===== PLATONISMO ===== É a doutrina filosófica de [[lexico:p:platao:start|Platão]] (427-347 a. C.) e de sua [[lexico:e:escola:start|escola]], a [[lexico:a:academia:start|Academia]], por ele fundada e que, ressuscitada pelo [[lexico:n:neoplatonismo:start|neoplatonismo]], por S. [[lexico:a:agostinho:start|Agostinho]] e pelo [[lexico:r:renascimento:start|Renascimento]], continuou exercendo grande [[lexico:i:influencia:start|influência]] no transcurso dos séculos. Platão, sob a influência decisiva de [[lexico:s:socrates:start|Sócrates]], propôs-se [[lexico:s:ser:start|ser]] o educador da juventude ateniense, segundo o [[lexico:m:modelo:start|modelo]] das comunidades pitagóricas de varões e chefes. Após o fracasso de seus planos, fundou a Academia e, através dos [[lexico:d:dialogos:start|diálogos]] que escreveu, deixa-nos entrever suas [[lexico:i:ideias:start|ideias]] filosóficas e sua concepção do [[lexico:u:universo:start|universo]]. A [[lexico:r:reforma:start|Reforma]] [[lexico:p:politica:start|política]], ele a cimentava numa sólida [[lexico:m:mundividencia:start|mundividência]], na [[lexico:c:conviccao:start|convicção]] da [[lexico:e:existencia:start|existência]] de valores imutavelmente válidos. A [[lexico:e:expressao-filosofica:start|expressão filosófica]] desta mundividência é a [[lexico:t:teoria-platonica-das-ideias:start|teoria platônica das ideias]]. Enquanto os sentidos nos mostram somente o [[lexico:m:mundo:start|mundo]] do [[lexico:d:devir:start|devir]] e do perecer, [[lexico:t:termo:start|termo]] médio entre o ser propriamente [[lexico:d:dito:start|dito]] e o [[lexico:n:nada:start|nada]], o [[lexico:n:nous:start|noûs]] (a [[lexico:r:razao:start|razão]]) penetra até às ideias, formas exemplares ou unidades objetivas eternas, [[lexico:n:nao:start|não]] sensíveis, que existem fora e acima das [[lexico:c:coisas:start|coisas]] sensíveis e conferem seu [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]] [[lexico:s:sentido:start|sentido]] ao mundo e à [[lexico:v:vida:start|vida]]. As coisas perecíveis participam das ideias, imitam-nas. A ascensão ao [[lexico:b:bem:start|Bem]] e ao [[lexico:b:belo:start|belo]] das ideias verifica-se mediante a [[lexico:p:paixao:start|paixão]] do [[lexico:e:eros:start|Eros]], do [[lexico:a:amor:start|amor]] (platônico) que anela e investiga a [[lexico:b:beleza:start|beleza]] e a [[lexico:v:verdade:start|verdade]]. As ideias radicam em [[lexico:d:deus:start|Deus]] (= [[lexico:i:ideia:start|ideia]] do Bem). O mundo não foi criado: a [[lexico:m:materia:start|matéria]] é eterna, mas o [[lexico:d:demiurgo:start|demiurgo]], o plasmador do universo moldou-a formando com ela o cosmos e vivificou-a com uma [[lexico:a:alma-do-mundo:start|alma do mundo]]. A [[lexico:a:alma:start|alma]] é [[lexico:p:principio:start|princípio]] do [[lexico:m:movimento:start|movimento]] e da vida; procede de um mundo ultraterreno. A elevação da [[lexico:m:mente:start|mente]] à [[lexico:c:contemplacao:start|contemplação]] das ideias consiste numa [[lexico:r:reminiscencia:start|reminiscência]] ([[lexico:a:anamnesis:start|anamnesis]]) das ideias contempladas na existência anterior, suscitada pelos objetos sensíveis. A vida humana tem, como [[lexico:f:finalidade:start|finalidade]], assemelhar-se a Deus, ideia suprema do bem. [[lexico:c:condicao:start|Condição]] para alcançar este [[lexico:f:fim:start|fim]] é a reta [[lexico:f:formacao:start|formação]] e [[lexico:e:educacao:start|educação]] na [[lexico:c:comunidade:start|comunidade]] e pela comunidade verdadeira e ordenada, descrita na famosa [[lexico:u:utopia:start|utopia]] "A [[lexico:r:republica:start|República]]" e, em [[lexico:f:forma:start|forma]] mais mitigada, nas "Leis" ([[lexico:o:obra:start|obra]] [[lexico:e:escrita:start|escrita]] já nos últimos anos da vida do [[lexico:f:filosofo:start|filósofo]]). Assim como na alma do [[lexico:h:homem:start|homem]] deve reinar a [[lexico:h:harmonia:start|harmonia]] entre