===== PRAGMATISMO ===== (in. Pragmatism; Pragmaticism; fr. Pragmatisme; al. Pragmatismus; it. Pragmatismo). [[lexico:e:esse:start|esse]] [[lexico:t:termo:start|termo]] foi introduzido na [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] em 1898, por um relatório de W. [[lexico:j:james:start|James]] a Califórnia Union, em que ele se referia à doutrina exposta por [[lexico:p:peirce:start|Peirce]] num ensaio do ano 1878, intitulado "Como tornar claras as nossas [[lexico:i:ideias:start|ideias]]". Alguns anos mais [[lexico:t:tarde:start|Tarde]], Peirce declarava [[lexico:t:ter:start|ter]] inventado o [[lexico:n:nome:start|nome]] pragmatismo para a [[lexico:t:teoria:start|teoria]] segundo a qual "uma concepção, ou seja, o [[lexico:s:significado:start|significado]] [[lexico:r:racional:start|racional]] de uma [[lexico:p:palavra:start|palavra]] ou de outra [[lexico:e:expressao:start|expressão]], consiste exclusivamente em seu alcance concebível sobre a [[lexico:c:conduta:start|conduta]] da [[lexico:v:vida:start|vida]]"; dizia também que preferira esse nome a praticismo ou praticalismo porque, para [[lexico:q:quem:start|quem]] conhece o [[lexico:s:sentido:start|sentido]] atribuído a "[[lexico:p:pratico:start|prático]]" pela filosofia kantiana, estes últimos termos fazem [[lexico:r:referencia:start|referência]] ao [[lexico:m:mundo-moral:start|mundo moral]], onde [[lexico:n:nao:start|não]] há [[lexico:l:lugar:start|lugar]] para a [[lexico:e:experimentacao:start|experimentação]], enquanto a doutrina proposta é justamente uma doutrina experimentalista. Todavia, no mesmo artigo, Peirce declarava que, em face da [[lexico:e:extensao:start|extensão]] do significado de que o pragmatismo fora alvo por [[lexico:o:obra:start|obra]] de W. James e de F. C. S. Schiller, preferia o termo [[lexico:p:pragmaticismo:start|pragmaticismo]], para indicar sua própria concepção, estritamente metodológica, do pragmatismo ("What Pragmatism Is", TheMonist, 1905; Coll. Pap., 5,411-37). Desta maneira, Peirce acabava distinguindo duas versões fundamentais de pragmatismo, que podem [[lexico:s:ser:start|ser]] assim caracterizadas: 1) um pragmatismo metodológico, que é substancialmente uma teoria do significado; 2) um pragmatismo metafísico, que é uma teoria da [[lexico:v:verdade:start|verdade]] e da [[lexico:r:realidade:start|realidade]]. 1) O pragmatismo metodológico não pretende definir a verdade ou a realidade, mas apenas um procedimento para determinar o significado dos termos, ou melhor, das proposições. Peirce dizia no artigo do ano de 1878, geralmente considerado data de nascimento do pragmatismo: "É [[lexico:i:impossivel:start|impossível]] ter em [[lexico:m:mente:start|mente]] uma [[lexico:i:ideia:start|ideia]] que se refira a outra [[lexico:c:coisa:start|coisa]] que não os efeitos sensíveis das [[lexico:c:coisas:start|coisas]]. Nossa ideia de um [[lexico:o:objeto:start|objeto]] é a ideia de seus efeitos sensíveis. (...) Assim, a [[lexico:r:regra:start|regra]] para atingir o [[lexico:u:ultimo:start|último]] [[lexico:g:grau:start|grau]] de clareza na [[lexico:a:apreensao:start|apreensão]] das ideias é a seguinte: Considerar quais são os efeitos que concebivelmente terão o alcance prático que atribuímos ao objeto da nossa [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]]. A concepção destes efeitos é a nossa concepção do objeto" (Chance, Love and Logic, I, 2, § 1; trad. it., p. 39). O [[lexico:p:principio:start|princípio]] dessa regra metodológica é que "a [[lexico:f:funcao:start|função]] do [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] é produzir hábitos de [[lexico:a:acao:start|ação]]", crenças. A regra proposta por Peirce era, portanto, sugerida pela exigência de achar um procedimento [[lexico:e:experimental:start|experimental]] ou científico para fixar as crenças, entendendo por científico ou experimental o procedimento que não recorre ao [[lexico:m:metodo:start|método]] da [[lexico:a:autoridade:start|autoridade]] nem ao método apriori (Ibid., I, 1, § 2, pp. 9 ss.). Pode-se dizer que pertence ao mesmo [[lexico:t:tipo:start|tipo]] o