===== PSICOLOGIA ===== (in. Psychology; fr. Psychologie; al. Psychologie; it. Psicologia). [[lexico:d:disciplina:start|disciplina]] que tem por [[lexico:o:objeto:start|objeto]] a [[lexico:a:alma:start|alma]], a [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] ou os eventos característicos da [[lexico:v:vida:start|vida]] [[lexico:a:animal:start|animal]] e humana, nas várias formas de caracterização de tais eventos com o [[lexico:f:fim:start|fim]] de determinar sua [[lexico:n:natureza:start|natureza]] específica. As vezes, tais eventos são considerados como puramente "mentais", ou seja, como "fatos de consciência"; outras vezes, como eventos objetivos ou objetivamente observáveis, ou seja, como movimentos, comportamentos, etc, mas em [[lexico:t:todo:start|todo]] caso a exigência a que essas definições correspondem é a de delimitar o domínio da [[lexico:i:indagacao:start|indagação]] psicológica ao [[lexico:c:campo:start|campo]] restrito dos fenômenos característicos dos organismos animais, em especial do [[lexico:h:homem:start|homem]]. Do [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista da formulação conceitual (que interessa à [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]]) podemos distinguir as seis correntes fundamentais seguintes: d) [[lexico:p:psicologia-racional:start|psicologia racional]]; h) psicologia psicofísica; c) [[lexico:b:behaviorismo:start|behaviorismo]]; d) [[lexico:g:gestaltismo:start|gestaltismo]]; e) psicologia do [[lexico:p:profundo:start|profundo]]; f) psicologia [[lexico:f:funcional:start|funcional]]. a) A psicologia [[lexico:r:racional:start|racional]] ou filosófica foi fundada por [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]], o primeiro a coligir em seu livro [[lexico:d:de-anima:start|De anima]] as opiniões que seus predecessores haviam expresso a [[lexico:r:respeito:start|respeito]] desse assunto. Essa psicologia tem por objeto "a natureza, a [[lexico:s:substancia:start|substância]], e as determinações acidentais de alma", entendendo-se [[lexico:p:por:start|pôr]] alma "o [[lexico:p:principio:start|princípio]] dos seres vivos" (De an., I, 1, 402 a 6). O [[lexico:p:pressuposto:start|pressuposto]] fundamental dessa psicologia está [[lexico:e:explicito:start|explícito]] nas seguintes notas: nos eventos estudados, pressupõe um princípio [[lexico:u:unico:start|único]] e [[lexico:s:simples:start|simples]], uma substância necessária, da qual seja [[lexico:p:possivel:start|possível]] de-duziras determinações que esses eventos possuem constantemente ou na [[lexico:m:maioria-das-vezes:start|maioria das vezes]]. Neste [[lexico:s:sentido:start|sentido]], a psicologia é uma [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] dedutiva da alma, cujos fenômenos particulares só são considerados como confirmações ocasionais dos teoremas que a constituem. Com muita [[lexico:r:razao:start|razão]], no séc. XVIII, [[lexico:w:wolff:start|Wolff]] dava a essa psicologia o título de "racional", porquanto ela trata de "derivar [[lexico:a:a-priori:start|a priori]], do único [[lexico:c:conceito:start|conceito]] de alma humana, todas as [[lexico:c:coisas:start|coisas]] observadas [[lexico:a:a-posteriori:start|a posteriori]] como de sua competência" (Log., Disc, prel., § 112). Mas foi [[lexico:m:merito:start|mérito]] de Wolff acrescentar a tal psicologia uma outra, "empírica", definida como "a ciência que, através da [[lexico:e:experiencia:start|experiência]], estabelece os [[lexico:p:principios:start|princípios]] capazes de esclarecer o que acontece na alma humana" (Ihid., § 111; [[lexico:p:psychologia:start|psychologia]] empírica, 1732, § 1). Neste sentido, a psicologia racional continua sendo uma corrente das filosofias que se inspiram na [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] tradicional, mas deixou de [[lexico:t:ter:start|ter]] eficácia sobre o [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]] científico da psicologia. b) A psicologia psicofísica ou, mais simplesmente, a psicofísica constituiu a primeira corrente empírica, [[lexico:e:experimental:start|experimental]] ou científica da psicologia. Wolff já lhe prescrevera um [[lexico:m:metodo:start|método]] indutivo ou experimental, [[lexico:c:caracteristico:start|característico]] de todas as ciências empíricas; no início do séc. XIX, [[lexico:m:maine-de-biran:start|Maine de Biran]] prescrevia seu campo de [[lexico:a:acao:start|ação]]: a consciência (Essai sur les fondements de la psychologie, 1812). No entanto, ainda [[lexico:n:nao:start|não]] existiam todas as condições para a fase científica da psicologia. Faltavam duas, estreitamente inter-relacionadas: em primeiro [[lexico:l:lugar:start|lugar]], o [[lexico:r:reconhecimento:start|reconhecimento]] da estreita [[lexico:r:relacao:start|relação]] entre os eventos psíquicos e os físicos, através da ação do [[lexico:s:sistema:start|sistema]] nervoso; em segundo lugar, a introdução de alguma [[lexico:t:tecnica:start|técnica]] de medição. A concretização dessas duas condições levou a psicologia a constituir-se como psicofísica. Isto aconteceu graças a Helmholtz, [[lexico:w:weber:start|Weber]], e Fechner: o primeiro conseguiu medir, em 1850, a velocidade do [[lexico:i:impulso:start|impulso]] nervoso, enquanto o segundo enunciava a denominada "[[lexico:l:lei:start|lei]]" da relação entre o [[lexico:e:estimulo:start|estímulo]] e a [[lexico:s:sensacao:start|sensação]] (segundo a qual o [[lexico:a:aumento:start|aumento]] do estímulo [[lexico:n:necessario:start|necessário]] para [[lexico:s:ser:start|ser]] percebido como tal é proporcional à [[lexico:i:intensidade:start|intensidade]] do estímulo originário), e o [[lexico:u:ultimo:start|último]] estabelecia a "[[lexico:l:lei-psicofisica-fundamental:start|lei psicofísica fundamental]]", representada pela [[lexico:f:formula:start|fórmula]] [[lexico:m:matematica:start|matemática]] que expressa a lei de Weber. Em 1860 Fechner publicava os [[lexico:e:elementos:start|elementos]] de psicofísica, que a definiam como "a ciência exata das [[lexico:r:relacoes:start|relações]] funcionais ou relações de dependência entre o [[lexico:e:espirito:start|espírito]] e o [[lexico:c:corpo:start|corpo]]". [[lexico:e:esse:start|esse]] foi o programa da psicologia científica nessa primeira fase de sua organização: programa no qual logo encontraram lugar os resultados das análises do [[lexico:e:empirismo-ingles:start|empirismo inglês]], desde [[lexico:l:locke:start|Locke]] até [[lexico:s:spencer:start|Spencer]]. Este último, em Princípios de psicologia (1855), também definira como psicofísica a [[lexico:t:tarefa:start|tarefa]] da psicologia, afirmando que "a psicologia distingue-se das ciências em que se apoia porque cada uma de suas proposições leva em conta tanto o [[lexico:f:fenomeno:start|fenômeno]] interno conexo quanto o fenômeno [[lexico:e:externo:start|externo]] conexo, ao qual se refere." (Principles of Psychology, 3a ed., 1881, p. 132). Do [[lexico:e:empirismo:start|empirismo]] inglês, a psicologia extraiu duas características fundamentais, que a acompanharam nessa primeira fase, de [[lexico:c:constituicao:start|constituição]]: o [[lexico:a:atomismo:start|atomismo]] e o [[lexico:a:associacionismo:start|associacionismo]]. Desse [[lexico:m:modo:start|modo]], suas estruturas teóricas fundamentais podem ser resumidas da seguinte maneira: 1) A psicologia tem por objeto os "fenômenos internos" ou "fatos da consciência", e seu principal [[lexico:i:instrumento:start|instrumento]] de indagação é a [[lexico:i:introspeccao:start|introspecção]] ou [[lexico:r:reflexao:start|reflexão]]. Graças a esse [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]], a corrente em exame foi muitas vezes chamada de psicologia subjetiva ou reflexiva, ou — mais raramente — "[[lexico:c:critica:start|crítica]]". 