===== POSIÇÃO FILOSÓFICA ===== Como em textos filosóficos [[lexico:n:nao|não]] temos o recurso ao [[lexico:m:mundo|mundo]] [[lexico:e:empirico|empírico]] para resolver problemas, o [[lexico:i:interprete|intérprete]] não pode se eximir de basear seus critérios numa [[lexico:p:posicao-filosofica|posição filosófica]] própria. É [[lexico:p:possivel|possível]] assumir uma [[lexico:p:posicao|posição]] filosófica própria sem [[lexico:s:saber|saber]] [[lexico:o:o-que-e|o que é]] uma posição filosófica como tal. Temos condições para mostrar que é possível determinar o que constitui a posição filosófica e a partir dela definir o [[lexico:m:modo|modo]] [[lexico:c:como-se|como se]] irão tratar textos de [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] para avaliá-los. Filosofia, dizia [[lexico:h:hegel|Hegel]], é para o comum [[lexico:e:entendimento|entendimento]] o mundo invertido. A Filosofia não é, portanto, o [[lexico:p:pensamento|pensamento]] [[lexico:d:discursivo|discursivo]] do mundo da empiria. Com esta [[lexico:a:afirmacao|afirmação]] terminamos introduzindo um conjunto de distinções muito importantes. 1. Há uma [[lexico:d:diferenca|diferença]] [[lexico:e:essencial|essencial]] entre o empírico e o filosófico. 2. A [[lexico:d:distincao|distinção]] implica em separarmos entre a [[lexico:a:atitude|atitude]] ingênua e objetivista e a atitude reflexiva e [[lexico:c:critica|crítica]]. 3. Defendermos então que o [[lexico:p:pensamento-filosofico|pensamento filosófico]] nos leva a supor, em qualquer [[lexico:t:texto|texto]] que tenha [[lexico:v:validade|validade]] filosófica, uma [[lexico:e:estrutura|estrutura]] que pode não [[lexico:e:estar|estar]] explícita, mas ela se impõe como uma [[lexico:f:forma|forma]] que sustenta a [[lexico:u:unidade|unidade]] do [[lexico:d:discurso|discurso]] e estabelece um [[lexico:l:limite|limite]] para a [[lexico:l:linguagem|linguagem]]. 4. Há, portanto, uma linguagem filosófica propriamente dita que é originada da posição filosófica. 5. A posição filosófica termina fazendo com que a linguagem filosófica e a abordagem dos temas adquiram uma [[lexico:a:autonomia|autonomia]] do mundo da [[lexico:e:experiencia|experiência]] empírica e assim não podem [[lexico:s:ser|ser]] interpretados pela remissão a [[lexico:e:elementos|elementos]] empíricos. Nós somente compreendemos as expressões linguísticas pela sua explicitação. Isso significa em que a [[lexico:l:leitura|leitura]] irá recorrer, para a [[lexico:i:interpretacao|interpretação]], aos recursos da [[lexico:a:analitica|analítica]] da linguagem, como a uma [[lexico:h:hermeneutica|hermenêutica]] reduzida. 6. Mesmo que a hermenêutica ampla ou filosófica nos permita buscar o [[lexico:s:sentido|sentido]] de textos, ela não nos ajuda na [[lexico:d:determinacao|determinação]] das [[lexico:r:relacoes|relações]] entre os textos de vários autores. Ainda que nela apareça a [[lexico:d:dimensao|dimensão]] filosófica da linguagem, ela tem mais como [[lexico:f:funcao|função]] desdobrar a [[lexico:h:historicidade|historicidade]] do sentido. A hermenêutica filosófica não constitui uma posição filosófica, menos ainda a posição filosófica como tal. Para ser hermenêutica filosófica ela teve de renunciar ao [[lexico:c:carater|caráter]] específico da [[lexico:t:transcendentalidade|transcendentalidade]]. 7. Com esta [[lexico:p:palavra|palavra]] chegamos ao [[lexico:e:elemento|elemento]] [[lexico:c:caracteristico|característico]] da posição filosófica, desde a modernidade: o [[lexico:t:transcendental|transcendental]]. Não se trata mais de afirmar a solução kantiana da Filosofia como certa. Não podemos, contudo, eliminar da posição filosófica a herança kantiana do transcendental. [[lexico:e:esse|esse]], porém, [[lexico:a:agora|agora]] livre do recurso às condições da experiência possível, subjetivamente necessárias, exerce, no entanto, a função de fixar os pontos de limite do [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] material e, ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]], ser o [[lexico:f:fundamento|fundamento]] transcendental da experiência objetiva. 8. Esse transcendental que resulta da destranscendentalização kantiana nos deixa com a posição da Filosofia, ainda transcendental, mas reduzida. 9. Hoje a posição filosófica como tal liga-se ao transcendental a partir da linguagem, mas não mais como algo que se reduz à linguagem, apenas vista como [[lexico:s:semantica|semântica]]. Nesta [[lexico:a:area|área]] se apresentam muitos reducionismos. Como, porém, já foram superadas as posições que colocariam uma [[lexico:s:significacao|significação]] essencial que garantiria o fundamento da significabilidade da [[lexico:r:relacao|relação]] linguagem-mundo, esta não deve ser procurada [[lexico:a:alem|além]] da linguagem. A linguagem continua o essencial, mas agora concebida como [[lexico:l:lugar|lugar]] em que “aparece, na e com a linguagem, aquilo que, como excesso da relação linguagem-mundo transcendendo o [[lexico:j:juizo|juízo]], já sempre está [[lexico:a:aberto|aberto]] na linguagem, sem que enquanto tal excesso (Mehrbestand), possa ser identificado univocamente do [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista [[lexico:l:logico|lógico]]” (Glauner, E, 1998, p. 272, n. 4). 10. Se então distinguimos entre o empírico e o transcendental para dar ênfase ao que denominamos posição filosófica é porque, na função que o transcendental exerce após [[lexico:k:kant|Kant]] na Filosofia, se preserva o lugar a partir do qual podemos [[lexico:v:ver|ver]] criticamente os textos que se apresentam na Filosofia, sobretudo quando se trata de mais autores. Assim podemos avaliar os temas desses textos e as soluções que eles apresentam. A partir da posição filosófica temos então recursos para a crítica e para a [[lexico:r:real|real]] comparação da [[lexico:o:originalidade|originalidade]] e da [[lexico:p:produtividade|produtividade]] das posições filosóficas. [ErStein2008:295-297]