pragmatismo de [[lexico:d:dewey:start|Dewey]], que, para evitar qualquer [[lexico:e:equivoco:start|equívoco]], preferiu o termo [[lexico:i:instrumentalismo:start|instrumentalismo]] . "A [[lexico:e:essencia:start|essência]] do instrumenta-lismo [[lexico:p:pragmatico:start|pragmático]]" — escreveu ele — "é conceber o [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] e a prática como meios para tornar seguros, na [[lexico:e:experiencia:start|experiência]], os [[lexico:b:bens:start|bens]], que são as coisas excelentes de qualquer [[lexico:e:especie:start|espécie]]" (The Quest for Certainty, 1929, p. 37). Deste [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista, Dewey compartilhava o experimentalismo de Peirce, porque para ele "a experimentação faz [[lexico:p:parte:start|parte]] da [[lexico:d:determinacao:start|determinação]] de qualquer [[lexico:p:proposicao:start|proposição]] justificada" (Logic, 1939, p. 461), ao mesmo [[lexico:t:tempo:start|tempo]] em que evidenciava o [[lexico:c:carater:start|caráter]] instrumental e operacional de todos os procedimentos do conhecer, considerados como meios para passar de uma [[lexico:s:situacao:start|situação]] indeterminada para uma situação determinada, ou seja, ao mesmo tempo distinta e unificada (Logic, cap. VI). É, portanto, bastante óbvio o parentesco desse tipo de pragmatismo com a [[lexico:m:metodologia:start|metodologia]] científica contemporânea, em [[lexico:p:particular:start|particular]] com o [[lexico:o:operacionismo:start|operacionismo]] , por um lado, e com as teses fundamentais da [[lexico:l:logica:start|lógica]] [[lexico:s:simbolica:start|simbólica]], por [[lexico:o:outro:start|outro]]. Os pragmatistas italianos Giovanni Vailati e Mário Calderoni ressaltaram este [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]]. O primeiro observava a propósito que o principal ponto de contato entre lógica e pragmatismo "está na [[lexico:t:tendencia:start|tendência]] comum a ambos de considerar o [[lexico:v:valor:start|valor]] e o [[lexico:p:proprio:start|próprio]] significado de uma [[lexico:a:assercao:start|asserção]] como algo intimamente vinculado ao emprego que se pode ou se deseja fazer deles na [[lexico:d:deducao:start|dedução]] e na construção de determinadas consequências ou grupos de consequências" ("Pragmatismo e [[lexico:l:logica-matematica:start|lógica matemática]]", 1906, em Il método della filosofia, p. 198). Estas [[lexico:p:palavras:start|palavras]] definem [[lexico:b:bem:start|Bem]] o caráter [[lexico:f:funcional:start|funcional]] do pragmatismo de inspiração metodológica. 2) A concepção de pragmatismo metafísico encontra-se em W. James e em F. C. S. Schiller; suas teses fundamentais consistem em reduzir verdade a [[lexico:u:utilidade:start|utilidade]], e realidade a [[lexico:e:espirito:start|espírito]]. A segunda destas teses foi compartilhada pelo pragmatismo metafísico com boa parte da filosofia contemporânea; o próprio James reconheceu e gabou a concordância [[lexico:s:substancial:start|substancial]] de sua filosofia com a dos espiritualistas franceses, especialmente a de [[lexico:b:bergson:start|Bergson]]. A primeira [[lexico:t:tese:start|tese]] é [[lexico:c:caracteristica:start|característica]] dessa [[lexico:f:forma:start|forma]] de pragmatismo. Seu [[lexico:p:pressuposto:start|pressuposto]] é o principio que ela tem em comum com o pragmatismo metodológico: a instrumentalidade do conhecer. Mas este pressuposto é entendido e realizado por ela de [[lexico:m:modo:start|modo]] totalmente diferente. Em primeiro lugar, ela procura evidenciar a dependência de todos os aspectos do conhecimento (ou do pensamento) em [[lexico:r:relacao:start|relação]] a exigências da ação, portanto em relação às emoções em que tais exigências se concretizem. Também a "[[lexico:r:racionalidade:start|racionalidade]]", segundo James, é uma espécie de [[lexico:s:sentimento:start|sentimento]] ("O sentimento da racionalidade" em The Will to Believe, 1897). Deste ponto de vista, as [[lexico:a:acoes:start|ações]] e os desejos humanos condicionam a verdade: qualquer tipo