===== PIRRO ===== Considera-se que foi Pirro de Eleia (369-270) o fundador do [[lexico:c:ceticismo|ceticismo]]. Dizia ele que ante dois juízos contraditórios, tanto um é [[lexico:v:verdadeiro|verdadeiro]] como o [[lexico:o:outro|outro]]. Recomendava por isso a [[lexico:e:epoche|epoche]]. É [[lexico:v:verdade|verdade]] que antes de Pirro já se verificava no [[lexico:m:mundo|mundo]] helênico afirmativas cépticas. Encontramos em [[lexico:h:heraclito|Heráclito]] e [[lexico:p:parmenides|Parmênides]] fragmentos em que nos afirmam os limites do [[lexico:c:conhecimento-sensivel|conhecimento sensível]]. Entre os [[lexico:s:sofistas|sofistas]], surge a [[lexico:d:duvida|dúvida]] quanto ao [[lexico:v:valor|valor]] do [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] intelectual e basta reproduzamos estas [[lexico:p:palavras|palavras]] de [[lexico:p:protagoras|Protágoras]] : "Tudo o que as [[lexico:c:coisas|coisas]] me parecem, elas o são para mim; tudo o que elas te parecem, o são para ti." Mas Pirro constrói um ceticismo [[lexico:u:universal|universal]]. "Nós [[lexico:n:nao|não]] nos devemos ficar nem nos sentidos nem na [[lexico:r:razao|razão]], mas permanecer sem [[lexico:o:opiniao|opinião]], sem inclinarmo-nos nem de um lado nem de outro, impassíveis. Qualquer que seja a [[lexico:c:coisa|coisa]] de que se trate, diremos que não se deve nem afirmá-la nem negá-la, ou melhor : que se deve afirmá-la e negá-la simultaneamente, ou ainda: nem se deve afirmá-la nem negá-la. Se estamos nestas disposições, atingiremos desde logo a aphasia (em nossa [[lexico:l:lingua|língua]] [[lexico:s:silencio|silêncio]]), depois a [[lexico:a:ataraxia|ataraxia]]" ([[lexico:a:ausencia|ausência]] de perturbação), dizia Timon, discípulo de Pirro. Foi o ceticismo universal, que é o ceticismo [[lexico:c:classico|clássico]], continuado por Enesidemo e [[lexico:s:sexto-empirico|Sexto Empírico]], cujos [[lexico:t:tropos|tropos]] tivemos [[lexico:o:ocasiao|ocasião]] de examinar em "[[lexico:f:filosofia|Filosofia]] e Cosmovisão", para onde remetemos o leitor, pois, aí, coligimos todos os argumentos clássicos dos céticos pirrônicos. Pirro (c.365-275 a.C.) O [[lexico:f:filosofo|filósofo]] [[lexico:g:grego|grego]] Pirro de Elida foi o fundador do "ceticismo propriamente [[lexico:d:dito|dito]]. Sua doutrina, eminentemente prática, pode se resumir nas seguintes proposições: a) sobre todas as coisas, devemos suspender nosso [[lexico:j:juizo|juízo]], [[lexico:n:nada|nada]] devemos afirmar ou negar (é a dúvida universal dos sofistas); b) tudo o que se apresenta como verdade não passa de [[lexico:h:habito|hábito]] e convenção; c) precisamos distinguir entre os fenômenos e as [[lexico:c:causas|causas]] incognoscíveis: é indiscutível que sinto o [[lexico:g:gosto|gosto]] do mel, mas não posso [[lexico:a:apreender|apreender]] a [[lexico:r:relacao|relação]] entre minha [[lexico:s:sensacao|sensação]] e a [[lexico:n:natureza|natureza]] do mel; d) [[lexico:c:consequencia|consequência]] prática: a indiferença absoluta em relação a tudo, uma vez que nada é [[lexico:b:bom|Bom]] ou mau em si, não há [[lexico:l:lugar|lugar]] para preferir uma coisa à outra; tudo é indiferente, eis o segredo da [[lexico:f:felicidade|felicidade]].