suas três partes concupiscível, [[lexico:i:irascivel:start|irascível]] e [[lexico:r:racional:start|racional]], assim a grande comunidade política, o [[lexico:e:estado:start|Estado]] educador, em suas três partes — os filósofos como chefes, os guardas e o [[lexico:p:povo:start|povo]] dedicado ao [[lexico:t:trabalho:start|trabalho]] —, deve [[lexico:e:estar:start|estar]] dominada pela harmonia justa ou [[lexico:j:justica:start|justiça]] legal, em conformidade com a qual cada [[lexico:p:parte:start|parte]] tem a [[lexico:f:funcao:start|função]] que lhe compete. Um esmerado [[lexico:s:sistema:start|sistema]] formativo deve preparar as classes dos dirigentes e guardas. A eles se aplica a comunidade de [[lexico:b:bens:start|bens]] e também a de [[lexico:m:mulheres:start|mulheres]], com a adoção de rigorosas medidas eugênicas. O [[lexico:m:mito:start|mito]] da [[lexico:t:transmigracao:start|transmigração]] das almas e da [[lexico:r:retribuicao:start|retribuição]] eterna (República, X) procura, frente à [[lexico:c:crenca:start|crença]] grosseira do povo e ao [[lexico:c:ceticismo:start|ceticismo]] zombeteiro dos [[lexico:s:sofistas:start|sofistas]], afirmar uma séria tomada de [[lexico:p:posicao:start|posição]] perante os problemas da [[lexico:i:imortalidade:start|imortalidade]], da [[lexico:r:responsabilidade:start|responsabilidade]] ultramundana e do fim [[lexico:u:ultimo:start|último]] do homem. — Schuster. (in. Platonism; fr. Platonisme; al. Platonismus; it. Platonismó). Os [[lexico:e:elementos:start|elementos]] da doutrina de Platão considerados característicos desde [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] podem ser re-capitulados da seguinte maneira: 1) A doutrina das ideias, segundo a qual são objetos do [[lexico:c:conhecimento-cientifico:start|conhecimento científico]] entidades ou valores que têm um [[lexico:s:status:start|status]] diferente do das coisas naturais, caracterizando-se pela [[lexico:u:unidade:start|unidade]] e pela [[lexico:i:imutabilidade:start|imutabilidade]] (v. ideia). Com base nesta doutrina, o [[lexico:c:conhecimento-sensivel:start|conhecimento sensível]], que tem por [[lexico:o:objeto:start|objeto]] as coisas na sua [[lexico:m:multiplicidade:start|multiplicidade]] e mutabilidade, não têm o mínimo [[lexico:v:valor:start|valor]] de verdade e podem apenas obstar à aquisição do [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] [[lexico:a:autentico:start|autêntico]]. 2) A doutrina da superioridade da [[lexico:s:sabedoria:start|sabedoria]] sobre o [[lexico:s:saber:start|saber]], ou seja, do [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]] [[lexico:p:politico:start|político]] da [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]], cuja meta final é a realização da justiça nas [[lexico:r:relacoes:start|relações]] humanas e portanto em cada homem (v. sabedoria). 3) A doutrina da [[lexico:d:dialetica:start|dialética]] como procedimento científico por [[lexico:e:excelencia:start|excelência]], como [[lexico:m:metodo:start|método]] através do qual a [[lexico:i:investigacao:start|investigação]] conjunta consegue, em primeiro [[lexico:l:lugar:start|lugar]], reconhecer uma única ideia, para depois dividi-la em suas articulações específicas (v. dialética). Estes são também os três aspectos polêmicos que opôs Aristóteles e Platão; por marcarem a [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] entre platonismo e [[lexico:a:aristotelismo:start|aristotelismo]], serviram para caracterizar este último ao longo dos séculos. E óbvio que não esgotam a doutrina original de Platão, que, portanto, não coincide com o "platonismo". É preciso notar que as teses acima expostas não caracterizam o denominado platonismo da [[lexico:r:renascenca:start|Renascença]]. Este, na [[lexico:r:realidade:start|realidade]], é um neoplatonismo que lança mão das teses fundamentais do neoplatonismo antigo. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}