===== PLATÃO ===== Platão (427-347): de nobre [[lexico:f:familia|família]] ateniense; primeiramente, [[lexico:p:poeta|poeta]]; discípulo de [[lexico:s:socrates|Sócrates]]; várias viagens à Itália meridional e à Sicília; [[lexico:c:criacao|criação]] da "[[lexico:a:academia|Academia]]" em Atenas. **Escritos principais ([[lexico:d:dialogos|Diálogos]]):** — Escritos de juventude: (definições éticas, essencialmente socráticos): [[lexico:a:apologia|apologia]] de Sócrates, [[lexico:c:criton|Críton]], Ion, [[lexico:p:protagoras|Protágoras]] ([[lexico:u:unidade|unidade]] da [[lexico:v:virtude|virtude]] e [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] de ensiná-la), Laquete ([[lexico:v:valor|valor]]), [[lexico:r:republica|República]], liv. I ([[lexico:j:justica|justiça]]), [[lexico:c:carmides|Cármides]] (moderação), [[lexico:e:eutifron|Eutífron]] ([[lexico:p:piedade|piedade]]), Lísis ([[lexico:a:amizade|amizade]]). — Escritos de transição (tomada de [[lexico:p:posicao|posição]] perante questões políticas, concepções órfico-pitagóricas, passagem da doutrina [[lexico:l:logica|lógica]] do [[lexico:c:conceito|conceito]] à [[lexico:t:teoria|teoria]] das [[lexico:i:ideias|ideias]]): [[lexico:g:gorgias|Górgias]] ([[lexico:s:sofistica|sofística]]), [[lexico:m:menon|Ménon]] (virtude), Eutidemo, [[lexico:h:hipias|Hípias]] menor, Hípias maior, [[lexico:c:cratilo|Crátilo]] ([[lexico:f:filosofia-da-linguagem|filosofia da linguagem]]), Menexeno. — Escritos de maturidade (aperfeiçoamento da teoria das ideias): [[lexico:b:banquete|Banquete]] ([[lexico:e:eros|Eros]] e [[lexico:b:beleza|beleza]]), [[lexico:f:fedon|Fédon]] ([[lexico:i:imortalidade|imortalidade]]), República, liv. II-X (o [[lexico:e:estado|Estado]]), [[lexico:f:fedro|Fedro]] ([[lexico:r:retorica|retórica]]). — Escritos da [[lexico:v:velhice|velhice]] ([[lexico:s:significado|significado]] [[lexico:l:logico|lógico]] da teoria das ideias, maior [[lexico:r:realismo|realismo]] na teoria do Estado): [[lexico:t:teeteto|Teeteto]] ([[lexico:c:ciencia|ciência]]), [[lexico:p:parmenides|Parmênides]] (objeções à doutrina das ideias), [[lexico:s:sofista|sofista]], [[lexico:p:politico|Político]], [[lexico:f:filebo|Filebo]] (o [[lexico:b:bem|Bem]]), [[lexico:t:timeu|Timeu]] ([[lexico:f:filosofia-natural|filosofia natural]]), [[lexico:c:critias|Crítias]], Leis, [[lexico:e:epinomis|Epinomis]] ([[lexico:s:sabedoria|sabedoria]]). Platão nasceu em Atenas, em 428/427 a.C. Seu [[lexico:v:verdadeiro|verdadeiro]] [[lexico:n:nome|nome]] era Aristócles. Platão é um apelido que derivou, como referem alguns, de seu vigor [[lexico:f:fisico|físico]] ou, como contam outros, da amplitude de seu [[lexico:e:estilo|estilo]] ou ainda da [[lexico:e:extensao|extensão]] de sua testa (em [[lexico:g:grego|grego]], platos significa precisamente "amplitude", "largueza", "extensão"). Seu pai contava orgulhosamente com o rei Codros entre seus antepassados, ao passo que sua mãe se orgulhava do parentesco com Sólon. Assim é [[lexico:n:natural|natural]] que, desde a juventude, Platão já visse na [[lexico:v:vida|vida]] [[lexico:p:politica|política]] o seu [[lexico:p:proprio|próprio]] [[lexico:i:ideal|ideal]]: nascimento, [[lexico:i:inteligencia|inteligência]], aptidões pessoais, tudo o levava para essa direção. [[lexico:e:esse|esse]] é um [[lexico:d:dado|dado]] biográfico absolutamente [[lexico:e:essencial|essencial]], que mcidiria profundamente na [[lexico:s:substancia|substância]] mesma de seu [[lexico:p:pensamento|pensamento]]. [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]] nos relata que Platão foi inicialmente discípulo de Crátilo, seguidor de [[lexico:h:heraclito|Heráclito]]. Posteriormente, foi discípulo de Sócrates. O encontro de Platão com Sócrates se deu provavelmente quando Platão tinha aproximadamente vinte anos. E certo, porém, que Platão frequentou o [[lexico:c:circulo|círculo]] de Sócrates com o mesmo [[lexico:o:objetivo|objetivo]] da maior [[lexico:p:parte|parte]] dos outros jovens, ou seja, [[lexico:n:nao|não]] para fazer da [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] a [[lexico:f:finalidade|finalidade]] de sua própria vida, mas para melhor se preparar, pela filosofia, para a vida política. Entretanto, os acontecimentos orientariam a vida de Platão em outra direção. Platão travou seu primeiro contato direto com a vida política em 404/403 a.C, quando a [[lexico:a:aristocracia|aristocracia]] assumiu o poder e dois parentes seus, Cármides e Crítias, tiveram importante [[lexico:p:participacao|participação]] no [[lexico:g:governo|governo]] oligárquico. Foi certamente uma [[lexico:e:experiencia|experiência]] amarga e frustrante para ele, em [[lexico:c:consequencia|consequência]] dos métodos facciosos e violentos que constatou serem aplicados exatamente por aqueles nos quais depositava confiança. Entretanto, seu desgosto com os métodos da política praticada em Atenas deve [[lexico:t:ter|ter]] alcançado o máximo de sua [[lexico:e:expressao|expressão]] com a condenação de Sócrates à [[lexico:m:morte|morte]]. Os responsáveis por essa condenação foram os democratas (que haviam retomado o poder). Assim, Platão convenceu-se de que para ele, naquele [[lexico:m:momento|momento]], era [[lexico:b:bom|Bom]] manter-se afastado da política militante. Após o ano de 399 a.C, Platão esteve em Mégara com alguns outros discípulos de Sócrates, hospedando-se em casa de [[lexico:e:euclides|Euclides]] (provavelmente para evitar possíveis perseguições, que poderiam lhe advir pelo [[lexico:f:fato|fato]] de ter participado do círculo [[lexico:s:socratico|socrático]]). Entretanto, não se deteve longamente em Mégara. Em 388 a.C, aos quarenta anos, Platão viajou para a Itália. Se esteve também no Egito e em Cirene [[lexico:c:como-se|como se]] conta, tais viagens devem ter acontecido antes de 388 a.C. No entanto, a autobiografia da Carta VII [[lexico:n:nada|nada]] [[lexico:f:fala|fala]] sobre elas. O [[lexico:d:desejo|desejo]] de conhecer as comunidades dos pitagóricos (e, de fato, conheceu Árquita, como sabemos através da Carta VII) foi que o levou a empreender a viagem até a Itália. Durante essa viagem, Platão foi convidado pelo tirano Dionísio I a ir até Siracusa, na Sicília. Certamente, Platão esperava poder inculcar no tirano o ideal do rei-filósofo, ideal esse já substancialmente proposto no Górgias, [[lexico:o:obra|obra]] que precede a viagem. Em Siracusa, Platão logo se indispôs com o tirano e sua corte (precisamente por sustentar os [[lexico:p:principios|princípios]] expressos no Górgias). Todavia, estabeleceu forte vínculo de amizade com Dion, parente do tirano, no qual Platão acreditou encontrar um discípulo capaz de se tornar rei-filósofo. Dionísio irritou-se de