===== PRIMADO DA INTELIGÊNCIA ===== Com a [[lexico:v:vida|vida]] intelectiva abordamos o [[lexico:p:plano|plano]] da vida propriamente humana: "a [[lexico:o:operacao|operação]] própria do [[lexico:h:homem|homem]], enquanto homem, é fazer [[lexico:a:ato|ato]] de [[lexico:i:inteligencia|inteligência]]" ([[lexico:s:santo|santo]] Tomás, Metaph. I, L.1, n.3). Tentemos tomar [[lexico:c:consciencia|consciência]] deste [[lexico:f:fato|fato]] comparando, sob seus aspectos gerais, o [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] intelectual ([[lexico:p:proprio|próprio]] do homem) com o [[lexico:c:conhecimento-sensivel|conhecimento sensível]] (comum ao [[lexico:a:animal|animal]] e ao homem) (cf. Cont. Gent., II, c. 66 e 67). Em primeiro [[lexico:l:lugar|lugar]] é preciso dizer, segundo uma [[lexico:f:formula|fórmula]] que volta sempre em [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]], que a inteligência tem por [[lexico:o:objeto|objeto]] o [[lexico:u:universal|universal]], enquanto o [[lexico:s:sentido|sentido]] atinge somente o [[lexico:s:singular|singular]]: "intellectus est universalium, [[lexico:s:sensus|sensus]] est particularium"; o que vejo com meus olhos é esta planta determinada e [[lexico:p:particular|particular]]; minha inteligência, porém, começa por formar a [[lexico:n:nocao|noção]] [[lexico:g:geral|geral]] de planta. Em segundo lugar, a inteligência capta objetos [[lexico:n:nao|não]] sensíveis, como a [[lexico:i:ideia|ideia]] de [[lexico:v:verdade|verdade]], por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], ou a de [[lexico:d:deus|Deus]], enquanto o sentido não pode ultrapassar a [[lexico:p:percepcao|percepção]] das propriedades corporais. A inteligência, [[lexico:a:alem|além]] disso, é uma [[lexico:f:faculdade|faculdade]] que pode, por [[lexico:r:reflexao|reflexão]], tomar consciência de si mesma e de sua [[lexico:a:atividade|atividade]]; o que não é [[lexico:d:dado|dado]] ao sentido, ao menos em um mesmo [[lexico:g:grau|grau]]. Poder-se-ia ainda acrescentar, comparando as [[lexico:a:atividades|atividades]] práticas que competem a cada um destes poderes, que enquanto uma atividade (a que depende da inteligência) é capaz de [[lexico:e:escolha|escolha]], a outra (que se origina dos sentidos) é naturalmente determinada; assim, a andorinha constrói seu ninho sempre da mesma maneira. Fundamentam-se as diferenças no fato de que a inteligência, que é a faculdade do [[lexico:s:ser|ser]], penetra até à [[lexico:e:essencia|essência]] mesma das [[lexico:c:coisas|coisas]], enquanto os sentidos ficam nas particularidades exteriores. E, de qualquer maneira, é formalmente pela sua atividade intelectual que o homem é um animal dotado de [[lexico:r:razao|razão]]: homo est animal rationale. Se compararmos as operações espirituais da [[lexico:a:alma|alma]] entre si, uma mesma constatação se evidencia. O ato da [[lexico:v:vontade|vontade]], com [[lexico:e:efeito|efeito]], sempre supõe um ato da faculdade intelectual que o precede e o informa e assim tem o conhecimento, por este [[lexico:m:motivo|motivo]], precedência sobre a [[lexico:a:acao|ação]] que, de certo [[lexico:m:modo|modo]], aparece como sua resultante. É o que particularmente se manifesta no caso notável da [[lexico:v:visao|visão]] beatífica, a qual só é [[lexico:a:amor|amor]] em dependência de uma [[lexico:c:contemplacao|contemplação]]. [[lexico:c:consciente|consciente]] deste [[lexico:p:primado-da-inteligencia|primado da inteligência]], [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]] já havia proclamado a superioridade do conhecimento desinteressado, ou da "[[lexico:t:theoria|theoria]]", sobre as atividades da vida prática. Tudo isto converge para esta conclusão: a inteligência tem o [[lexico:p:primado|primado]] sobre as outras [[lexico:f:faculdades|faculdades]].