===== POESIA ===== (gr. [[lexico:p:poiesis:start|poiesis]]; lat. poesia; in. Poetry; fr. Poésie; al. Dichtung; it. Poesia). [[lexico:f:forma:start|forma]] definida da [[lexico:e:expressao:start|expressão]] [[lexico:l:linguistica:start|linguística]], que tem como [[lexico:c:condicao:start|condição]] [[lexico:e:essencial:start|essencial]] o [[lexico:r:ritmo:start|ritmo]]. Podem-se distinguir três concepções fundamentais: 1) a poesia como [[lexico:e:estimulo:start|estímulo]] ou [[lexico:p:participacao:start|participação]] emotiva; 2) a poesia como [[lexico:v:verdade:start|verdade]]; 3) a poesia enquanto [[lexico:m:modo:start|modo]] privilegiado de expressão linguística. 1) A concepção de poesia como estímulo [[lexico:e:emotivo:start|emotivo]] foi exposta pela primeira vez por [[lexico:p:platao:start|Platão]]: "A [[lexico:p:parte:start|parte]] da [[lexico:a:alma:start|alma]] que, em nossas desgraças pessoais, tentamos refrear, que tem sede de lágrimas e gostaria de suspirar e lamentar-se à [[lexico:v:vontade:start|vontade]] — pois é essa a sua [[lexico:n:natureza:start|natureza]] — é justamente a parte a que os poetas dão satisfação e [[lexico:p:prazer:start|prazer]]. (...) Quanto ao [[lexico:a:amor:start|amor]], à cólera e a todos os movimentos dolorosos ou agradáveis da alma, que são inseparáveis de todas as nossas [[lexico:a:acoes:start|ações]], pode-se dizer que sobre eles a [[lexico:i:imitacao:start|imitação]] poética produz os mesmos efeitos, visto que, embora fosse preciso estancá-los, ela os irriga e nutre, transformando-nos em servos das [[lexico:f:faculdades:start|faculdades]] que, ao contrário, deveriam obedecer-nos para que nos tornássemos mais felizes e melhores" (Rep., X, 606 a-d). Platão observa que o lado [[lexico:e:emocional:start|emocional]] da [[lexico:a:arte:start|arte]] [[lexico:n:nao:start|não]] é menor por tratar de emoções alheias, porque "necessariamente as emoções alheias passam a [[lexico:s:ser:start|ser]] nossas" (Ibid., 606 b). Não há [[lexico:d:duvida:start|dúvida]], portanto, de que para Platão a [[lexico:c:caracteristica:start|característica]] fundamental da poesia imitativa (assim como da [[lexico:r:razao:start|razão]] de sua condenação) é a participação emocional em que ela se baseia, [[lexico:b:bem:start|Bem]] como o reforço das emoções que ela consegue com tais participações. Giambattista [[lexico:v:vico:start|Vico]] não só estendeu ao [[lexico:u:universo:start|universo]] inteiro a participação emotiva, considerada própria da poesia, como também eliminou o [[lexico:c:carater:start|caráter]] condenatório que se encontra em Platão. "O [[lexico:s:sublime:start|sublime]] [[lexico:t:trabalho:start|trabalho]] da poesia" — escreveu ele — "é dar [[lexico:s:sentido:start|sentido]] e [[lexico:p:paixao:start|paixão]] às [[lexico:c:coisas:start|coisas]] insensatas, sendo [[lexico:p:propriedade:start|propriedade]] das crianças de tomar nas [[lexico:m:maos:start|mãos]] coisas inanimadas e, brincando, conversar com elas [[lexico:c:como-se:start|como se]] fossem pessoas vivas. Esta [[lexico:d:dignidade:start|dignidade]] filológico-filosófica comprova que os homens do [[lexico:m:mundo:start|mundo]] criança foram, por natureza, poetas sublimes" (Scienza nuova, 1744, Degn. 37). Portanto, segundo Vico, a poesia está ligada aos "robustos sentidos" e às "vigorosíssimas fantasias" dos homens primitivos ou brutos; seu tríplice [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]] é "achar fábulas sublimes que se adaptem aos interesses populares", "perpetuar ao máximo" e "ensinar o vulgo a agir virtuosamente" (Ibid., II., cf. Lettera a Gherardo degli Angioli). Deste [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista, poesia e [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] são antípodas, e "quanto mais robusta é a [[lexico:f:fantasia:start|fantasia]], tanto mais fraco é o [[lexico:r:raciocinio:start|raciocínio]]" (Ibid., Degn. 36). [[lexico:e:esse:start|esse]] mesmo [[lexico:c:conceito:start|conceito]] de poesia como estímulo ou participação emocional acha-se na [[lexico:t:teoria:start|teoria]] da [[lexico:e:empatia:start|empatia]] , que considera a [[lexico:a:atividade:start|atividade]] [[lexico:e:estetica:start|estética]] como a [[lexico:p:projecao:start|projeção]] das emoções do [[lexico:i:individuo:start|indivíduo]] no [[lexico:o:objeto:start|objeto]] estético. Segundo o principal defensor dessa teoria, Theodor Lipps, a empatia é um [[lexico:a:ato:start|ato]] original, essencialmente [[lexico:i:independente:start|independente]] da [[lexico:a:associacao-de-ideias:start|associação de ideias]] e profundamente arraigado na própria [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] do [[lexico:e:espirito:start|espírito]] [[lexico:h:humano:start|humano]] (Ästhetik I, 1903, pp. 112 ss.): deste modo, é postulada como uma [[lexico:f:faculdade:start|faculdade]] à parte, à qual está confiada a [[lexico:f:funcao:start|função]] de animar a materialidade bruta do mundo [[lexico:e:exterior:start|exterior]], tornando o mundo mais familiar e agradável ao [[lexico:h:homem:start|homem]]. Com base na [[lexico:d:distincao:start|distinção]] entre o [[lexico:u:uso:start|uso]] [[lexico:s:simbolico:start|simbólico]] da [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]] e o seu uso emocional, atribuiu-se à poesia "a forma suprema da linguagem emotiva", cujo [[lexico:u:unico:start|único]] objetivo é estimular "emoções e atitudes" (I. A. Richards, Principles of Literary Criticism, 1924; 14a ed., 1955, p. 273). A função [[lexico:s:simbolica:start|simbólica]] (ou científica) da linguagem consiste em simbolizar a [[lexico:r:referencia:start|referência]] ao objeto e em comunicar essa referência ao [[lexico:o:ouvinte:start|ouvinte]], levando-o a reconhecer a referência ao mesmo objeto. A função emotiva, por sua vez, consiste em exprimir emoções, atitudes, etc, e em evocá-los no ouvinte: funções que podem ser incluídas na da "[[lexico:e:evocacao:start|evocação]]", que é o estímulo da [[lexico:e:emocao:start|emoção]] (C. K. Ogden, I. A Richards, The Meaning of Meaning, 1923, 10a ed., 1952, p. 149). Obviamente, este ponto de vista não passa de [[lexico:r:repeticao:start|repetição]] quase literal da concepção platônica. E não tem [[lexico:s:significado:start|significado]] diferente o modo como C. Morris definiu o [[lexico:d:discurso:start|discurso]] poético: "principalmente discurso valorativo e apreciativo", cujo objetivo é "lembrar e sustentar valores já conhecidos" ou "explorar novos valores" (Signs, Language and Behavior, 1946, V, 7). 2) A concepção de poesia como verdade começa com [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]], que a considerou como [[lexico:t:tendencia:start|tendência]] à imitação, para ele inata em todos os homens como [[lexico:m:manifestacao:start|manifestação]] da tendência ao [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] (Poet., 6, 1448 b 5-14). Segundo Aristóteles, a imitação poética tem [[lexico:v:validade:start|validade]] cognoscitiva [[lexico:s:superior:start|superior]] à imitação historiográfica, porque a poesia não representa as coisas realmente acontecidas, mas "as coisas possíveis, segundo a [[lexico:v:verossimilhanca:start|verossimilhança]] e a [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]]" (Ibid., 1451 a 38). Por isso, ela "é mais filosófica e mais elevada que a [[lexico:h:historia:start|história]], porque exprime o [[lexico:u:universal:start|universal]], enquanto a história exprime o [[lexico:p:particular:start|particular]]. Com [[lexico:e:efeito:start|efeito]], temos o universal quando um indivíduo de certa índole diz ou faz certas coisas com base na verossimilhança e na necessidade, e é essa a [[lexico:i:intencao:start|intenção]] da poesia, que dá [[lexico:n:nome:start|nome]] à [[lexico:p:personagem:start|personagem]] justamente com base nesse [[lexico:c:criterio:start|critério]]. Por sua vez temos o particular quando dizemos, p. ex., o que Alcibíades fez e o que lhe aconteceu" (Ibid., 9, 1451 b 1, 10). Estas famosas observações de Aristóteles equivalem a colocar a poesia na [[lexico:e:esfera:start|esfera]] da verdade filosófica, já que esta capta a [[lexico:e:essencia:start|essência]] necessária das coisas, e no domínio das vicissitudes humanas a essência é constituída pelas [[lexico:r:relacoes:start|relações]] de verossimilhança e necessidade, que são objeto da poesia. A poesia, portanto, não possui um [[lexico:g:grau:start|grau]] de verdade inferior à filosofia, mas sim a mesma verdade, no domínio que lhe é [[lexico:p:proprio:start|próprio]], o dos feitos humanos. Esta concepção de poesia