===== PSICOLOGIA DA RELIGIÃO ===== A [[lexico:p:psicologia-da-religiao:start|psicologia da religião]] estuda as leis e modos psíquicos especiais de [[lexico:m:manifestacao:start|manifestação]] da [[lexico:v:vivencia:start|vivência]] religiosa, ou seja, do [[lexico:c:comportamento:start|comportamento]] psíquico-subjetivo do [[lexico:h:homem:start|homem]] com [[lexico:r:relacao:start|relação]] a [[lexico:d:deus:start|Deus]], e em [[lexico:g:geral:start|geral]], às doutrinas e exigências da [[lexico:v:vida:start|vida]] religiosa que se apresentam objetivamente. Por seu [[lexico:o:objeto:start|objeto]] e maneira de propor a [[lexico:q:questao:start|questão]], distingue-se tanto da [[lexico:h:historia:start|história]] e da [[lexico:f:filosofia-da-religiao:start|filosofia da religião]] ([[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] da [[lexico:r:religiao:start|religião]]), quanto da doutrina filosófica acerca de Deus e da [[lexico:t:teologia:start|teologia]] dogmática. [[lexico:n:nao:start|Não]] tem que [[lexico:p:por:start|pôr]] o [[lexico:p:problema:start|problema]] do conteúdo [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]] de [[lexico:v:verdade:start|verdade]] das convicções religiosas, como nem o do [[lexico:c:carater:start|caráter]] [[lexico:s:sobrenatural:start|sobrenatural]] da [[lexico:a:acao:start|ação]] divina da [[lexico:g:graca:start|graça]] na [[lexico:a:alma:start|alma]]; mas circunscreve-se ao [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] psíquico-natural da [[lexico:e:experiencia-religiosa:start|experiência religiosa]]. Por esta [[lexico:f:forma:start|forma]], ficam indicados, por um lado, os limites de suas possibilidades e da [[lexico:e:esfera:start|esfera]] que lhe compete, e, por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado, fica assente que a [[lexico:p:psicologia:start|psicologia]] da religião não exclui o sobrenatural (que deve [[lexico:s:ser:start|ser]] considerado do [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista teológico) na [[lexico:v:vida-psiquica:start|vida psíquica]] religiosa ([[lexico:m:mistica:start|mística]]), [[lexico:d:dado:start|dado]] que também a vivência religiosa sobrenatural apresenta, como [[lexico:a:atividade:start|atividade]] vital da alma, um aspecto psicologicamente apreensível. A questão fundamental da psicologia da religião visa a [[lexico:e:estrutura-psiquica:start|estrutura psíquica]] da vivência religiosa: [[lexico:c:como-se:start|como se]] distingue esta de outras formas vivenciais?; a que camada do [[lexico:p:psiquico:start|psíquico]] pertence principalmente: ao conhecer e ao querer espirituais, ao instintivo, ao [[lexico:e:emocional:start|emocional]]?; radica essencialmente em complexos recalcados, ou num "transbordamento" do [[lexico:i:inconsciente:start|Inconsciente]] [[lexico:p:pessoal:start|pessoal]], nos arquétipos do inconsciente coletivo ou na [[lexico:p:parte:start|parte]] espiritual do homem ? Entretecida no [[lexico:c:complexo:start|complexo]] da vida psíquica, propõe ulteriores problemas, como os referentes à [[lexico:t:tensao:start|tensão]] do individual e do [[lexico:s:social:start|social]], do intelectivo-racional e do [[lexico:i:irracional:start|irracional]], e os referentes à sua dependência relativamente ao [[lexico:t:tipo:start|tipo]] [[lexico:p:particular:start|particular]] [[lexico:h:humano:start|humano]], às fases evolutivas do homem, à saúde e às anormalidades psíquicas. A psicologia da religião não é, por forma alguma, [[lexico:d:disciplina:start|disciplina]] especificamente [[lexico:m:moderna:start|moderna]]. Na copiosa [[lexico:l:literatura:start|literatura]] ascético-mlstica dos séculos transatos encontra-se uma mina de [[lexico:o:observacao:start|observação]] psicológico-religiosa, só parcamente explorada e ainda não devidamente sistematizada. Em fins do século XVIII, perante o [[lexico:i:influxo:start|influxo]] exercido pelo [[lexico:i:iluminismo:start|Iluminismo]] e pelo [[lexico:c:criticismo:start|criticismo]], pensou se que os valores da vida religiosa só podiam salvar-se, alojando de [[lexico:f:fato:start|fato]] a religião dentro da esfera do emocional e mais e mais se espalhou a concepção de que a vivência religiosa era essencialmente assunto do [[lexico:s:sentimento:start|sentimento]] [[lexico:r:religioso:start|religioso]] e que os fatores intelectuais possuíam apenas importância secundária como tentativa para dotar de [[lexico:e:expressao:start|expressão]] [[lexico:s:simbolica:start|simbólica]] a vivência [[lexico:s:sentimental:start|sentimental]] (religião do sentimento, doutrina de [[lexico:s:schleiermacher:start|Schleiermacher]] sobre o sentimento de [[lexico:c:coexistencia:start|coexistência]] com o [[lexico:i:infinito:start|infinito]]; doutrina ulterior do mesmo acerca do sentimento de dependência). Assim se instalou com seus exclusivismos uma [[lexico:i:interpretacao:start|interpretação]] psicológica apriorístico-emocional da vivência religiosa, interpretação que, na segunda metade do século XIX continuou dominando, durante decênios, a psicologia da religião. Ao mesmo [[lexico:t:tempo:start|tempo]], difundiu-se a concepção de que as verdadeiras fontes da vivência religiosa deviam ser buscadas só no inconsciente (Sabatier, W. [[lexico:j:james:start|James]], Flournoy, [[lexico:j:janet:start|Janet]] e outros). Leuba desenvolveu uma psicologia da religião de caráter materialista, enquanto [[lexico:w:wundt:start|Wundt]] considerava a religião essencialmente como [[lexico:f:fenomeno:start|fenômeno]] psicológico-social. As análises fenomenológicas de R. [[lexico:o:otto:start|Otto]] viam o âmago da vivência religiosa no sentimento do mysterium fascinorum et tremendum, como [[lexico:e:eco:start|Eco]] de uma [[lexico:c:categoria:start|categoria]] afetiva, emocional [[lexico:a:a-priori:start|a priori]]. As investigações de Girgensohn e Gruehn operaram uma viragem, mostrando que na medula da vivência religiosa se encontra uma [[lexico:r:representacao:start|representação]] intelectual da [[lexico:i:ideia-de-deus:start|ideia de Deus]], fundida com o [[lexico:a:ato:start|ato]] de tender para Ele. Na [[lexico:a:atitude:start|atitude]] religiosa da alma podem repercutir efetivamente as mais diversas camadas psíquicas, quer reforçando a vivência, quer falseando-a (p. ex., no pseudomisticismo). Quando, porém, alguns investigadores, que se defrontaram com o religioso sem o compreenderem intimamente (Janet, [[lexico:f:freud:start|Freud]]), acreditaram poder dar uma [[lexico:e:explicacao:start|explicação]] de toda vivência religiosa, recorrendo ao [[lexico:p:patologico:start|patológico]] ou fazendo-a depender do sexual, mostraram com isso que desconheciam lamentavelmente a sadia [[lexico:e:experiencia:start|experiência]] religiosa. Comparada com a [[lexico:p:psicanalise:start|psicanálise]] de Freud, a doutrina de C. G. [[lexico:j:jung:start|Jung]], que busca a [[lexico:f:fonte:start|fonte]] psicológica da vivência religiosa nos arquétipos religiosos do "inconsciente coletivo" (sempre sadio), significa uma atividade intelectual mais aberta aos valores psicológicos do religioso, mas desatende excessivamente as fontes primárias mais essenciais de [[lexico:o:ordem:start|ordem]] espiritual que a vivência religiosa possui na zona espiritual-consciente. O mesmo [[lexico:a:arquetipo:start|arquétipo]] religioso poderia muitíssimo [[lexico:b:bem:start|Bem]] ser interpretado como a [[lexico:d:dinamica:start|dinâmica]] [[lexico:e:essencial:start|essencial]] (appetitus naturalis) que impele o [[lexico:e:espirito:start|espírito]] criado para Deus, e que é anterior a toda vivência religiosa. O ato religioso, em sua plena maturação, é um volver-se da alma espiritual com a [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]] de suas disposições para Deus como supremo [[lexico:v:valor:start|valor]] [[lexico:t:transcendente:start|transcendente]] e operante na vida, ante o qual a alma se situa em atitudes, que mutuamente se exigem e completam, de distância, mantenedora de [[lexico:r:respeito:start|respeito]], e de [[lexico:a:amor:start|amor]], que deseja a [[lexico:u:uniao:start|união]]. Respeito e amor que não devem considerar-se como atitudes meramente emocionais, mas como atitude da alma toda, em que o "sim" voluntário que se diz a Deus e que reconhece o Valor [[lexico:d:divino:start|divino]] ocupa o centro da vivência. A vivência religiosa não é atuação de um [[lexico:s:sentido:start|sentido]] religioso especial, coexistente com as [[lexico:f:faculdades:start|faculdades]] gerais do espírito, mas sim de uma [[lexico:d:disposicao:start|disposição]] religiosa alojada no âmago da alma humana orientada para o Infinito. Esta disposição não se circunscreve a determinados tipos de homens, mas funda-se na humana [[lexico:n:natureza:start|natureza]] enquanto tal. Contudo, precisa de ser desenvolvida e cultivada por [[lexico:m:meio:start|meio]] da [[lexico:e:educacao:start|educação]], podendo atrofiar-se, se esta faltar. — Willwoll. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}