de verdade, inclusive a científica. Portanto não é legítimo, deste ponto de vista, recusar-se crer em doutrinas que tenham condições de exercer ação benéfica na vida do [[lexico:h:homem:start|homem]] só porque elas não são apoiadas por provas racionais suficientes. Em casos como estes, afirmava James, é preciso correr o [[lexico:r:risco:start|risco]] de acreditar. E F. C. S. Schiller levava esta doutrina às suas consequências extremas, ressuscitando palavras de [[lexico:p:protagoras:start|Protágoras]], "o homem é a [[lexico:m:medida:start|medida]] de todas as coisas", e afirmando a [[lexico:r:relatividade:start|relatividade]] do conhecimento em relação à utilidade [[lexico:p:pessoal:start|pessoal]] e [[lexico:s:social:start|social]] (Humanism, 1903). Enquanto Schiller se limitava a este [[lexico:r:relativismo:start|relativismo]], James abria [[lexico:c:caminho:start|caminho]], através dele, ao [[lexico:t:teismo:start|teísmo]] e às doutrinas espiritualistas tradicionais, com a alegação de que elas são úteis à ação e benéficas à vida humana. Embora procurasse limitar o [[lexico:d:dogmatismo:start|dogmatismo]] dessas doutrinas, insistindo no caráter pluralista do [[lexico:u:universo:start|universo]] (v. [[lexico:p:pluralismo:start|pluralismo]]) e no caráter [[lexico:f:finito:start|finito]] da divindade (v. [[lexico:d:deus:start|Deus]]), O pragmatismo foi para ele essencialmente uma via de [[lexico:a:acesso:start|acesso]] à [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] tradicional. Um dos [[lexico:m:motivos:start|motivos]] que James aduzia para justificar o exercício da [[lexico:v:vontade:start|vontade]] de crer é que a [[lexico:c:crenca:start|crença]] pode produzir sua própria [[lexico:j:justificacao:start|justificação]]: é o que acontece às vezes nas [[lexico:r:relacoes:start|relações]] humanas, quando acreditar que alguém é nosso amigo leva-nos a ter [[lexico:c:comportamento:start|comportamento]] amistoso para com essa [[lexico:p:pessoa:start|pessoa]], conquistando a sua [[lexico:a:amizade:start|amizade]]. Dificilmente se pode fazer [[lexico:u:uso:start|uso]] teológico ou metafísico dessa proposição; no entanto, ela tornou-se um princípio importante da [[lexico:s:sociologia:start|sociologia]] contemporânea. Quanto ao resto, enquanto o pragmatismo metodológico teve continuação nos estudos de lógica e de metodologia e em algumas correntes do neo-empirismo, o pragmatismo gnosiológico confluiu para as correntes espiritualistas (cf. H. W. Schneider, A History of American Philosophy, 2a ed., 1957). A este pragmatismo metafísico vinculam-se as outras manifestações fora do circuito anglo-saxão; em primeiro lugar, vincula-se com a filosofia de Hans Vaihinger, exposta na obra Filosofia do [[lexico:c:como-se:start|como se]] (Philosophie des Als Ob, 1911), na qual ele afirma o caráter fictício de [[lexico:t:todo:start|todo]] conhecimento e o caráter biológico da preferência por um conhecimento e não por outro. Vincula-se também ao pragmatismo pluralista de A. Aliotta (A [[lexico:g:guerra:start|guerra]] eterna e o [[lexico:d:drama:start|drama]] da [[lexico:e:existencia:start|existência]], 1917), em que está presente a mesma tônica espiritualista do pragmatismo de James (cf. de Aliotta, O [[lexico:s:sacrificio:start|sacrifício]] como significado do [[lexico:m:mundo:start|mundo]], 1947). Finalmente, vincula-se ao [[lexico:f:fideismo:start|fideísmo]] pragmatista de Miguel de [[lexico:u:unamuno:start|Unamuno]], na forma exposta no Comentário ao [[lexico:d:dom:start|dom]] Quixote (1905) e em Do sentimento [[lexico:t:tragico:start|trágico]] da vida (1913), e de José [[lexico:o:ortega-y-gasset:start|Ortega y Gasset]] (O [[lexico:t:tema:start|tema]] do nosso tempo, 1923; Sobre Galileu, 1933; [[lexico:h:historia:start|História]] como [[lexico:s:sistema:start|sistema]], 1935, etc), que, porém, especialmente nas últimas obras, revela a [[lexico:i:influencia:start|influência]] do [[lexico:e:existencialismo:start|existencialismo]] de [[lexico:h:heidegger:start|Heidegger]]. O [[lexico:e:empirismo:start|empirismo]] que tem no valor