dominou a [[lexico:t:tradicao:start|tradição]] filosófica, na qual podemos distinguir duas interpretações fundamentais: A) a poesia tem uma verdade de grau ou natureza diferente da verdade intelectual ou filosófica; B) a poesia contém a verdade filosófica absoluta. A) A primeira [[lexico:p:posicao:start|posição]] está na [[lexico:o:origem:start|origem]] da estética [[lexico:m:moderna:start|moderna]]. Baumgarten afirmou que o objeto estético, a [[lexico:b:beleza:start|beleza]], é "a [[lexico:p:perfeicao:start|perfeição]] do [[lexico:c:conhecimento-sensivel:start|conhecimento sensível]] enquanto tal", e que por isso ele não coincide com o objeto do [[lexico:i:intelecto:start|intelecto]], que é o conhecimento distinto (Aesthetica, 1750-58, § 14). Como perfeição do conhecimento [[lexico:s:sensivel:start|sensível]], a beleza é universal, mas de uma universalidade diferente do conhecimento, porque abstrai da [[lexico:o:ordem:start|ordem]] e dos signos, realizando uma forma de unificação puramente fenomenal (Ibid., § 18). Segundo Baumgarten, a poesia é, particularmente, "um discurso sensível [[lexico:p:perfeito:start|perfeito]]", de tal maneira que seus vários [[lexico:e:elementos:start|elementos]] (representações, nexos, [[lexico:p:palavras:start|palavras]] ou sinais que as expressam) tendem ao conhecimento das representações sensíveis (Meditationes philosophicae de nonnulis ad poema pertinentibus, 1735, §§ 1-9). A qualificação "sensível" esclarece o caráter da poesia; graças a isso, ela tem por objeto representações claras, mas que se confundem, ao passo que as representações claras e distintas, ou seja, completas e adequadas, não são sensíveis, portanto não são poéticas; desse modo, filosofia e poesia não se encontram, pois a primeira exige as distinções de [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] que a segunda alija de seu domínio (Medit., cit., § 14). Analogamente Vico afirmava: "A [[lexico:s:sabedoria-poetica:start|sabedoria poética]], que foi a primeira da gentilidade, teve de começar com alguma [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]], não a metafísica arrazoada e abstrata dos eruditos de [[lexico:a:agora:start|agora]], mas sensiva e imaginativa tal como deve [[lexico:t:ter:start|ter]] sido a de tais primeiros homens, pois eles eram de nenhum raciocínio, mas de sentidos robustos e vigorosíssimas fantasias" (Sc. nuova, 1744, II, Delia sapienza poética). Mas foi [[lexico:h:hegel:start|Hegel]] [[lexico:q:quem:start|quem]] expressou melhor essa [[lexico:t:tese:start|tese]]: "A poesia é mais antiga que a linguagem prosaica artisticamente formada. Ela é a [[lexico:r:representacao:start|representação]] originária da verdade, é o [[lexico:s:saber:start|saber]] no qual o universal não foi ainda separado por sua [[lexico:e:existencia:start|existência]] viva no particular, no qual a [[lexico:l:lei:start|lei]] e o [[lexico:f:fenomeno:start|fenômeno]], o [[lexico:f:fim:start|fim]] e o [[lexico:m:meio:start|meio]] ainda não foram contrapostos, para serem depois novamente interligados pelo raciocínio, mas compreendem-se um no [[lexico:o:outro:start|outro]] e um através do outro. Por isso, a poesia não se limita a exprimir através da [[lexico:i:imagem:start|imagem]] um conteúdo que já é conhecido [[lexico:p:por-si:start|por si]] em sua universalidade, mas, ao contrário, de [[lexico:a:acordo:start|acordo]] com seu conceito [[lexico:i:imediato:start|imediato]], ela permanece na [[lexico:u:unidade:start|unidade]] [[lexico:s:substancial:start|substancial]], onde ainda não ocorreu tal [[lexico:s:separacao:start|separação]] nem tal [[lexico:r:relacao:start|relação]]" (Vorlesungen über die Ästhetik, ed. Clockner, III, p. 239). Com isso, para Hegel, a poesia (assim como toda a arte) continua aquém ou abaixo da filosofia, pois é só nesta que a [[lexico:i:ideia:start|ideia]] se revela ou se realiza em sua verdadeira natureza, que é universalidade ou razão, não imediação ou imagem; mas a poesia pertence à esfera da verdade absoluta, ao lado da filosofia e da [[lexico:r:religiao:start|religião]] (à qual está subordinada). No [[lexico:i:idealismo:start|Idealismo]] de origem romântica, o conceito de poesia continuou sendo substancialmente o expresso por Hegel. [[lexico:c:croce:start|Croce]], depois de insistir na [[lexico:p:prioridade:start|prioridade]] da