===== ORIGEM DA SOCIEDADE ===== Ou a [[lexico:s:sociedade:start|sociedade]] humana surgiu das necessidades naturais dos entes que a compõem, ou foi o resultado de um [[lexico:a:acordo:start|acordo]] de [[lexico:v:vontade:start|vontade]], de uma [[lexico:d:deliberacao:start|deliberação]] tomada pelos indivíduos, com o intuito de constitui-la. Entretanto há [[lexico:l:lugar:start|lugar]] para uma terceira [[lexico:p:posicao:start|posição]], a qual afirmaria que a [[lexico:c:causa:start|causa]] eficiente da sociedade, para usarmos a linha aristotélica, é constituída [[lexico:n:nao:start|não]] só de uma [[lexico:t:tendencia:start|tendência]] [[lexico:n:natural:start|natural]] dos seus [[lexico:e:elementos:start|elementos]] a formarem uma coletividade, mas também de um "acordo ao estabelecê-la". Deste [[lexico:m:modo:start|modo]], os seres humanos têm uma tendência natural a formar uma coletividade, mas estabelecem simultaneamente normas para [[lexico:e:esse:start|esse]] convívio. Nessa posição sintética, que reúne numa concreção as duas primeiras, a sociedade humana tem uma base [[lexico:e:etica:start|ética]], pois as [[lexico:r:relacoes:start|relações]] meramente biológicas estão também presididas por manifestações de [[lexico:i:inteligencia:start|inteligência]], que a distingue das outras coletividades animais. Essa [[lexico:p:parte:start|parte]] inteligente, que é uma [[lexico:r:revelacao:start|revelação]] da vontade e do seu arbítrio, dar-lhe-ia, portanto, a sua [[lexico:c:caracteristica:start|característica]] humana. A [[lexico:t:teoria:start|teoria]] contratualista da sociedade (que se funda na afirmativa de que esta surge de uma convenção e de um acordo entre as consciências) opõe-se à teoria, segundo a qual a sociedade [[lexico:n:nada:start|nada]] mais é que o resultado de um [[lexico:p:processo:start|processo]] evolutivo da primeira [[lexico:s:substancia:start|substância]], quer seja ela a [[lexico:m:materia:start|matéria]] ou o [[lexico:e:espirito:start|espírito]], que prossegue sua linha evolutiva até alcançar formas superiores, em [[lexico:o:obediencia:start|obediência]] a uma [[lexico:l:lei:start|lei]] inflexível do [[lexico:d:determinismo:start|determinismo]] [[lexico:u:universal:start|universal]]. Nela há diversas escolas que se diferenciam sob vários aspectos mas, em suas linhas gerais, todas defendem a naturalidade da sociedade, como a sua [[lexico:o:origem:start|origem]] e não o [[lexico:p:produto:start|produto]] de um acordo entre os homens, como na concepção contratualista de [[lexico:r:rousseau:start|Rousseau]], por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]]. A [[lexico:e:escola:start|escola]] naturalista considera a sociedade um [[lexico:o:organismo:start|organismo]] vivo. [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] e posteriormente outros pensadores, [[lexico:p:pascal:start|Pascal]], [[lexico:v:vico:start|Vico]], [[lexico:c:condorcet:start|Condorcet]] notaram as analogias entre a sociedade humana e um [[lexico:s:ser:start|ser]] vivo. [[lexico:k:kant:start|Kant]] considerou a sociedade humana como um grande organismo, e seguiram essa [[lexico:o:orientacao:start|orientação]] os hegelianos, o [[lexico:p:positivismo:start|positivismo]] de [[lexico:c:comte:start|Comte]] e o [[lexico:e:evolucionismo:start|evolucionismo]] de [[lexico:s:spencer:start|Spencer]]. Com Savigny afirma-se o [[lexico:s:sentido:start|sentido]] panteísta socialista alemão, que é a [[lexico:t:tese:start|tese]] fundamental da [[lexico:e:escola-historica:start|Escola Histórica]]. Para esta há uma [[lexico:f:forca:start|força]] [[lexico:l:latente:start|latente]] e fatal que governa o [[lexico:m:mundo:start|mundo]] e o impele pelo [[lexico:c:caminho:start|caminho]] do [[lexico:p:progresso:start|progresso]] universal. Ela se opõe à contratualista francesa, que afirma a [[lexico:p:presenca:start|presença]] e a atuação da vontade humana na direção da [[lexico:h:historia:start|história]], para afirmar contrário, pois aquela é apenas o produto de uma [[lexico:e:evolucao:start|evolução]] natural. [[lexico:h:hegel:start|Hegel]] atribuiu ao [[lexico:e:estado:start|Estado]] a mesma lei, pois este nada mais é que a [[lexico:i:ideia:start|ideia]] universal, no [[lexico:f:fieri:start|fieri]] (Werden), no [[lexico:d:devir:start|devir]], que se realiza sucessivamente nos diversos Estados orientais, gregos e latinos até alcançar a [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] de [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]] no Estado germânico, que representará o Espírito, no ápice da evolução humana. Estabelece Comte três estados: o teológico ou fictício, o metafísico ou abstrativo e o científico ou [[lexico:p:positivo:start|positivo]], pelos quais passa [[lexico:t:todo:start|todo]] o nosso [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]]. É a famosa lei dos três estados. Na primeira, todos os problemas são solucionados, recorrendo-se às forças sobrenaturais; na segunda, por abstrações metafísicas e, finalmente, busca-se nas ciências positivas a solução dos problemas humanos. Ele desprezou a [[lexico:r:religiao:start|religião]] e a [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] e aconselhou apenas a aplicação científica pela [[lexico:o:observacao:start|observação]] dos fatos sociais, pela sua [[lexico:c:classificacao:start|classificação]] ,pelo seu relacionamento e, finalmente, pela [[lexico:i:inducao:start|indução]], alcançar as leis que os regem. Sua concepção da [[lexico:s:sociologia:start|sociologia]] era, portanto, biológica, como esta era, por sua vez, uma realização do físico-químico. A sociedade é um organismo, onde se dava a presença das mesmas leis biológicas 1) as partes constituintes são heterogêneas, mas solidárias, pois sua [[lexico:a:atividade:start|atividade]] se orienta para conservação do conjunto; 2) a [[lexico:d:divisao:start|divisão]] das funções especiais é [[lexico:s:semelhante:start|semelhante]] à do ser biológico; 3) a presença nessas funções da [[lexico:e:espontaneidade:start|espontaneidade]], da [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]] e da [[lexico:i:imanencia:start|imanência]]; 4) a [[lexico:s:subordinacao:start|subordinação]] de todas as partes a um poder central e [[lexico:s:superior:start|superior]]. Comte aceitava, quanto à [[lexico:o:origem-da-sociedade:start|origem da sociedade]], a tese evolucionista. Spencer negava validez à lei dos três estados, mas aceitava a evolução da sociedade; um organismo [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] à evolução. Contudo essa lei não é o Espírito de Hegel, mas a matéria, que apresenta três fases evolutivas: a inorgânica, a orgânica e a superorgânica ou [[lexico:s:social:start|social]]. Contudo não há solução de continuidade entre a evolução orgânica e a superorgânica, pois esta surge irresistivelmente, embora gradativamente, da primeira. As primeiras manifestações superorgânicas são observadas na [[lexico:a:acao:start|ação]] dos animais, no cuidado da prole, na construção dos abrigos, etc. Mas é precisamente na [[lexico:a:associacao:start|associação]] dos indivíduos para a consecução de um [[lexico:f:fim:start|fim]] comum que ele encontra a [[lexico:m:manifestacao:start|manifestação]] mais segura dessa lei evolutiva, que apresenta graus superiores e inferiores. Na [[lexico:p:preocupacao:start|preocupação]] organicista e evolucionista da sociedade, os seus defensores buscaram analogias com a [[lexico:f:fisiologia:start|fisiologia]] e a [[lexico:b:biologia:start|biologia]] empregando, assim, a [[lexico:t:terminologia:start|terminologia]] dessas ciências na [[lexico:d:descricao:start|descrição]] dos fatos sociais como: [[lexico:s:sistema:start|sistema]] ganglionar da sociedade, elementos histológicos da sociedade, sistema nervoso social, metabolismo social, etc., do mesmo modo que os mecanicistas empregam os termos da [[lexico:m:mecanica:start|mecânica]]: [[lexico:d:dinamica:start|dinâmica]] social, [[lexico:m:mecanismo:start|mecanismo]] social, aparelho social, etc. Reuniram os defensores de tais [[lexico:i:ideias:start|ideias]] uma [[lexico:s:serie:start|série]] de provas, fundadas em argumentos com base nas analogias. Pode-se dizer que a concepção organicista da sociedade foi uma [[lexico:r:reacao:start|reação]] à concepção contratualista. É da cosmovisão do empresário utilitário considerar a sociedade dentro da sua [[lexico:v:visao:start|visão]] filosófica, e esta inclui como possibilidades teóricas a visão contratualista e a organicista. Sabemos que é fundamental do [[lexico:h:homem:start|homem]] de negócios a [[lexico:l:liberdade:start|liberdade]] de exercício e de aplicação de seus métodos, sem os quais a sua atividade é coartada. Considerar a sociedade como uma organização religiosa é [[lexico:c:criar:start|criar]] embaraços à sua ação. É mister demonstrar que tudo decorre da [[lexico:n:natureza-humana:start|natureza humana]] e esta obedece às leis da sua própria [[lexico:n:natureza:start|natureza]]. A concepção evolucionista já representa uma defecção dos verdadeiros interesses do empresário, e indica um [[lexico:r:risco:start|risco]] [[lexico:h:historico:start|histórico]] importante. A solução só pode ser a de afirmar um final evolucionista; ou seja, que o empresário utilitário e sua concepção do mundo representam, não só o ápice, mas o fecho da evolução. Foi o que pretendeu Comte com a sua lei dos três estados, conscientemente ou não, mas como decorrência [[lexico:l:logica:start|lógica]] das premissas