tal [[lexico:f:forma|forma]] com Platão que determinou fosse ele vendido como [[lexico:e:escravo|escravo]] a um embaixador espartano na [[lexico:c:cidade|cidade]] de Egina (narrando os fatos de forma mais [[lexico:s:simples|simples]], forçado a desembarcar em Egina, que se encontrava em [[lexico:g:guerra|guerra]] com Atenas, talvez Platão tenha sido mantido como escravo). Felizmente, porém, foi resgatado por Anicérides de Cirene, que se encontrava naquela cidade. Retornando a Atenas, Platão fundou a Academia em um ginásio situado no parque dedicado ao [[lexico:h:heroi|herói]] Academos, de onde derivou o nome. O Menon foi provavelmente o primeiro [[lexico:d:dialogo|diálogo]] de Platão a divulgar a nova [[lexico:e:escola|escola]]. Logo a Academia adquiriu grande [[lexico:p:prestigio|prestígio]], a ela acorrendo numerosos jovens e até mesmo homens ilustres. Em 367 a.C, Platão voltou à Sicília: Dionísio I falecera, tendo-lhe sucedido o [[lexico:f:filho|filho]] Dionísio II, que, segundo afiançava Dion, poderia colaborar bem mais que o pai para a realização dos desígnios de Platão. Dionísio II, entretanto, revelou as mesmas tendências do pai: exilou Dion, acusando-o de tramar contra o trono, e manteve Platão quase como um prisioneiro. Dionísio só permitiu que Platão retornasse a Atenas porque estava empenhado numa guerra. Em 361 a.C, Platão voltou pela terceira vez à Sicília. Em seu [[lexico:r:regresso|regresso]] a Atenas, lá encontrou Dion, que se havia refugiado nessa cidade. Dion o convenceu a aceitar novo e insistente convite de Dionísio, na [[lexico:e:esperanca|esperança]] de que, dessa forma, também ele seria recebido em Siracusa. Dionísio desejava novamente a [[lexico:p:presenca|presença]] de Platão na corte com a única finalidade de completar sua própria preparação filosófica. Foi, porém, um grave [[lexico:e:erro|erro]] acreditar na [[lexico:m:mudanca|mudança]] de sentimentos de Dionísio. Platão teria até mesmo arriscado perder a própria vida, não fosse a proteção de Árquita e dos amigos da cidade de Taranto. Em 367 a.C, Dion conseguiria tomar o poder em Siracusa, mas por pouco [[lexico:t:tempo|tempo]] apenas, vindo a [[lexico:s:ser|ser]] assassinado em 353 a.C. Em 360 a.C, Platão retornou a Atenas, onde permaneceu na direção da Academia até sua morte, ocorrida em 347 a.C. Os escritos de Platão chegaram até nós em sua [[lexico:t:totalidade|totalidade]]. A [[lexico:d:disposicao|disposição]] que lhes foi conferida, da qual nos dá conta o gramático Trasilo, baseia-se no conteúdo dos próprios escritos. Os trinta e seis trabalhos foram subdivididos nas nove tetralogias seguintes: I: Eutífron, Apologia de Sócrates, Críton, Fédon; II: Crátilo, Teeteto, O Sofista, A Política; III: Parmênides, Filebo, O Banquete, Fedro; TV: Alcebíades I, Alcebíades II, [[lexico:h:hiparco|Hiparco]], Os Amantes; V: [[lexico:t:teages|Teages]], Cármides, Laques, Lísis; VI: Eutidemo, Protágoras, Górgias, Menon; VII: Hípias menor, Hípias maior, Ion, Menexeno; VIII: Clitofonte, A República, Timeu, Crítias; LX: [[lexico:m:minos|Minos]], As Leis, Epinome, Cartas. A [[lexico:i:interpretacao|interpretação]] correta e a avaliação desses escritos propõem uma [[lexico:s:serie|série]] de problemas extremamente complexos que, em seu conjunto, constituem a "[[lexico:q:questao|questão]] platônica". Obra completa em grego e em inglês