arte sobre o conhecimento intelectual propriamente [[lexico:d:dito:start|dito]], portanto em sua relativa [[lexico:a:autonomia:start|autonomia]] em face da filosofia (com a qual, porém, nunca negou que a arte compartilhasse o [[lexico:s:status:start|status]] de conhecimento), acabou insistindo cada vez mais nas características de [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]] e universalidade da expressão artística, que a aproximam da verdade filosófica. Ao contrário do [[lexico:s:sentimento:start|sentimento]], "a expressão poética é uma teorese, um conhecer, e por isso mesmo, enquanto o sentimento adere ao particular e, por mais elevado e nobre que seja em sua origem, move-se necessariamente na unilateralidade da paixão, na [[lexico:a:antinomia:start|antinomia]] do bem e do [[lexico:m:mal:start|mal]] e na [[lexico:a:ansiedade:start|ansiedade]] do prazer e da [[lexico:d:dor:start|dor]], a poesia reata o particular ao universal, acolhe com [[lexico:i:igualdade:start|igualdade]] dor e prazer, superando-os, e, acima do embate das partes contra as partes, eleva a [[lexico:v:visao:start|visão]] das partes no [[lexico:t:todo:start|todo]], a [[lexico:h:harmonia:start|harmonia]] sobre o contraste, a [[lexico:e:extensao:start|extensão]] do [[lexico:i:infinito:start|infinito]] sobre a [[lexico:a:angustia:start|angústia]] do [[lexico:f:finito:start|finito]]. Este cunho de universalidade e de totalidade é o seu caráter" (La poesia, 1936, pp. 8-9). Assim, o [[lexico:v:valor:start|valor]] da poesia estava justamente em sua teoreticidade, ou seja, na sua validade cognoscitiva; e vinha a ser o que Hegel já havia dito que era: uma verdade filosófica que se manifesta na imediação da imagem, e não na universalidade do conceito. B) Ao lado dessa concepção, há outra que, apesar de estreitamente aparentada, não vê na poesia a aproximação da verdade absoluta, mas a própria verdade absoluta. Schiller já se expressara sobre a poesia nesses termos. Na [[lexico:o:obra:start|obra]] Sobre a poesia ingênua e [[lexico:s:sentimental:start|sentimental]] (1795-96), afirmou que o [[lexico:p:poeta:start|poeta]] é a natureza, ou seja, sente naturalmente e portanto imita a natureza, ou sente-se afastado da natureza e vai à sua procura nostalgicamente, configurando-a como [[lexico:i:ideal:start|ideal]]. No primeiro caso, o poeta é ingênuo, como na antiga [[lexico:g:grecia:start|Grécia]]; no segundo caso, é sentimental, como na era moderna. Mas em ambos os casos, a poesia é o [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]]. Com efeito, a poesia ingênua é representação absoluta, concluída, total e definitiva; a poesia sentimental é representação do absoluto, de um ideal de perfeição consumado, conquanto longínquo (Werke, ed. Karpeles, XII, pp. 122 ss.). Schiller valeu-se desse [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] para afirmar resolutamente a superioridade da poesia sobre a filosofia: não hesitava em dizer que "o único homem [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]] é o poeta, diante do qual o melhor [[lexico:f:filosofo:start|filósofo]] não passa de caricatura" (Epistolário Goethe-Schiller, 71-1795; trad. Santangelo). Essa tese representa sem dúvida um filão importante e bem determinado da concepção romântica da poesia. [[lexico:s:schelling:start|Schelling]] dizia: "A faculdade poética é a [[lexico:i:intuicao:start|intuição]] originária na sua primeira [[lexico:p:potencia:start|potência]]; e vice-versa, a única intuição produtiva que se repete na mais elevada potência é o que chamamos de faculdade poética" (System des transzendentalen Idealismus, 1800, VI, § 3). A faculdade poética atualiza a unidade das [[lexico:a:atividades:start|atividades]] [[lexico:c:consciente:start|consciente]] e [[lexico:i:inconsciente:start|Inconsciente]], que constitui a natureza do [[lexico:e:eu:start|eu]] absoluto. "O que chamamos de natureza é um poema, fechado em [[lexico:c:caracteres:start|caracteres]] misteriosos e admiráveis. Mas se o enigma pudesse ser revelado, reconheceríamos nele a odisseia do Espírito, que, por maravilhosa [[lexico:i:ilusao:start|ilusão]], buscando-se, foge de [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]]" (Ibid). Na filosofia contemporânea, esse ponto de vista foi re-expresso por [[lexico:h:heidegger:start|Heidegger]]: "AP. é a nominação fundadora do ser e da essência de todas as coisas; não é um [[lexico:s:simples:start|simples]] dizer qualquer, mas é dizer pelo qual é revelado inicialmente tudo o que nós debatemos e tratamos depois na linguagem de todos os dias. Por conseguinte a poesia nunca recebe a linguagem como [[lexico:m:materia:start|matéria]] a ser manipulada, pressuposta, mas, ao contrário, é a poesia que começa a possibilitar a linguagem. A poesia é a linguagem primitiva de um [[lexico:p:povo:start|povo]], e a essência da linguagem deve ser compreendida a partir da essência da poesia" (Holderlin und das [[lexico:w:wesen:start|Wesen]] der Dicbtung, 1936, § 5). Como linguagem originária, a poesia é a própria verdade, isto é, a manifestação ou [[lexico:r:revelacao:start|revelação]] do Ser (Holzwege, 1950, pp. 252 ss.). 3) A terceira concepção fundamental à primeira vista é menos filosófica que as outras, porque não consiste em atribuir à poesia determinada [[lexico:t:tarefa:start|tarefa]] em dada metafísica, nem em ligá-la a determinada faculdade ou [[lexico:c:categoria:start|categoria]] do espírito, ou em reservar-lhe um [[lexico:l:lugar:start|lugar]] na [[lexico:e:enciclopedia:start|enciclopédia]] do saber humano, mas apenas em descobrir certas características que a poesia possui em suas realizações históricas mais bem-sucedidas, e em resumi-las numa [[lexico:d:definicao:start|definição]] generaliza-dora. Todavia, é este o único procedimento que pode gerar uma definição [[lexico:f:funcional:start|funcional]] da poesia, que sirva para expressar e orientar o trabalho [[lexico:e:efetivo:start|efetivo]] dos poetas. Portanto, para essa definição os poetas contribuíram mais que os filósofos, apesar de estes também terem por vezes conseguido captar alguns de seus aspectos importantes. Obviamente, deste ponto de vista, a poesia, pelo menos à primeira vista, é apenas um modo privilegiado de expressão linguística: privilegiado em [[lexico:v:virtude:start|virtude]] de uma função especial a ele atribuída. O privilégio atribuído ao modo poético de expressão é frequentemente determinado como "[[lexico:l:liberdade:start|liberdade]]". Depois de dizer que "as artes da [[lexico:p:palavra:start|palavra]]" são a eloquência e a poesia, [[lexico:k:kant:start|Kant]] afirma: "A eloquência é a arte de tratar uma função do intelecto como livre [[lexico:j:jogo:start|jogo]] da [[lexico:i:imaginacao:start|imaginação]]; a poesia é a arte de dar a um livre jogo da imaginação o caráter de função do "intelecto" (Crít. do [[lexico:j:juizo:start|Juízo]], § 51). Aqui, a [[lexico:n:nocao:start|noção]] de "jogo" serve para ressaltar o caráter livre da atividade poética em face de qualquer outro fim utilitário; a noção de "função do intelecto" serve para designar a [[lexico:d:disciplina:start|disciplina]] a que se sujeita a poesia, mesmo na liberdade de seu jogo. Deste ponto de vista, a função da expressão poética é a [[lexico:l:libertacao:start|libertação]] da linguagem de seus usos utilitários e a sua elaboração numa disciplina autônoma. [[lexico:d:dewey:start|Dewey]] insistiu nas mesmas características da expressão poética: "Se, entre [[lexico:p:prosa:start|prosa]] e poesia, não há uma [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] passível de ser definida com exatidão, entre prosaico e poético há um [[lexico:a:abismo:start|abismo]], pois são termos extremos que limitam tendências da [[lexico:e:experiencia:start|experiência]]. O prosaico realiza o poder que as palavras têm de exprimir "por meio da extensão"; o poético, o de exprimir por meio da [[lexico:i:intensao:start|intensão]]. O prosaico lida com [[lexico:d:descricao:start|descrição]] e narração, acumulando detalhes; o poético inverte o [[lexico:p:processo:start|processo]]: "condensa e abrevia, dando assim às palavras uma [[lexico:e:energia:start|energia]] e expansão quase explosiva". Por isso, na poesia "cada palavra é imaginativa, assim como, na verdade, também o foi na prosa até que, pelo desgaste do uso, as palavras foram reduzidas a simples enumeradores"; "a [[lexico:f:forca:start|força]] imaginativa da [[lexico:l:literatura:start|literatura]] é uma intensificação da função idealizante cumprida pelas palavras na linguagem comum" (Art as Experience, 1934, cap. 10; trad. it., pp. 