===== PROTÁGORAS ===== O [[lexico:s:sofista|sofista]] mais famoso e celebrado foi Protágoras, nascido em Abdera na década entre 491 e 481 a.C. e que morreu por volta de fins do século. Viajou por toda a [[lexico:g:grecia|Grécia]] e esteve em Atenas várias vezes, onde alcançou um grande [[lexico:s:sucesso|sucesso]]. Também foi muito apreciado pelos políticos (Péricles confiou-lhe a [[lexico:t:tarefa|tarefa]] de preparar a legislação para a nova colônia de Turi em 444 a,C). As Antilogias constituem a sua principal [[lexico:o:obra|obra]], da qual nos chegaram apenas testemunhos. A proposta basilar do [[lexico:p:pensamento|pensamento]] de Protágoras era o [[lexico:a:axioma|axioma]] "o [[lexico:h:homem|homem]] é a [[lexico:m:medida|medida]] de todas as [[lexico:c:coisas|coisas]], daquelas que são por aquilo que são e daquelas que [[lexico:n:nao|não]] são por aquilo que não são" ([[lexico:p:principio|princípio]] do homo mensura). Por "medida", Protágoras entendia a "[[lexico:n:norma|norma]] de [[lexico:j:juizo|juízo]]", enquanto por "todas as coisas" entendia todos os fatos e todas as experiências em [[lexico:g:geral|geral]]. Tornando-se muito célebre, o axioma foi considerado — e efetivamente é — quase a magna carta do [[lexico:r:relativismo|relativismo]] ocidental. Com [[lexico:e:efeito|efeito]], com [[lexico:e:esse|esse]] princípio, Protágoras pretendia negar a [[lexico:e:existencia|existência]] de um [[lexico:c:criterio|critério]] [[lexico:a:absoluto|absoluto]] que discrimine [[lexico:s:ser|ser]] e [[lexico:n:nao-ser|não-ser]], [[lexico:v:verdadeiro|verdadeiro]] e [[lexico:f:falso|falso]]. O [[lexico:u:unico|único]] critério é somente o homem, o homem individual: "Tal como cada [[lexico:c:coisa|coisa]] aparece para mim, tal ela é para mim; tal como aparece para ti, tal é para ti." Este vento que está soprando, por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], é frio ou quente? Segundo o critério de Protágoras, a resposta é a seguinte: "Para [[lexico:q:quem|quem]] está com frio, é frio; para quem não está, não é." Então, sendo assim, ninguém está no [[lexico:e:erro|erro]], mas todos estão com a [[lexico:v:verdade|verdade]] (a sua verdade). O relativismo expresso no princípio do homem-medida iria encontrar um aprofundamento [[lexico:a:adequado|adequado]] na obra mencionada, As Antilogias, que demonstra que "em torno de cada coisa há dois raciocínios que se contrapõem", isto é, que em torno de cada coisa é [[lexico:p:possivel|possível]] dizer e contradizer, ou seja, que é possível apresentar razões que se anulam reciprocamente. E esse, precisamente, iria ser o nó górdio do ensinamento de Protágoras: "Trata-se de ensinar a criticar e discutir, a organizar um torneio de razões contra razões" (L. Robin). Registra-se também que Protágoras ensinava "a tornar mais forte o mais fraco [[lexico:a:argumento|argumento]]". O que não quer dizer que Protágoras ensinasse a injustiça e a iniquidade contra a [[lexico:j:justica|justiça]] e a [[lexico:r:retidao|retidão]], mas, simplesmente, que ele ensinava os modos como, [[lexico:t:tecnica|técnica]] e metodologicamente, era possível sustentar e levar à vitória o argumento que, em determinadas circunstâncias, podia ser o mais fraco na [[lexico:d:discussao|discussão]] (qualquer que fosse o conteúdo do [[lexico:o:objeto|objeto]]). A "[[lexico:v:virtude|virtude]]" que Protágoras ensinava era exatamente essa "habilidade" de [[lexico:s:saber|saber]] fazer prevalecer qualquer [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista sobre a [[lexico:o:opiniao|opinião]] oposta. E o sucesso dos seus ensinamentos deriva do [[lexico:f:fato|fato]] de que, fortalecidos com essa habilidade, os jovens consideravam que poderiam fazer carreira nas assembleias públicas, nos tribunais, na [[lexico:v:vida|vida]] pública em geral. Para Protágoras, portanto, tudo é [[lexico:r:relativo|relativo]]: não existe um "verdadeiro" absoluto e também não existem valores morais absolutos ("[[lexico:b:bens|bens]]"absolutos). Existe, entretanto, algo que é mais [[lexico:u:util|útil]], mais conveniente e, portanto, mais oportuno. O [[lexico:s:sabio|sábio]] é aquele que conhece esse relativo mais útil, mais conveniente e mais oportuno, sabendo convencer também os outros a reconhecê-lo e pô-lo em prática. Sendo assim, porém, o relativismo de Protágoras recebe uma forte [[lexico:l:limitacao|limitação]]. Com efeito, pareceria assim que, enquanto é medida e mensurador em [[lexico:r:relacao|relação]] à verdade e à [[lexico:f:falsidade|falsidade]], o homem torna-se medido em relação à [[lexico:u:utilidade|utilidade]], ou seja, que, de alguma [[lexico:f:forma|forma]], a utilidade venha [[lexico:a:a-se|a se]] apresentar como objetiva. Em [[lexico:s:suma|suma]]: pareceria que, para Protágoras, o [[lexico:b:bem|Bem]] e o [[lexico:m:mal|mal]] seriam, respectivamente, o útil e o danoso; e o "melhor" e o "pior" seriam o "mais útil" e o "mais danoso". Protágoras não percebeu nenhum contraste entre o seu relativismo e o seu [[lexico:p:pragmatismo|pragmatismo]] baseado na utilidade, pela [[lexico:r:razao|razão]] de que, ao nível [[lexico:e:empirico|empírico]], o útil aparece sempre e somente no contexto de correlações, a ponto de não parecer possível determiná-lo a não ser determinado, ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]], o [[lexico:s:sujeito|sujeito]] ao qual o útil se refere, o [[lexico:o:objetivo|objetivo]] para o qual é útil, as circunstancias nas quais é útil e assim por diante. Em resumo, segundo Protágoras, o útil se apresentava como um [[lexico:c:conceito|conceito]] relativo. Assim, ele não se sentia incomodado ao afirmar que sua [[lexico:s:sabedoria|sabedoria]] consistia em saber reconhecer aquilo que é nocivo e útil à convivência ético-política dos homens e em saber demonstrar isso também para os outros, convencendo-os nesse [[lexico:s:sentido|sentido]]. Entretanto, com base em tudo o que nos foi [[lexico:l:legado|legado]] de sua [[lexico:t:teoria|teoria]], está claro que Protágoras não soube dizer em que bases e com que fundamentos o sofista podé reconhecer tal "útil" sociopolítico. Para fazê-lo, ele precisaria [[lexico:t:ter|ter]] escavado mais profundamente na [[lexico:e:essencia|essência]] do homem, para determinar sua [[lexico:n:natureza|natureza]]. Mas, historicamente, essa tarefa iria caber a [[lexico:s:socrates|Sócrates]]. Por [[lexico:f:fim|fim]], sabemos que Protágoras disse: "No que se refere aos [[lexico:d:deuses|deuses]], [[lexico:e:eu|eu]] não tenho possibilidades de afirmar que existem ou que não existem." Com base no seu [[lexico:m:metodo|método]] "antilógico", ele teria que demonstrar tanto os argumentos em favor da existência dos deuses como os contrários. O que não significa que ele foi um ateu, como alguns concluíram ainda na [[lexico:a:antiguidade|antiguidade]], mas apenas que foi um agnóstico do ponto de vista [[lexico:r:racional|racional]] (embora, do ponto de vista [[lexico:p:pratico|prático]], parece que ele tinha posicionamento [[lexico:p:positivo|positivo]] em relação aos deuses).