===== PENSAMENTO CLARO E DISTINTO ===== Nós temos, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], a [[lexico:i:ideia:start|ideia]] da [[lexico:e:extensao:start|extensão]]. Pois [[lexico:b:bem:start|Bem]]: nossa ideia da extensão é indubitável; é minha [[lexico:c:consciencia:start|consciência]]; é [[lexico:e:eu:start|eu]] mesmo pensando. Porém a extensão pensada nessa ideia, existe ou [[lexico:n:nao:start|não]] existe? Eis aqui o [[lexico:p:problema:start|problema]] fundamental que não se apresenta para o [[lexico:r:realismo:start|realismo]] e que constitui o mais grave e mais difícil de todos os problemas para o [[lexico:i:idealismo:start|Idealismo]]. Como resolve [[lexico:d:descartes:start|Descartes]] este problema? Como extrai Descartes do [[lexico:e:eu-puro:start|eu puro]] o [[lexico:m:mundo:start|mundo]] das [[lexico:c:coisas-reais:start|coisas reais]], os objetos do [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]]? O [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de partida é uma [[lexico:e:existencia:start|existência]]; o eu, meu eu. Eu existo: disso estamos absolutamente certos; porém é a única [[lexico:c:coisa:start|coisa]] de que estamos absolutamente certos. Como [[lexico:a:agora:start|agora]] eu com meus [[lexico:p:pensamentos:start|Pensamentos]] posso passar de minha existência e dos meus pensamentos a outras existências que não sejam a minha existência? Como posso passar a elas? A primeira coisa que fez Descartes foi distinguir entre os pensamentos. Os pensamentos são muitos, múltiplos, variados. Eu penso uma porção de pensamentos; eu penso o [[lexico:s:sol:start|sol]], a lua, este quarto, o [[lexico:t:triangulo:start|triângulo]], o ângulo, o poliedro, a [[lexico:r:raiz:start|raiz]] quadrada de três, [[lexico:d:deus:start|Deus]]. Todos estes são pensamentos meus. O que primeiro faz Descartes é distinguir entre eles, e os divide em dois grupos: Uns, nos quais eu mesmo vejo. examinando-os como tais pensamentos, que são pensamentos confusos, pensamentos nos quais o pensado dentro do [[lexico:p:proprio:start|próprio]] pensamento está confuso, está [[lexico:o:obscuro:start|obscuro]]; não estão definidas nitidamente as partes internas deste pensamento; também não estão separados claramente o pensado nele do pensado em outros pensamentos. Outros pensamentos, pelo contrário, são claros e distintos. O pensado nele é perfeitamente discernível do pensado em qualquer [[lexico:o:outro:start|outro]] pensamento, e ademais o pensado neles está perfeitamente dividido nos seus [[lexico:e:elementos:start|elementos]], de [[lexico:s:sorte:start|sorte]] que eu posso colocar a [[lexico:a:atencao:start|atenção]] sem confusão qualquer nos diferentes elementos ou partes de que se compõe este pensamento. Descartes adverte que existe uma enormidade de razões para duvidar dos pensamentos confusos e obscuros; porém que, se tratando de pensamentos claros e distintos, de [[lexico:i:ideias:start|ideias]] claras e distintas, as razões que existem para duvidar são muito menos fortes. Eu posso duvidar de que exista o sol porque é um pensamento confuso e obscuro; compõe-se de muitas [[lexico:c:coisas:start|coisas]] misturadas: uma [[lexico:f:forma:start|forma]] geométrica, a distância, calor, [[lexico:l:luz:start|luz]]; uma porção de coisas misturadas que haveria que separar muito cuidadosamente. Eu posso [[lexico:e:estar:start|estar]] sonhando que exista o sol, e não [[lexico:e:existir:start|existir]] o sol. O mundo [[lexico:s:sensivel:start|sensível]] se compõe de Pensamentos obscuros e confusos que dão vulto e margem à [[lexico:d:duvida:start|dúvida]]. Mas estes pensamentos obscuros e confusos que dão margem à dúvida, eu posso analisá-los, eu posso decompô-los nos seus elementos. Posso por exemplo, tirar do sol o calor, tirar a luz, tirar o [[lexico:p:peso:start|peso]], tirar o [[lexico:m:movimento:start|movimento]] e ficarei com uma forma esférica. Então o pensamento geométrico da [[lexico:e:esfera:start|esfera]] é um [[lexico:p:pensamento-claro-e-distinto:start|pensamento claro e distinto]]. Posso eu duvidar de que a esfera existe? Posso eu duvidar de que o [[lexico:f:fato:start|fato]] pensado no [[lexico:o:objeto:start|objeto]] geométrico da esfera é um objeto [[lexico:r:real:start|real]]? Aqui parece que nestes pensamentos claros e distintos a dúvida é difícil; e, todavia, tem que se levar a eles também a dúvida, porque, enfim, embora claros e distintos, são pensamentos. Por conseguinte, o [[lexico:u:unico:start|único]] indubitável que há neles é o [[lexico:a:ato:start|ato]] de [[lexico:p:pensar:start|pensar]], porém não o pensado no ato de pensar. A única coisa certa e segura quando eu penso a esfera, quando tenho o pensamento geométrico da esfera, é meu pensar a esfera. Mas, e a esfera mesma pensada por mim, objeto conteúdo do pensamento, existe ou não existe? No próprio pensamento não há a menor [[lexico:g:garantia:start|garantia]] de sua [[lexico:r:realidade:start|realidade]], de sua existência. Num pensamento claro e distinto existe uma porção de propensões a acreditar na realidade do objeto; porém no pensamento mesmo não existe nenhuma [[lexico:n:nota:start|nota]] que equivalha à garantia, por pequena que seja. de que o objeto exista, [[lexico:a:alem:start|além]] de estai contido no pensamento. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}