===== PARALELISMO PSICOFÍSICO ===== (in. Psychophysical parallelism; fr. Parallelisme psychophysique, al. Psychophysischer Parallelismus; it. Parallelismo psicofisicó). Esta [[lexico:e:expressao|expressão]] foi inventada por Fechner (Zendavesta, II, p. 141), para designar a doutrina segundo a qual os eventos psíquicos e os físicos constituem duas séries paralelas, que [[lexico:n:nao|não]] agem uns sobre os outros, mas são causalmente determinados somente pelos eventos homogêneos: os mentais pelos mentais, e os físicos pelos físicos. Essa doutrina era sugerida pela exigência (ou pelo [[lexico:d:desejo|desejo]]) de não submeter os eventos mentais à [[lexico:c:causalidade|causalidade]] dos eventos físicos e pela [[lexico:i:impossibilidade|impossibilidade]] de considerar estes últimos dependentes dos primeiros. Durante várias décadas, serviu de [[lexico:h:hipotese|hipótese]] de [[lexico:t:trabalho|trabalho]] para a [[lexico:p:psicologia|psicologia]] [[lexico:e:experimental|experimental]], em sua fase inicial de organização como [[lexico:c:ciencia|ciência]] autônoma ou relativamente autônoma (v. psicologia). Foi, portanto, admitida e adotada por aqueles que contribuíram para os primeiros passos dessa ciência, em [[lexico:p:particular|particular]] por [[lexico:w:wundt|Wundt]]. Este entendeu como "[[lexico:p:principio|princípio]] do paralelismo psicofisico" o princípio de que "todos os conteúdos empíricos que pertencem simultaneamente à [[lexico:e:esfera|esfera]] de consideração mediata ou científica e à imediata ou psicológica estão em [[lexico:r:relacao|relação]] recíproca, porquanto cada [[lexico:e:evento|evento]] elementar do [[lexico:c:campo|campo]] [[lexico:p:psiquico|psíquico]] exprime um evento correspondente no campo [[lexico:f:fisico|físico]]" (System der Philosophie, 2a ed., 1897, p. 602). Essa doutrina contrapunha-se, por um lado, ao [[lexico:m:monismo|monismo]] , que tende a reduzir os eventos mentais a eventos físicos ou, pelo menos, a submeter os eventos mentais à causalidade dos eventos físicos, e, por [[lexico:o:outro|outro]] lado, ao [[lexico:e:espiritualismo|espiritualismo]] , que consiste na tentativa simetricamente oposta. Por isso, foi [[lexico:b:bem|Bem]] aceita como hipótese de trabalho de investigações que não queriam ancorar a sua [[lexico:v:validade|validade]] em nenhuma [[lexico:m:metafisica|metafísica]]. No período em que a doutrina do paralelismo constituiu o [[lexico:p:pressuposto|pressuposto]] da psicologia experimental e foi [[lexico:t:tema|tema]] de grande [[lexico:n:numero|número]] de discussões entre psicólogos e entre filósofos, alguns procuraram ligá-la a ilustres precedentes históricos; o mais óbvio desses precedentes era sem [[lexico:d:duvida|dúvida]] a metafísica de [[lexico:s:spinoza|Spinoza]]. Spinoza, com [[lexico:e:efeito|efeito]], dissera que "um [[lexico:m:modo|modo]] da [[lexico:e:extensao|extensão]] e a [[lexico:i:ideia|ideia]] desse modo são uma e mesma [[lexico:c:coisa|coisa]], expressa de duas maneiras" (Et., II, VII, Schol.), e negara a interferência da causalidade da extensão e da causalidade do [[lexico:p:pensamento|pensamento]], afirmando que a [[lexico:c:causa|causa]] de um pensamento é sempre um pensamento e que a causa de um [[lexico:c:corpo|corpo]] é sempre um corpo (Ibid., III, 2), enquanto a [[lexico:o:ordem|ordem]] e a concatenação das [[lexico:c:coisas|coisas]] são sempre as mesmas (Ibid., III, 2, Schol.). Estas afirmações podiam [[lexico:s:ser|ser]] interpretadas como expressão da doutrina do paralelismo, embora a [[lexico:i:intencao|intenção]] de Spinoza não fosse afirmar a independência causal recíproca entre fatos físicos e mentais, mas sim a sua [[lexico:s:subordinacao|subordinação]] comum à causalidade direta de [[lexico:d:deus|Deus]]. A doutrina de Spinoza na [[lexico:v:verdade|verdade]] não é um paralelismo, mas um monismo panteísta. Aliás, a doutrina do paralelismo não deve seus sucessos à sua validade metafísica, mas, ao contrário, à [[lexico:l:limitacao|limitação]] do [[lexico:c:compromisso|compromisso]] metafísico que ela implicava, podendo ser aceita como hipótese de trabalho independentemente da [[lexico:c:crenca|crença]] monista ou espiritualista, não excluindo nem uma, nem outra. Quando a psicologia abandonou essa doutrina, ela caiu em desuso e deixou de ser tema vivo de [[lexico:d:discussao|discussão]].