===== PATRÍSTICA ===== (in. Patristic; fr. Patristique, al. Patristik; it. Patristicà). Indica-se com este [[lexico:n:nome:start|nome]] a [[lexico:f:filosofia-crista:start|filosofia cristã]] dos primeiros séculos. Consiste na elaboração doutrinal das crenças religiosas do cristianismo e na sua defesa contra os ataques dos pagãos e contra as heresias. A patrística caracteriza-se pela indistinção entre [[lexico:r:religiao:start|religião]] e [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]]. Para os padres da Igreja, a religião cristã é a [[lexico:e:expressao:start|expressão]] íntegra e definitiva da [[lexico:v:verdade:start|verdade]] que a [[lexico:f:filosofia-grega:start|filosofia grega]] atingira imperfeita e parcialmente. Com [[lexico:e:efeito:start|efeito]], a [[lexico:r:razao:start|Razão]] ([[lexico:l:logos:start|Logos]]) que se fez [[lexico:c:carne:start|carne]] em Cristo e se revelou plenamente aos homens na sua [[lexico:p:palavra:start|palavra]] é a mesma que inspirara os filósofos pagãos, que procuraram traduzi-la em suas especulações. A patrística costuma [[lexico:s:ser:start|ser]] dividida em três períodos. O primeiro, que vai mais ou menos até o séc. III, é dedicado à defesa do Cristianismo contra seus adversários pagãos e gnósticos (Justino, Taciano, Atenágoras, Teófilo, Irineu, [[lexico:t:tertuliano:start|Tertuliano]], Minúcio Félix, Cipriano, Lactâncio). O segundo período, que vai do séc. III até aproximadamente a metade do séc. IV, é caracterizado pela formulação doutrinal das crenças cristãs; é o período dos primeiros grandes sistemas de filosofia cristã (Clemente de [[lexico:a:alexandria:start|Alexandria]], Orígenes, Basílio, Gregório Nazianzeno, Gregório de Nissa, S. [[lexico:a:agostinho:start|Agostinho]]). O [[lexico:t:terceiro:start|terceiro]] período, que vai da metade do séc. V até o [[lexico:f:fim:start|fim]] do séc. VIII, é caracterizado pela reelaboração e pela sistematização das doutrinas já formuladas, [[lexico:b:bem:start|Bem]] como pela [[lexico:a:ausencia:start|ausência]] de formulações originais (Nemésio, Pseudo-Dionísio, Máximo Confessor, João Damasceno, Marciano, Capella, [[lexico:b:boecio:start|Boécio]], Isidoro de Sevilha, Beda, o Venerável). A herança da patrística foi recolhida, no início do [[lexico:r:renascimento:start|Renascimento]] carolíngio, pela [[lexico:e:escolastica:start|escolástica]] . [[lexico:p:paz:start|paz]] (in. Peace; fr. Paix, al. Friede; it. Pacé). A mais famosa [[lexico:d:definicao:start|definição]] de patrística foi dada por Cícero, em Filípicas. "Pax est tranquilla libertas" (Phil., 2, 44, 113), muitas vezes repetida. De [[lexico:m:modo:start|modo]] mais [[lexico:g:geral:start|geral]], a patrística foi definida por [[lexico:h:hobbes:start|Hobbes]] como a cessação do [[lexico:e:estado:start|Estado]] de [[lexico:g:guerra:start|guerra]], ou seja, do conflito [[lexico:u:universal:start|universal]] entre os homens. Portanto, "procurar obter a patrística", segundo Hobbes, é a primeira [[lexico:l:lei:start|lei]] da [[lexico:n:natureza:start|natureza]] ([[lexico:l:leviata:start|Leviatã]], I, 14). Como Hobbes, [[lexico:k:kant:start|Kant]] julgava que o estado de patrística entre os homens [[lexico:n:nao:start|não]] é [[lexico:n:natural:start|natural]] e que, portanto, ele tem de ser instituído, pois "a ausência de hostilidade não significa segurança, e se esta não for garantida entre vizinhos (o que só pode realizar-se num estado legítimo) poderá ser tratado como inimigo aquele a [[lexico:q:quem:start|quem]] se tenha pedido essa [[lexico:g:garantia:start|garantia]] em vão" (Zum ewigen Frieden, 1796, § 2). Para Whitehead, a patrística é um [[lexico:c:conceito:start|conceito]] metafísico, "a [[lexico:h:harmonia:start|harmonia]] das harmonias que aplaca a turbulência destrutiva e completa a [[lexico:c:civilizacao:start|civilização]]" (Adventures of ldeas, XX, § 2). Dá-se o nome de patrística à fase da fundamentação e da fixação dos dogmas cristãos. Essa grande [[lexico:o:obra:start|obra]] foi realizada pelos primeiros padres da Igreja, nos primeiros séculos da era cristã. Entre os [[lexico:e:elementos:start|elementos]] representantes da patrística, temos os [[lexico:a:apologistas:start|apologistas]], como São Justino, Taciano, [[lexico:s:santo:start|santo]] Hipólito, São Irineu, etc, cuja obra consistiu na defesa do cristianismo dos ataques vindos dos filósofos gregos. Entretanto, não foram indemnes às influências das outras escolas, incorporando muitos dos [[lexico:p:principios:start|princípios]], que