2) Os fatos de consciência ou fenômenos internos são estudados pela psicologia em sua conexão funcional com os fenômenos externos (fisiológicos ou físicos). Graças a esse aspecto, que é o mais característico da fase em [[lexico:q:questao:start|questão]], tal psicologia foi chamada de psicofísica ou também psicologia fisiológica (por [[lexico:w:wundt:start|Wundt]]). Com este aspecto tem relação a [[lexico:h:hipotese:start|hipótese]] que sustentou nesta fase o [[lexico:t:trabalho:start|trabalho]] experimental da psicologia: o [[lexico:p:paralelismo-psicofisico:start|paralelismo psicofísico]]. 3) [[lexico:t:tendencia:start|Tendência]] a resolver o [[lexico:f:fato:start|fato]] de consciência por elementos últimos (sensações, emoções elementares, [[lexico:r:reflexos:start|reflexos]] ou instintos elementares) e [[lexico:e:explicar:start|explicar]] os fenômenos mais complexos com a combinação de tais elementos (atomismo, associacionismo). 4) O [[lexico:c:carater:start|caráter]] científico da psicologia é constituído pelo recurso aos procedimentos de [[lexico:i:inducao:start|indução]], de [[lexico:e:experimentacao:start|experimentação]] e de [[lexico:c:calculo:start|cálculo]] matemático, que estabelece o caráter [[lexico:d:descritivo:start|descritivo]] reivindicado pela psicologia, analogamente ao que fazem as outras disciplinas empíricas. c) A [[lexico:p:psicologia-da-forma:start|psicologia da forma]] ou gestaltismo concentra seus ataques no [[lexico:t:terceiro:start|terceiro]] princípio fundamental da psicologia psicofísica, o atomismo e o associacionismo. Consiste em assumir como ponto de partida o princípio simetricamente oposto ao da psicologia associativa: o fato fundamental da consciência não é o [[lexico:e:elemento:start|elemento]], mas a [[lexico:f:forma:start|forma]] total, visto que esta nunca é redutível à [[lexico:s:soma:start|soma]] ou à combinação de elementos. Seus fundadores foram Weltheimer, Köhler e Koffka; mesmo mantendo inalterado o segundo princípio fundamental da psicofísica, deixou de [[lexico:f:falar:start|falar]] em fatos e fenômenos de consciência para considerar formas, configurações ou campos, em sua [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] total. O gestaltismo tratou principalmente da [[lexico:p:percepcao:start|percepção]], a respeito da qual acumulou um [[lexico:n:numero:start|número]] enorme de trabalhos experimentais. d) A psicologia objetiva ou behaviorismo concentra seus ataques no princípio fundamental da psicologia psicofísica, negando que o instrumento fundamental da psicologia seja a introspecção ou a reflexão e que os fatos de consciência ou fenômenos internos sejam objeto dessa ciência; afirma que, ao contrário, os objetos da psicologia são as reações dos organismos aos estímulos, entendendo-se por reações movimentos ou fenômenos objetivamente observáveis, relacionados com os eventos do [[lexico:a:ambiente:start|ambiente]], que funcionam como estímulos. Em 1907, o fisiologista russo Bechterev publicava uma psicologia objetiva (depois traduzida para inglês e francês), que defendia justamente essa [[lexico:t:tese:start|tese]], mais [[lexico:t:tarde:start|Tarde]] difundida e defendida pelos estudos de [[lexico:p:pavlov:start|Pavlov]] sobre os [[lexico:r:reflexos-condicionados:start|reflexos condicionados]] (v. [[lexico:a:acao-reflexa:start|ação reflexa]]). Portanto, pode-se dizer que aí tem início o behaviorismo. Esse [[lexico:n:nome:start|nome]], porém, só lhe foi atribuído alguns anos mais tarde, pelo americano J. B. Watson, em um artigo de 1913 e depois num livro intitulado [[lexico:c:comportamento:start|comportamento]], introdução à psicologia comparativa (Behavior, An Introduction to Comparative Psychology, 1914). Nessa primeira fase, o behaviorismo assumia caráter de [[lexico:n:necessitarismo:start|necessitarismo]] rigoroso; a [[lexico:r:reacao:start|reação]] do animal era considerada [[lexico:e:efeito:start|efeito]] causal necessário do estímulo, por isso infalivelmente previsível a partir dele. O [[lexico:a:abandono:start|abandono]] desse necessitarismo e o reconhecimento do caráter simplesmente estatístico ou probabilístico das constantes verificáveis nas reações de resposta dos organismos aos estímulos constitui a fase mais [[lexico:m:moderna:start|moderna]] do behaviorismo. e) As denominadas psicologia abissais ou psicologia do profundo concentram seus ataques no quarto princípio fundamental da psicologia científica clássica, considerando a psicologia como ciência de [[lexico:i:interpretacao:start|interpretação]], e não de [[lexico:d:descricao:start|descrição]]. Com efeito, para a [[lexico:p:psicanalise:start|psicanálise]], que é a maior e a mais coerente [[lexico:e:expressao:start|expressão]] das psicologia abissais, o ponto de partida da interpretação não está nos fatos, como faz a descrição, mas nos sintomas, e a [[lexico:n:nocao:start|noção]] de [[lexico:s:sintoma:start|sintoma]] é fundamental em psicanálise (v. [[lexico:i:inconsciente:start|Inconsciente]]). Na interpretação dos sintomas a psicanálise segue uma única [[lexico:r:regra:start|regra]] básica: reduzir o sintoma a [[lexico:s:simbolo:start|símbolo]] ou expressão deformada de uma [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]] ou de um conflito de natureza vagamente sexual, atinente à [[lexico:l:libido:start|libido]] (v. libido; psicanálise; sexualidade). São variantes da psicanálise a denominada psicologia individual de Alfred Adler, que insiste particularmente no caráter finalista dos problemas psíquicos ([[lexico:p:praxis:start|praxis]] und Theorie der Individualpsychologie, 1924), e a psicologia [[lexico:a:analitica:start|analítica]] de C. G. [[lexico:j:jung:start|Jung]], que na [[lexico:r:realidade:start|realidade]] é muito pouco analítica (no sentido [[lexico:p:proprio:start|próprio]] do [[lexico:t:termo:start|termo]]), pois não faz senão atribuir caráter [[lexico:s:simbolico:start|simbólico]] a muitos sintomas que para [[lexico:f:freud:start|Freud]] tinham [[lexico:s:significado:start|significado]] direto (Coll. Pap. on Analytical Psychology, 1916). (V. inconsciente; profundo) f) Para a psicologia funcional ou funcionalismo, o objeto da psicologia é constituído pelas funções ou operações do [[lexico:o:organismo:start|organismo]] vivo, consideradas como unidades mínimas indivisíveis. O funcionalismo inicia-se com uma [[lexico:o:obra:start|obra]] de [[lexico:d:dewey:start|Dewey]], Conceito do arco [[lexico:r:reflexo:start|reflexo]] em psicologia (1896), na qual se afirmava categoricamente que o arco reflexo não pode ser dividido em estímulo e resposta, mas deve ser considerado como uma [[lexico:u:unidade:start|unidade]] da qual apenas o estímulo e a resposta auferem significado. Para indicar a unidade da [[lexico:f:funcao:start|função]], o próprio Dewey empregou depois a [[lexico:p:palavra:start|palavra]] [[lexico:t:transacao:start|transação]], que servia para ressaltar a [[lexico:i:impossibilidade:start|impossibilidade]] de considerar os elementos de uma função qualquer como entidades autônomas e independentes da relação de que participam (cf. Knowing and the Known, 1949, em colaboração com A. F. Bentley). A