prático, isto é, no êxito, o [[lexico:c:criterio:start|critério]] da verdade. É representado por W. James, J. Dewey, E. [[lexico:l:le-roy:start|Le Roy]], Laberthonnière, Papini. Na [[lexico:c:ciencia:start|ciência]], só reconhece a verdade de uma [[lexico:l:lei:start|lei]] ou de uma teoria se esta oferece a [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] de se tirar dela aplicações práticas. Uma [[lexico:r:religiao:start|religião]] é tida por verdadeira quando é moralmente benéfica. O pragmatismo contrapõe-se ao [[lexico:r:racionalismo:start|racionalismo]], para o qual uma coisa não é verdadeira porque é [[lexico:u:util:start|útil]], mas é útil de ensinar porque é verdadeira. Sustentado e divulgado por W. James, o pragmatismo teve sua [[lexico:e:epoca:start|época]] de [[lexico:g:gloria:start|glória]] no [[lexico:f:fim:start|fim]] do século XIX e no início do século XX. Quase desaparecido da Europa, subsiste ainda hoje em certos círculos filosóficos dos Estados Unidos da [[lexico:a:america:start|América]]. O pragmatismo é uma variedade do relativismo, segundo o qual a verdade não se mede pelo objeto, mas por outra [[lexico:n:norma:start|norma]]. Enquanto o [[lexico:p:psicologismo:start|psicologismo]] vê esta norma nas [[lexico:c:causas:start|causas]] psíquicas do [[lexico:p:processo:start|processo]] cognoscitivo, o pragmatismo procura-a no fim que deve ser alcançado pelo conhecimento. Se um conhecimento favorece esse fim, se se revela fecundo para a ação (em [[lexico:g:grego:start|grego]] = [[lexico:p:pragma:start|pragma]], donde o nome de pragmatismo), nesse caso é "[[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]]", concorde ou não com a realidade. Segundo o pragmatismo, não há verdade absolutamente válida, pois [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] útil a um pode ser nocivo a outro. No [[lexico:b:biologismo:start|biologismo]], o [[lexico:c:conceito:start|conceito]] pragmatista de verdade não se refere ao [[lexico:i:individuo:start|indivíduo]], senão ao [[lexico:i:interesse:start|interesse]] da espécie. Pragmatista é também o princípio da [[lexico:e:economia:start|economia]] de pensamento, formulado por [[lexico:m:mach:start|Mach]]: uma teoria é verdadeira, quando reduz nossas experiências à [[lexico:f:formula:start|fórmula]] mais [[lexico:s:simples:start|simples]]. O pragmatismo encontrou especial acolhida na Inglaterra (F. S. C. Schiller) e na América do Norte (W. James). — É, sem [[lexico:d:duvida:start|dúvida]], [[lexico:e:exato:start|exato]] que o conhecimento deve servir à vida, e que o conhecimento verdadeiro, ou seja, o que é conforme com a realidade, favorece também, via de regra, as finalidades práticas. Mas daí não se segue, de maneira nenhuma, que o fomento da vida constitua a medida da verdade, porque o que deve valer como estimulante da vida depende da compreensão que o homem adquire de [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]], da [[lexico:f:finalidade:start|finalidade]] de sua existência e dos círculos ou ordens, em que está envolvido; depende, portanto, da verdade. — Santeler. Dá-se este nome a um [[lexico:m:movimento:start|movimento]] filosófico que se desenvolveu sobretudo nos Estados Unidos e na Inglaterra mas que teve ampla repercussão na filosofia contemporânea. O pragmatismo norte-americano surgiu por volta de 1872 no Clube Metafísico. As linhas principais deste movimento foram traçadas por Peirce no seu artigo “Como tornar claras as nossas ideias”, de 1878. Nele defende que “toda a função do pensamento consiste em produzir hábitos de ação” e que “o que uma coisa significa é simplesmente os hábitos que envolve”. Mais concretamente, dizia Peirce, jogando com as palavras: “concebemos o objeto das nossas concepções considerando os efeitos que se podem conceber como susceptíveis de alcance prático. Assim, pois, a nossa concepção deste [[lexico:e:efeito:start|efeito]] equivale ao conjunto da nossa concepção do objeto”. Contudo Peirce propôs depois o nome de pragmaticismo para a sua doutrina para a diferenciar do pragmatismo de William James, que é uma [[lexico:t:transposicao:start|transposição]] para o [[lexico:c:campo:start|campo]] ético daquilo que primitivamente se tinha pensado num sentido puramente científico e metodológico. Peirce destacou que o seu pragmatismo não é tanto uma doutrina que expressa conceptualmente aquilo que o homem [[lexico:c:concreto:start|concreto]] deseja e postula, mas sim uma teoria que permite dar [[lexico:s:significacao:start|significação]] às únicas proposições que podem ter sentido. Pode afirmar-se que predominaram duas tendências no pragmatismo: a primeira afirma que “o significado de uma proposição consiste nas consequências futuras de experiência que (direta ou indiretamente) prediz que vão acontecer, não importando que isso seja ou não crível”; a segunda defende que “o significado de uma proposição consiste nas consequências futuras de a crer. A tendência pragmatista prosperou principalmente nos Estados Unidos da América e na Grã-Bretanha, sem todavia se ter limitado a estes países. Por volta do ano 1900, encontrou muitos partidários, especialmente na Alemanha. Manifestou-se nos empiriocriticistas, em Karl [[lexico:m:marx:start|Marx]] e em Lenin, em Georg [[lexico:s:simmel:start|Simmel]] e Hans Vaihinger (1852-1933), e, de modo [[lexico:g:geral:start|geral]], a [[lexico:p:posicao:start|posição]] dos positivistas aproxima-se dela. Em França, alguns representantes da "[[lexico:c:critica:start|crítica]] da ciência", especialmente Abel Rey, têm mais de um ponto comum com o pragmatismo. Em todo caso, todos estes pensadores não defendem somente as ideias pragmatistas, mas também muitas outras doutrinas, Do ponto de vista da [[lexico:t:teoria-do-conhecimento:start|teoria do conhecimento]], o pragmatismo consiste essencialmente em negar o conhecimento contemplativo, puramente [[lexico:t:teorico:start|teórico]], e em reduzir o verdadeiro ao útil. Mas estes [[lexico:p:principios:start|princípios]] são defendidos em graus diversos pelos pragmatistas. Enquanto a tendência mais radical professa ser verdadeira toda proposição que conduza a um êxito individual, a mais moderada propugna ser verdadeiro o que pode ser verificado pelos fatos objetivos. Mas a utilidade, o valor, o êxito, são considerados diretamente como o critério [[lexico:u:unico:start|único]] e, em geral, como a essência da verdade. Só variam os matizes desta utilidade. Contudo no pragmatismo anglo-americano não se trata de uma pura teoria do conhecimento. As mais das vezes, ela vai acompanhada de toda uma [[lexico:f:filosofia-da-vida:start|filosofia da vida]], que se assemelha muito à de Bergson. Segundo esta filosofia, [[lexico:n:nada:start|nada]] há de estável na realidade, tudo é fluente, tudo cria livremente, a [[lexico:i:inteligencia:start|inteligência]] é incapaz de captá-la e, todo conhecimento se baseia na experiência. Os pragmatistas anglo-americanos compartilham igualmente, em comum com Bergson, uma certa [[lexico:a:atitude:start|atitude]] personalista e humanista. A [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] fundamental entre seus porta-vozes e o [[lexico:f:filosofo:start|filósofo]] francês está em que, para este, a [[lexico:i:intuicao:start|intuição]] permanece sendo essencialmente teórica, ao passo que, segundo os pragmatistas, todo conhecimento é, por [[lexico:d:definicao:start|definição]], prático. O pragmatismo deve sua [[lexico:o:origem:start|origem]] aos mesmos princípios que a filosofia de Bergson; desenvolveu-se paralelamente com ela e desempenhou [[lexico:t:tarefa:start|tarefa]] análoga na história do espírito. Mas hoje, como tal, está superado na Europa, e só parcialmente continua subsistindo dentro de outras correntes ([[lexico:n:neopositivismo:start|neopositivismo]], existencialismo). Pelo que, só muito rapidamente nos ocupamos dos três grandes pragmatistas, James, Schiller e Dewey. Com [[lexico:e:excecao:start|exceção]] de Schiller, são norte-americanos, mas a influência deles sobre o pensamento europeu foi tão considerável que não podemos deixar de nos ocupar deles, pelo menos de maneira sumária. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}