284-85). A maior [[lexico:i:intensidade:start|intensidade]] de que [[lexico:f:fala:start|fala]] Dewey não é emotiva, mas expressiva: é a maior força do significado das palavras que não estão desgastadas pelo uso. Ora, confiar à poesia a função de conservar e restabelecer na linguagem a força de [[lexico:s:significacao:start|significação]], de purificá-la, mantê-la eficiente, renová-la e aperfeiçoá-la é o que, de há um século a esta parte, têm afirmado muitos dos poetas que refletiram sobre o próprio trabalho. As teses fundamentais da concepção da poesia elaborada e pressuposta pelos poetas modernos podem ser recapituladas da seguinte maneira: 1) A poesia é independente de qualquer objetivo [[lexico:p:pratico:start|prático]] ou utilitário. Este caráter foi expresso pela [[lexico:f:formula:start|fórmula]] da arte pela arte, à qual aderiram no século passado artistas como Flaubert, Gautier, Baudelaire, Walter Pater, Oscar Wilde e Allan Poe. O alvo contra o qual se dirige essa fórmula é a [[lexico:s:subordinacao:start|subordinação]] da poesia à emoção, à verdade ou ao [[lexico:d:dever:start|dever]]; seu significado [[lexico:p:positivo:start|positivo]] é a liberdade da poesia no sentido afirmado, p. ex., por Kant. Flaubert diz: "Compor versos simplesmente, escrever um romance, cinzelar mármore, eram coisas boas nos tempos em que não existia a missão [[lexico:s:social:start|social]] do poeta. Agora qualquer obra deve ter significado [[lexico:m:moral:start|moral]], ensinamento bem dosado; é preciso que um soneto tenha alcance filosófico, que um [[lexico:d:drama:start|drama]] pise nos calos dos monarcas e que uma aquarela enobreça os [[lexico:c:costumes:start|costumes]]. A [[lexico:m:mania:start|mania]] de advogar insinua-se em toda a parte, juntamente com a sofreguidão de discutir, perorar, arengar" (Lettre à Louise Colet, 18 de setembro de 1846). No editorial introdutivo do periódico L’artiste (14 de dezembro de 1856), Gautier proclamava: "Cremos na autonomia da arte; para nós a arte não é um meio para um fim. Um [[lexico:a:artista:start|artista]] que corre atrás de um objetivo que não seja a beleza em nossa [[lexico:o:opiniao:start|opinião]] não é artista". A fórmula da arte pela arte é, portanto, substancialmente a defesa da poesia contra qualquer tentativa de torná-la [[lexico:i:instrumento:start|instrumento]] de propaganda de um objetivo qualquer. 2) A beleza é o único fim da poesia. Visto que a arte não pode [[lexico:e:estar:start|estar]] subordinada ao bem, à verdade ou a coisas que pretendam ter tais características, resta-lhe como único fim a beleza, mais precisamente a beleza [[lexico:f:formal:start|formal]], que independe dos conteúdos que lhe são oferecidos pela emoção ou pelo intelecto. Flaubert diz: "Poeta da forma! Eis a grande palavra injuriosa que os utilitários lançam em face dos verdadeiros artistas. (...) Não há belos [[lexico:p:pensamentos:start|Pensamentos]] sem belas formas e vice-versa... A quem escreve em [[lexico:b:bom:start|Bom]] [[lexico:e:estilo:start|estilo]] censura-se o descuido da ideia, do fim moral; como se a tarefa do médico não fosse curar, a do pintor pintar, a do rouxinol cantar e como se a [[lexico:f:finalidade:start|finalidade]] da arte não fosse, antes de tudo, o [[lexico:b:belo:start|belo]]" (Lettre à Louise Colet, 18 de setembro de 1846). E Poe afirmava: "A poesia, enquanto arte da palavra, é a [[lexico:c:criacao:start|criação]] rítmica da beleza. Seu único árbitro é o [[lexico:g:gosto:start|gosto]]: com o intelecto ou com a [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] ela só tem relações colaterais. A não ser por [[lexico:a:acaso:start|acaso]], ela não cuida absolutamente do dever nem da verdade" ("The Poetic Principle", Works, ed. Harrison, XIV, p. 275). 