corrente funcionalista abandona os pressupostos 1), 2) e 3) da psicologia tradicional. Abandona o primeiro porque o objeto que se propõe estudar não é um fato de consciência, e sim uma função, ou seja, uma [[lexico:o:operacao:start|operação]] em [[lexico:v:virtude:start|virtude]] da qual o organismo entra em relação com o ambiente. Abandona o segundo princípio fundamental porque o método de que este se vale não é introspectivo, mas [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]] ou comportamentista: as funções devem ser estudadas mediante procedimentos de [[lexico:o:observacao:start|observação]] objetiva. Finalmente, o funcionalismo tem em comum com o gestaltismo o abandono do terceiro princípio fundamental. Mas a principal novidade do funcionalismo é o [[lexico:p:probabilismo:start|probabilismo]], que consiste em negar não só aos procedimentos da ciência, mas também a todas as funções cognitivas humanas (inclusive a percepção imediata), o caráter de [[lexico:c:certeza:start|certeza]] infalível, e em atribuir a todas essas funções a [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] de atingirem uma [[lexico:v:validade:start|validade]] apenas [[lexico:p:provavel:start|provável]]. Por este probalilismo, o funcionalismo constitui a inserção da psicologia no campo das [[lexico:i:ideias:start|ideias]] fundamentais da ciência contemporânea (cf. Brunswik, Psychology in Terms of Objects, 1936, Cantril, Ames, Hastorf, Ittelson, "Psychology and Scientific Research, em Science, vol. 110, 1949; Cantril, The "Why" of [[lexico:m:man:start|Man]]’s Experience, 1950; trad. it., As motivações da experiência, 1958; v. também as obras citadas na bibliografia deste último livro). Significa etimologicamente ciência da alma ou do anímico (psíquico). O significado [[lexico:r:real:start|real]] ordinário do termo tem variado muito. Aristóteles, que foi [[lexico:q:quem:start|quem]] primeiro elaborou uma doutrina [[lexico:s:sistematica:start|sistemática]] da alma, tratava nela de todos os graus da vida terrestre (vegetativa, sensitivo-animal e intelectual) e via na alma o princípio [[lexico:f:formal:start|formal]] [[lexico:s:substancial:start|substancial]] dos processos vitais; assim também procedeu : a [[lexico:e:escolastica:start|escolástica]] medieval, sua continuadora (e, em [[lexico:p:parte:start|parte]], também a [[lexico:n:neo-escolastica:start|neo-escolástica]]). Desde que, em princípios da Idade Moderna, a [[lexico:r:restricao:start|restrição]] exclusiva do conceito de vida à vida intelectual [[lexico:c:consciente:start|consciente]], levada a cabo por [[lexico:d:descartes:start|Descartes]], fez convergir de modo especial as atenções sobre o [[lexico:p:psiquico:start|psíquico]] consciente, e, depois que o empirismo estreme, o [[lexico:p:positivismo:start|positivismo]] e o [[lexico:c:criticismo:start|criticismo]] negaram, mais tarde, a cognoscibilidade de uma alma substancial, surgiu no século XIX, sob o predomínio do positivismo, a [[lexico:d:definicao:start|definição]] da psicologia como "ciência dos fatos de consciência" (muito embora também esta forma meramente empirista de psicologia nunca se tenha contentado só com "vivências conscientes"). [[lexico:a:alem:start|Além]] disso, foi proscrita como "metafísica" a doutrina da alma como [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] substancial das vivências conscientes. A hodierna psicologia científico-experimental entrega precisamente o tratamento especializado do que é puramente vegetativo às ciências biológicas e fisiológicas, mas, em compensação, presta maior [[lexico:a:atencao:start|atenção]] tanto às bases psíquico-inconscientes da vida cônscia, quanto (como [[lexico:a:antropologia:start|antropologia]], psicológica) ao