===== PRESSUPOSIÇÃO ===== Este vocábulo, tendo em conta sua etimologia, designa algo que se dá por previamente assente. Daí que, em [[lexico:s:sentido:start|sentido]] [[lexico:e:estrito:start|estrito]] (pressuposição [[lexico:l:logica:start|lógica]]), signifique uma [[lexico:p:proposicao:start|proposição]] que se emprega como base ([[lexico:p:premissa:start|premissa]]) numa [[lexico:a:argumentacao:start|argumentação]], sem que, ao menos de [[lexico:m:momento:start|momento]], se lhe dê fundamentação especial. Contudo, o [[lexico:t:termo:start|termo]] "pressuposição" é tomado frequentemente em sentido muito lato; assim recebe este [[lexico:n:nome:start|nome]] qualquer [[lexico:c:conviccao:start|convicção]], [[lexico:a:atitude:start|atitude]] espiritual ou psíquica, inclusive qualquer [[lexico:s:situacao:start|situação]] [[lexico:e:exterior:start|exterior]] que influa histórica e psicologicamente na produção de novas [[lexico:i:ideias:start|ideias]], convicções e movimentos espirituais; o novo nunca surge, por assim dizer, no [[lexico:v:vacuo:start|vácuo]], como [[lexico:c:comeco:start|começo]] [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]]. Conforme ao que fica exposto, a exigência de "abster-se de pressuposições", de uma "[[lexico:c:ciencia:start|ciência]] sem pressuposições", pode revestir dois sentidos. Em sentido estrito, significa que a ciência deve fundamentar todos os seus assertos, que [[lexico:n:nada:start|nada]] deve admitir sem exame; o que [[lexico:n:nao:start|não]] implica que precise de "demonstrar" todas as proposições ([[lexico:p:principio-de-razao-suficiente:start|princípio de razão suficiente]]). Mas a exigência de [[lexico:a:abstencao:start|abstenção]] de pressuposições no sentido do [[lexico:i:ideal:start|ideal]] liberal da ciência entendia o termo de outra maneira: a ciência, dizia-se, não pode deixar-se influenciar por nenhuma [[lexico:e:especie:start|espécie]] de consideração que não seja de [[lexico:o:ordem:start|ordem]] puramente cognitiva, sobretudo não pode deixar-se influenciar pela [[lexico:f:fe-religiosa:start|fé religiosa]]. Esta concepção baseia-se numa valorização unilateral das [[lexico:a:atividades:start|atividades]] de [[lexico:p:pensar:start|pensar]] e de investigar [[lexico:p:por-si:start|por si]] mesmas ([[lexico:r:racionalismo:start|racionalismo]]); não repara que a ciência só pode [[lexico:s:ser:start|ser]] fecunda, se se mantiver cônscia do seu [[lexico:c:carater:start|caráter]] de membro e de sua [[lexico:p:posicao:start|posição]] de serva no [[lexico:c:complexo:start|complexo]] da [[lexico:v:vida:start|vida]] humana, orientada, em última [[lexico:i:instancia:start|instância]], para fins eternos. Hoje existe, antes, o perigo de que, sob a [[lexico:i:influencia:start|influência]] da [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] irracionalista da vida ([[lexico:f:filosofia-da-vida:start|filosofia da vida]]) e do [[lexico:p:pragmatismo:start|pragmatismo]], se passe por alto o [[lexico:d:desejo:start|desejo]] justificado, [[lexico:i:implicito:start|implícito]] na exigência de abstenção de pressuposições. Sem [[lexico:d:duvida:start|dúvida]], pode o [[lexico:h:homem:start|homem]], em suas decisões de importância vital, não aguardar que a ciência lhe ofereça [[lexico:c:certeza:start|certeza]] reflexa sobre todas as [[lexico:c:coisas:start|coisas]], senão que deve apoiar-se sempre em certezas naturais, pré-científicas; mas também estas não devem ser cegas. Com dobrada [[lexico:r:razao:start|razão]], a genuína ciência, se não quer ser vítima do [[lexico:r:relativismo:start|relativismo]], não pode edificar sobre alicerces puramente sentimentais, mas deve exigir sua fundamentação e que esta, em última instância, se encontre nas próprias coisas. Evidentemente, a ciência [[lexico:p:particular:start|particular]] não pode prescindir de pressuposições lógicas. A [[lexico:p:prova:start|prova]] das bases últimas de toda ciência compete à filosofia, principalmente à [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] ou à [[lexico:e:epistemologia:start|epistemologia]] ([[lexico:t:teoria-do-conhecimento:start|teoria do conhecimento]]). Só a filosofia pode realmente proceder sem pressuposições lógicas. Não obstante, recomenda-se com frequência, por [[lexico:m:motivos:start|motivos]] de [[lexico:m:metodo:start|método]], que se [[lexico:l:limite:start|limite]], quanto [[lexico:p:possivel:start|possível]], o [[lexico:n:numero:start|número]] das pressuposições, inclusive nas pesquisas particulares. — De Vries. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}