===== PROBLEMA DA INDUÇÃO ===== As tentativas muitas vezes ensaiadas para achar uma resposta [[lexico:s:sistematica|sistemática]] ao «[[lexico:p:problema-da-inducao|problema da indução]]» dentro da [[lexico:e:estrutura|estrutura]] de uma [[lexico:t:teoria|teoria]] da [[lexico:p:probabilidade|probabilidade]] [[lexico:n:nao|não]] foram, de maneira [[lexico:g:geral|geral]], consideradas como coroadas de êxito. O [[lexico:p:processo|processo]] da [[lexico:i:inducao|indução]] tem sido usualmente concebido como a procura de [[lexico:r:relacoes|relações]] mais ou menos estáveis e essenciais entre propriedades de objetos; e tem-se considerado o [[lexico:p:problema|problema]] da indução como a [[lexico:d:descoberta|descoberta]] de um [[lexico:p:principio|princípio]] (o [[lexico:p:principio-da-inducao|princípio da indução]]) que haveria de «justificar» as várias conclusões daquele processo. Posto nestes termos, é muito difícil [[lexico:s:saber|saber]] de que [[lexico:m:modo|modo]] o «problema» pode [[lexico:s:ser|ser]] concebido em termos empíricos. A uma primeira aproximação, o «problema» parece implicar uma vã e infinita [[lexico:r:regressao|regressão]]; na [[lexico:v:verdade|verdade]], o calcanhar de [[lexico:a:aquiles|Aquiles]] das soluções tentadas tem habitualmente sido a [[lexico:n:natureza|natureza]] do princípio de indução proposto: como há-de justificar-se o [[lexico:p:proprio|próprio]] princípio? É relativamente pequeno o [[lexico:n:numero|número]] de diferentes tipos de resposta que se têm [[lexico:d:dado|dado]] a esta última [[lexico:q:questao|questão]]; entre elas contam-se as seguintes: o princípio indutivo é uma [[lexico:p:proposicao|proposição]] sintética [[lexico:a:a-priori|a priori]] relativa à natureza das [[lexico:c:coisas|coisas]] em geral, é uma proposição a priori relativa à [[lexico:c:constituicao|constituição]] fundamental do [[lexico:e:espirito|espírito]] [[lexico:h:humano|humano]], é uma [[lexico:g:generalizacao|generalização]] a partir da [[lexico:e:experiencia|experiência]] e é um «[[lexico:p:pressuposto|pressuposto]]» ou «[[lexico:p:postulado|postulado]]» do processo científico. Levaria muito [[lexico:t:tempo|tempo]] examinar estas respostas em pormenor. É talvez suficiente notar que as duas primeiras implicam posições incompatíveis com as conclusões da [[lexico:m:moderna|moderna]] [[lexico:i:investigacao|investigação]] [[lexico:l:logica|lógica]]; que a terceira comete um petitio principii; e que a quarta, admitindo que tenha um [[lexico:s:sentido|sentido]] claro, não pode fornecer uma «[[lexico:j:justificacao|justificação]]» do proposto princípio indutivo do processo da [[lexico:c:ciencia|ciência]] ou das suas conclusões, pois que, de [[lexico:a:acordo|acordo]] com esta resposta, o princípio é simplesmente um [[lexico:i:instrumento|instrumento]] do processo científico. A [[lexico:p:posicao|posição]] perfilhada na presente monografia é que não tem de exigir-se nenhum princípio prévio para justificar o processo da ciência, que a única justificação deste processo reside nas soluções específicas que ele oferece aos problemas que suscita e que um problema geral da indução, na sua formulação corrente, não existe. Uma vez que se verificou que a [[lexico:n:nocao|noção]] de probabilidade das teorias [...] envolve sérias dificuldades, e desde que se afirmou que o [[lexico:g:grau|grau]] de [[lexico:c:confirmacao|confirmação]] para uma teoria indica a que [[lexico:p:ponto|ponto]] a teoria foi comprovada pelo processo da ciência, o problema da indução que o autor considera genuíno é a formulação dos [[lexico:c:caracteres|caracteres]] gerais do [[lexico:m:metodo|método]] científico, do método que, em [[lexico:s:suma|suma]], conduz a um número proporcionalmente maior de conclusões frutuosas de [[lexico:p:pesquisa|pesquisa]] do que aquelas que quaisquer outros métodos têm a seu favor.