entrosamento da [[lexico:v:vida-psiquica:start|vida psíquica]] com a vida humana globalmente considerada. O termo "psicologia" provém do século XVII, e só a partir de Cristiano Wolff e posteriormente, no século XIX, se generalizou. Consoante a psicologia se [[lexico:l:limite:start|limite]] a estudar os acontecimentos psíquicos empiricamente apreensíveis ou investigáveis enquanto tais, ou se aplique à consideração da alma como sujeito da vida psíquica, distinguimos uma psicologia empírica e uma psicologia chamada (desde Wolff) racional, ou, melhor, filosófico-metafísica. Ambas diferem entre si pelo objeto formal e pela [[lexico:d:diversidade:start|diversidade]] de missão e de método. — A psicologia empírica ocupa-se com as vivências conscientes (p. ex., [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]], tendência, [[lexico:s:sentimento:start|sentimento]]), procura descrevê-las com exatidão em seus traços característicos e conexões recíprocas (assim como também em suas relações com o inconsciente e com a [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]] do homem), descobrir suas leis estatísticas, causais e finais (psicologia descritiva e explicativa), deduzir de leis psicológicas gerais leis e fatos particulares (psicologia [[lexico:t:teoretica:start|teorética]]; cf. Lindworsky) e [[lexico:c:compreender:start|compreender]] o sentido dos acontecimentos psíquicos (psicologia compreensiva, psicologia como ciência do espírito). Trata tanto das formas [[lexico:u:universais:start|universais]] das vivências quanto das formas particulares que se dão nos diversos indivíduos ([[lexico:p:psicologia-diferencial:start|psicologia diferencial]], psicologia tipológica [[lexico:c:caracterologia:start|caracterologia]]), das fases evolutivas da vida psíquica da criança, do adolescente, etc. (psicologia evolutiva ou [[lexico:g:genetica:start|genética]]), da inserção da vida [[lexico:p:pessoal:start|pessoal]] na vida psicológico-social ([[lexico:p:psicologia-social:start|psicologia social]]), da ordenação da [[lexico:v:vida-consciente:start|vida consciente]] às esferas axiológicas do espírito objetivo (p. ex., [[lexico:p:psicologia-da-religiao:start|psicologia da religião]], psicologia da [[lexico:c:criacao:start|criação]] e vivências artísticas, etc.) e, finalmente, das formas anormais do psiquismo ([[lexico:p:psicopatologia:start|psicopatologia]]). A psicologia aplicada procura aproveitar na vida cotidiana ([[lexico:e:escola:start|escola]], profissão, [[lexico:e:educacao:start|educação]]) os resultados da [[lexico:i:investigacao:start|investigação]] científica (psicologia pedagógica, psicologia terapêutica, [[lexico:p:psicotecnica:start|psicotécnica]], psicologia médica, psicologia forense ou judicial). O método fundamental da psicologia empírica continua sendo a simples [[lexico:c:contemplacao:start|contemplação]] da [[lexico:v:vivencia:start|vivência]] psíquica ([[lexico:a:auto-observacao:start|auto-observação]]) juntamente com a hetero-observação (que manifesta a vivência da alma alheia) e com a [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]] do sentido da vida psíquica em sua ordenação a domínios axiológicos objetivos. Mas é de todo insuficiente uma psicologia do "comportamento" ou da "[[lexico:c:conduta:start|conduta]]" (behaviorismo ou psicologia do comportamento), que se circunscreve ao que é puramente [[lexico:e:exterior:start|exterior]]. A [[lexico:o:oposicao:start|oposição]], frequentemente exagerada durante a "crise da psicologia" (ocorrida entre 1920 e 1930), entre estas formas e métodos reduz-se, portanto, à [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] entre aspectos da única psicologia metodicamente completa que de maneira necessária se