3) O caráter da beleza é objetivo; ela está [[lexico:a:alem:start|além]] da experiência emotiva. Flaubert dizia: "Quanto menos se sente uma [[lexico:c:coisa:start|coisa]] tanto mais se tem [[lexico:c:capacidade:start|capacidade]] para exprimi-la tal qual ela é (tal qual ela é sempre, em si mesma, na sua universalidade, livre de todas as suas contingências efêmeras). É preciso, porém, ter a faculdade de fazer-se senti-la, e isso é o [[lexico:g:genio:start|gênio]]" (Lettre à Louise Colet, 6 de julho de 1852). E T. S. Eliot, apoiando esse conceito, escrevia: "A poesia não é um livre [[lexico:m:movimento:start|movimento]] da emoção, mas uma [[lexico:f:fuga:start|fuga]] da emoção; não é a expressão da [[lexico:p:personalidade:start|personalidade]], mas a fuga da personalidade. Naturalmente, porém, só os que possuem personalidade e emoção sabem o que pretendemos dizer quando aludimos à necessidade de fuga dessas coisas. (...) A emoção da arte é [[lexico:i:impessoal:start|impessoal]]. E o poeta não pode alcançar essa impessoalidade sem entregar-se inteiramente à obra que deve ser feita" (The Sacred Wood, 1920; trad. it., pp. 124-25). No mesmo sentido Ungaretti disse: "Toda a minha atividade poética, desde 1919, desenvolvia-se nesse sentido, um sentido mais objetivo, (...) uma projeção e uma [[lexico:c:contemplacao:start|contemplação]] dos sentimentos nos objetos, uma tentativa de elevar a [[lexico:i:ideias:start|ideias]] e a mitos a minha própria experiência biográfica" (La [[lexico:t:terra:start|Terra]] promessa, [[lexico:n:nota:start|nota]] de Leone Piccioni). 4) A poesia tem caráter construtivo, a beleza tem caráter [[lexico:c:construido:start|construído]]. Estas foram teses de Poe, Baudelaire e [[lexico:v:valery:start|Valéry]]. O primeiro descreveu a construção poética como uma [[lexico:e:especie:start|espécie]] de trabalho [[lexico:a:artesanal:start|artesanal]] ("The Philosophy of Composition" em Works, ed. Harrison, XIV, p. 196). Baudelaire, por sua vez, insistiu no conceito da arte como composição: "Todo o universo visível é só um armazém de imagens e de signos aos quais a imaginação atribuirá um lugar e um valor [[lexico:r:relativo:start|relativo]]; é uma espécie de forragem que a imaginação precisa digerir e transformar" ("Salon de 1859", OEuvres, ed. Le Dantec, II, p. 232). Mas foi Valéry quem mais enfatizou o caráter da arte como construção: "As criações do homem são feitas com vistas ao próprio [[lexico:c:corpo:start|corpo]] — e dá a esse [[lexico:p:principio:start|princípio]] o nome de [[lexico:u:utilidade:start|utilidade]]— ou com vistas à própria alma — e isso ele procura com o nome de beleza. Mas, por outro lado, quem constrói ou cria, comprometido como está com o resto do mundo e com o movimento da natureza, que tendem perpetua-mente a dissolver, corromper ou arruinar o que ele faz, precisa discernir um [[lexico:t:terceiro:start|terceiro]] princípio, que tenta comunicar às próprias obras, capaz de exprimir a resistência que estas deverão opor ao seu [[lexico:d:destino:start|destino]] de obras perecíveis. Em [[lexico:s:suma:start|suma]], ele cria a solidez e a [[lexico:d:duracao:start|duração]]. Eis as grandes características de uma obra completa. Só a [[lexico:a:arquitetura:start|arquitetura]] exige-as e eleva-as ao ponto culminante. Considero-a a arte mais completa" (Eupalinos, trad. it., pp. 141-42). Assim, o caráter arquitetônico da arte é condicionado pela resistência que ela encontra nas forças naturais e pela vitória sobre essa resistência. Por outro lado, um [[lexico:c:corolario:start|corolário]] do caráter construtivo ou arquitetônico da atividade poética é o controle sobre a inspiração, já ressaltado por Baudelaire: "Alimento substancioso e regular é a única coisa necessária para os escritores fecundos. A inspiração é decididamente irmã do trabalho cotidiano. Esses dois contrários não se excluem, tanto quanto não se excluem os contrários que constituem a natureza. A inspiração obedece, tanto quanto a fome, a digestão, o sono" ("Conseils aux jeunes littérateurs", 6, OEuvres, ed. Le Dantec, II, p. 388). 5) A poesia tem caráter comunicativo. Flaubert dizia: "O poeta deve simpatizar com tudo e com todos para compreendê-los e descrevê-los" (Lettre à Mlle. Leroyer de Chantepie, 12 de dezembro de 1857). E Baudelaire: "Prefiro o poeta que está em permanente [[lexico:c:comunicacao:start|comunicação]] com os homens de seu [[lexico:t:tempo:start|tempo]], trocando com eles pensamentos e sentimentos que se traduzem em linguagem nobre e suficientemente correta. Situado num dos pontos da circunferência da [[lexico:h:humanidade:start|humanidade]], o poeta retransmite na mesma linha, com vibrações mais melodiosas, o [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] humano que lhe foi transmitido. O verdadeiro poeta deve ser uma [[lexico:e:encarnacao:start|encarnação]]" ("Pierre Dupont", CEuvres, ed. Le Dantec, I, p. 404). 