilo que antes que a coisa seja já está na mente do artífice, e o artífice, antes de que a matéria receba essa essência e se torne [[lexico:s:substancia:start|substância]], tem a essência previamente pensada. Neste caso a causa final coincidiria com a causa formal; e assim acontece em [[lexico:d:deus:start|Deus]]. Quando Deus pensa a essência das [[lexico:c:coisas:start|coisas]] como o artífice delas, [[lexico:e:esse:start|esse]] [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] é criador, e por isso as coisas são produtos do pensamento de Deus e fins que o pensamento se propôs. A causa final coincide aqui com a causa formal. Esta estrutura da realização nos levou constantemente a exemplificar dentro da órbita, dentro do âmbito do artífice, do [[lexico:a:artesao:start|artesão]]. É que toda a concepção [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] de Aristóteles está dominada por essa ideia de [[lexico:f:forma:start|forma]] [[lexico:e:essencial:start|essencial]] e de finalidade. E no funda a substância, cada substância individual, é para Aristóteles o resultado, o [[lexico:p:produto:start|produto]] de uma elaboração [[lexico:s:semelhante:start|semelhante]]. Por isso a teoria da [[lexico:c:causalidade:start|causalidade]] de Aristóteles constitui o pólo oposto da teoria da causalidade entre os modernos. Para os modernos, a causalidade é [[lexico:n:notacao:start|notação]] dos sucessos que acontecem ao longo do [[lexico:t:tempo:start|tempo]] no [[lexico:m:mundo:start|mundo]], segundo leis regulares; mas para Aristóteles a causalidade não é notação da sucessão das coisas no tempo regularmente encadeadas umas às outras. Aristóteles não tem da causalidade a ideia que tem [[lexico:h:hume:start|Hume]]. A causalidade, para ele, é a estrutura da realização no [[lexico:e:eterno:start|eterno]], na [[lexico:e:eternidade:start|Eternidade]], fora do tempo. Deus cria o mundo da mesma forma que um artífice faz sua [[lexico:o:obra:start|obra]]; mas como Deus não está no tempo, cria sua obra somente pensando-a. Sua [[lexico:a:atividade:start|atividade]] é só [[lexico:p:pensar:start|pensar]] (pensar [[lexico:p:pensamentos:start|Pensamentos]]), é esse "pensamento dos pensamentos". Assim Deus é a essência [[lexico:e:exemplar:start|exemplar]] das coisas realizadas neste mundo. Por isso a concepção aristotélica da causalidade é uma concepção [[lexico:g:genetica:start|genética]] interna da própria coisa, mas não é evolutiva no tempo, no [[lexico:s:sentido:start|sentido]] da sucessão, como o é para nós na [[lexico:f:fisica:start|física]] [[lexico:a:atual:start|atual]]. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}