===== PRINCÍPIO DE RAZÃO DE SER ===== VIDE [[lexico:p:principio-de-razao-suficiente:start|princípio de razão suficiente]] A propósito da [[lexico:i:inteligibilidade:start|inteligibilidade]] ou da [[lexico:v:verdade:start|verdade]] do [[lexico:s:ser:start|ser]], leva-se em conta frequentemente um [[lexico:p:principio:start|princípio]] que [[lexico:n:nao:start|não]] se encontra de maneira explícita em [[lexico:t:tomas-de-aquino:start|Tomás de Aquino]], o [[lexico:p:principio-de-razao-de-ser:start|princípio de razão de ser]]: "[[lexico:t:todo:start|todo]] ser, dir-se-á, possui sua [[lexico:r:razao:start|razão]] de ser". Que [[lexico:s:sentido:start|sentido]] se pode dar validamente a esta [[lexico:f:formula:start|fórmula]] que é o [[lexico:o:objeto:start|objeto]] de tantas contestações e que, não se pode negar, se liga, quanto às suas [[lexico:o:origens:start|origens]], ao [[lexico:r:racionalismo:start|racionalismo]] leibniziano? Tomemos como [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de partida esta outra fórmula que é autenticamente de Tomás de Aquino: "Todo ser é [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]]", isto é, todo ser possui uma ordenação [[lexico:e:essencial:start|essencial]] à [[lexico:i:inteligencia:start|inteligência]]: "Todo ser é [[lexico:i:inteligivel:start|inteligível]]", poder-se-ia dizer. Esta última fórmula exige que seja [[lexico:b:bem:start|Bem]] precisada. É evidente, com [[lexico:e:efeito:start|efeito]], que a inteligibilidade de que se trata somente seria perfeita em [[lexico:r:relacao:start|relação]] a um ser [[lexico:p:perfeito:start|perfeito]], ou perfeitamente ser, isto é [[lexico:d:deus:start|Deus]]. Os seres criados, constituídos de ser e [[lexico:n:nao-ser:start|não-ser]], guardarão necessariamente diante da inteligência uma certa opacidade. Se, portanto, quisermos evitar de cair em um racionalismo inconsiderado, deveremos dizer: "Todo ser é inteligível enquanto é ser". Qual é, [[lexico:a:agora:start|agora]], o [[lexico:f:fundamento:start|fundamento]] desta inteligibilidade do ser? Não há [[lexico:o:outro:start|outro]] senão este: o ser possui "sua razão de ser", que é ao mesmo [[lexico:t:tempo:start|tempo]] o que determina o ser a ser, e o que o torna inteligível. Realizemos um passo a mais. Esta razão de ser, o ser pode possuí-Ia de maneira suficiente em [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]], ou em [[lexico:v:virtude:start|virtude]] de sua própria [[lexico:n:natureza:start|natureza]]; o vermelho, o quadrado, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], são o que são porque têm tal [[lexico:e:essencia:start|essência]] -mas pode também ocorrer que um ser não possua sua [[lexico:r:razao-suficiente:start|razão suficiente]] de ser em si mesmo ou em sua essência; que tal [[lexico:h:homem:start|homem]] seja efetivamente branco não resulta de sua natureza. Neste [[lexico:u:ultimo:start|último]] caso, dir-se-á que este ser deve [[lexico:t:ter:start|ter]] sua razão de ser em um outro que será sua [[lexico:c:causa:start|causa]]. É o que afirma Tomás de Aquino (Contra Gentiles, Il, c. 15) : "Tudo o que convém a uma [[lexico:c:coisa:start|coisa]], sem que seja por ela mesma, lhe convém por uma certa causa, como a brancura ao homem". Omne [[lexico:q:quod:start|quod]] alicui convenit non secundum quod ipsum est, per aliquam causam convenit ei, sicut album homini. Por que deve ser assim? Tomás de Aquino prossegue: "O que não tem causa é primeiro e [[lexico:i:imediato:start|imediato]] e deve ser [[lexico:p:por-si:start|por si]] e segundo [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]]". Quod causam non habet, primum et immediatum est; urde necesse est ut sit per se et secundum quod ipsum. Assim, ou o ser é por si e por essência aquilo que é, ou é por um outro. De onde se conclui, quanto ao nosso princípio, com esta fórmula: "Todo ser, enquanto é, possui sua razão de ser em si ou em um outro". A bem dizer, exprimindo-se dessa maneira, dois tipos de explicações bem diferentes são abrangidos. No [[lexico:p:plano:start|plano]] da essência, dir-se-á que as propriedades têm sua razão de ser na essência do [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] ao qual se reportam: assim, a [[lexico:i:igualdade:start|igualdade]] a dois retos dos ângulos de um [[lexico:t:triangulo:start|triângulo]] resulta da natureza desta [[lexico:f:figura:start|figura]]; a [[lexico:a:aptidao:start|aptidão]] do homem a receber um ensinamento se deve à sua natureza [[lexico:r:racional:start|racional]]. No plano do ser [[lexico:c:concreto:start|concreto]] ou da [[lexico:e:existencia:start|existência]], encontra-se a [[lexico:e:explicacao:start|explicação]] causal propriamente dita: tal ser não existe por si, — o ser [[lexico:c:contingente:start|contingente]] — esta árvore, esta pedra, tem a razão de ser de sua existência em um outro que é sua causa e isto segundo as diversas linhas da [[lexico:c:causalidade:start|causalidade]]. Desta constatação resulta que o princípio de razão de ser é um princípio [[lexico:a:analogico:start|analógico]], isto é, somente deve ser aplicado proporcionalmente aos diferentes tipos de explicação. Ao se esquecer disto, corre-se o [[lexico:r:risco:start|risco]] de cair no mais intemperante [[lexico:n:nacionalismo:start|nacionalismo]]. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}