6B Deve-se buscar a perfeição formal, que é a exatidão ou [[lexico:p:precisao:start|precisão]] expressiva. Flaubert queria que a poesia fosse "tão exata quanto a [[lexico:g:geometria:start|geometria]]" (Lettre à Louise Colet, 14 de agosto de 1853) e afirmava: "Quanto mais uma ideia é bela tanto mais a [[lexico:f:frase:start|frase]] é harmoniosa. A exatidão do pensamento faz (ou melhor, é) a exatidão da palavra" (Lettre à Mlle. Leroyer de Chantepie, 12 de dezembro de 1857). Mallarmé insistiu nesse aspecto da poesia: "A arte suprema consiste em mostrar, com a [[lexico:p:posse:start|posse]] impecável de todas as faculdades, que se está em [[lexico:e:extase:start|êxtase]], sem demonstrar de que maneira se chega ao cume" (Lettre à Henri Cazalis, 27 de novembro de 1863). Valéry escreveu a [[lexico:r:respeito:start|respeito]]: "Procurei a exatidão nos pensamentos, para que, patentemente gerados pela [[lexico:o:observacao:start|observação]] das coisas, se transformassem, como por um processo espontâneo, nos atos da minha arte. Distribuí minhas atenções, refiz a ordem dos problemas; [[lexico:c:comeco:start|começo]] onde antes eu terminava, para ir um pouco mais adiante. (...) Avaro de fantasias, concebo como se perseguisse" (Eupalinos; trad. it, p. 91). E Ungaretti disse no mesmo sentido: "Eu sonhava com uma poesia em que os [[lexico:m:misterios:start|mistérios]] da alma, não atraiçoados nem falseados em seus impulsos, se conciliassem com uma extrema [[lexico:s:sabedoria:start|sabedoria]] do discurso" (Quaranta sonetti di Shakespeare, Nota intr.). Mallarmé estendeu a [[lexico:p:preocupacao:start|preocupação]] da exatidão à própria [[lexico:e:escrita:start|escrita]]: "O arcabouço intelectual do poema dissimula-se e sustenta-se — acontece — no [[lexico:e:espaco:start|espaço]] que isola as estrofes e o branco do papel: [[lexico:s:silencio:start|silêncio]] significativo, de composição tão bela quanto a dos próprios versos" (Lettre non datée à Charles Morice, cf. Propos sur Ia poésie, ed. Mondor, p. 164). 7) Finalmente, como recapitulação de todos os aspectos acima enumerados da poesia, também lhe é atribuída a função de manutenção de uma linguagem eficiente. Essa função foi explicada com toda a energia e clareza possíveis por Ezra Pound: a função da literatura "não é a coerção ou a [[lexico:p:persuasao:start|persuasão]] por vias emocionais" nem a [[lexico:c:coacao:start|coação]] a adotar certas opiniões. "Sua função tem a [[lexico:v:ver:start|ver]] com a clareza e o vigor de qualquer pensamento ou opinião. Diz respeito à preservação e ao esmero dos instrumentos, à saúde da própria [[lexico:s:substancia:start|substância]] do pensamento. Com [[lexico:e:excecao:start|exceção]] de casos raros e limitados de [[lexico:i:invencao:start|invenção]] nas artes plásticas ou na [[lexico:m:matematica:start|matemática]], o indivíduo não pode [[lexico:p:pensar:start|pensar]] e comunicar o seu pensamento, o governante e o legislador não podem agir eficazmente e redigir suas leis sem as palavras, e a solidez e a validade dessas palavras dependem dos cuidados dos malditos e desprezados literatos" (Literary Essays; trad. it., p. 47). Desse ponto de vista, "a manutenção de uma linguagem eficiente é tão importante para as finalidades do pensamento quanto em cirurgia é importante manter os bacilos do tétano distantes das ataduras"; essa função cabe à poesia, que "é simplesmente linguagem carregada de significado no máximo grau [[lexico:p:possivel:start|possível]]" (Ibid., p. 49). A poesia executa essa função de três maneiras; por isso, são três as espécies de poesia: melopeia, na qual "as palavras, além do seu significado comum, comportam alguma [[lexico:q:qualidade:start|qualidade]] musical que condiciona o alcance e a direção desse significado"; fanopeia, que "é a projeção de imagens sobre a fantasia visual"; e logopeia, na qual as palavras são usadas não só em seu significado direto, mas também em vista de usos e costumes, do contexto, das concomitâncias habituais, das acepções conhecidas e da [[lexico:i:ironia:start|ironia]] (Ibid., p. 52). Não há dúvida de que essas observações de Pound constituem o ponto culminante da estética contemporânea da poesia. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}