===== PRESCIÊNCIA DIVINA ===== [[lexico:n:nao:start|Não]] se pode [[lexico:f:falar:start|falar]] de uma "[[lexico:p:presciencia:start|presciência]]" divina em [[lexico:s:sentido:start|sentido]] [[lexico:p:proprio:start|próprio]], porque [[lexico:d:deus:start|Deus]] está fora e acima do [[lexico:t:tempo:start|tempo]], e, portanto, não há, para o seu [[lexico:s:ser:start|ser]] nem para a sua [[lexico:c:ciencia:start|ciência]], "antes" nem "depois". Pelo que, não só os acontecimentos atuais, senão também os pretéritos e os que em si são futuros, estão todos ante o seu olhar. Este abarca, outrossim, nossas decisões livres futuras, todavia ocultas para nós, sem que pelo [[lexico:f:fato:start|fato]] de serem vistas fiquem privadas de [[lexico:l:liberdade:start|liberdade]]. Nossas [[lexico:a:acoes:start|ações]] livres atuais não variam pelo fato de terem [[lexico:q:quem:start|quem]] as observe; Deus é o [[lexico:o:observador:start|observador]] [[lexico:e:eterno:start|eterno]], intemporal. Deus conhece igualmente nossas ações livres condicionadamente futuras (futuros livres condicionados ou futuríveis), as que se realizariam só sob determinadas condições, mas que, de fato, não chegam a realizar-se, porque tais condições nunca se verificarão. Só desta maneira se consegue [[lexico:e:explicar:start|explicar]] a [[lexico:p:providencia:start|providência]], sem que corra [[lexico:r:risco:start|risco]] nossa liberdade. Quer dizer: se Deus sabe como os homens se comportariam em todas as situações particulares, basta-lhe, para obter o [[lexico:f:fim:start|fim]] que se propõe, fazer que se apresente essa [[lexico:s:situacao:start|situação]]. Que Deus conhece desde toda [[lexico:e:eternidade:start|Eternidade]] as ações livres condicionadamente futuras, é [[lexico:c:coisa:start|coisa]] que, na [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] [[lexico:e:escolastica:start|escolástica]], hoje [[lexico:m:mal:start|mal]] se discute. Pelo contrário, as tentativas para explicar [[lexico:e:esse:start|esse]] [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] e coordená-lo com a [[lexico:v:vontade-de-deus:start|vontade de Deus]] e com outras espécies de ciência divina divergem notavelmente, de [[lexico:m:modo:start|modo]] [[lexico:i:identico:start|idêntico]] ao que sucede na [[lexico:q:questao:start|questão]] do concurso [[lexico:d:divino:start|divino]] ([[lexico:c:concurso-de-deus:start|concurso de Deus]]). Segundo a solução "tomista", Deus conhece os atos futuros livres, tanto absolutos como condicionados, nos decretos de sua [[lexico:v:vontade:start|vontade]] que predeterminam o querer do [[lexico:h:homem:start|homem]]; segundo a doutrina molinista, Deus conhece os futuros livres condicionadas "em si mesmos", na [[lexico:m:medida:start|medida]] em que, de maneira para nós inescrutável, se oferecem a seu divino conhecimento (ciência média), independentemente de [[lexico:t:todo:start|todo]] decreto de sua vontade. Quando se tenta entrar em pormenores, diversos são também os caminhos aqui seguidos, sem que nenhum seja plenamente satisfatório. — O fato da [[lexico:p:presciencia-divina:start|presciência divina]] em [[lexico:g:geral:start|geral]] fundamenta-se muitas vezes na circunstância de Deus conhecer toda [[lexico:v:verdade:start|verdade]]. Contudo, é difícil [[lexico:c:compreender:start|compreender]] como independentemente da ciência divina, às [[lexico:c:coisas:start|coisas]] futuras convém o ser e, por conseguinte, também a verdade. — Rast. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}