exigem e complementam reciprocamente. — Desde que O. Th. Fechner começou a aplicar os métodos experimentais das então florescentes ciências naturais anorgânicas à mensuração do psíquico, a auto-observação e a hetero-observação metodicamente afinadas no [[lexico:e:experimento:start|experimento]] [[lexico:p:psicologico:start|psicológico]] passaram a ser um (não o único) dos métodos principais da investigação psicológica. Consiste em [[lexico:p:provocar:start|provocar]], deliberada e sistematicamente, processos psíquicos, a fim de observá-los de maneira científica. O [[lexico:i:ideal:start|ideal]] da experimentação científico-natural, de encontrar o conjunto e o significado de todos os valores parciais de um [[lexico:p:processo:start|processo]] que varie à [[lexico:v:vontade:start|vontade]] as condições da experiência, é, na [[lexico:v:verdade:start|verdade]], francamente [[lexico:i:impossivel:start|impossível]] na experimentação psicológica, porque o psíquico é irreiterável. Não obstante, o método comporta muitos méritos. — Adaptando-se, em seus inícios, muito intimamente, ao [[lexico:m:modelo:start|modelo]] da [[lexico:f:fisica:start|física]] e da química, no concernente ao método e elaboração de teorias (psicologia científico-natural até cerca do final do século XIX), a psicologia empírica foi-se tornando mais e mais [[lexico:i:independente:start|independente]], até se transformar, na última década do século, de "atomística" em "psicologia da totalidade" ou "psicologia global". Mercê das pesquisas levadas a efeito no domínio do conhecimento intelectual e da vontade (escola de Kulpe, desde 1905 mais ou menos), da psicologia da [[lexico:r:religiao:start|religião]] e da psicologia [[lexico:s:social:start|social]] mais tarde, como também da psicologia diferencial e caracterológica, a psicologia, desde então para cá, tem produzido muitos frutos. A psicologia racional ou, melhor, filosófico-metafísica, investiga as últimas bases ônticas da vida consciente radicadas no "sujeito que sente" as vivências, na [[lexico:e:essencia:start|essência]] substancial espiritual, livre e imortal da alma. Seu método não pode ser intuitivo (porque não apreendemos intuitivamente o espiritual), menos ainda pode ser racionalisticamente dedutivo (à maneira da [[lexico:g:geometria:start|geometria]] euclidiana, que deduz tudo, partindo de princípios inicialmente estabelecidos), nem também ampliação puramente indutiva do [[lexico:s:saber:start|saber]] [[lexico:e:empirico:start|empírico]], mas tão-somente "redutivo"; quer dizer, considera os fatos, empiricamente dados, do ponto de vista das leis universais do ser, a fim de, por essa forma compreender a [[lexico:e:existencia:start|existência]] e a [[lexico:e:essencia-da-alma:start|essência da alma]]. Seus problemas fundamentais, importantes para a valorização global da humana existência (tais como [[lexico:r:responsabilidade:start|responsabilidade]], espiritualidade, [[lexico:i:imortalidade:start|imortalidade]]) têm ocupado os homens desde a mais remota [[lexico:a:antiguidade:start|antiguidade]]. Desde que [[lexico:a:anaxagoras:start|Anaxágoras]] aclarou o conceito do espiritual, a psicologia metafísica foi tida como uma das partes mais importantes de toda filosofia pelos maiores expoentes do [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] ocidental, desde [[lexico:p:platao:start|Platão]], Aristóteles, [[lexico:p:plotino:start|Plotino]] e S. [[lexico:a:agostinho:start|Agostinho]] até nossos dias, embora, de quando em quando, se tenham feito sentir correntes positivistas. As múltiplas afirmações, referentes à impossibilidade da psicologia, estribam em pressuposições falsas, antimetafísicas. — Willwoll. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}