estabelecidas pela concepção do empresário utilitário. São evidentes as deficiências do positivismo, que dando validez apenas ao experimentável, quer resolver negativamente; ou seja, negar [[lexico:v:valor:start|valor]] ao que não é mais experimentável. Por sua vez os evolucionistas realizam um [[lexico:e:erro:start|erro]] de indução, pois concluem pela visão unilateral e exclusivista dos fatos, pela [[lexico:i:interpretacao:start|interpretação]] equívoca que dos mesmos fazem e levam, ademais, suas conclusões a um âmbito maior do que realmente tem. Seus defeitos estão, pois, no considerar que os fatos humanos são apenas orgânicos, esquecendo a [[lexico:f:funcao:start|função]] do [[lexico:a:ato-humano:start|ato humano]] e a presença da cognição, da vontade e da liberdade na orientação dos mesmos. Concretamente o homem é o ser biológico, mas também o [[lexico:p:psicologico:start|psicológico]], o ético, etc. Por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado consideram o que era apenas [[lexico:a:analogico:start|analógico]] como [[lexico:i:identico:start|idêntico]], porque o funcionar social não é senão [[lexico:a:analogo:start|análogo]] ao funcionar biológico. Consequentemente as ilações finais são falsas. Não se quer negar o que há de positividade em tais teorias. Mas elas pecam por abstratismo, salientando um dos fatores sociais e negando a cooperação dos outros, sem os quais a visão social será unilateral e falsa. Essas doutrinas influem na [[lexico:m:mentalidade:start|mentalidade]] cesariocrata, que delas extrai a doutrina da [[lexico:n:negacao:start|negação]] absoluta do [[lexico:d:direito:start|direito]] individual e da submissão total do [[lexico:i:individuo:start|indivíduo]] ao Estado, explorando sempre em todas as doutrinas o [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] que negue a liberdade humana ou postula a submissão desta à vontade do Estado. Daí pode alcançar até o [[lexico:t:totalitarismo:start|totalitarismo]] igualitário, porque a [[lexico:f:familia:start|família]], as classes e as corporações são elementos diferenciantes, e por possuírem interesses próprios, contrários ao [[lexico:i:interesse:start|interesse]] [[lexico:g:geral:start|geral]] em muitos aspectos, são considerados por isso como elementos perturbadores do interesse coletivo. A concepção evolucionista gera a tese da [[lexico:l:luta:start|luta]] pela [[lexico:e:existencia:start|existência]], que é evidente biologicamente e, consequentemente, favorece a teoria da luta de classes e a concepção da concorrência do empresário utilitário. Por outro lado, predispõe a [[lexico:j:justificacao:start|justificação]] do [[lexico:l:liberalismo:start|liberalismo]] econômico, que por sua vez gera o [[lexico:s:socialismo:start|socialismo]] igualitário, que é uma [[lexico:i:ideologia:start|ideologia]] cesaresca. E essa luta absorve a [[lexico:a:atencao:start|atenção]] de muitos, levando-os ao parcialismo inevitável de uma visão abstratista, porque se funda numa [[lexico:r:realidade-social:start|realidade social]], num dos fatores da sociedade, mas virtualiza outros, sem os quais não pode haver uma visão concreta da sociedade. A concepção social da sociedade para a [[lexico:f:filosofia-crista:start|filosofia cristã]] admite que a sociedade é fundamental da natureza humana, uma [[lexico:i:instituicao:start|instituição]] natural e corresponde à [[lexico:e:emergencia:start|emergência]] humana. Contudo a sociedade civil não decorre diretamente dessa natureza, mas indiretamente, porque nesta os fatos passam a atuar nas novas relações entre os membros da sociedade. Deste modo, parte da organização social decorre diretamente da natureza e parte decorre do exercício da vontade humana. Ademais, as sedimentações formadas atuam na heterogeneização das relações humanas. Quanto à origem da sociedade, a concepção contratualista afirma que é o produto livre da vontade humana; a naturalista, que é uma decorrência da natureza humana ou de um poder superior inteligente, como Espírito (Hegel) ou a matéria (Spencer). A concepção cristã afirma que é a [[lexico:o:obra:start|obra]] de um espírito superior, que [[lexico:f:forma:start|forma]] o homem com [[lexico:d:destino:start|destino]] natural à sociedade, sem prescindir o papel da vontade humana. Como o homem é uma criatura, a origem final e remota se encontra na divindade criadora. A concepção cristã é, pois, uma concepção genericamente hierática, e especificamente teocrática, que considera o papel e a importância que o homem, com a sua vontade, exerce sobre a história e o seu [[lexico:p:proprio:start|próprio]] destino, reunindo as positividades naturalistas e as contratualistas, e religa o homem ao Ser Supremo. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}