===== POTÊNCIAS TEOGÔNICAS ===== O [[lexico:h:homem|homem]] [[lexico:n:nao|não]] pode opor-se epistemologicamente ao [[lexico:d:divino|divino]], como um [[lexico:s:sujeito|sujeito]] a um [[lexico:o:objeto|objeto]], desde que ele mesmo está-aí como algo des-fechado por um oferecer mítico-religioso. Entre as possibilidades, formas ou entes desdobrados no mural do [[lexico:s:ser|ser]] encontramos o [[lexico:p:protagonista|protagonista]] [[lexico:h:humano|humano]], [[lexico:c:consciencia|consciência]] emergente de uma [[lexico:a:afirmacao|afirmação]] [[lexico:u:universal|universal]] e toda ela reportável aos poderes ponenciais-mitológicos. Os [[lexico:e:elementos|elementos]] fundamentais dessa concepção foram explicitamente formulados, pela primeira vez por [[lexico:s:schelling|Schelling]], em sua [[lexico:o:obra|obra]] Introdução à [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] da [[lexico:m:mitologia|mitologia]]: “No [[lexico:p:processo|processo]] mitológico”, diz Schelling, “o homem não se refere às [[lexico:c:coisas|coisas]], mas às potências, que se erguem no interior da consciência e às impulsões, às quais ela obedece. O processo teogônico que dá [[lexico:o:origem|origem]] à mitologia é um processo [[lexico:s:subjetivo|subjetivo]], unicamente na [[lexico:m:medida|medida]] em que se desenrola na consciência e se manifesta pela [[lexico:f:formacao|formação]] de representações; mas as [[lexico:c:causas|causas]] e consequentemente os objetos dessas representações são as [[lexico:p:potencias-teogonicas|potências teogônicas]] reais e em si, sob a [[lexico:i:influencia|influência]] das quais a consciência é primitivamente aquela-que-põe-Deus. O conteúdo do processo é formado não por potências simplesmente representadas, mas pelas próprias potências que criam a consciência e sendo essa o [[lexico:u:ultimo|último]] elo da [[lexico:n:natureza|natureza]], criam a própria natureza, e são por [[lexico:c:consequencia|consequência]] potências reais”. [F. W. J. Schelling, Introduction a la Philosophie de la Mythologie. Trad. Vladimir Jankélévich. Paris, Montaigne, 1946, p. 249-250.] Vemos afirmadas nessas linhas a eclosão simultânea da consciência e da natureza, isto é, da [[lexico:t:totalidade|totalidade]] do [[lexico:e:ente|ente]], através das potências que põem [[lexico:d:deus|Deus]], dessas forças desocultantes inerentes ao processo mitológico. Os desempenhos humanos se apresentam no mesmo nível das outras formações intramundanas e estão expostas ao [[lexico:m:mundo|mundo]] segundo a mesma [[lexico:l:lei|lei]] das outras possibilidades. [VFSTM:167-168]