eram expostos nas doutrinas dos combatidos, sempre, naturalmente, tornando-os coerentes com os princípios cristãos. Na [[lexico:r:realidade:start|realidade]], os primeiros padres fizeram uma obra de [[lexico:e:ecleticismo:start|ecleticismo]], aproveitando da filosofia clássica tudo que não desmentisse os princípios do cristianismo e que viesse em seu auxílio, para corroborar os princípios que dominavam a nova doutrina, que surgia para completar o afã de [[lexico:s:salvacao:start|salvação]], [[lexico:a:agora:start|agora]] sob um ângulo totalmente novo. O [[lexico:h:homem:start|homem]] era salvo por [[lexico:d:deus:start|Deus]], que se encarnava em homem (Jesus Cristo), para, pela sua [[lexico:m:morte:start|morte]] e, posteriormente, por sua ressurreição, abrir-lhe o [[lexico:c:caminho:start|caminho]] do [[lexico:c:ceu:start|céu]]. Surgem, depois, os primeiros teólogos sistemáticos, como São Clemente de Alexandria, Orígenes, São Basílio de Cesareia, São Gregório, etc, os quais estabeleceram os dogmas de um modo definitivo ante as heresias e os desvios que sucederam no cristianismo nas primeiras épocas. A patrística compreende toda a fase da [[lexico:a:atividade:start|atividade]] teológico-filosófica e religioso-política (que também se chama patrologia). É difícil estabelecer-se onde termina a patrística e onde começa a escolástica, que a sucede, e que iremos examinar em breve. [[lexico:t:termo:start|termo]] que designa de [[lexico:f:forma:start|forma]] genérica, a filosofia cristã nos primeiros séculos logo após o seu surgimento, ou seja, a filosofia dos Padres da Igreja, da qual se originará, mais [[lexico:t:tarde:start|Tarde]], a escolástica. A patrística surge quando o cristianismo se difunde e consolida como religião de importância [[lexico:s:social:start|social]] e [[lexico:p:politica:start|política]], e a Igreja se firma como [[lexico:i:instituicao:start|instituição]], formulando-se então a base filosófica da doutrina cristã, especialmente na [[lexico:m:medida:start|medida]] em que esta se opõe ao [[lexico:p:paganismo:start|paganismo]] e às heresias que ameaçam sua própria [[lexico:u:unidade:start|unidade]] interna. Predominam assim os textos apologéticos, em defesa do cristianismo. A patrística representa a [[lexico:s:sintese:start|síntese]] da filosofia grega clássica com a religião cristã, tendo seu início com a [[lexico:e:escola:start|escola]] de Alexandria, que revela um pensa-mento influenciado pelo [[lexico:e:espiritualismo:start|espiritualismo]] neoplatônico e pela doutrina [[lexico:e:etica:start|ética]] do [[lexico:e:estoicismo:start|estoicismo]]. Destacam-se: são Justino Mártir (c.105-c.165) e Clemente de Alexandria (c.150-c.215), Orígenes (c.185-254). A escola de Capadócia desenvolveu-se no Império Romano do Oriente (Constantinopla), com são Basílio (330-389), são Gregório Nazianzeno (c.329-c.390) e são Gregório de Nissa (c.335-c.395). Temos ainda, na [[lexico:t:tradicao:start|tradição]] grega do Oriente, o Pseudo-Dionísio, o Areopagita (séc.Vl), são Máximo, o Confessor (580-662) e s. João Damasceno (c.674-c.749), todos de [[lexico:i:influencia:start|influência]] neoplatônica. O principal [[lexico:f:filosofo:start|filósofo]] de tradição patrística, pelo [[lexico:g:grau:start|grau]] de elaboração de sua obra, por sua [[lexico:o:originalidade:start|originalidade]] e influência durante o [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]] da filoso-fia cristã no período medieval, foi santo Agostinho, sendo seu tratado Sobre a doutrina cristã um dos mais representativos dessa tradição. A principal [[lexico:f:fonte:start|fonte]] para o [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] de textos de patrística é a Patrologia grega e latina, editada por J.P. Migne no séc.XIX, publicada em Viena. O imenso acervo constante da Bíblia e das respostas, interpretações, sínteses, apologias, exortações, definições, homilias, condenações, martírios, perseguições, hagiografias, [[lexico:a:ascese:start|ascese]] e [[lexico:m:mistica:start|mística]] sobre a [[lexico:v:vida:start|vida]] e a doutrina, a [[lexico:m:moral:start|moral]] e a organização, a liturgia sacramental e a [[lexico:h:hierarquia:start|hierarquia]] de todos estes séculos, constitui o [[lexico:l:legado:start|legado]] da Patrística, isto é, dos Padres Apostólicos, dos Padres Apologetas e dos Padres Dogmáticos, tanto gregos, como latinos. Foi [[lexico:t:todo:start|todo]] este legado que passou e se transmitiu à posteridade. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}